Questões de Vestibular
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Leia o poema Terra de negros, de Oliveira Silveira.
Terra de engenhos
negro moendo
cana escorrendo
suor amargando
terra de minas
negro cavando
ouro sorrindo
(ouro dos outros)
terra café
cacau e milho
negro plantando
negro colhendo
esperanças renascendo
terra de estância
charqueada grande
negro se salgando
terra quilombo
choça e mocambo
negro lutando
e resistindo
se libertando
terra xangô
tambor de mina
e candomblé
linha de umbanda
batuque e samba
macumba e negro
reza-dançando
terra congada
maracatu
reisado e negro
representando
terra comida
pratos baianos
quindim quitutes
negro fazendo
terra capoeira
rabo-de-arraia
negro golpeando
terra favela
morro e miséria
e o negro nela
(breque) até quando?
I - O poema reconta a história do Brasil do Nordeste ao Sul, pela perspectiva do trabalho do negro.
II - O sujeito-lírico assume-se como negro através da linguagem, marcada pelo lirismo e pelo posicionamento crítico.
III- A cultura negra está presente no poema, através dos instrumentos musicais, da religiosidade e da alimentação.
Quais estão corretas?
Dadas as seguintes afirmativas sobre a obra Ler-se(r), de Márcio Moraes:
I - A crônica homônima à obra utiliza-se do recurso da intertextualidade quando evoca Byron, Machado de Assis (em suas Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro), Antoine de Saint-Exupéry (O Pequeno Príncipe), Eleonor H. Poter (Pollyanna e o seu jogo do contente), “Alice no País das Maravilhas”, Álvares de Azevedo (Lira dos vinte anos), “Divina Comédia”, “O menino do Engenho”, Aluizio de Azevedo, “O menino no espelho”, “O mistério da casa verde”, dentre outros autores e obras clássicas.
II - O narrador da crônica “Ler-se(r)”, ao evocar clássicos da literatura nacional e universal, apresenta o imbricamento do sujeito e da literatura, de modo a destacar que o leitor se constitui daquilo que lê, e de onde pode, também, ser lido.
III - A obra é dividida em partes intituladas “PARA EU”; “PARA ELES”; “PARA VÓS”; “PARA NÓS”. Tal divisão não é gratuita. Na primeira parte da narrativa, por exemplo, o narrador centraliza-se na primeira pessoa; na segunda parte, prioriza-se quase sempre “ele(s)” ou “ela(s)”, personagens não nomeadas.
IV - O escritor Márcio Moraes reconhece a autointertextualidade, já que cita obras anteriores de sua autoria, no seguinte trecho da crônica “A hora do delírio”: “(...) Não podia parar, deveria seguir estas pegadas deixadas na via crucis para poder alcançar o cume genuíno do desejo humano. Aquele corpo assim alado incorruptível que só se obtém após transpor a via.(...)”
Marque a opção correta:
“Dizem que devemos nos informar melhor, mas quanto mais informamos, mais dúvidas; quanto mais abertura mais opções; quanto mais olhamos, mais se expande a tela onde se projetam nossos desejos.”
As palavras destacadas, além de estabelecerem a coesão textual, introduzem, sequencialmente, ideias de:

No TEXTO ACIMA, predomina a função:
Vimos, assim, que a Alma pode sofrer grandes transformações e passar ora a uma maior perfeição, ora a uma menor, paixões estas que nos explicam as afecções de alegria e de tristeza. Assim, por alegria, entenderei, no que vai seguir-se, a paixão pela qual a Alma passa a uma perfeição maior; por tristeza, ao contrário, a paixão pela qual a Alma passa a uma perfeição menor.
(ESPINOSA, B. Ética. Trad. Antonio Simões. Lisboa: Relógio D’Água, 1992. p. 279).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o problema da paixão e da afecção em Espinosa, assinale a alternativa correta.
Leia o texto e observe a figura a seguir.
Teatro da Vertigem é um grupo que tem como importante eixo de pesquisa o espaço cênico, como por exemplo, a peça teatral BR3, do início dos anos 2000. Ao utilizar um rio degradado como cenário e colocar a platéia dentro de barcos para acompanhar o espetáculo, que se dá em deslocamento, o diretor estabelece um outro modo de fruição no teatro. Ao contrário de um lugar fixo e determinado para o espectador, ele o coloca em movimento e, por vários ângulos, possibilita o seu contato também com a poluição da cidade.
(Adaptado de: FERNANDES, Sílvia. Cartografia de BR3 - Entrevista com Antônio Araújo. São Paulo: Revista Sala Preta (09-10-2005) p. 169-173.)

(BR3, Dramaturgia de Bernardo Carvalho e direção de Antônio Araújo,
Rio Tietê, São Paulo, 2006.)
Com base no texto, na figura e nos conhecimentos sobre teatro, relação entre obra e contexto, vida e cotidiano na arte contemporânea, considere as afirmativas a seguir.
