Questões de Vestibular Comentadas sobre não definido
Foram encontradas 37.525 questões
( ) D. Pedro I, em meio aos debates da Assembleia Constituinte, dissolveu a Assembleia e ordenou a prisão de diversos deputados, instituindo um Conselho de Estado que passou a ser responsável pela elaboração do texto constitucional.
( ) A constituição de 1824 estabeleceu um sistema de voto que permitia a participação de todos os homens livres nas eleições, porém nada falava acerca do voto feminino.
( ) A constituição, influenciada pelos debates abolicionistas, definiu o fim do tráfico internacional de escravos e a abolição gradual da escravidão no Império, garantindo indenizações aos proprietários.
( ) A nova constituição notabilizou-se pela centralização política e administrativa nas mãos do Imperador, principalmente através da criação do Poder Moderador.
A sequência correta do preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
I - As capitanias hereditárias configuraram grandes territórios distribuídos pela coroa portuguesa, cuja base econômica principal era a agromanufatura.
II - Os capitães-donatários podiam, em nome da coroa, exercer a justiça, o comando militar, o direito de alistar colonos, formar milícias e escravizar indígenas.
III- A coroa portuguesa, com a adoção das capitanias hereditárias, abdicou do seu poder sobre o território, descentralizando totalmente os poderes governamentais para os capitães-donatários.
Quais estão corretas?
Perguntava-me quais poderiam ser as causas e motivos que levavam tantos homens, clérigos e outros, a maldizer as mulheres e a condenar suas condutas em palavras, tratados e escritos. Isso não é questão de um ou dois homens [...] Filósofos, poetas e moralistas, e a lista poderia ser bem longa, todos parecem falar com a mesma voz para chegar à conclusão de que a mulher é profundamente má e inclinada ao vício. [...] Mas, pelo meu conhecimento e experiência e por mais que examinasse profundamente a questão, não conseguia compreender, nem admitir, a legitimidade de tal julgamento sobre a natureza e a conduta das mulheres.
CHRISTINE DE PIZAN. A cidade das damas. Tradução e apresentação de Luciana Eleonora de Freitas Calado Deplagne. Florianópolis: Editora Mulheres, 2012. p. 58-59.
Considerando o texto de Christine de Pizan (1363-1430) e a produção de conhecimento nos períodos conhecidos como medieval e moderno, é correto afirmar que
[...] na época de Maomé, o judaísmo e o cristianismo já estavam presentes e bem estabelecidos. O Profeta referia-se a uma revelação comum, que ele vinha completar e retificar por meio do Alcorão, última mensagem de Deus. Para os muçulmanos, judeus e cristãos eram crentes parciais, incompletos, inacabados, que haviam recebido uma parte da revelação. Para os cristãos, os judeus desempenhavam um papel semelhante, e eram, por assim dizer, ‘protegidos’ pelas mesmas razões, embora de maneira geralmente menos tolerante. Em compensação, consideravam o islã [...] como um desvio, uma heresia, uma perversão da religião revelada ou mesmo paganismo. [...] Outra diferença: o jihad prega a conquista; a guerra santa, a reconquista.
FLORI, Jean. Guerra Santa: formação da ideia de cruzada no ocidente cristão. Trad. Ivone Benedetti. Campinas: Editora UNICAMP, 2013. p. 357-358.
Sobre as relações entre as três religiões monoteístas, citadas no trecho acima, considere as afirmações abaixo.
I - As cruzadas diferenciavam-se da ideia de reconquista.
II - As convocações papais contra os muçulmanos, na época em que viveu Maomé (século VII da era Cristã), tornaram-se comuns por causa da expansão islâmica.
III- As acusações de heresia, perversão ou paganismo dos muçulmanos, feitas pelos cristãos, foram argumentos usados para justificar as cruzadas.
Quais estão corretas?
A descoberta de artefatos, sarcófagos e a estruturação de sítios arqueológicos no Egito datam do século XIX. Muitas dessas descobertas encontram-se em museus fora do Egito, e isso está relacionado, entre outros fatores, ao imperialismo e ao colonialismo das potências europeias daquele período. Uma das descobertas mais conhecidas é a de 1922 do túmulo de Tutancâmon (1.333 a.C. e 1.323 a.C.) em uma pirâmide no Vale dos Reis. Em abril de 2022, na cidade do Cairo, no Egito, aconteceu um grande desfile público de 22 sarcófagos com múmias. Elas foram levadas do Museu Egípcio para o recéminaugurado Museu Nacional da Civilização Egípcia. Um forte esquema de segurança e de tecnologia para o armazenamento das múmias garantiu que o cortejo acontecesse sem danos nas peças transportadas. No mês seguinte, foi anunciada a descoberta de mais de 250 sarcófagos, estátuas e um papiro com cerca de nove metros de comprimento em um sítio arqueológico perto da cidade do Cairo. Nesse papiro, há trechos do Livro dos Mortos.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre as sociedades do Egito Antigo e o conhecimento que se tem delas.
