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Questões de Vestibular Sobre português

Questões Discursivas

Foram encontradas 12.150 questões

Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4163292 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. 



Considere as seguintes afirmações.



I - O pronome possessivo seus (l. 01) expressa uma relação entre fundamentos (l. 02) e natureza humana (l. 02).


II - O pronome possessivo seu (l. 11) expressa uma relação entre campeão (l. 09) e mestre Pitágoras (l. 11).


III- O pronome possessivo suas (l. 22) expressa uma relação entre um campeão de boxe (l. 20-21) e mãos (l. 22).



Quais estão corretas? 

Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4163291 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. 



Assinale a afirmação que melhor expressa uma ideia presente no texto.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 1º Dia |
Q4163290 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. 



Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 01, 32 e 43, nessa ordem.
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 2º Dia |
Q4163011 Português
Considere o segmento abaixo.

Os municípios situados em Regiões Metropolitanas (RM) são apenas 177 do total de 5.570 existentes no país. No entanto, possuem uma população total de cerca de 70 milhões de habitantes, correspondentes a 33% da população nacional. Na primeira fase da pandemia de Covid-19, houve uma concentração de casos e de óbitos nas RM (cerca de 67% dos óbitos foram registrados nas RM até o último dia do mês de maio de 2020). Já no último dia de outubro de 2020, as RM passaram a representar somente 33% do total de óbitos registrados no país.

Adaptado de: <https://bigdatacovid19.icict.fiocruz.br/nota_tecnica_15.pdf>. Acesso em: 18 nov. 2021.

A disseminação espacial da pandemia de Covid-19 no Brasil passou no período inicial, de março a outubro de 2020, por um processo de
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 2º Dia |
Q4162957 Português
Instrução: A questão está relacionadas ao texto abaixo.


Captura_de tela 2026-07-08 150408.png (277×291)
Captura_de tela 2026-07-08 150432.png (276×452)
Captura_de tela 2026-07-08 150446.png (276×406)


Adaptado de: ADICHIE, C. N. Cell One. In: The thing around your neck. New York / Toronto: Harper Collins, 2009. 
Considere as seguintes afirmações em relação ao texto.

I - A narradora deixa transparecer ciúme e sentimentos de injustiça, ao relatar como os pais protegiam e davam preferência ao irmão, apesar de sua conduta reprovável.
II - A narração da irmã sugere que a mãe teria tido papel preponderante nos eventos que culminaram na prisão de Nnamabia.
III- O relato da irmã sugere que o roubo das joias da mãe teria sido um divisor de águas na vida do irmão, pois teria reverberado alguns anos mais tarde.

Quais estão corretas? 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: UFRGS Órgão: UFRGS Prova: UFRGS - 2022 - UFRGS - Vestibular - 2º Dia |
Q4162956 Português
Instrução: A questão está relacionadas ao texto abaixo.


Captura_de tela 2026-07-08 150408.png (277×291)
Captura_de tela 2026-07-08 150432.png (276×452)
Captura_de tela 2026-07-08 150446.png (276×406)


Adaptado de: ADICHIE, C. N. Cell One. In: The thing around your neck. New York / Toronto: Harper Collins, 2009. 
O texto acima é parte de um conto narrado pela irmã mais nova do personagem Nnamabia.
Assinale a alternativa que resume adequadamente a parte apresentada. 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4150000 Português
Leia a resenha do livro Redes e ruas: mídias sociais e ativismo contemporâneo, de Paolo Gerbaudo.

    A obra Redes e ruas analisa os protestos do início da década de 2010, a partir da “Primavera Árabe”, do movimento dos “indignados” na Espanha e das ações “Occupy Wall Street” nos Estados Unidos. Em 2013, houve no Brasil fenômeno semelhante, as “Jornadas de Junho.” Caso se tivesse prestado atenção às características do ativismo digital elencadas na obra de Gerbaudo, não haveria surpresa quando as manifestações brasileiras converteram um protesto contra a tarifa nos transportes em movimento pelo impeachment de Dilma Rouseff.
(Kelly Prudencio. Le monde diplomatique Brasil, março de 2022. Adaptado.)

