Questões de Vestibular UECE 2020 para Vestibular - Conhecimentos Específicos - Segundo Dia - Prova 1 - Filosofia e Sociologia
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“Existem novos deuses crescendo nos Estados Unidos, apoiando-se em laços cada vez maiores de crenças: deuses de cartão de crédito e de autoestrada, de internet e de telefone, de rádio, de hospital e de televisão, deuses de plástico, de bipe e de néon. Deuses orgulhosos, gordos e tolos, inchados por sua própria novidade e por sua própria importância. Eles sabem da nossa existência e têm medo de nós, e nos odeiam – disse Odin. – Vocês estão se enganando se acreditam que não. Eles vão nos destruir, se puderem. É hora de a gente se agrupar. É hora de agir”.
Gaiman, Neil. Deuses americanos. São Paulo: Conrad
Editora do Brasil, 2011. P.114-115.
Considerando as características do conhecimento mítico e a citação acima, atente para o que se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) A narrativa mítica foi a primeira e mais duradoura forma de explicação do mundo, persistindo até os dias atuais, mesmo que de forma não preponderante.
( ) A interpretação do mundo e dos acontecimentos baseada na existência de divindades supremas reflete a necessidade humana por respostas que nem mesmo a ciência pode dar.
( ) Divindades são criaturas eternas e sobrenaturais. Elas existem, de fato, e não podem ser representadas por objetos ou pessoas.
( ) Persiste, mesmo na sociedade contemporânea, o que era habitual das civilizações totêmicas: o culto de objetos concretos, aos quais se atribui o poder de controle sobre a vida dos indivíduos.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
“Nosso método, contudo, é tão fácil de ser apresentado quanto difícil de se aplicar. Consiste no estabelecer os graus de certeza, determinar o alcance exato dos sentidos e rejeitar, na maior parte dos casos, o labor da mente, calcado muito de perto sobre aqueles, abrindo e promovendo, assim, a nova e certa via da mente, que, de resto, provém das próprias percepções sensíveis”.
Bacon, Francis. Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza. http://br.egroups.com/group/acropolis.
A passagem acima define a concepção do pensador londrino sobre A) o método
“O aparecimento da polis constitui, na história do pensamento grego um acontecimento decisivo. O que implica o sistema da polis é primeiramente uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. Uma segunda característica é o cunho da plena publicidade dada às manifestações mais importantes da vida social”.
VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. P.34-35/adaptado.
Sobre a relação entre o aparecimento da polis grega e o nascimento do pensamento filosófico, é correto afirmar que
“Falar no ‘realismo' de Maquiavel equivale, portanto, a ter aceitado o ponto de vista de Maquiavel: o ‘mal’ é politicamente mais significativo, mais ‘real’ do que o ‘bem’. Para contrastá-lo com Aristóteles, diríamos que descreveu a vida política dentro da perspectiva de seus primórdios ou suas origens – amiúde violentas e injustas – e não mais dentro da perspectiva de seu fim”.
MANENT, Pierre. História intelectual do liberalismo: dez lições. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1990. P. 27-29. Adaptado.
A partir da leitura do excerto acima e considerando o pensamento político de Maquiavel, assinale a afirmação verdadeira.
( ) Como principal discípulo de Sócrates, Platão seguiu, inicialmente, os passos do mestre até romper com ele, ao optar por um pensamento mais sistemático.
( ) Tanto Sócrates quanto Platão defendiam o poder do pensamento racional como principal ferramenta de aproximação da verdade sobre o mundo real.
( ) Sócrates, como um dos principais pensadores sofistas foi o iniciador do pensamento filosófico cosmológico, dedicado à especulação sobre a natureza, sobre o cosmo.
( ) A Alegoria da caverna, escrita por Platão, é uma representação, uma metáfora sobre o mundo, concebida por ele para explicitar o modelo de um mundo dual: um racional, verdadeiro, e outro sensível, falso.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
"Mas que quer ainda você com ideais mais nobres! Sujeitemo-nos aos fatos: o povo venceu – ou 'os escravos', ou 'a plebe', ou 'o rebanho', ou como quiser chamá-lo se isto aconteceu graças aos judeus, muito bem! Jamais um povo teve missão maior na história universal. 'Os senhores' foram abolidos; a moral do homem comum venceu. A 'redenção' do gênero humano (do jugo dos 'senhores') está bem encaminhada; tudo se judaíza, cristianiza, plebeíza visivelmente (que importam as palavras!)”.
Nietzsche, Friedrich. Para a genealogia da moral - Prólogo. Primeira dissertação §9.