( ) Os faraós homens eram os únicos a serem mumificados.
( ) As descobertas arqueológicas permitem ampliar o conhecimento sobre as antigas sociedades.
( ) A dominação imperialista de algumas potências do século XIX gerou grande parte dos acervos de grandes museus fora do Egito.
( ) O papiro é uma planta que existia em grande quantidade no Egito antigo e era usada, entre outras coisas, para o registro escrito de diferentes tipos de informações.
A sequência correta do preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do segmento, na ordem em que aparecem.
O ........ caracteriza-se por veicular suas teses ideológicas e estéticas através de manifestos. O ........ recupera o padrão estético clássico, fazendo ressurgir a epopeia, enquanto o ........ busca na temática a identidade nacional, inaugurando o romance no Brasil.
[...] As pretas não eram sérias, as pretas tinham a cona larga, as pretas gemiam alto, porque as cadelas gostavam daquilo. Não valiam nada.
As brancas eram mulheres sérias. Que ameaça constituía para elas uma negra? Que diferença havia entre uma negra e uma coelha? Que branco perfilhava filhos a uma negra? Como é que uma negra descalça, de teta pendurada, vinda do caniço a saber dizer, sim, patrão, certo, patrão, dinheiro, patrão, sem bilhete de identidade, sem caderneta de assimilada, poderia provar que o patrão era o pai da criança? [...]
Os brancos entravam no caniço e pagavam cerveja, tabaco ou capulana a metro à negra que lhes apetecesse. A bem ou mal. Depois abotoavam a braguilha e desapareciam para as suas honestas casas de família.
Considere as seguintes afirmações sobre o excerto.
I - As personagens pretas são sexualmente objetificadas e se constituem como uma grave ameaça às tradicionais famílias brancas.
II - A primeira atitude do colonizador era reconhecer os filhos gerados com suas escravas.
III- A mulher preta é usada como objeto sexual, enquanto a mulher branca é a dona de casa, a esposa e a mãe imaculada.
Quais estão corretas?
Ingrina
O grito da cigarra ergue a tarde a seu cimo e o perfume do orégão invade a felicidade. [...]
Eu me perdi
[...]
Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar
Da transparência
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
[...]
Considere as seguintes afirmações sobre os versos no contexto dos poemas.
I - A poesia de Sophia está profundamente marcada pelo contato com a natureza, muito especialmente com o mar.
II - Sophia recupera fatos históricos e míticos, através de longos poemas épicos, repletos de elogios às figuras célebres.
III- O olhar do sujeito lírico revela dupla dimensão, que parte das pequenas coisas, passa pela paisagem e se une ao todo, revelando a importância da existência.
Quais estão corretas?
I. Filho de ex-escravo, crescera na fazenda levando a mesma vida dos pais. Era pajem do sinhô-moço. Tinha a obrigação de brincar com ele. Era o cavalo onde o mocinho galopava sonhando conhecer todas as terras do pai. Tinham a mesma idade. Um dia o coronelzinho exigiu que ele abrisse a boca, pois queria mijar dentro. O pajem abriu. A urina do outro caía escorrendo quente por sua goela e pelo canto de sua boca. Sinhô-moço ria, ria. Ele chorava e não sabia o que mais lhe salgava a boca, se o gosto da urina ou se o sabor de suas lágrimas.
II. Um dia o coronelzinho, que já sabia ler, ficou curioso para ver se negro aprendia os sinais, as letras de branco e começou a ensinar o pai de Ponciá. O menino respondeu logo ao ensinamento do distraído mestre. Em pouco tempo reconhecia todas as letras. Quando Sinhô-moço se certificou de que o negro aprendia, parou a brincadeira. Negro aprendia sim! Mas o que o negro ia fazer com o saber do branco?
