Questões de Vestibular Sobre interpretação de textos em português

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Q1399269 Português
TEXTO I Durante meus exames preventivos, tive a infelicidade de constatar que eu era uma das 53 mil mulheres brasileiras com o diagnóstico de câncer neste ano. Semanas atrás, fiz a mastectomia em minha mama esquerda. Como a atriz Angelina Jolie, cuja coragem e determinação eu admiro muito, estou com uma prótese expansora, já tirei o dreno, e a prótese definitiva será colocada daqui a alguns meses. Vou dar a volta por cima com muita fé e determinação.
TEXTO II Tive acesso aos médicos dos melhores hospitais do Brasil e não me considero uma heroína: apenas uma mulher normal que venceu uma doença difícil. As heroínas de fato são todas as mulheres diagnosticadas com câncer de mama que, a despeito da dificuldade encontrada no invasivo tratamento dessa doença, conseguem viver, trabalhar, amar sua família e, acima de tudo, ter a esperança de cura. Carta do leitor. Veja, n. 22, 29 maio 2013.
Os Textos I e II foram publicados em uma revista, no mesmo dia, na seção de cartas dos leitores. Os dois referem-se a uma reportagem em que se noticia o fato de a atriz Angelina Jolie ter feito uma cirurgia de retirada dos seios após ter sido diagnosticada a possibilidade de que ela viesse a ter um câncer de mama. Conclui-se da leitura dos dois textos que as opiniões expressas por ambas as autoras
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Q1399268 Português

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Atualmente, com o uso de diferentes tecnologias de comunicação, é possível estudar, comunicar-se e adquirir conhecimento. Tendo em vista a linguagem e a estrutura utilizadas no texto, nota-se que esse site

