Questões de Vestibular
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Pode-se afirmar que:
I - Uma das bases de sustentação dessa narrativa é a incorporação de elementos da cultura popular, seja através da oralização da linguagem, do uso de estruturas fixas do romanceiro popular como o metro popular (na conversão das frases em versos, como vemos na “estrofe” acima escandida), seja a alusão a narrativas orais (As mil e uma noites), fatos que a tornam polifônica.
II - O “arremedo” da linguagem cordelística no trecho acima metrificado nos mostra que há uma conscientização por parte da autora da obra quanto à ausência de limites rígidos entre os gêneros (prosa e poesia), o que torna O vôo da guará vermelha uma narrativa rica também pelo inventário popular ali tecido e já de domínio de grande parte dos leitores.
III - Não há, a partir da escansão feita das três últimas linhas da narrativa, nenhuma alusão à linguagem, ao gênero, à forma, às temáticas, à estrutura fixa do cordel ou de outro gênero/texto popular.
I - Utiliza-se um esquema clássico das tramas de amor: uma personagem (Evangelista) busca encontrar um amor (Creuza) que, a princípio, não é acessível (questão de classe social ou outro motivo) e, para obter a realização do desejo, precisa enfrentar um obstáculo (o pai de Creuza).
II - Utiliza-se um esquema contemporâneo das tramas de amor: uma personagem (Evangelista) busca encontrar um amor (Creuza) que, a princípio, não é acessível (questão de classe social ou outro motivo) e, para obter a realização do desejo precisa enfrentar um obstáculo (o pai de Creuza ou outros) unicamente através da violência física.
III - Não se utiliza um esquema das tramas de amor, porque o fato narrado é singular, ou seja, não se repete nem se imita uma estrutura comum da literatura, sobretudo do cordel: Evangelista busca encontrar um amor (Creuza). A inacessibilidade da “amada”, a princípio, coincidiu de, na invenção do cordelista, se dar dessa forma sem que isso implique em influência ou característica das narrativas populares que tematizam o amor.
I - A estrofe (sextilha) com versos de sete sílabas poéticas (redondilha maior) e rimas do tipo XAXAXA (as letras repetidas indicam os versos que rimam entre si e o X indica os versos que não rimam) segue a ordem do poema que é assim metrificado para rápida assimilação pelo leitor do ritmo veloz em cuja estrutura são encadeados os fatos narrados.
II - A estrofe (septilha) com versos de cinco sílabas poéticas (redondilha menor) e rimas do tipo ABABAB segue a ordem do poema que é assim metrificado para rápida assimilação pelo leitor do ritmo veloz em cuja estrutura são encadeados os fatos narrados.
III - A estrofe (sextilha) com versos livres segue a ordem do poema que é assim “metrificado” para rápida assimilação pelo leitor do ritmo veloz em cuja estrutura são encadeados os fatos narrados.
I - O uso do discurso direto em “Irene arrasta a amiga e a faz sentar- se na cama”, porque o narrador transcreve diretamente a fala da personagem em ação.
II - O uso do discurso indireto em “Anginha, filha, se acalme, deixe de pensar besteira”, porque o narrador se apropria da fala da personagem e a reformula a seu modo, uma vez que à personagem, nesse trecho, não foi dada a fala.
III - O uso de uma situação linguístico-narrativa em que o ato de narrar (de “Irene arrasta a amiga” até “obriga a outra a beber”) mistura-se, num mesmo plano sintático, à fala, quando Irene se dirige à personagem Anginha. A mistura de vozes provoca um efeito aparentemente caótico (pela ausência da sinalização de recursos típicos do uso dessa função discursiva como o verbo dicendi ou a pontuação apropriada para a situação) que é desfeito tão logo se imaginam elementos introdutores do discurso direto como os já citados.
I - o sentido do “estado de alma” ou “psicológico” da personagem Irene ou de outros com quem ela se relaciona (Rosálio, a velha, o filho), indicando ora esperança (verde), ora paixão (vermelho) ora tristeza (cinza).
II - a profusão de sentidos que a referência às cores lá nomeadas pode indicar para o leitor, seja quanto ao aspecto psicológico da personagem central da trama (Irene) ou em relação às minúcias do cotidiano dos personagens.
III - uma “aquarela semântica” em que as cores não se distinguem, mas se interconectam para surtir um único efeito: a variação de cor que sofre a ave em contato com a luz, uma vez que o título da obra remete o leitor às várias cores com as quais a ave pode ser conhecida.
I - Em Poética, o comportamento extravagante e irônico das vanguardas faculta a crítica ao conservadorismo político e social veiculado pela poesia dos finais do século XIX e das duas primeiras décadas do século XX, propondo um “lirismo que é libertação”.
II - Irene no céu toca na questão étnica, um dos temas fundamentais para os modernistas da primeira geração, a partir do ponto de vista, neste sentido tipicamente modernista, da democracia racial, mais próximo de Gilberto Freyre que dos olhares sobre a questão como colocados por textos contemporâneos como Cidade de Deus, de Paulo Lins, por exemplo.
III - Com Poema tirado de uma notícia de jornal, começa um processo de rebaixamento da produção literária ao fato comum e vulgar, que terá contribuído em muito para a baixa qualidade da produção poética ao longo da segunda metade do século.

