Questões de Vestibular Sobre português
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( ) As palavras “seco, curto pesadamente” (linha 7) são morfologicamente classificadas como adjetivos.
( ) Em “Os outros, tristes três, mal me haviam olhado” (linha 9), a presença do verbo haver indica oração sem sujeito.
( ) Em “Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra” (linhas 6 e 7), o emprego do tempo mais-que-perfeito nos verbos destacados pode ser justificado pela incerteza da ação.
( ) Em “Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor” (linha 3), o ponto final pode ser substituído por uma vírgula, seguindo-se as recomendações da língua formal escrita.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
I. Pode-se dizer que o conto versa sobre a angústia de um homem à procura do significado de uma palavra que lhe foi dirigida; e a angústia de um segundo homem, que precisa explicar ao primeiro o sentido de tal palavra.
II. Ao explicitar que precisava interpretar as informações não linguísticas advindas do cavaleiro, como “Sei o que é influência de fisionomia” (linha 6), “entender-lhe as mínimas entonações” (linha 13) e “seguir seus ... silêncios” (linha 14), o narrador está dizendo que despreza este tipo de ação comunicativa porque é menos importante que a fala.
III. Na sequência do conto, o personagem-narrador explica ao cavaleiro o significado da palavra famigerado. E este, não gostando da explicação, convida aquele para um duelo.
IV. O emprego sequencial de adjetivos, como “equiparado, exato” (linha 4), “arreado, ferrado, suado” (linhas 7 e 8) e “desbaratada, sopitados, constrangidos – coagidos” (linha 10) faz parte do estilo de linguagem de Guimarães Rosa.
Assinale a alternativa correta.
( ) Guimarães Rosa exerceu a medicina no interior do Brasil, tendo o cuidado de registrar a fala do povo; mais tarde, como diplomata, deu sequência à escrita de suas obras e recebe o título de membro da Academia Brasileira de Letras.
( ) A obra traz uma compilação de contos, com temas variados e lugares que poderiam ser chamados de “guimarãezianos”.
( ) O conto A terceira margem do rio, narrado por um filho, versa sobre a partida do pai para algum lugar e o reflexo disso na vida do filho, que se mantém fiel ao pai – mesmo à maneira do filho.
( ) O conto A menina de lá narra a história de Nhinhinha – uma menina que tinha um jeito especial de se comunicar; a família atribuiu a ela alguns milagres, considerando-a Santa Nhinhinha.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Leia o fragmento abaixo para responder à questão.
O regionalismo, que deu algumas das formas menos tensas de escritura, estava destinado a sofrer,
nas mãos de um artista-demiurgo, a metamorfose que o traria de novo ao centro da ficção brasileira.
A alquimia, operada por ........................., tem sido o grande tema da nossa crítica desde o
aparecimento dessa obra espantosa que é ............................ . Após a sua leitura, começou-se a
entender de novo uma antiga verdade: que os conteúdos sociais e psicológicos só entram a fazer
parte da obra quando veiculados por um código de arte que lhes potencia a carga musical e
semântica. Imerso na musicalidade da fala sertaneja, ele procurou, em um primeiro tempo, fixá-la na
toada de um fraseio no qual soam cadência populares como: a bala beijaflorou; os passarinhos que
bem-me-viam; os cavalos aiando gritos; recebe o encharcar dos brejos, verde a verde....
(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1987, pp. 485-487.)
Ao falar do regionalismo, dos conteúdos sociais e psicológicos, da musicalidade das palavras e das inovações da linguagem, o crítico e historiador Alfredo Bosi se refere a determinado(a) escritor(a) e a uma de suas obras, que está entre as maiores da literatura brasileira.
Analise a pertinência entre cada período literário e seu respectivo exemplo. Assinale (V) para (verdadeira) ou F para (falsa).
( ) A prosa literária brasileira teve seu notável crescimento a partir do período romântico.
“– Doente?! Exclamou a linda Moreninha, extremamente comovida. Doente?... em perigo?...” (Joaquim Manuel de Macedo)
( ) A preocupação em demonstrar a veracidade das teorias materialista, científica e filosófica do século XIX era uma das características da escola naturalista.
“Ninguém sabia ao certo se a Machona era viúva ou desquitada; os filhos não se pareciam uns com os outros. A das Dores, sim, afirmavam que fora casada e que largara o marido para meter-se com um homem do comércio.” (Aluísio Azevedo)
( ) O Arcadismo no Brasil tem sua origem nos antigos autores gregos latinos. A música abaixo, embora do contexto moderno, reflete característica temática do estilo árcade.
“Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais... “ (Casa no Campo, Elis Regina)
( ) Na segunda metade do século XIX, a concepção emocional-afetiva da literatura vai dando lugar a uma percepção mais realista. Assim surge um novo estilo – o realismo, uma literatura mais próxima da realidade, mais objetiva em relação ao mundo e à vida.
“Daí a pouco demos com uma briga de cães; fato que aos olhos de um homem vulgar não teria
valor. Quincas Borba fez-se parar e observar os cães. Eram dois, notou que ao pé deles estava
um osso, motivo da guerra...” (Machado de Assis)
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Há na obra literária uma ideologia, uma postura do artista diante da realidade e das aspirações humanas. Dessa forma, na literatura podem ser encontrados reflexos de situações ocorridas no mundo.
Analise os contextos abaixo, que exerceram influência na arte em geral, e na literatura brasileira.
- Século XVI – Portugal e Espanha tinham curiosidade sobre as novas terras conquistadas, motivo pelo qual informações colhidas por viajantes e missionários europeus sobre a natureza dos nativos das américas tornavam-se importantes. A esta escrita, no Brasil, deu-se o nome de ...
- Entre os séculos XVI e XVII – Os conflitos políticos, sociais, econômicos e principalmente o conflito religioso na Europa, como a reforma protestante de Calvino e Lutero, levam o homem a tentar conciliar razão e fé; espiritualismo e materialismo; carne e alma. No Brasil, este aspecto marca o estilo literário denominado ...
- Final do século XVIII – A Revolução Francesa e a Industrial mudam a Europa, consolidando a burguesia, que começa a ter representatividade na política, sociedade e economia. No Brasil, a vinda da família real, no início do século XIX, desencadeou a independência política e social. Essas mudanças e outros acontecimentos acabam por marcar no Brasil a literatura denominada ...
- Século XX, década de 30 e primeiros anos da década de 40 – Mudanças profundas no cenário nacional, decorrentes de transformações políticas, como Getúlio Vargas no poder, revolução Constitucionalista, início do Estado Novo, entre outras, acabam por refletir suas marcas na arte, denominada nesta época ...
(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1987.) (FARACO, Carlos, MOURA, Francisco. Língua e literatura. 28ª. ed. São Paulo: Ática, 1998.)
Assinale a alternativa cujos estilos literários estão apresentados na sequência dos acontecimentos expostos acima.