I. Dispondo os espectadores dentro de barcos e deslocando-os durante o espetáculo, o grupo redimensiona aspectos do teatro clássico, revigorando o que perdurou do teatro grego: a relação com a paisagem.
II. Em BR3, ao abolir o princípio da perspectiva por colocar o espectador em barcos, dentro do rio, sujeito ao deslocamento, a dramaturgia retoma um aspecto do teatro medieval, no qual não havia espectador privilegiado.
III. Ao longo do tempo, diversos tipos de espaço foram utilizados para apresentações cênicas, desde a arquitetura dos teatros gregos, romanos e o palco elisabetano, até praças, ruas, galpões e prédios desativados.
IV. Em BR3, o espaço é compreendido não somente como aquele no qual algo será representado, mas, também, como parte da dramaturgia das peças; assim, as memórias e os significados de cada lugar potencializam os sentidos do que é visto.
Assinale a alternativa correta.
Considere o seguinte texto extraído da obra A Retirada de Laguna, de Visconde de Taunay.
Formação de um corpo de exército destinado a atuar, pelo norte, sobre o alto Paraguai. Distâncias e dificuldades de organização.
Para dar uma ideia, algum tanto exata, dos lugares onde, em 1867, ocorreram os acontecimentos cuja narrativa se vai ler, convém lembrar que, ao finalizar de 1864, havendo o Paraguai atacado e invadido, simultaneamente, o Império do Brasil e a República Argentina, achavase, decorridos dois anos, após tal investida, reduzido a defender o próprio território, invadido do lado do sul, pelas forças conjuntas das duas potências aliadas, a quem coadjuvava pequeno contingente de tropas da República do Uruguai. Ao sul oferecia o caudaloso Paraguai mais vantagens à expugnação da fortaleza de Humaitá, que, pela posição especial, se convertera na chave estratégica do país, assumindo, nesta porfia encarniçada, a importância de Sebastopol, na Campanha da Criméia.
Ao norte, do lado de Mato Grosso, eram as operações infinitamente mais difíceis, não só porque ocorriam a milhares de quilômetros do litoral atlântico, onde se concentram todos os recursos do Brasil, como ainda por causa das inundações do rio Paraguai, que cortando na parte superior do curso terras baixas e planas, transborda anualmente, a submergir então regiões extensíssimas. Consistia o plano de ataque mais natural em subir as águas do Paraguai, do lado da Argentina, até o coração da república inimiga e, do Brasil, descê-las a partir de Cuiabá, a capital mato-grossense que os paraguaios não haviam ocupado.
Teria impedido à guerra arrastar-se durante cinco anos consecutivos esta conjugação de esforços simultâneos. Mas era-lhe a realização extraordinariamente difícil, devido às enormes distâncias a transpor. Basta lançar os olhos sobre um mapa da América do Sul e examinar o interior do Brasil, em grande parte desabitado, para que qualquer observador de tal se convença logo.
No momento em que se enceta esta narrativa, estava, pois, a atenção geral das potências aliadas quase exclusivamente voltada para o Sul, para as operações de guerra, travadas em torno de Curupaiti e Humaitá. Quanto ao plano primitivo fora ele mais ou menos abandonado; quando muito ia servir de pretexto a que se infligissem as mais terríveis provações a uma pequena coluna expedicionária, quase perdida nos imensos e desertos sertões brasileiros.
Em 1865 – ao arrebentar a guerra que Francisco Solano Lopes, o presidente do Paraguai, na América do Sul suscitara sem maior motivo do que os ditames da ambição pessoal; quando muito a invocar o vão pretexto da manutenção do equilíbrio internacional – o Brasil, obrigado a defender honra e direitos, dispôs-se, denodadamente, para a luta. A fim de reagir contra o inimigo, em todos os pontos onde podia enfrentá-lo, o plano da invasão do Paraguai setentrional acudiu naturalmente a todos os espíritos; preparou-se uma expedição para este fim.
Não foi infelizmente este projeto de diversão realizado nas proporções que sua importância exigia; e, mais infelizmente ainda, os contingentes acessórios sobre os quais contávamos, para avolumar o corpo de exército expedicionário, durante a longa jornada através de São Paulo e Minas Gerais, falharam em grande parte ou desapareceram devido a cruel epidemia de varíola e as deserções que esta provocou. Marchou-se lentamente: provinha a demora de muitas causas, sobretudo da dificuldade do abastecimento de víveres.
TAUNAY, Visconde de. A retirada de laguna. Belém: Unama, 2003.
Depreende-se do texto que
Facebook testa reconhecimento facial para usuários que perderam suas senhas
O Facebook começou a testar nessa semana um recurso de reconhecimento facial para autenticar seus usuários. A ideia da empresa é usar essa identificação biométrica somente quando a pessoa estiver sem acesso normal a seu perfil. Ou seja, quando a senha for esquecida ou a conta for hackeada por alguém.