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Q1399267 Português
Jornalismo em saúde Nos últimos anos, a internet possibilitou uma democratização da informação como nunca antes vista, permitindo que o indivíduo que sofre de algum problema de saúde tenha uma postura mais ativa frente ao seu médico/terapeuta, com mais repertório para trocar informações. Pode-se argumentar que muito daquilo que o leigo lê na internet não é fonte segura de informação, e no caso de informação equivocada, pode fazer mais mal do que bem. Isso até pode existir, mas de uma forma geral a internet ajuda muito mais do que atrapalha. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudaram mais de 600 pacientes com diagnóstico de câncer colorretal, e a hipótese lançada era a de que aqueles que buscavam mais informações sobre a doença na internet e na mídia impressa também estariam sendo submetidos a tratamentos mais modernos. No caso em questão, os autores definiram como terapêutica moderna o uso de duas medicações recentemente aprovadas para uso nos Estados Unidos e amplamente divulgadas pela mídia (bevacizumab e cetuximab). O resultado foi que os pacientes que procuraram informação na internet e na mídia impressa tinham uma chance três vezes maior de ter conhecimento sobre as duas medicações, e também foi três vezes maior a chance de serem submetidos ao tratamento com essas drogas. TEIXEIRA, R. A. Disponível em: www.icbneuro.com.br. Acesso em: 17 set. 2013 (adaptado).
O uso da internet possibilitou uma democratização da informação em todas as áreas do conhecimento. Na área da saúde, o acesso à informação possibilita que o paciente
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Q1399266 Português
Esse queijo é bom demais, uai! O queijo produzido em Minas Gerais é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Brasil e do estado Há quem diga que o queijo de Minas não pode faltar na boa mesa mineira. Um queijo com cafezinho, queijo com goiabada (conhecido como Romeu e Julieta), o pão de queijo ou até complementando um prato requintado, já virou receita garantida em Minas Gerais. O tradicional alimento do estado não perde em nada para os mais aprimorados queijos importados. Tem o canastra, o do serro, o frescal, o meia-cura, o minas do tipo padrão, o de coalho. São tantas opções que fica até difícil dizer qual é mais gostoso. Não é à toa que essa iguaria faz tanto sucesso e já virou patrimônio cultural brasileiro e imaterial de Minas Gerais. Desde 2008, o modo típico de preparo dos queijos artesanais da região do Serro e da Serra da Canastra foi reconhecido como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Disponível em: www.belohorizonte.mg.gov.br. Acesso em: 25 set. 2013.
A utilização de uma expressão regional no título do texto
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Q1399265 Português
Curtir O verbo “curtir” nunca esteve tão na moda quanto nesta época em que vivemos, marcada pela interatividade no ambiente das redes sociais, onde a aprovação ou a simples simpatia por determinado conteúdo compartilhado se traduz nesse verbo conjugado na 1ª pessoa: “curti”. A consagração da palavra, porém, deu-se pela adoção do termo pelo Google, que, imitando o facebook, passou a oferecer aos internautas a opção de gostar dos resultados elencados pelas páginas de busca. O verbo “curtir”, no caso das mídias sociais, configura-se uma tradução do inglês like (“gostar”). Contudo, a gíria brasileira não guarda nenhuma relação com o “curtir” proveniente do latim vulgar corretrire, retrire, que significa “desgastar pelo atrito”. Revista Língua, n. 74, dez. 2011 (adaptado).
Ao explorar os usos e significados do verbo curtir nas mídias sociais, o autor colabora para a compreensão do(a)
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Q1399264 Português
A defesa da língua O jornalista Eduardo Martins, colaborador de Agitação e autor do Manual de Redação do jornal O Estado de S. Paulo, foi o convidado de honra do almoço realizado no dia 31 de agosto, em São Paulo, pelas academias Paulista de Letras, Cristã de Letras, Internacional de Direito Econômico, Paulista de Educação, de Medicina de São Paulo e Paulista de História. O evento faz parte do calendário mensal das academias e sempre conta com uma personalidade para falar sobre temas atuais ligados à educação e à literatura. Martins abordou os vícios que castigam a língua portuguesa. Os mais comuns, de acordo com o jornalista, são o descaso com a concordância – principalmente no caso do plural –, o uso de estrangeirismos, a utilização errônea da crase e o internetês, a linguagem cifrada adotada pelos jovens na rede mundial de computadores e que começa a migrar para as lições escolares. Agitação, n. 65, set.-out. 2005.
A língua portuguesa, como toda língua viva, agrega ao longo de seu desenvolvimento histórico elementos que marcam variações em seu sistema. Entretanto, algumas pessoas veem tais variações como “erros”. Percebe-se que o jornalista citado tem esse pensamento, pois, segundo a notícia, ele
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Q1399263 Português
Aos dezoito anos pai Norato deu uma facada num rapaz, num adjutório, e abriu o pé no mundo. Nunca mais ninguém botou os olhos em riba dele, afora o afilhado. — Padrinho, evim cá chamá o sinhô pra mode i morá mais eu. — Quá, flo, esse caco de gente num sai daqui mais não. — Bamo. Buli gente num bole, mais bicho... O sinhô anda perrengado... ÉLIS, B. Obras reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.
A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma grande variedade de dialetos. Nesse sentido, a linguagem usada no texto
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Q1399262 Português
Brasileiros são os profissionais mais estressados do mundo
Uma pesquisa feita por uma empresa de recrutamento revelou que os brasileiros são os profissionais mais estressados do mundo. Mais de 40% dos trabalhadores sofrem frequentemente de estresse e ansiedade em seu emprego, enquanto a média mundial ficou em 11%. O estudo entrevistou 1 775 diretores de Recursos Humanos de 12 países, sendo 100 do Brasil. Se forem contabilizados os diretores de RH que trabalham com profissionais que sofrem estresse e ansiedade às vezes, o índice brasileiro sobe para 94%. Apenas 2% não se sentem estressados e 4% sentem os sintomas poucas vezes. Disponível em: http://economia.uol.com.br. Acesso em: 4 set. 2013 (adaptado).
O título do texto traz o resultado de uma pesquisa sobre os trabalhadores brasileiros. A principal estratégia utilizada pelo autor para levar o leitor a acreditar nessa informação consiste na
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Ano: 2018 Banca: FUVEST Órgão: FUVEST Prova: FUVEST - 2018 - FUVEST - Vestibular - Primeira Fase |
Q1397745 Português

Carlos Drummond de Andrade.

Claro Enigma.


Ulisses


O mito é o nada que é tudo.

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo ‐ 

O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo.


Este, que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo

E nos criou.


Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá‐la decorre.

Em baixo, a vida, metade

De nada, morre.


Fernando Pessoa. Mensagem


*conversa íntima entre casais.