III. Quando mais nova, sonhara até um outro nome para si. Não gostava daquele que lhe deram. Menina, tinha o hábito de ir à beira do rio e lá, se mirando nas águas, gritava o próprio nome: Ponciá Vicêncio! Ponciá Vicêncio! Sentia-se como se estivesse chamando outra pessoa. Não ouvia o seu nome responder dentro de si. Inventava outros. Panda, Molenga, Quieti, nenhum lhe pertencia também. Ela, inominada, tremendo de medo, temia a brincadeira, mas insistia. A cabeça rodava no vazio, ela vazia se sentia sem nome. Sentia-se ninguém.
Sobre os excertos, considere as seguintes afirmações.
I - No fragmento I, identificam-se as relações de opressão e de poder entre os senhores e os povos escravizados.
II - No fragmento II, percebe-se a prática racista e discriminatória que, na época, subtraía dos povos negros o acesso à leitura e à escrita.
III- No fragmento III, reconhece-se a postura questionadora e sonhadora da protagonista no que tange à busca pela identidade.
Quais estão corretas?
I - O sujeito cancional conta a vida de abandono dele e da mãe, o que representa a realidade de muitas crianças que não conhecem o pai biológico.
II - A canção reforça o apelo cristão da história, através de rimas como “amor/Nosso Senhor”, “cruz/Jesus”.
III- O pai era um marinheiro estrangeiro, que se tornou dono de bar.
Quais estão corretas?
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - “Exílio”
2 - “Hereditário”
3 - “Insistência”
4 - “O encontro”
5 - “Para salvar Beth”
( ) “É um trabalho simples”, ele disse, “é só levar o cachorrinho lá e ficar esperando.” “Mas você nunca gostou de cachorro, Gil, lembra aquela vez que eu ganhei um filhote da Cris, quer dizer, da cadela da Cris?” Ela riu.
( ) Das poucas coisas que meu pai deixou, a mim coube uma pequena caixa recoberta por um veludo puído, dessas onde se guardavam os anéis de diamantes, pulseiras ou coisas assim.
( ) Chegaram à cidade com noite e cansaço e um táxi os tirou da chuva para pousá-los num quarto de pensão desconfortável, à espera de que uma noite de sono os refizesse novos e prontos para o encontro que não deveria tardar.
( ) “Vou fechar a loja e ir embora da cidade.” Quantas vezes esse pensamento já havia me rondado! Não que eu não gostasse da cidade, mas a loja ali não se sustentava.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Antes do nome
Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
[...]
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo filho é Verbo. Morre quem entender.
A invenção de um modo
[...]
Porque tudo que invento já foi dito
nos dois livros que eu li:
as escrituras de Deus,
as escrituras de João.
Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão.
Guia
A poesia me salvará.
[...]
No entanto, repito, a poesia me salvará.
Por ela entendo a paixão
que Ele teve por nós, morrendo na cruz.
Considere as seguintes afirmações sobre os poemas.
I - A fé é uma musa poderosa, e o sujeito lírico sente-se inferior à palavra, tanto das escrituras quanto do cotidiano.
II - O fazer poético é, para o sujeito lírico, ao mesmo tempo, sagrado e profano, corpo e espírito.
III- A metapoesia é uma temática importante na lírica de Adélia Prado.
Quais estão corretas?
Seiscentos e sessenta e seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
Eu nem olhava o relógio
Seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o poema.
( ) O sujeito lírico busca a definição da vida a partir da metáfora com o universo escolar e a passagem do tempo.
( ) A sucessão “6 horas, 6ª feira, 60 anos” aponta para a finitude, isto é, fim do dia útil, fim da semana útil, consequentemente, fim da vida útil.
( ) O sujeito lírico encerra o poema com um tom melancólico, porque a realidade não corresponde às suas expectativas.
( ) O sujeito lírico encerra o poema com um tom melancólico, porque se dá conta da importância da aprovação na escola.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
E agora, ali a olhar-se no poço, Ana Terra pensava nas palavras do guerrilheiro: "... precisaremos de moças bonitas e trabalhadeiras". Bonitas e trabalhadeiras. Bonitas, bonitas, bonitas...
Ergueu-se, caminhou para o lugar onde estava o cesto, tirou as roupas para fora, ajoelhou-se, apanhou o sabão preto e começou a lavá-las. Enquanto fazia isso cantava. Eram cantigas que aprendera ainda em Sorocaba. Só cantava quando estava sozinha. Às vezes, perto da mãe, podia cantarolar. Mas na presença do pai e dos irmãos tinha vergonha. Não se lembrava de jamais ter ouvido o pai cantar ou mesmo assobiar. Maneco Terra era um homem que falava pouco e trabalhava demais. Severo e sério, exigia dos outros muito respeito e obediência, e não admitia que ninguém em casa discutisse com ele. "Terra tem só uma palavra", costumava dizer. E era verdade. Quando ele dava a sua palavra, cumpria, custasse o que custasse.
