Questões de Vestibular
Sobre interpretação de textos em português
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Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
(Melhores poemas, 2000.)
TEXTO:
A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. [...] Uma voz que convida para a festa da luta. Que é como um samba alegre de negro, como o ressoar dos atabaques nas macumbas. Voz que vem da lembrança de Dora, valente lutadora. Voz que chama Pedro Bala. Como a voz de Deus chamava Pirulito, a voz do ódio o Sem-Pernas, como a voz dos sertanejos chamava Volta Seca para o grupo de Lampião. Voz poderosa como nenhuma outra. Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. [...] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. [...]
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. 3 ed. São Paulo: Companhia das
Letras, 2008. p. 266-267.
Sobre o trecho transcrito e a obra de onde foi extraído, é correto afirmar:
I. Diferentemente das outras obras de ficção de Jorge Amado, essa obra é não ficcional, pois tem um caráter essencialmente documental. Nela, histórias sobre personagens reais, recolhidas pelo autor em suas vivências na cidade de Salvador, constituem um mosaico de situações vivenciadas por meninos de rua.
II. Nessa obra, o autor consegue agregar seu
posicionamento crítico em relação à injustiça, bem como
sua crença na possibilidade de uma revolução social, com
uma visão e uma linguagem poéticas, evidentes,
principalmente, nas referências e louvores ao sincretismo
religioso, à cidade de Salvador, sua paisagem e sua gente
sofredora.
III. O personagem Pedro Bala é um negro que, quando
adolescente, em Salvador, foi líder de um grupo de
meninos de rua, vítimas da exclusão, da opressão e da
injustiça social. O trecho transcrito expressa a convocação
emocionada que ele, já adulto e sindicalista, faz a seus
antigos companheiros para aderirem à revolução
socialista.
IV. Nesse trecho, o autor expressa os apelos de uma voz
interior de Pedro Bala, como um chamamento íntimo de
todos os oprimidos com quem conviveu em Salvador, que
o convocam a aderir à utopia de criação de uma sociedade
justa, pluralista, democrática e inclusiva, capaz de garantir
a todos os necessários espaços de liberdade.
V. Pedro Bala, já adulto, tem surtos de loucura, nos quais
ouve vozes vinculadas a todas as suas vivências
passadas, em Salvador. O trecho retrata um desses surtos
em que, num delírio épico, ele retoma seus vínculos
identitários e se considera capaz de liderar um processo
revolucionário para resgatar a liberdade dos oprimidos
socialmente e dos discriminados pela opção de fé.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão
corretas é a
I. Ela constitui uma crítica irônica ou uma sátira do autor dirigida ao cientificismo da época, representado pela teoria da seleção natural de Charles Darwin, que postulava, como uma lei natural, a sobrevivência do mais forte ou do mais esperto.
II. Seus princípios e conceitos desconstroem a visão negativa sobre as guerras, pois a eliminação dos mais fracos, mais do que a paz, seria benéfica ao aperfeiçoamento humanidade, que, gradualmente, seria constituída apenas dos seres mais aptos ou mais fortes
III. O “caráter conservador e benéfico da morte.” (l. 16-17) constitui uma referência à possibilidade de superação das disputas, a partir de um aperfeiçoamento dos mecanismos de colaboração que constituem o princípio “indestrutível” (l. 6), “universal e comum” (l. 16).
IV. A exclamação “ao vencedor, as batatas!” (l. 33), expressa a alegria dos vencedores não apenas pelas recompensas, mas pela vitória do bem contra mal, da justiça contra a injustiça, com o triunfo de sentimentos de compreensão e solidariedade em relação aos vencidos.
V. A consideração sobre a “opinião do exterminado” (l. 34) ou a “opinião da bolha” (l. 40) evidencia outra face dessa filosofia, seu caráter antiético e repressor, pois o extermínio dos mais fracos não os atingiria apenas fisicamente, mas se assentaria também no cerceamento de seus direitos de expressão.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
Transcrição de
diálogo do filme ELE ESTÁ
DE VOLTA, entre Hitler (H)
e Sawatzki (S). Sawatzki
mantém Hitler sob a mira de
um revólver e o ameaça,
dirigindo-o para a beirada do
pátio de um edifício alto.
H – Sawatzki? [vira-se para
trás e vê Sawatzki que lhe
aponta um revólver]. Você
demorou de responder...
S – É você... Você é ele!...
H – Nunca disse o contrário. Acho que meu destino é me
despedir de meus leais companheiros de trabalho.
S – Por ali [indica uma porta que dá acesso ao pátio
superior de um edifício]. A história está se repetindo. Está
enganando as pessoas com seus discursos.
H – Ah, Sawatzki, você não entende. Em 1933, ninguém
precisou de discurso nenhum. O povo elegeu um líder
que deixou claro para todos quais eram seus planos. Os
alemães me elegeram...
S – [Encaminha-o, apontando o revólver, para a beirada
do prédio]. Continue... Você é um monstro!
H – Sou? Então é melhor culpar também aqueles que
elegeram esse monstro. Eles todos eram monstros? Não,
eram pessoas normais... Que escolheram eleger alguém
diferente dos outros, para confiarem o destino de seu
país. O que vai fazer, Sawatzki? Impedir as eleições?
S – Não, mas vou impedir você...
H – Nunca se perguntou por que as pessoas me seguem?
Porque, no fundo, elas são como eu. Têm os mesmos
princípios. E é por isso que você não vai atirar...
[Sawatzki atira]