O oxímoro é uma “figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir‐se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão” (HOUAISS, 2001). No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego dessa figura de linguagem ocorre em:
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Ano: 2018 Banca: FUVEST Órgão: FUVEST Prova: FUVEST - 2018 - FUVEST - Vestibular - Primeira Fase |
Q1397744 Português

Carlos Drummond de Andrade.

Claro Enigma.


Ulisses


O mito é o nada que é tudo.

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo ‐ 

O corpo morto de Deus,

Vivo e desnudo.


Este, que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo

E nos criou.


Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá‐la decorre.

Em baixo, a vida, metade

De nada, morre.


Fernando Pessoa. Mensagem


*conversa íntima entre casais.

Considerando os poemas, assinale a alternativa correta.
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Ano: 2018 Banca: FUVEST Órgão: FUVEST Prova: FUVEST - 2018 - FUVEST - Vestibular - Primeira Fase |
Q1397738 Português

Examine o anúncio.

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Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul.


No contexto do anúncio, a frase “A diferença tem que ser só uma letra” pressupõe a

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Ano: 2018 Banca: FUVEST Órgão: FUVEST Prova: FUVEST - 2018 - FUVEST - Vestibular - Primeira Fase |
Q1397736 Português

FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.

Com base no texto, é correto afirmar:
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Ano: 2018 Banca: FUVEST Órgão: FUVEST Prova: FUVEST - 2018 - FUVEST - Vestibular - Primeira Fase |
Q1397733 Português

Examine o cartum.

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ITURRUSGARAI, Adão. A vida como ela yeah. Folha de S. Paulo, ago.2018.


O efeito de humor que se obtém no cartum decorre, principalmente,

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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390434 Português

    A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. Que vem do ódio do Sem-Pernas se atirando do elevador para não se entregar. […] Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. […] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.

(AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 258-259”)

É possível perceber, no trecho apresentado, como a linguagem reflete aspectos típicos da tradição baiana. Isso pode ser notado em:
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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390433 Português

    A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. Que vem do ódio do Sem-Pernas se atirando do elevador para não se entregar. […] Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. […] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.

(AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 258-259”)

A “voz” que chama por Pedro Bala, no trecho apresentado, deseja que o garoto:
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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390432 Português

    A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. Uma voz que vem das filhas-de-santo do candomblé de Don’Aninha, na noite que a polícia levou Ogum. Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. Que vem do ódio do Sem-Pernas se atirando do elevador para não se entregar. […] Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. […] Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.

(AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 258-259”)

Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado, é um dos expoentes do chamado Romance de 30, que se caracterizava pela abordagem social de determinadas regiões do país. Este aspecto pode ser observado no trecho apresentado pois:
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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390431 Português
A publicação de A Origem das Espécies (1859), por Charles Darwin, modificou o modo como alguns autores de literatura, principalmente os naturalistas, construiriam seus personagens. Isso porque o ambiente em que um personagem se encontrava determinaria quem ele era. Tendo isso em vista, qual das citações revela a atuação do meio sobre a personagem?
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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390429 Português

O Escândalo do Petróleo

    O petróleo está hoje praticamente monopolizado por dois imensos trustes, a Standard Oil e a Royal Dutch & Shell. Como dominaram o petróleo, dominaram também as finanças, os bancos, o mercado do dinheiro: e como dominaram o dinheiro, dominaram também os governos e as máquinas administrativas. Essa rede de dominação constitui o que neste livro chamamos os Interesses Ocultos.

    O Brasil, com o seu imenso território em tantos pontos marcado de indícios de petróleo, constituía um perigo para esses trustes. Gustav Grossman, um geólogo que estudou secretamente as nossas possibilidades petrolíferas, escreveu na conclusão dum seu relatório reservado, feito por conta e uso dum desses trustes: Dada a sua área, a quantidade de petróleo do Brasil talvez seja maior que a de qualquer outro país do mundo.

    Ora, se era assim, o negócio dos trustes tinha de ser acaparar terras potencialmente petrolíferas do Brasil e também catequizá-lo, convencê-lo de que em seus oito milhões e meio de quilômetros quadrados haverá tudo, menos petróleo.

    Esses trustes nos conhecem. Sabem que o brasileiro é uma espécie de criança tonta, que realmente se interessa por jogo, farra, carnavais e anedotas fesceninas. Sabem que o Brasil não dá a mínima importância ao estudo, [...]. 

