Questões de Vestibular
Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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O que diferencia o segundo verso do primeiro é a supressão do verbo “parecer” e a substituição da palavra “reflexão” por “salivação”, alterações que implicam mudança da simples meditação acerca da semelhança do trabalho poético a qualquer ato de pensamento para uma percepção agudamente metafórica.
Os “espaços de salivação e silêncio” podem ser interpretados como os espaços deixados pelo poeta entre um verso e outro e, ainda, por meio da diminuição gradativa do tamanho de cada verso do poema
Esta admirável safra lírica marca um divisor de águas, para cada um dos seus autores e para a poesia brasileira [...]” (Antonio Candido e Aderaldo Castelo – Presença da literatura brasileira). Dados os itens abaixo,
I. [...] Um homem vai devagar./ Um cachorro vai devagar./ Um burro vai devagar./ Devagar... janelas olham./ Eta vida besta, meu Deus.
II. stop a vida parou ou foi o automóvel?
III. Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.
IV. Alguns anos vivi em Itabira. / Principalmente, nasci em Itabira. / Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. / Noventa por cento de ferro nas calçadas. / Oitenta por cento de ferro nas almas. / E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
V. De tudo, ao meu amor serei atento/ Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto/ Que mesmo em face do maior encanto/ De se encante mais meu pensamento.
Qual(is) contém(êm) apenas trechos de poemas com as características peculiares a Carlos Drummond de Andrade (valorização do cotidiano, do simples, da monotonia da vida; versos livres, sem rima; desajustamento do indivíduo, versos intimistas e visão crítica do homem e sua inquietação diante da vida)?
Remissão
Tua memória, pasto de poesia,
tua poesia, pasto dos vulgares,
vão se engastando numa coisa fria
a que tu chamas: vida e seus pesares.
Mas pesares de quê? perguntaria,
se esse travo de angústia nos cantares,
se o que dorme na base da elegia
vai correndo e secando pelos ares,
e nada resta, mesmo, do que escreves
e te forçou ao exílio das palavras,
senão contentamento de escrever,
enquanto o tempo, em suas formas breves
ou longas, que sutil interpretavas,
se evapora no fundo de teu ser?
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
2002.
é correto dizer:
O texto acima se refere à autora alagoana de Marechal Deodoro, que, dentre tantas obras, escreveu também: Eu, em versos e prosa; Recados; Dos destroços, o regate; Farpa, Fantasia e avesso e Grande baú – a infância.
Qual opção completa corretamente a lacuna do texto acima?
“Decididamente era indispensável que a campanha de Canudos tivesse um objetivo superior à função estúpida e bem pouco gloriosa de destruir um povoado dos sertões. Havia um inimigo mais sério a combater, em guerra mais demorada e digna. Toda aquela campanha seria um crime inútil e bárbaro, se não se aproveitassem os caminhos abertos à artilharia para uma propaganda tenaz, contínua e persistente, visando trazer para o nosso tempo e incorporar à nossa existência aqueles rudes compatriotas retardatários”
CUNHA, Euclides da. Os sertões. São Paulo: Cultrix/Brasília: INL, 1975, p. 342.
“Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinquenta, nem vinte, quando muito, dez. Dez? talvez cinco.”
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: W.M. Jackson Editores, 1970, p. 9
A partir desse trecho, pode-se concluir que
LISPECTOR, Clarice. Laços de família. 6. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1974, p. 30.
Dadas as assertivas seguintes sobre a escrita de Clarice Lispector, como se pode perceber no fragmento acima,
I. Caracterizada pela presença de uma visão subjetiva, a partir da qual são apresentados o tempo, o espaço, as personagens, as ações e o tempo da narrativa.
II. Direta e objetiva, sem uso de metáforas ou comparações inovadoras, no âmbito da narrativa brasileira do século XX.
III. Marcada por associações inusitadas, que rompem com a noção de causalidade e renovam a tradição narrativa brasileira.
IV. Típica da literatura regionalista nordestina da década de 30, tanto pela temática abordada, quanto pela linguagem utilizada, o que a aproxima de Rachel de Queiroz.
verifica-se que estão corretas apenas
Texto para a questão
CAPÍTULO 73 - O Luncheon*
O despropósito fez-me perder outro capítulo. Que melhor não era dizer as coisas lisamente, sem todos estes solavancos! Já comparei o meu estilo ao andar dos ébrios. Se a ideia vos parece indecorosa, direi que ele é o que eram as minhas refeições com Virgília, na casinha da Gamboa, onde às vezes fazíamos a nossa patuscada, o nosso luncheon. Vinho, frutas, compotas. Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma infinidade desses apartes do coração, aliás o verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o arrufo temperar o nímio adocicado da situação. Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida. Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como eu reato a narração, para desatá-la outra vez. Note-se que, longe de termos horror ao método, era nosso costume convidá-lo, na pessoa de Dona Plácida, a sentar-se conosco à mesa; mas Dona Plácida não aceitava nunca.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
(*) Luncheon (Ing.): lanche, refeição ligeira, merenda.
As “mazelas sociais”, assim como as “contradições de tal sociedade” às quais o texto se refere têm, dentre seus denominadores comuns:
Leia o fragmento de um dos poemas de cordel, da obra Vida e obra de Gonzagão, de Cacá Lopes, e o poema Asa Brancade Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e responda à questão .
TEXTO 1
Foi voando nas asas da Asa Branca
Que Gonzaga escreveu a sua história.
Dos acordes de um grande brasileiro,
Um intérprete da alma de seu povo,
Sai um canto que sempre será novo,
Amoroso, sincero, alvissareiro.
Entre os hinos do seu cancioneiro,
O que fala duma ave migratória
Conferiu a Luiz eterna glória
Para além desta vida que se estanca.
http://marcohaurelio.blogspot.com.br/2012/06/o-maiscompleto-cordel-sobre-o-rei-do_11.html.
TEXTO 2
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do Céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro que fornalha
Nenhum pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe muitas léguas
Nessa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore, não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração
Leia atentamente o texto abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
(Teresópolis, 1912)
(BANDEIRA, Manuel. Melhores Poemas de Manuel Bandeira. Seleção de Francisco de Assis Barbosa. 16. ed. São Paulo: Global, 2004, p.17)
Vocabulário
volúpia: sensualidade
esparsa: espalhada; distribuída
acre: amargo; azedo
Leia atentamente o texto abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
(Teresópolis, 1912)
(BANDEIRA, Manuel. Melhores Poemas de Manuel Bandeira. Seleção de Francisco de Assis Barbosa. 16. ed. São Paulo: Global, 2004, p.17)
Vocabulário
volúpia: sensualidade
esparsa: espalhada; distribuída
acre: amargo; azedo