Considerando a compreensão de Nietzsche acerca do fundamento moral do ocidente, assinale a afirmação verdadeira.
“O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos; nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Por que nos queixamos da Natureza? Ela mostrou-se benevolente: a vida, se souberes utilizá-la, é longa. Mas uma avareza insaciável apossa-se de um e de outro, uma laboriosa dedicação a atividades inúteis, um embriaga-se de vinho, outro entorpece-se na inatividade; alguns não definiram para onde dirigir sua vida, e o destino surpreende os esgotados e bocejantes, de tal forma que não duvido ser verdadeiro o que disse, à maneira de oráculo, o maior dos poetas: ‘Pequena é a parte da vida que vivemos’. Pois todo o restante não é vida, mas tempo”.
Sêneca. Sobre a brevidade da vida. Coleção L&PM Pocket – Literatura clássica internacional. Cap 1-2. Versículo 2-4. Adaptado.
Considere as seguintes afirmações a respeito da doutrina estoica:
I. Para o estoicismo, o homem é um microcosmo no macrocosmo; é parte do universo, do cosmo. Uma conduta ética deve estar de acordo com os princípios da natureza para, assim, atingir-se a felicidade.
II. Para o estoicismo, a felicidade consiste no abandono de todo autocontrole e austeridade com a negação de qualquer determinação natural. O comportamento ético impõe conquista e não aceitação.
III. A ética estoica carrega um forte determinismo e um certo fatalismo: por esta razão, teve imensa influência na ética cristã em sua aceitação dos acontecimentos.
Está correto o que se afirma em
“Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem toda coisa desejamos com vistas em outra, evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. A julgar pela vida que os homens levam em geral, a maioria deles, e os homens de tipo mais vulgar, parecem (não sem um certo fundamento) identificar o bem ou a felicidade com o prazer, e por isso amam a vida dos gozos. Pode-se dizer, com efeito, que existem três tipos principais de vida: a que acabamos de mencionar, a vida política e a contemplativa”.
Aristóteles. Ética à Nicômaco. 4. ed. — São Paulo: Nova Cultural, 1991. — Os pensadores; v. 2. P. 2-5. Adaptado.
Sobre a compreensão acerca do fundamento moral, é correto afirmar que Aristóteles
“É preciso, em primeiro lugar, afastar uma tese muito difundida segundo a qual o poder nas sociedades burguesas e capitalistas teria negado a realidade do corpo em proveito da alma, da consciência, da identidade. Nada é mais físico, mais corporal que o exercício do poder. Uma das primeiras coisas a compreender é que o poder não está localizado no aparelho de Estado e que nada mudará na sociedade se os mecanismos de poder que funcionam fora, abaixo, ao lado dos aparelhos de Estado a um nível muito mais elementar, quotidiano, não forem modificados”.
Foucault. Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. P.147-149. Adaptado.
Com base na passagem acima e tendo em vista a concepção de poder no pensamento de Foucault, assinale a afirmação verdadeira.
“O idealismo consiste na afirmação de que não existe outro ser senão o pensante; as demais coisas seriam apenas representações nos seres pensantes, às quais não corresponderia nenhum objeto. Eu afirmo, ao contrário: são-nos dadas coisas como objetos de nossos sentidos, existentes fora de nós, só que nada sabemos do que eles possam ser em si mesmos, conhecemos apenas as representações que produzem em nós ao afetarem nossos sentidos”.
Kant. Immanuel. Prolegómenos a toda a metafísica futura. Lisboa: Edições 70, 1987. p.68.
Estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento foi um dos principais desafios ao qual Kant se propôs a partir de sua filosofia transcendental. Sobre esta filosofia, é correto afirmar que
“Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de elementos especiais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa respirar a aura dessas montanhas, desse galho”.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. L&PM Editores. Edição do Kindle. Paginação irregular.
Considerando o conceito de aura, na obra supracitada, atente para as seguintes afirmações:
I. A aura representa a absoluta singularidade da obra artística, sua condição de exemplar único que se mostra aqui e agora e não pode ser repetida. É sua autenticidade.
II. Para Benjamin, a sociedade contemporânea destruiu a aura pela reprodução técnica das obras de arte, tornou impossível distinguir original e cópia e desfez a própria ideia de original e cópia.
III. Não há relação entre o conceito de aura de Benjamin e a ideia de aura das religiões. A aura religiosa refere-se ao culto aos deuses enquanto a aura artística refere-se apenas à reprodução da realidade.