    Os trustes sabem de tudo e sorriem lá entre si. Sabem que a partir de 1930 o brasileiro cada vez menos se utiliza do cérebro para pensar, como fazem todos os povos. Sabem que os nossos estadistas dos últimos tempos positivamente pensam com outros órgãos que não o cérebro: com o calcanhar, com o cotovelo, com certos penduricalhos, raramente com os miolos. Daí o desmantelo cada vez maior da administração pública; daí a bancarrota, a miséria horrível do povo. A miséria é tanta em certas zonas que a grande massa da população rural já está perdendo a forma humana. Há povoados inteiros de papudos e nos fundões de Goiás surgem as primeiras criaturas de rabo. Involução darwínica. [...]

    Ao mesmo tempo, graças a uma hábil propaganda feita nas estradas de rodagem por meio das bombas gasoline, convenceriam o indígena bocó de que era absurdo existir petróleo no Brasil, porque “Ora! Ora! Então se aqui existisse petróleo pensa você que os americanos já não o tinham tirado?”

    Para gente que pensa com outras partes do corpo que não o cérebro, argumentos dessa ordem valem ouro. Matam a questão. E quarenta milhões de criaturas passaram a repetir como papagaios os argumentos “estandardizados” que as bombas de gasolina forneciam de lambuja a cada comprador de essência.

    Não era bastante. Tornava-se necessário meter ciência no meio. Organizar cientificamente o não-petróleo. Ora, o brasileiro tem uma concepção muito curiosa de ciência. Ciência é o que ele não entende. Se entende é besteira, não é ciência da legítima.

(LOBATO, Monteiro. O Escândalo do Petróleo.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1936. P.10-11)

Assinale a alternativa cujo trecho de “O Escândalo do Petróleo”, em 1936, já antecipava parte da relação do Brasil com C&T, explicada em “A asfixia da Ciência e Tecnologia brasileira”:
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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390428 Português

O Escândalo do Petróleo

    O petróleo está hoje praticamente monopolizado por dois imensos trustes, a Standard Oil e a Royal Dutch & Shell. Como dominaram o petróleo, dominaram também as finanças, os bancos, o mercado do dinheiro: e como dominaram o dinheiro, dominaram também os governos e as máquinas administrativas. Essa rede de dominação constitui o que neste livro chamamos os Interesses Ocultos.

    O Brasil, com o seu imenso território em tantos pontos marcado de indícios de petróleo, constituía um perigo para esses trustes. Gustav Grossman, um geólogo que estudou secretamente as nossas possibilidades petrolíferas, escreveu na conclusão dum seu relatório reservado, feito por conta e uso dum desses trustes: Dada a sua área, a quantidade de petróleo do Brasil talvez seja maior que a de qualquer outro país do mundo.

    Ora, se era assim, o negócio dos trustes tinha de ser acaparar terras potencialmente petrolíferas do Brasil e também catequizá-lo, convencê-lo de que em seus oito milhões e meio de quilômetros quadrados haverá tudo, menos petróleo.

    Esses trustes nos conhecem. Sabem que o brasileiro é uma espécie de criança tonta, que realmente se interessa por jogo, farra, carnavais e anedotas fesceninas. Sabem que o Brasil não dá a mínima importância ao estudo, [...]. 

    Os trustes sabem de tudo e sorriem lá entre si. Sabem que a partir de 1930 o brasileiro cada vez menos se utiliza do cérebro para pensar, como fazem todos os povos. Sabem que os nossos estadistas dos últimos tempos positivamente pensam com outros órgãos que não o cérebro: com o calcanhar, com o cotovelo, com certos penduricalhos, raramente com os miolos. Daí o desmantelo cada vez maior da administração pública; daí a bancarrota, a miséria horrível do povo. A miséria é tanta em certas zonas que a grande massa da população rural já está perdendo a forma humana. Há povoados inteiros de papudos e nos fundões de Goiás surgem as primeiras criaturas de rabo. Involução darwínica. [...]

    Ao mesmo tempo, graças a uma hábil propaganda feita nas estradas de rodagem por meio das bombas gasoline, convenceriam o indígena bocó de que era absurdo existir petróleo no Brasil, porque “Ora! Ora! Então se aqui existisse petróleo pensa você que os americanos já não o tinham tirado?”

    Para gente que pensa com outras partes do corpo que não o cérebro, argumentos dessa ordem valem ouro. Matam a questão. E quarenta milhões de criaturas passaram a repetir como papagaios os argumentos “estandardizados” que as bombas de gasolina forneciam de lambuja a cada comprador de essência.

