Questões de Vestibular UFJF 2024 para Vestibular - Módulo 3 - Humanas - Dia 1

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Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Humanas - Dia 1 |
Q3746714 Literatura

Sete annos de pastor Jacob servia


Luís Vaz de Camões


Sete annos de pastor Jacob servia

Labão, pae de Raquel, serrana bella:

Mas n˜ao servia ao pae, servia a ella,

Que a ella só por premio pertendia.


Os dias na esperança de hum só dia

Passava, contentando-se com vella:

Porém o pae, usando de cautella,

Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.


Vendo o triste Pastor que com enganos

Assi lhe era negada a sua Pastora,

Como se a não tivera merecida;


Começou a servir outros sete annos,

Dizendo: Mais servíra, senão fôra

Para tão longo amor tão curta a vida.


Fonte: CAMOES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.

Assinale a ´unica alternativa INCORRETA sobre o poema de Camões. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Humanas - Dia 1 |
Q3746715 Literatura

Sete annos de pastor Jacob servia


Luís Vaz de Camões


Sete annos de pastor Jacob servia

Labão, pae de Raquel, serrana bella:

Mas n˜ao servia ao pae, servia a ella,

Que a ella só por premio pertendia.


Os dias na esperança de hum só dia

Passava, contentando-se com vella:

Porém o pae, usando de cautella,

Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.


Vendo o triste Pastor que com enganos

Assi lhe era negada a sua Pastora,

Como se a não tivera merecida;


Começou a servir outros sete annos,

Dizendo: Mais servíra, senão fôra

Para tão longo amor tão curta a vida.


Fonte: CAMOES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.

Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Humanas - Dia 1 |
Q3746716 Literatura
Desenganos da vida humana,

metaforicamente

Gregório de Matos* 

É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

*Poema antologicamente reconhecido como de autoria de Gregório de Matos

Fonte: MATOS, Gregório. Desenganos da vida humana, metaforicamente In: Wisnik, José Miguel (org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Edição vestibular. São Paulo: Companhia das letras, 2015, p.340.

GLOSSÁRIO:

Airosa : esbelto, gracioso.

Soberba : orgulho, altivez.

Galheota : pequena embarcação a remo, usada para o transporte do rei.

Presumida : vaidosa.

De abril favorecida : favorecida pela primavera que inicia em abril na Europa.

Empavesado : enfeitado, adornado, guarnecido de paveses (=proteção nas embarcações).

Ufana : que se orgulha de algo, vaidoso.

Fênix : divindade da mitologia egípcia, símbolo da imortalidade, personificada em uma ave que renascia das próprias cinzas.

Galhardia : garbo, elegância.

Aprestar : preparar com prontidão.

Alento : sopro, bafejo.

Penha : penhasco, rochedo.
Considerando o soneto “Desenganos da vida humana, metaforicamente”, texto III, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2024 - UFJF - Vestibular - Módulo 3 - Humanas - Dia 1 |
Q3746718 Literatura
Texto IV

PROSOPOPÉIA

Bento Teixeira

I

Cantem Poetas o Poder Romano,

Sobmetendo Nações ao jugo duro;

O Mantuano pinte o Rei Troiano,

Descendo à confusão do Reino escuro;

Que eu canto um Albuquerque soberano,

Da Fé, da cara Pátria firme muro,

Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,

Pode estancar a Lácia e Grega lira.

II

As Délficas irmãs chamar não quero,

que tal invocação é vão estudo;

Aquele chamo só, de quem espero

A vida que se espera em fim de tudo.

Ele fará meu Verso tão sincero, 

Quanto fora sem ele tosco e rudo,

Que per rezão negar não deve o menos

Quem deu o mais a míseros terrenos.

Fonte: Teixeira, Bento. Prosopopeia. Rio de Janeiro: Typ. do Imperial Instituto Artistico, 1873. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242781. Acesso em: 09 jul.2024.

Glossário:

Délficas: Musas, deusas da poesia e irmãs de Apolo por parte de pai (Zeus)

Lácia: referente ao Lácio, região da Itália central.

Texto V

Nas palavras do crítico literário Alfredo Bosi, a intenção do poeta Bento Teixeira, ao escrever o poema épico “Prosopopeia”, é “encomiástica, e o objeto do louvor Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, que encetava a sua carreira de prosperidade graças à cana-de-açúcar. A imitação de Os Lusíadas é assídua, desde a estrutura até o uso dos chavões da mitologia e dos torneios sintáticos. O que há de não-português (mas não diria: de brasileiro) no poemeto, como a ‘Descrição do Recife de Pernambuco’, ‘Olinda Celebrada’ e o canto dos feitos de Albuquerque Coelho, entra a título de louvação da terra enquanto colênia, parecendo precoce a atribuição de um sentimento nativista a qualquer dos passos citados”.

Fonte: Bosi, Alfredo. História concisa da literatura. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015, p. 36.

GlOSSÁRIO:

Encomiástico: Elogioso, que faz elogio a algo ou alguém.
Considerando os dois textos, é possével afirmar que Prosopopeia, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características
Alternativas
Respostas
1: B
2: B
3: D
4: A