A resenha
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149987 Português
     O silêncio e o ruído se opõem de maneira nítida e exclusiva. O ruído pode ser definido como uma série caótica de sons, de choques. É nesse quadro que se opõe, por exemplo, a suavidade dos campos silenciosos à dureza das cidades ruidosas. O ruído é desagradável, violento. O silêncio, então, marca uma ruptura: ele é ausência de ruídos. Opõe a um caos sonoro uma superfície isolante branca que serve de anteparo. É a negação do ruído.

    Evidentemente a relação que a música mantém com o silêncio não é a mesma. O silêncio que precede a música constitui sua preparação inicial, seu ponto de emergência, talvez mesmo sua possibilidade pura. O silêncio que encerra a música, o que vem imediatamente após a última nota, reúne nele a totalidade da melodia. Não é a negação da música, mas sim uma vibração ideal em que deveria ressoar a totalidade acabada e reunida da melodia.


(Adauto Novaes (org.). Mutações: o silêncio
e a prosa do mundo, 2014. Adaptado.)
Pertence ao grupo das classes de palavras invariáveis o termo sublinhado em:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149986 Português
     O silêncio e o ruído se opõem de maneira nítida e exclusiva. O ruído pode ser definido como uma série caótica de sons, de choques. É nesse quadro que se opõe, por exemplo, a suavidade dos campos silenciosos à dureza das cidades ruidosas. O ruído é desagradável, violento. O silêncio, então, marca uma ruptura: ele é ausência de ruídos. Opõe a um caos sonoro uma superfície isolante branca que serve de anteparo. É a negação do ruído.

    Evidentemente a relação que a música mantém com o silêncio não é a mesma. O silêncio que precede a música constitui sua preparação inicial, seu ponto de emergência, talvez mesmo sua possibilidade pura. O silêncio que encerra a música, o que vem imediatamente após a última nota, reúne nele a totalidade da melodia. Não é a negação da música, mas sim uma vibração ideal em que deveria ressoar a totalidade acabada e reunida da melodia.


(Adauto Novaes (org.). Mutações: o silêncio
e a prosa do mundo, 2014. Adaptado.)
Em “Não é a negação da música, mas sim uma vibração ideal em que deveria ressoar a totalidade acabada e reunida da melodia.” (2º parágrafo), o pronome sublinhado refere-se a
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149985 Português
     O silêncio e o ruído se opõem de maneira nítida e exclusiva. O ruído pode ser definido como uma série caótica de sons, de choques. É nesse quadro que se opõe, por exemplo, a suavidade dos campos silenciosos à dureza das cidades ruidosas. O ruído é desagradável, violento. O silêncio, então, marca uma ruptura: ele é ausência de ruídos. Opõe a um caos sonoro uma superfície isolante branca que serve de anteparo. É a negação do ruído.

    Evidentemente a relação que a música mantém com o silêncio não é a mesma. O silêncio que precede a música constitui sua preparação inicial, seu ponto de emergência, talvez mesmo sua possibilidade pura. O silêncio que encerra a música, o que vem imediatamente após a última nota, reúne nele a totalidade da melodia. Não é a negação da música, mas sim uma vibração ideal em que deveria ressoar a totalidade acabada e reunida da melodia.


(Adauto Novaes (org.). Mutações: o silêncio
e a prosa do mundo, 2014. Adaptado.)
O termo que qualifica o substantivo na expressão “última nota” (2º parágrafo) tem sentido oposto ao termo que qualifica o substantivo em
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149984 Português
     O silêncio e o ruído se opõem de maneira nítida e exclusiva. O ruído pode ser definido como uma série caótica de sons, de choques. É nesse quadro que se opõe, por exemplo, a suavidade dos campos silenciosos à dureza das cidades ruidosas. O ruído é desagradável, violento. O silêncio, então, marca uma ruptura: ele é ausência de ruídos. Opõe a um caos sonoro uma superfície isolante branca que serve de anteparo. É a negação do ruído.