    Não era bastante. Tornava-se necessário meter ciência no meio. Organizar cientificamente o não-petróleo. Ora, o brasileiro tem uma concepção muito curiosa de ciência. Ciência é o que ele não entende. Se entende é besteira, não é ciência da legítima.

(LOBATO, Monteiro. O Escândalo do Petróleo.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1936. P.10-11)

Segundo o texto de Monteiro Lobato, os trustes americanos:
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Ano: 2018 Banca: Esamc Órgão: Esamc Prova: Esamc - 2018 - Esamc - Vestibular - Primeiro Semestre |
Q1390427 Português

A asfixia da Ciência e Tecnologia brasileira

    Nos últimos dois anos o sistema brasileiro de ciência e tecnologia (C&T) tem sofrido ataques constantes. Um dos mais fortes foi, sem dúvida, a aprovação do projeto de emenda constitucional (PEC 241/55) que limita os gastos do governo para os próximos anos. Segundo economistas mais críticos, tal medida não trata de uma agenda de crescimento, mas de um projeto de longo prazo de desmonte do Estado de bem-estar social brasileiro. 

    As reduções orçamentárias para atuação tanto do Ministério da Educação (MEC) como do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) podem ter efeitos de longo prazo desastrosos, ajudando a ampliar o hiato entre a nossa produção científica e a fronteira mundial. Justamente o contrário do que tem sido feito na China nos últimos anos. Enquanto em Terra Brasilis há cortes em C&T, a China investe pesadamente em atividades científicas e consegue dar saltos fantásticos, obviamente com ativa atuação do governo central.

    O sistema de C&T brasileiro foi forjado lentamente durante décadas com forte presença do Estado. Nos anos 1950 foram criados o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e na década seguinte a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), cada qual com sua missão. Tais órgãos ajudaram a dar as disposições institucionais do sistema brasileiro de C&T contemporâneo. Sistema este que apresenta sim muitas lacunas que dificultam a geração de sinergias e a ampliação das oportunidades inovativas domésticas, porém nenhum especialista em sã consciência recomendaria seu desmonte [...].

    No bojo das ações referentes aos cortes gigantescos no orçamento de C&T, no início de agosto, o comunicado da Capes sobre a possível interrupção do pagamento das bolsas de pesquisa, a partir de 2019, causou estremecimento na comunidade científica brasileira. Apesar disso, o que presenciamos tem sido pouco ou nenhum posicionamento da mídia tradicional, a qual, pelo contrário, tem atacado sobremaneira a comunidade científica brasileira.

    [...] Sabemos que não há “receita” para a superação do subdesenvolvimento, porém, a experiência histórica das estratégias desenvolvimentistas de muitas nações desde a primeira revolução industrial mostra que a C&T importa. Aliás, não só importa, mas é essencial para a ruptura do atraso. As conquistas científicas empurram a fronteira do conhecimento e ajudam a prover respostas e soluções para os desafios impostos pela sociedade, sejam estes econômicos, relacionados à saúde, bem-estar da população e ao meio-ambiente. A superação do subdesenvolvimento de diferentes nações demandou, portanto, investimentos pesados, sobretudos públicos, em pesquisa científica e tecnológica. Infelizmente, em Terra Brasilis, fala-se de C&T como algo secundário…

    Algo que pode ser facilmente substituído pela aquisição de máquinas, equipamentos e conhecimentos produzidos e enlatados no exterior.

(VIEIRA, Karina Pereira e CHIARINI, Tulio. A asfixia da Ciência e Tecnologia brasileira.

Publicado em 10 ago. 2018. Disponível em: https://diplomatique.org.br/ a-asfixia-da-ciencia-e-tecnologia-brasileira/. Acesso em: 19 ago. 2018.)

“Terra Brasilis” é o nome dado por Pedro Reinel e Lopo Homem, em 1519, ao primeiro mapa do Brasil, desenhado por este último. No texto “A asfixia da Ciência e Tecnologia brasileira”, o termo reforça:
Alternativas
Respostas
2361: A
2362: C
2363: A
2364: B
2365: D
2366: B
2367: D
2368: C
2369: A
2370: A
2371: B
2372: C
2373: D
2374: D
2375: A
2376: C
2377: B
2378: A
2379: E
2380: A