Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 26-27.
O texto apresenta
Considerando-se os trechos I e II, pode-se afirmar:
( ) Em ambos, evidencia-se a mesma imagem de Conceição, precisa em seus detalhes.
( ) Tanto no trecho I quanto no II, acentua-se a subserviência da mulher em relação ao homem.
( ) No trecho I, a figura feminina exerce certo fascínio sobre o narrador; já no II, a mulher em foco é desprovida de atributos sedutores.
( ) No trecho I, Conceição é revelada fisicamente em atributos conhecidos que adquirem novo valor, enquanto no II, o narrador mostra-se íntimo de Conceição e emite juízo de valor a respeito das atitudes dela.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
ASSIS, Machado de. Helena. São Paulo: FTD, 1992. p. 67. (Coleção Grandes Leituras)
O personagem em foco

SANTOS, Francisco de Assis. Cabocla em seu olhar, 1987. 1 original de arte, óleo sobre tela, 100x93cm. In: LIMA, Aldemir Morato de; KAWALL, Luiz Ernesto M. Os 14 dos vale: pintores primitivos/Vale do Parnaíba, São Paulo: Arte Editora Ltda., 1987. p. 33.
Na obra “Cabocla em seu olhar”, de Francisco de Assis Santos, reproduzida em destaque,
Em saCo de frasES, o narrador questiona-se quanto ao antigo modo de vida da cidade de Macapá e também quanto ao modo de ser de sua gente. De acordo com o trecho do texto que vem a seguir, e a obra a qual ele pertence, este narrador:
“Hoje, quando percorro pelo antigo local da lixeira, sempre espero que o vento deixe pousar na minha frente uma daquelas frases escritas para que eu possa queimá-la, e assim extirpar do universo mais um preconceito que eu não deveria ter dito na caminhada da vida” (saCo de frasES - Fernando Canto)
Os Estatutos do Homem, de Thiago de Melo aborda uma temática universal, tendo sido traduzido para vários países. Sobre o fragmento Artigo Final, que vem a seguir, marque a alternativa que melhor expressa a idealização da liberdade.
Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
I. O cenário principal acontece na fazenda de Nossa Senhora do Boqueirão, com a presença constante da casa-grande e da senzala.
II. O tema central é a ascensão e decadência do Barão Joaquim de Freitas, dono da fazenda Nossa Senhora do Boqueirão.
III. É narrado em terceira pessoa, através do personagem pai Benedito, que tudo vê, tudo sabe, tudo presencia.
Assinale a alternativa correta.
Sobre aspectos morfossintáticos e coesivos, no texto II, é INCORRETO afirmar:
I. A narrativa de Francisco Lobo da Costa é repleta de gírias e de palavras de baixo calão.
II. Sua poesia é essencialmente romântica.
III. Sua dramaturgia é essencialmente humanista, além de apresentar fortes traços de uma estética barroca e naturalista.
A correta é
Para o teste seguinte, analise as afirmativas e assinale a opção correta.
I. Em sua obra, Carlos Drummond de Andrade
conseguiu explicar a dualidade existente entre os
seres, exaltando a percepção dos problemas vitais
à luz das teorias científicas de sua época.
II. Érico Veríssimo aborda uma temática voltada para
o interesse pelas zonas habitadas por povos da
antiguidade greco-latina.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva. 2001, p. 46.
A alteração que o autor faz no ditado popular “Vivendo e aprendendo” evidencia certo sentimento de
Sempre que [...] se anunciava no jornal, dando um número de telefone, aquele diálogo se repetia. Seduzidas pelos termos do anúncio, as donas de casa telefonavam-lhe para “tratar” – e vinha inevitavelmente a pergunta sobre a idade, com a também inevitável resposta dos 36 anos. Isso desde antes da Grande Guerra. Veio o 1914 – ela continuou nos 36. Veio a batalha do Marne; veio o armistício – ela firme nos 36. Tratado de Versalhes – 36. Começos de Hitler e Mussolini – 36. Convenção de Munique – 36...
Essa personagem “sem ânimo de abandonar a casa dos 36 anos” é
*Endogamia: os casamentos e relações se dão no mesmo grupo.
Observe o parágrafo abaixo:
“Mas que sensibilidade! Agora não apenas por causa do quadro de uvas e peras e peixe morto brilhando nas escamas. Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebrada. E se quisesse podia permitir-se o luxo de se tornar ainda mais sensível, ainda podia ir mais adiante: porque era protegida por uma situação, protegida como toda a gente que atingiu uma posição na vida. Como uma pessoa a quem lhe impedem de ter a sua desgraça. Ai que infeliz que sou, minha mãe. Se quisesse podia deitar ainda mais vinho no copo e, protegida pela posição que alcançara na vida, emborrachar-se ainda mais, contanto que não perdesse o brio. E assim, mais emborrachada ainda, percorria os olhos pelo restaurante, e que desprezo pelas pessoas secas do restaurante, nenhum homem que fosse homem a valer, que fosse triste. Que desprezo pelas pessoas secas do restaurante, enquanto ela estava grossa e pesada, generosa a mais não poder. E tudo no restaurante tão distante um do outro como se jamais um pudesse falar com o outro. Cada um por si, e lá Deus por toda a gente.” (LISPECTOR, C. Devaneio e embriaguez de uma rapariga. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 14-5)
Clarice Lispector se caracterizou por uma escrita bastante sensível e precisa, em busca de uma revelação maior do sujeito, na sua inglória afirmação de ser. Sua capacidade de percepção do mínimo dava a ela uma condição bastante elegante na hora de tecer elementos capazes de propor uma leitura da condição humana em luta consigo mesma. No conto, Clarice se esmerou na capacidade de atingir o alvo com mais brevidade e ambição econômica de espaço. No parágrafo do conto acima, o personagem é descrito tentando juntar duas pontas, a dele e a dos outros à sua volta, no restaurante, mas, enquanto se embriaga, não deixa de cavar um imenso abismo entre ele e o próprio mundo. Isso significa que:
“EDMUNDO (mudando de tom, apaixonadamente) – Mãe, às vezes eu sinto como se o mundo estivesse vazio, e ninguém mais existisse, a não ser nós, quer dizer, você, papai, eu e meus irmãos. Como se a nossa família fosse a única e primeira. (numa espécie de histeria) Mas não, não! (mudando de tom) Eu acho que o homem não devia sair nunca do útero materno. Devia ficar lá, toda a vida, encolhidinho, de cabeça para baixo, ou para cima, de nádega, não sei.” (RODRIGUES, N. Álbum de família. Teatro completo. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 556-7)
“Álbum de família” é uma das mais famosas peças de Nélson Rodrigues e trata de temas obsessivos de sua poética teatral, como, no caso, a fixação do filho na mãe. Nessa peça toda a família está condenada a autoconsumir-se de uma maneira avassaladora por meio de paixões incestuosas irrefreáveis. No trecho acima, o filho tenta, numa desesperada fala, reunir forças, para convencer a mãe de sua verdade endógama, e a ação dramática impõe uma contradição fundamental entre uma afirmação e outra que: