Questões de Vestibular Sobre português

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Q1272362 Português

Observe o TEXTO 05.

Imagem associada para resolução da questão

(Disponível em :http://www.jornalreporterdovale.com/2013/09/humor-charge-do-facebook.html. Acesso em: 27/09/2018)

É correto afirmar que o TEXTO 05 traz uma ideia:

Alternativas
Q1272361 Português

Leia o TEXTO 04 e responda à questão.


No trecho ―... uma alternativa a mídia comercial que distorce os fatos (...).‖ nota-se um desvio quanto à norma padrão de uso da linguagem em relação à (ao):
Alternativas
Q1272360 Português

Leia o TEXTO 04 e responda à questão.


Sobre o TEXTO 04, só NÃO podemos afirmar que:
Alternativas
Q1272359 Português

Leia o TEXTO 03 e responda à questão.

(Disponível em http://arteemanhasdalingua.blogspot.com/2014/11/calvin-e-o-poder-da-midia.html.Acesso em: 24/09/2018) 

Marque a opção em que o trecho do TEXTO 01 NÃO dialoga com o segundo quadrinho da tirinha (TEXTO 03).
Alternativas
Q1272358 Português

Leia o TEXTO 03 e responda à questão.

(Disponível em http://arteemanhasdalingua.blogspot.com/2014/11/calvin-e-o-poder-da-midia.html.Acesso em: 24/09/2018) 

Em ''Oh, poderoso da mídia de massa, obrigado por elevar a emoção, reduzir o pensamento e aniquilar a imaginação''. no TEXTO 03,qual é a função sintática do termo em destaque?
Alternativas
Q1272357 Português

TEXTO 1

TEXTO 2

(Disponível em: : <https://www.google.com.br/search?q=propaganda+agro+%C3%A 9+tudo &tbm=isch & source =iu&ictx=1

&fir=fxQCyTk7ucz8KM%253A%252CHf8drWD5nfz8VM%252C_&usg=AI4>- Acesso em: 17/09/2018 ) 

Marque a alternativa correta.
Alternativas
Q1272356 Português
O único trecho do TEXTO 01 que NÃO contém aposto é:
Alternativas
Q1272355 Português
Leia o trecho do TEXTO 01. ''Além disso, os 26 grupos pesquisados possuem negócios em mais de um tipo de mídia, o que configura a propriedade cruzada dos meios de comunicação, uma das formas mais graves de controle monopólico do setor'' (Linhas 17 a 20)
Sobre o termo em destaque no trecho, é correto afirmar que:
Alternativas
Q1272354 Português
Leia o trecho do TEXTO 01: ''Conhecendo melhor os interesses empresariais da mídia brasileira, é fundamental questionar: qual é a participação dos grupos com negócios imobiliários na produção do atual modelo de urbanização corporativa e mercantilização do espaço urbano? Que informações são dadas sobre a reforma agrária, o uso de agrotóxicos e a agricultura familiar, já que foram identificados tantos vínculos com o agronegócio? Que soluções para a educação pública são apresentadas nas pautas de veículos com investimentos na educação privada? Que política econômica os grupos com negócios no mercado financeiro defendem?'' (Linhas 108 a 113)
Considerando as indagações que fecham o TEXTO 01, só NÃO podemos inferir que:
Alternativas
Q1272353 Português
Sobre as relações mídia/saúde e mídia/educação, é correto afirmar que o TEXTO 01:
Alternativas
Q1272352 Português
Ao tratarem da relação mídia e agronegócio, os autores do TEXTO 01 pretendem
Alternativas
Q1272351 Português
Para demonstrar a relação entre a mídia e o mercado imobiliário, os autores do TEXTO 01 só NÃO utilizaram o seguinte recurso:
Alternativas
Q1272350 Português
De acordo com o TEXTO 01, os grandes grupos midiáticos estão atuando nos seguintes setores:
Alternativas
Q1272349 Português
De acordo com o TEXTO 01, o MOM-Brasil, ao dar visibilidade sobre quem controla a mídia brasileira, NÃO destacou que:
Alternativas
Q1272348 Português
De acordo com o TEXTO 01,a pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia Brasileira revelou que:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2018 - UFJF - Vestibular - 2º Dia - Módulo II |
Q1271962 Português

TEXTO 1:

Chiquinho Azevedo

(Gilberto Gil)


Chiquinho Azevedo

Garoto de Ipanema

Já salvou um menino

Na Praia, no Recife

Nesse dia Momó também estava com a gente


Levou-se o menino

Pra uma clínica em frente

E o médico não quis

Vir atender a gente

Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


Menino morrendo

Era aquela agonia

E o doutor só queria

Mediante dinheiro

Nessa hora vi quanto o mundo está doente


Discutiu-se muito

Ameaçou-se briga

Doze litros de água

Tiraram da barriga

Do menino que sobreviveu finalmente


Muita gente me pergunta

Se essa estória aconteceu

Aconteceu minha gente

Quem está contando sou eu

Aconteceu e acontece

Todo dia por aí

Aconteceu e acontece

Que esse mundo é mesmo assim


(GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


TEXTO 2

A experiência da cidade

(Fernando Sabino)

A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

[...]

Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

[...]

Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

(SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

Analisando comparativamente os desfechos do Texto 1 e do Texto 2, pode-se concluir que a visão que eles apresentam sobre o ser humano é:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2018 - UFJF - Vestibular - 2º Dia - Módulo II |
Q1271961 Português

TEXTO 1:

Chiquinho Azevedo

(Gilberto Gil)


Chiquinho Azevedo

Garoto de Ipanema

Já salvou um menino

Na Praia, no Recife

Nesse dia Momó também estava com a gente


Levou-se o menino

Pra uma clínica em frente

E o médico não quis

Vir atender a gente

Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


Menino morrendo

Era aquela agonia

E o doutor só queria

Mediante dinheiro

Nessa hora vi quanto o mundo está doente


Discutiu-se muito

Ameaçou-se briga

Doze litros de água

Tiraram da barriga

Do menino que sobreviveu finalmente


Muita gente me pergunta

Se essa estória aconteceu

Aconteceu minha gente

Quem está contando sou eu

Aconteceu e acontece

Todo dia por aí

Aconteceu e acontece

Que esse mundo é mesmo assim


(GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


TEXTO 2

A experiência da cidade

(Fernando Sabino)

A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

[...]

Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

[...]

Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

(SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

De acordo com o Texto 2, os elementos que melhor evidenciam “a experiência da cidade”, mencionada no título, são
Alternativas
Ano: 2018 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2018 - UFJF - Vestibular - 2º Dia - Módulo II |
Q1271960 Português

TEXTO 1:

Chiquinho Azevedo

(Gilberto Gil)


Chiquinho Azevedo

Garoto de Ipanema

Já salvou um menino

Na Praia, no Recife

Nesse dia Momó também estava com a gente


Levou-se o menino

Pra uma clínica em frente

E o médico não quis

Vir atender a gente

Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


Menino morrendo

Era aquela agonia

E o doutor só queria

Mediante dinheiro

Nessa hora vi quanto o mundo está doente


Discutiu-se muito

Ameaçou-se briga

Doze litros de água

Tiraram da barriga

Do menino que sobreviveu finalmente


Muita gente me pergunta

Se essa estória aconteceu

Aconteceu minha gente

Quem está contando sou eu

Aconteceu e acontece

Todo dia por aí

Aconteceu e acontece

Que esse mundo é mesmo assim


(GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


TEXTO 2

A experiência da cidade

(Fernando Sabino)

A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

[...]

Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

[...]

Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

(SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

No verso “Nessa hora vi quanto o mundo está doente”, do Texto 1, pode-se inferir que a doença do mundo está relacionada à predominância de valores:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2018 - UFJF - Vestibular - 2º Dia - Módulo II |
Q1271959 Português

TEXTO 1:

Chiquinho Azevedo

(Gilberto Gil)


Chiquinho Azevedo

Garoto de Ipanema

Já salvou um menino

Na Praia, no Recife

Nesse dia Momó também estava com a gente


Levou-se o menino

Pra uma clínica em frente

E o médico não quis

Vir atender a gente

Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


Menino morrendo

Era aquela agonia

E o doutor só queria

Mediante dinheiro

Nessa hora vi quanto o mundo está doente


Discutiu-se muito

Ameaçou-se briga

Doze litros de água

Tiraram da barriga

Do menino que sobreviveu finalmente


Muita gente me pergunta

Se essa estória aconteceu

Aconteceu minha gente

Quem está contando sou eu

Aconteceu e acontece

Todo dia por aí

Aconteceu e acontece

Que esse mundo é mesmo assim


(GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


TEXTO 2

A experiência da cidade

(Fernando Sabino)

A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

[...]

Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

[...]

Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

(SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

No verso “Aconteceu e acontece”, no Texto 1, a repetição do verbo indica que a conclusão do texto se faz por uma transição entre:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: COPESE - UFJF Órgão: UFJF Prova: COPESE - UFJF - 2018 - UFJF - Vestibular - 2º Dia - Módulo II |
Q1271958 Português

TEXTO 1:

Chiquinho Azevedo

(Gilberto Gil)


Chiquinho Azevedo

Garoto de Ipanema

Já salvou um menino

Na Praia, no Recife

Nesse dia Momó também estava com a gente


Levou-se o menino

Pra uma clínica em frente

E o médico não quis

Vir atender a gente

Nessa hora nosso sangue ficou bem quente


Menino morrendo

Era aquela agonia

E o doutor só queria

Mediante dinheiro

Nessa hora vi quanto o mundo está doente


Discutiu-se muito

Ameaçou-se briga

Doze litros de água

Tiraram da barriga

Do menino que sobreviveu finalmente


Muita gente me pergunta

Se essa estória aconteceu

Aconteceu minha gente

Quem está contando sou eu

Aconteceu e acontece

Todo dia por aí

Aconteceu e acontece

Que esse mundo é mesmo assim


(GIL, Gilberto. Quanta. CD Warner Music, 1997. Faixa 6.) 


TEXTO 2

A experiência da cidade

(Fernando Sabino)

A coisa que mais o impressionou no Rio foram os bondes. Não pode ver um bonde, fica maravilhado: nunca pensou que existisse algo de tão fantástico.

Se ele quiser andar de fasto, ele pode?

Andar de fasto, na sua linguagem de menino do interior de Minas, é andar para trás. Tem outras expressões esquisitas: sungar é levantar; pra riba é pra cima; pramode é para, por causa, etc. Mas eu também sou mineiro:

Pramode o bonde andar de fasto tem que sungar os bancos e tocar para riba. Ele fica olhando. Olha tudo com atenção. Tem oito anos mas bem podia ter cinco ou seis, de tal maneira é pequenino. Bem que a cozinheira dizia: Tenho um filho que é deste tamaninho.

E levava a mão à altura do joelho. Chama-se Valdecir. Ninguém acerta com seu nome, nem ele próprio: Vardici, diz, mostrando os dentes. No dia em que chegou fiquei sabendo que nunca tivera ao menos notícia da existência de uma cidade, além do arraial onde nascera. Nunca vira luz elétrica ou água corrente, ainda mais telefone ou elevador. Abria a torneira e ficava olhando. Quando tinha água era capaz de inundar o edifício. Quando não tinha, divertia-se tocando a campainha da porta da rua – e para alcançá-la precisava arrastar uma cadeira. As da sala de estar têm a marca de seus pés até hoje. A cozinheira atendia ao chamado, dava-lhe um safanão, arrastava-o para a cozinha. Ele ficava olhando: nunca vira um fogão a gás.

[...]

Arranjei-lhe um lugar num colégio interno, a pedido da mãe. Ele concordou em ir, desde que fosse de bonde. E lá se foi, certa manhã, na beirada do banco, descobrindo maravilhas em cada esquina.

[...]

Não sei por quê, saiu do colégio; acabou indo morar com os tios em Santa Teresa, numa casa de cômodos. Um dia, abro o jornal e leio a notícia: um homem matara o vizinho do quarto, que tentara violentar um menino. Foi arrolado como testemunha! Voltou para minha casa e já trazia nos olhos a perplexidade dos escandalizados pela vida.

Agora regressa à sua terra. Vai crescer, tornar-se homem como os que aqui conheceu, ou apenas envelhecer e morrer apoiado no cabo de uma enxada, como seus ancestrais. Leva da cidade a notícia de meia dúzia de coisas fantásticas – bonde, televisão, elevador, telefone – cuja lembrança irá talvez se apagando com o tempo. Esquecerá depressa este homem que aqui viu, cercado de mecanismos, moderno e civilizado, que o abrigou alguns dias e a quem devolveu a infância. Apenas não esquecerá tão cedo seu primeiro conhecimento do homem, animal feroz.

(SABINO, Fernando. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 71-74.)

A letra da canção de Gilberto Gil, apresentada como Texto 1, caracteriza-se, predominantemente, por:

Alternativas
Respostas
3381: C
3382: B
3383: A
3384: A
3385: C
3386: A
3387: A
3388: C
3389: D
3390: A
3391: C
3392: A
3393: A
3394: B
3395: A
3396: B
3397: B
3398: D
3399: A
3400: B