A partir do fragmento pode-se afirmar que em Boca do inferno:
I - Antonio Vieira rememora, aos setenta anos, sua trajetória no Brasil, seu envolvimento em questões que lhe trouxeram muitos inimigos. Sua luta em defesa de índios e de judeus o havia indisposto com muitos poderosos. Na cidade, muitos o insultavam às escondidas. Depois de tantos esforços, pouca coisa mudara, e nada indicava que mudaria, mas era preciso continuar lutando.
II - O fragmento é bom exemplo dos momentos em que o narrador parece incluir no texto um ponto de vista de cuja impessoalidade depende a denúncia de injustiças cometidas no Brasil ao longo de sua história e que tem sua origem no funcionamento desigual da sociedade baiana do século XVII.
III - No fragmento “e dessas mortes e destruição, nunca se veria castigo”, ao evocar o tempo futuro, para além do período em que se passa a narrativa, o narrador demonstra o viés contemporâneo de seu ponto de vista, como acontecerá em várias outras passagens do romance.
Veio a sua mente a figura de Gongora e Argote, o poeta
espanhol que tanto admirava, vestido como nos retratos em seu hábito eclesiástico
de capelão do rei: o rosto longo e duro, o queixo partido ao meio, as têmporas
rapadas até detrás das orelhas. Gongora tinha-se ordenado sacerdote aos cinqüenta
e seis anos. Usava um anel de Rubi no dedo anular da mão esquerda, que todos
beijavam. Gregório Matos queria, como o poeta espanhol, escrever coisas que não
fossem vulgares, alcançar o culteranismo. Saberia escrever assim? Seria dentro
de si um abismo. Se ali caísse, aonde o levaria? Não estivera Gongora tentando
unir a alma elevada do homem à terra e seus sofrimentos carnais? Gregório de
Matos estava no lado escuro do mundo, comendo
a parte podre do banquete. Sobre
o que poderia falar? Goza, goza el color,
da luz, el oro. Teria sido bom para Gregório se tivesse nascido na Espanha?
Teria sido diferente? “Ah, Gregório”, pensou o poeta, “Porque em cullis mundi te meteste?”
(Miranda,
2006, p. 9).
I - O narrador, que intencionalmente oscila entre a referência histórica imparcial e um olhar contemporâneo de certo estrato do período colonial, a Bahia do século XVII, expõe o paradoxo que há entre a suposta nobreza, “el oro”, da metrópole colonizadora e a vulgaridade de uma realidade em nada poética, “por que em culis mundi te meteste?”.
II - As angustiantes questões que o personagem Gregório se propõe, não só poéticas, também políticas, étnicas, sociais, refletem o declínio de uma certa aristocracia intelectual, e sua correlata visão de mundo, com o advento do capitalismo e de novas relações sociais. Do conflito entre uma consciência ainda presa a valores morais e religiosos do Classicismo e uma realidade que passa a funcionar à revelia de tais valores, estará repleta a obra e o projeto de vida do Gregório de Matos poeta.
III - As expressões vulgares com as quais o poeta se refere ao Brasil ao longo de toda a narrativa, de certo modo, refletem a visão sobre o país dos personagens principais do romance, ainda presos a uma hierarquização colonialista entre metrópole e colônia, como observado nestas palavras de Antonio Vieira, “o mundo está cheio de ladrões e a coisa aqui parece pior” (p. 58), e de personagens secundários como o vereador Luiz Bonicho, “qualquer lugar é melhor do que esta triste tafularia” (p. 34) ou da imigrante Anica de Melo, “escolhi o Brasil porque aqui todos se sentem labregos” (p. 143).