ELE ESTÁ DE VOLTA. Direção de David Wnendt. Intérpretes: Oliver
Masucci, Fabian Busch, Thomas Köppl e outros. Alemanha, 2015. Baseado
no livro Er Ist Wieder Da, de Timur Vermes.
I. No filme, por um estranho fenômeno, Hitler escapa da morte em 1945 e acorda no futuro, em 2014, na Alemanha, perto de seu bunker. É tido como um ator que interpreta o papel de Hitler, e, nessa condição, estabelece relações com pessoas atuais e, aos poucos, retoma a intenção de realizar seus planos originais.
II. O filme mistura ficção e documentário. Na parte documental, o ator Oliver Masucci interage com pessoas reais que revelam sua simpatia e adesão às ideias de Hitler, considerando a propriedade de seus planos para resolver os problemas atuais da Alemanha e tomando-o como um salvador da pátria.
III. Essa é a cena do filme Ele está de volta, quando o comediante que representa Hitler é raptado e assassinado por um diretor de TV que foge de um hospital após imergir num processo de alucinação, supondo ser ele o verdadeiro Hitler, e não um ator que fazia esse papel.
IV. Após essa cena, Sawatzki, um produtor de TV, atira em si próprio, pois se sente culpado de ter divulgado, com o seu documentário, as ideias nazistas de Hitler e, com isso, ter convencido as pessoas de que a democracia não é capaz de resolver os atuais problemas da Alemanha.
V. Com essa cena, se encerra uma gravação que se realiza dentro da narrativa do filme, e o suposto ator, que, na verdade, é o verdadeiro Hitler, continua acolhido por todos e, com o apoio da TV, mantém seus planos de construir um terceiro reich na Alemanha atual.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

São trechos do texto que podem ser associados à narrativa da tirinha acima:
I. “Os preconceitos não são inúteis. Eles têm uma função
importantíssima na economia psíquica do preconceituoso.”
(l. 1-3).
II. “Vivemos tempos de descompensação emocional
profunda, em uma espécie de vazio afetivo” (l. 22-23).
III. “Há um ódio que se dirige atualmente à inteligência, ao
conhecimento, à ciência, ao esclarecimento, ao
discernimento.” (l. 43-45).
IV. “Há, dividindo espaço com opressões próprias ao campo
do saber, um estranho ódio ao saber em sua forma
crítica e desconstrutiva.” (l. 53-55).
V. “O pensamento e a ousadia intelectual tornaram-se
insuportáveis para muitas pessoas” (l. 59-60).
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão
corretas é a
Há uma característica desses “tempos” em
I. Mudança de alvo do ódio e dos preconceitos.
II. Aumento significativo da manifestação de preconceitos.
III. Desequilíbrio psicológico que gera uma reação de esquiva.
IV. Consumo alienado de bens materiais e de formas de pensar.
V. Decepção com os “salvadores da pátria” pelo fracasso da política.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo

INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo

INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo

I - O verbo “passou” (l. 04) tem como sujeito “o significado de humildade” (l. 02-03).
II - A expressão “que possui” (l. 07) poderia ser substituída por “de”, sem que houvesse mudança de sentido no texto.
III - A passagem “ao português” (l. 05) poderia ser substituída por “à Língua Portuguesa”, desde que indicada a crase.
Quais estão corretas?

( ) A locução “Apesar de” (l. 17) poderia ser substituída por “A despeito de”, preservando o sentido e a correção, sem qualquer outra alteração na frase.
( ) A palavra “sobretudo” (l. 18) poderia ser substituída por “especialmente”, preservando o sentido e a correção, sem qualquer outra alteração na frase.
( ) A substituição de “no entanto” (l. 21) por “todavia” preservaria a correção e a relação de contraste estabelecida na frase.
A alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo, é