Considere as afirmações abaixo, sobre o segmento.
I - O romance mostra as condições precárias de vida em um rancho isolado no interior do Rio Grande do Sul.
II - Maneco Terra representa o pai provedor, que confunde solidez moral com rigidez afetiva.
III- A água do poço funciona como um espelho, que reforça o lado feminino e sensível de Ana.
Quais estão corretas?
Entrei apressado, atravessei o corredor do lado direito e no meu quarto dei com algumas pessoas soltando exclamações. Arredei-as e estaquei: Madalena estava estirada na cama, branca, de olhos vidrados, espuma nos cantos da boca.
Aproximei-me, tomei-lhe as mãos, duras e frias, toquei-lhe o coração, parado. Parado. No soalho havia manchas de líquido e cacos de vidro.
D. Glória, caída no tapete, soluçava, estrebuchando. A ama, com a criança nos braços, choramingava. Maria das Dores gemia. Comecei a friccionar as mãos de Madalena, tentando reanimá-la. E balbuciava:
— A Deus nada é impossível.
Era uma frase ouvida no campo, dias antes, e que me voltava, oferecendo-me esperança absurda.
Pus um espelho diante da boca de Madalena, levantei-lhe as pálpebras. E repetia maquinalmente:
— A Deus nada é impossível.
— Que desastre, senhor Paulo Honório, que irreparável desastre! murmurou seu Ribeiro perto de mim.
Assinale a alternativa correta sobre o excerto.
I. Quando entrou no seu escritório, o guarda-livros estendeu-lhe um telegrama: A casa Mendes e Wilson, de Santos, declarava falência, arrastando na queda grandes capitais de Teodoro. [...] Quinze dias mais tarde anunciava-se o fim de tudo – a grande casa Teodoro teve de declarar falência. [...] Resumindo os seus pensamentos de vencido, Francisco Teodoro disse alto, num suspiro: - Trabalhei, trabalhei, trabalhei, e aqui estou como Jó!
II. Debruçada sobre a mesa, Ruth escrevia em papel de pauta, preparando lições para duas discípulas novas. Toda a sua indolência antiga se transformara em atividade. Nina cosia à máquina e, no meio da casa, Noca borrifava a roupa para o engomado. Ela [Camila] olhou para todos. Ruth estava feiosa, muito magrinha; mas a sua coragem iluminava-lhe a fronte, uma fronte de homem, vasta e pensadora; as outras pareciam até mais bonitas naquele afã. Estavam na sua atmosfera.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre os fragmentos acima.
( ) O fragmento I aborda aspectos da atividade laboral de Francisco Teodoro, que se tornou um dos mais importantes empresários açucareiros na sociedade carioca do século XVIII.
( ) O fragmento I representa a derrocada de Francisco Teodoro ao ambicionar o posto de português mais importante do Brasil e ingressar na sociedade oferecida por Braga.
( ) Os fragmentos I e II são narrados em terceira pessoa com uma visão onisciente e com posição externa à narrativa.
( ) O fragmento II, para a época em que foi escrita a obra, revela um desfecho inesperado ao colocar um grupo de mulheres como protagonistas de seus destinos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - “O cônego”
2 - “Trio em lá menor”
3 - “Uns braços”
4 - “Um homem célebre”
( ) Maria Regina está igualmente interessada por dois pretendentes, Maciel e Miranda.
( ) Renomado compositor de polcas não consegue criar obra prima erudita.
( ) Reverendo Matias escreve sermões, a partir de teoria estilística muito peculiar.
( ) Jovem Inácio relembra situação inusitada vivida com D. Severina, que se confunde com um sonho.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
( ) O contexto histórico da peça é a guerra dos atenienses contra os espartanos, iniciada em 413 a.C.
( ) A disposição inicial das mulheres de manter a greve de sexo permanece inalterada durante toda a peça.
( ) As falas de Lisístrata enfatizam a inteligência das mulheres, em contraste com a condição subalterna que ocupam na sociedade.
( ) As metáforas relativas à sexualidade, como “espada rígida”, “apagar o fogo”, mantêm-se muito atuais.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão
Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.
— Está bom, hein?— indagou o major.
— Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.
— É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…
E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.
Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.
Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .
Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:
— Vamos ver. Tire a escala, major.
(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)
1 lutulento: lamacento, lodoso.
2 olente: cheiroso, perfumado.
3 dolente: lamentosa, queixosa.
4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.