Considerando a leitura do texto, pode-se inferir
I - o princípio de igualdade de raças e nele a superação da intolerância e do preconceito.
II - o respeito à diversidade que deve constituir a organização da sociedade brasileira.
III - a construção de uma sociedade em função da pluralidade social e cultural pressuposta no paralelismo linguístico.
IV - a responsabilidade de conquista dos negros por uma posição social hierárquica proeminente.
Marque a alternativa abaixo, que indica a(s) proposição(ões) verdadeira(s).
I - a compatibilidade entre os enunciados, estabelecem relação de progressividade e funcionam como operadores de sequenciação no texto.
II - o encadeamento linear de elos coesivos, reiteram a coerência textual e especificam a sucessão de ideias no texto.
III - a retomada de termos e funcionam como pistas linguísticas que propiciam sentidos ao texto.
Marque a alternativa abaixo, que indica a(s) proposição(ões) verdadeira(s).
( ) situa o tema da obra resenhada de forma clara e objetiva e resume os conteúdos abordados pelos autores que compõem a coletânea.
( ) desenvolve o tema da diversidade social e articula as ideias de forma resumida, fazendo apreciações e imprimindo juízo de valor sobre a obra.
( ) apresenta breve comentário que incentiva a leitura do livro resenhado com a finalidade de transmitir uma ideia geral sobre o sentido nele contido.
( ) sintetiza uma obra e expõe críticas em relação à temática, justificando o posicionamento dos autores.
Analise as proposições acima, e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
Marque a alternativa CORRETA.
I - a ação verbal concentra-se na eliminação da diversidade racial do Brasil como informação principal.
II - o foco da ação vincula-se ao planejamento da diversidade do Brasil de forma gradativa.
III - a intenção do autor é hipotetizar a eliminação da diversidade racial do Brasil.
Marque a alternativa abaixo, que indica a(s) proposição(ões) verdadeira(s).
( ) recurso argumentativo de significado restritivo, que opera no processo de negação.
( ) recurso formador de sentido que anula totalmente a informação anterior.
( ) instrumento de interação dotado de intencionalidade para atenuar o sentido do enunciado anterior.
( ) construção atuante no nível sintaticossemântico com valor aditivo negativo.
Analise as proposições acima, e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas, e marque a alternativa CORRETA

( ) A diversidade linguística se caracteriza pelas especificidades dialetais que contemplam as múltiplas possibilidades de uso da língua.
( ) O texto pode ser analisado pelo viés do preconceito linguístico dominante na ideologia normativa da língua.
( ) O texto apresenta um efeito de humor suscitado pela interpretação ambígua de Chico Bento.
( ) A temática do texto corresponde ao ensino dos padrões linguísticos necessários para o uso “correto” do “bom português”.
( ) A intervenção da professora toma como parâmetro uma equivocada visão da fala em relação à violação das regras de gramática.
Analise as proposições e coloque V para as verdadeiras e F para as falsas
Marque a alternativa CORRETA.


Com base na leitura dos excertos da entrevista, responda às questões de 1 a 7.
( ) um encadeamento de palavras que constrói a materialidade significativa do texto.
( ) uma intencionalidade interlocutiva que desencadeia uma gradação textual, colaborando com a coerência do texto.
( ) uma repetição de unidades lexicais, com função reducionista no foco da informação.
( ) um conjunto de palavras co-textualizadas que funcionam na organização do texto.
Analise as proposições acima, e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
Marque a alternativa CORRETA.


Com base na leitura dos excertos da entrevista, responda às questões de 1 a 7.
I - termo explicativo, com valor sintático, pois explicita algo a mais em razão do enunciado fundamental.
II - construção que apresenta relação causal, tendo em vista ser introduzida pela preposição “como”.
III - um sintagma, com sentido opinativo, que apresenta relação de comparação com a expressão anterior.
IV - expressão intercalada de valor enumerativo que estabelece uma referência comparativa genérica.
Marque a alternativa abaixo que apresenta a(s) proposição(ões) verdadeira(s).


Com base na leitura dos excertos da entrevista, responda às questões de 1 a 7.
( ) a função de adjunto adverbial de tempo, tendo em vista que semanticamente fazem referência a um tempo cronológico.
( ) funções sintáticas distintas, pois seus circunstantes diferem no contexto em relação ao aspecto do tempo.
( ) funções sintáticas idênticas, embora seus circunstantes apresentem matizes temporais diferenciados.
( ) funções sintáticas diferentes, pois o sintagma preposicional na primeira expressão matiza o tempo propriamente dito, enquanto na segunda, apresenta a quantificação temporal.
Analise as proposições acima, e assinale V para as verdadeiras e F para as falsas.
Marque a alternativa CORRETA