    Evidentemente a relação que a música mantém com o silêncio não é a mesma. O silêncio que precede a música constitui sua preparação inicial, seu ponto de emergência, talvez mesmo sua possibilidade pura. O silêncio que encerra a música, o que vem imediatamente após a última nota, reúne nele a totalidade da melodia. Não é a negação da música, mas sim uma vibração ideal em que deveria ressoar a totalidade acabada e reunida da melodia.


(Adauto Novaes (org.). Mutações: o silêncio
e a prosa do mundo, 2014. Adaptado.)
De acordo com o autor,
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149983 Português
Leia a fábula “O cão convidado para jantar”, de Esopo, para responder à questão.


   Um homem preparava um jantar para receber à mesa um amigo íntimo. E o cão dele chamou outro cão, dizendo: “Amigo, vem jantar aqui comigo.” Ele foi e, enquanto contemplava feliz o grande jantar, exclamava intimamente: “Uau!, que alegria inesperada me apareceu bem agora! Vou me banquetear à farta e comer tanto que amanhã não terei fome nenhuma!” O cão dizia isso para si e, ao mesmo tempo, abanava o rabo, confiante no amigo. Mas o cozinheiro, quando viu aquele rabo se movimentando para lá e para cá, agarrou o cão pelas patas e, num átimo, o arremessou para fora, pela janela. Após o baque, ele foi embora, ganindo muito. Então um dos cães que toparam com ele no caminho perguntou: “Como foi o jantar, amigo?” Ele respondeu: “Exagerei na bebida e fiquei tão bêbado que nem mesmo sei por onde foi que eu saí.”


(Fábulas completas, 2013.)
Verifica-se o emprego de vírgula para separar um vocativo no seguinte trecho:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149982 Português
Leia a fábula “O cão convidado para jantar”, de Esopo, para responder à questão.


   Um homem preparava um jantar para receber à mesa um amigo íntimo. E o cão dele chamou outro cão, dizendo: “Amigo, vem jantar aqui comigo.” Ele foi e, enquanto contemplava feliz o grande jantar, exclamava intimamente: “Uau!, que alegria inesperada me apareceu bem agora! Vou me banquetear à farta e comer tanto que amanhã não terei fome nenhuma!” O cão dizia isso para si e, ao mesmo tempo, abanava o rabo, confiante no amigo. Mas o cozinheiro, quando viu aquele rabo se movimentando para lá e para cá, agarrou o cão pelas patas e, num átimo, o arremessou para fora, pela janela. Após o baque, ele foi embora, ganindo muito. Então um dos cães que toparam com ele no caminho perguntou: “Como foi o jantar, amigo?” Ele respondeu: “Exagerei na bebida e fiquei tão bêbado que nem mesmo sei por onde foi que eu saí.”


(Fábulas completas, 2013.)
Em “Ele foi e, enquanto contemplava feliz o grande jantar, exclamava intimamente”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149981 Português
Leia a fábula “O cão convidado para jantar”, de Esopo, para responder à questão.


   Um homem preparava um jantar para receber à mesa um amigo íntimo. E o cão dele chamou outro cão, dizendo: “Amigo, vem jantar aqui comigo.” Ele foi e, enquanto contemplava feliz o grande jantar, exclamava intimamente: “Uau!, que alegria inesperada me apareceu bem agora! Vou me banquetear à farta e comer tanto que amanhã não terei fome nenhuma!” O cão dizia isso para si e, ao mesmo tempo, abanava o rabo, confiante no amigo. Mas o cozinheiro, quando viu aquele rabo se movimentando para lá e para cá, agarrou o cão pelas patas e, num átimo, o arremessou para fora, pela janela. Após o baque, ele foi embora, ganindo muito. Então um dos cães que toparam com ele no caminho perguntou: “Como foi o jantar, amigo?” Ele respondeu: “Exagerei na bebida e fiquei tão bêbado que nem mesmo sei por onde foi que eu saí.”