É correto o que se afirma em
“O chamado desenvolvimento histórico repousa, em geral, sobre o fato de a última forma considerar as formas passadas como etapas que levam a seu próprio grau de desenvolvimento e raramente é capaz de fazer a sua própria crítica”;
MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. In Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978. P.120-121. Adaptado.
“A primeira premissa de toda a história humana é, naturalmente, a existência de indivíduos humanos vivos, a organização física destes indivíduos e a relação com o resto da natureza. Toda a historiografia tem de partir destas bases naturais e da sua modificação ao longo da história pela ação dos homens”.
MARX, Karl. Obras escolhidas. Lisboa: Edições Avante, 1982. P.8.
Sobre o método de abordagem da vida social denominado materialismo histórico, é correto afirmar que
“Logo só me resta concluir: tudo o que é igual ou superior à mente que exerce seu natural senhorio e acha-se dotada de virtude não pode fazer dela escrava da paixão. Não há nenhuma outra realidade que torne a mente cúmplice da paixão a não ser a própria vontade e o livre-arbítrio”.
Santo Agostinho. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. P.52.
No que diz respeito ao conceito de livre-arbítrio e à origem do mal na obra filosófica de Agostinho de Hipona, considere as seguintes afirmações:
I. Para Agostinho, o livre-arbítrio é sempre um bem concedido ao homem por Deus, mesmo que o homem utilize-o de forma errônea, o que provoca o mal.
II. Em concordância com a tradição dos pensamentos maniqueísta e neoplatônico, Santo Agostinho defendia a visão dualista de um mundo em perpétua luta entre o Bem e o Mal.
III. Segundo o bispo de Hipona, o mal não possui ser, não pertence à ordem, ele é a corrupção do ser e é de inteira responsabilidade do homem, enquanto ser livre.
É correto o que se afirma em
“Devemos, portanto, concluir que a origem de todas as grandes e duradouras sociedades não provém da boa vontade recíproca que os homens tivessem uns para com os outros, mas do medo recíproco que uns tinham dos outros”.
Hobbes. Thomas. Do cidadão. São Paulo: Martins Fontes, 1992. P.32.
Com base na citação acima e atentando para a compreensão que possuía Thomas Hobbes a respeito da origem da sociedade, é correto afirmar que
Leia atentamente as seguintes citações: “
Artigo 1 – Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”; “
Artigo 3 – Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”; “
Artigo 6 – Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei”.
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assembleia Geral das Nações Unidas Resolução 217 A III. Dezembro, 1948.
O que chamamos de Direitos Humanos constitui-se de um conjunto de orientações universais e formais que apontam para a garantia de direitos básicos que contribuem para o bem viver em sociedades democráticas. Considerando essa proposição, avalie o que se afirma a seguir:
I. Como são de caráter universal, os Direitos Humanos referem-se a todo e qualquer ser humano sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião.
II. A realidade da falta de moradias dignas e de segurança alimentar para grandes parcelas da população em países como o Brasil tem demonstrado, até os dias de hoje, a incapacidade da concretização plena de Direitos Humanos básicos.
III. Os Direitos Humanos foram criados depois da Segunda Guerra Mundial para proteger os mais pobres e humildes e, portanto, eles garantem mais direitos aos mais fracos e menos direitos aos poderosos.
É correto o que se afirma em
“Enquanto a filosofia moral se colocar a tarefa de contribuir para o aclaramento das intuições cotidianas adquiridas no curso da socialização, ela terá que partir, pelo menos virtualmente, da atitude dos participantes da prática comunicativa cotidiana”.
Habermas, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989. P.67.
Considerando a concepção de eticidade discursiva de Habermas, assinale a proposição verdadeira.
“A consciência-de-si é em-si e para-si quando e porque é em si e para uma Outra, quer dizer, só é como algo reconhecido. Inicialmente uma consciência visa submeter a outra, ao apreendê-la como objeto. Porém precisa ser reconhecida pela outra como sujeito. Mas o outro é também uma consciência-em-si. Um indivíduo se confronta com outro indivíduo. Uma, a consciência independente, outra a consciência dependente. Uma é o senhor, outra é o escravo”.
Hegel, W. F. Fenomenologia do espírito. Parte I, seç. III. §§178 – 196.
A partir da leitura da passagem acima e considerando o pensamento hegeliano a respeito do processo de conhecimento, é correto dizer que
Sobre a ação da Indústria Cultural vista nesta perspectiva, é correto afirmar que
“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer ‘isto é meu’ e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras assassínios misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas, tivesse gritado aos semelhantes: ‘Defendei-vos de ouvir esse impostor’”.
Rousseau, J.J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. São Paulo. Abril Cultural, 1978. P.259.
A filosofia política de Rousseau