O poema visual instaura um jogo entre a linguagem verbal e a linguagem visual com o intuito de

QUINO, Mafalda 10. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 20.
Nos quadrinhos acima, destaca-se a seguinte ideia:
Havia que aprender da vida,
Do inimigo, da escuridão,
Com seus textos,
E ali estava Mao ensinando
E ali estava o partido
Com sua severidade e sua ternura,
E agora rapazes chineses,
Dos campos,
Musa jovem,
Não esqueçamos:
Tudo parece simples
Como a água.
Não é verdade.
A luta não é a água,
É o sangue.
NERUDA, Pablo. Tudo é tão simples. In: As Uvas e o Vento, Porto Alegre: L&PM, 2004. p. 37.
Esse trecho pertence ao poema “Tudo é tão simples”, em que se alude a um momento da história chinesa contemporânea. Considerando as peculiaridades desse momento histórico e os recursos poéticos utilizados, nota-se que o eu lírico retrata a Revolução
Muitas vezes, à mesa, depois de Baco ter bebido, o rosado Amor envolveu-o em seus braços delicados, segurou firme os cornos do deus e quando o vinho tornou pesadas as asas agitadas de Cupido, obrigou-o à imobilidade no lugar que escolheu. Então agita rápido suas asas úmidas, mas as gotas que o Amor esparge fazem seu mau efeito. O vinho dispõe os ânimos e torna-os propícios aos ardores amorosos; as preocupações desaparecem e afogam-se nas múltiplas libações.
OVÍDIO. A Arte de Amar. São Paulo: Martin Claret, 2003. p. 32-33.
No trecho selecionado, o escritor romano Ovídio descreve os benefícios do vinho para as relações amorosas, demonstrando alguns valores cultuados pela sociedade romana e que são destacados em sua literatura. Esses valores são:

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Egéria, 1978. p. 100-101.
A aproximação entre o título “O velho diálogo de Adão e Eva” e a imagem acima ocorre pela

DEBRET, Jean Baptiste. Início séc. XIX. Disponível em:
. Acesso em: 28 ago. 2010. Durante os nove dias que precediam ao Espírito Santo, ou mesmo não sabemos se antes disso, saía pelas ruas da cidade um rancho de meninos, todos de nove a onze anos, caprichosamente vestidos à pastora: sapatos de cor-de-rosa, meias brancas, calção da cor do sapato, faixas à cintura, camisa branca de longos e caídos colarinhos, chapéus de palha de abas largas, ou forrados de seda, tudo isso enfeitado com grinaldas de flores e com uma quantidade prodigiosa de laços de fita encarnada. Cada um desses meninos levava um instrumento pastoril em que tocavam, pandeiro, machete e tamboril. Caminhavam formando um quadrado, no meio do qual ia o chamado imperador do Divino, acompanhados por uma música de barbeiros, e precedidos e cercados por uma chusma de irmãos de opa levando bandeiras encarnadas e outros emblemas, os quais tiravam esmolas enquanto eles cantavam e tocavam.
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo: Moderna, 1993. p. 66-67.
A relação entre a gravura de Debret e o fragmento ocorre pela descrição
Na tal Fundação Abrigo ao Menor Abandonado havia um campo de futebol bem razoável para os padrões da época, com um gramado regular, traves, redes e tal. Fausto conseguiu de graça o uso do campo para treinos e jogos, com a condição de convocar para seu escrete alguns dos meninos da instituição. Ele aceitou (até porque isso já fazia mesmo parte dos seus planos) e, em breve, estava fundado o glorioso Selefama Esporte Clube.
CARNEIRO, Flávio. Selefama Esporte Clube. In: Passe de letra. Rio de Janeiro: Rocco, 2009. p. 12-13.
Na crônica intitulada “Selefama Esporte Clube”, de que o trecho faz parte, o narrador, então com onze anos,
A gente estava levando agora o Sorôco para a casa dele, de verdade. A gente, com ele, ia até aonde que ia aquela cantiga.
ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s/d. p. 21.

O grupo “Teia de Aranha”, a partir das obras de Guimarães Rosa, cria representações em bordado. O fragmento acima, extraído do conto “Sorôco, sua mãe, sua filha”, e o bordado, inspirado no mesmo conto,

CATÁLOGO DA MOSTRA DE REDESCOBRIMENTO – Arte Popular. Anos Artes Visuais do Brasil. Fundação Bienal de São Paulo.
Xilogravura de J. Borges. O Presépio. São Paulo, 2000. p. 219.
COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS TRAZENDO PRESENTES PARA O RECÉM-NASCIDO
– Minha pobreza tal é
que não trago presente grande:
trago para a mãe caranguejos
pescados por esses mangues;
mamando leite de lama
conservará nosso sangue.
– Minha pobreza tal é
que coisa não posso ofertar:
somente o leite que tenho
para meu filho amamentar;
aqui são todos irmãos,
de leite, de lama, de ar.
– Minha pobreza tal é
que não tenho presente melhor:
trago papel de jornal
para lhe servir de cobertor;
cobrindo-se assim de letras
vai um dia ser doutor.
[...]
NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. p. 105-106.
A gravura e o texto se aproximam ao
– Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina
(aquela vida que é menos
vivida que defendida,
e é ainda mais severina
para o homem que retira).
NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina. Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008. p. 82.