(Fábulas completas, 2013.)
A resposta do cão acerca do jantar permite caracterizá-lo como
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149980 Português
Leia a fábula “O cão convidado para jantar”, de Esopo, para responder à questão.


   Um homem preparava um jantar para receber à mesa um amigo íntimo. E o cão dele chamou outro cão, dizendo: “Amigo, vem jantar aqui comigo.” Ele foi e, enquanto contemplava feliz o grande jantar, exclamava intimamente: “Uau!, que alegria inesperada me apareceu bem agora! Vou me banquetear à farta e comer tanto que amanhã não terei fome nenhuma!” O cão dizia isso para si e, ao mesmo tempo, abanava o rabo, confiante no amigo. Mas o cozinheiro, quando viu aquele rabo se movimentando para lá e para cá, agarrou o cão pelas patas e, num átimo, o arremessou para fora, pela janela. Após o baque, ele foi embora, ganindo muito. Então um dos cães que toparam com ele no caminho perguntou: “Como foi o jantar, amigo?” Ele respondeu: “Exagerei na bebida e fiquei tão bêbado que nem mesmo sei por onde foi que eu saí.”


(Fábulas completas, 2013.)
Depreende-se da leitura da fábula a seguinte moral: 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FCM/SANTA CASA Prova: VUNESP - 2022 - FCM/SANTA CASA - Vestibular |
Q4149979 Português
Examine a tirinha de Dik Browne, publicada na conta do Instagram “Hagar, o Horrível”, em 22.06.2022.


Imagem associada para resolução da questão


Depreende-se da tirinha que 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146232 Português
     Nenhum ser humano deveria ser ameaçado de “transferência” de sua casa ou de sua terra; nenhum ser humano deveria ser discriminado por não pertencer a esta ou àquela religião; nenhum ser humano deveria ser destituído de sua identidade ou de sua cultura, seja qual for o motivo.

(Edward W. Said. A questão da Palestina, 2012. Adaptado.)

O excerto pertence a um livro que discute a condição dos palestinos, mas sua ideia geral pode também ser aplicada à situação
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146224 Português
Leia o excerto para responder à questão.


    O início da colonização, após 1530, não criou a unidade, e foram várias as frentes colonizadoras que se abriram, mais ou menos independentes, quase sempre autocontidas, isoladas, comunicando-se mais facilmente com a Corte [portuguesa] — como é o caso das terras ao norte — do que umas com as outras. Se as capitanias hereditárias, cedidas pela Coroa a particulares, foram o início da vida na terra, a expressão dessa configuração espacial fragmentada e isolada persistiu por vários séculos, sendo uma das feições dominantes do território brasileiro até praticamente o século XX.


(Laura de Mello e Souza. “O nome Brasil”. In: Luciano Figueiredo (org.). História do Brasil para ocupados, 2013. Adaptado.)
Segundo o excerto, a colonização na América portuguesa
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146212 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
Em “— Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!” (10o parágrafo), a palavra sublinhada expressa ideia de 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: FAMERP Prova: VUNESP - 2022 - FAMERP - Vestibular - Conhecimentos Gerais |
Q4146211 Português
Leia a crônica “José de Nanuque”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão


   Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente.

   — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!

   — Vocês me arranjam casa pra morar?

   — Bem, isso atualmente está difícil, José.

   — Emprego?

   — Só se você for concursado, e houver vaga.

   — E comida?

   — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!

  José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado...

   — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!

  Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos.

   José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito.

   Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.

   Todos são iguais perante a lei.

   Não estamos sós.


(Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.)

1promeneur solitaire: caminhante solitário.
Verifica-se o emprego de vírgula para separar um vocativo no seguinte trecho:
Alternativas
Respostas
1081: C
1082: D
1083: A
1084: A
1085: D
1086: B
1087: D
1088: C
1089: E
1090: D
1091: C
1092: A
1093: D
1094: A
1095: B
1096: C
1097: B
1098: C
1099: C
1100: C