A rede social explica que não deve haver preocupações com privacidade, já que essa identificação biométrica não será utilizada com frequência nem terá outros meios de uso além da recuperação de senha. Em um comunicado oficial ao TECHCRUNCH, a empresa confirmou o teste: “Estamos testando uma nova ferramenta para pessoas que queiram verificar posse de uma conta com rapidez e simplicidade durante o processo de recuperação de senha. Essa função opcional estará disponível apenas em aparelhos que você já utiliza para fazer login no Facebook. É um passo a mais, junto com a autenticação de dois fatores via SMS, que estamos dando para nos certificarmos que os usuários corretos possam confirmar suas identidades”, diz o texto.
Acredita-se que, se a função se provar confiável contra hackers, o Facebook pode adotá-la de forma definitiva na rede social e começar a utilizá-la regularmente para reaver contas perdidas. Ainda não se sabe, entretanto, quando isso pode acontecer nem se vai gerar alguma polêmica, como foi o caso do reconhecimento facial para marcação de pessoas em fotos.
MÜLLER, Leonardo. Facebook testa reconhecimento facial para usuários que perderam suas senhas. Disponível em: https://www.tecmundo. com.br/redessociais/122549-facebook-testa-reconhecimento-facial-usuarios-perderamsenhas.htm. Acesso em: 30 set. 2017. (Adaptado).
O jogo
a bola está com juscelino, juscelino passa para jânio, jânio sai do campo e agora a bola está com jango, castelo rouba a bola e vai para a direita, passa para costa e silva, costa e silva passa para médici, médici passa para geisel, geisel para joão figueiredo, joão figueiredo cruza para sarney, sarney de cabeça para collor e goooooooooooooooooooolllllllllllllllllllllll
(gol contra minha gente)
MARINHO, Emmanuel. Satilírico. Edição do Autor, 1995, p. 37.
Esse poema foi extraído do livro Satilírico do poeta sulmato-grossense
Emmanuel Marinho e alude a
personagens e a fatos relacionados ao contexto
político no Brasil da segunda metade do século XX.
Sobre a obra em questão, é correto afirmar que
Grafite e pichação são formas de arte?
[...] O problema do reconhecimento da arte reapareceu como um tema de interesse social nessas primeiras semanas de 2017, pela ação da prefeitura de São Paulo, que substituiu os grafites de algumas das principais avenidas da cidade pela pintura uniforme dos muros com uma tinta cinza, insossa e burocrática. Como a muitos que admiravam os grafites que a prefeitura apagou, a ação do governo Doria me pareceu equivocada. Ao julgá-la de um ponto de vista puramente estético, ou melhor, a partir do que o gosto e a experiência visual me dizem, é evidente que a “limpeza” dos muros onde havia grafites resultou em um empobrecimento da paisagem urbana paulistana.
A mesma coisa não poderia ser dita, porém, sobre a retirada de pichações, contra as quais João Doria mantém um discurso mais incisivo. Sem um critério estético para ser aplicado, já que os próprios pichadores o dispensam, a avaliação da pichação tem uma natureza distinta da que fazemos do grafite. Por mais que os dois fenômenos se cruzem em intrincadas relações entre os seus criadores, o Estado e terceiros (os proprietários de muros privados, por exemplo), podemos distingui-los em função dos seus valores estéticos e da maneira como se apresentam aos receptores.
Um bom ponto de partida é a observação de que nós gostamos, ou não, dos grafites. Das pichações, porém, nós não podemos “gostar” nem “não gostar”, basicamente porque elas não se propõem a ser um objeto do gosto. Essa distinção em relação à experiência suscitada pelo grafite e pelas pichações poderia balizar uma teoria estética da chamada street art, se a tendência dos filósofos profissionais da área não fosse desconsiderá-la. O segundo passo a ser observado tem justamente a ver com isso. Se não podemos “gostar” das pichações, por que elas encontram defensores inclusive entre pessoas que admitem as diferenças sensíveis que a separam do grafite?
A resposta a essa pergunta sugere o espírito ultrapolitizado de uma parcela muito grande da arte contemporânea. Quando alguém aprova uma pichação, o que geralmente ocorre não é a emissão de um juízo de gosto, mas sim a declaração de um apoio ideológico. Esse apoio costuma ser vago e não ter fundamento empírico. É como se aprovar a pichação significasse “estar do lado” dos oprimidos, do povo ou dos marginalizados. O que nunca se coloca em questão, porém, é se tais entidades abstratas e totalizantes (os oprimidos, o povo, os marginalizados…) realmente se reconhecem e se veem expressadas na ação dos pichadores. Será mesmo que a pichação é um fenômeno que representa grupos sociais em desvantagem na sociedade? Será que os pichadores representam algum grupo social além deles mesmos?
Trecho extraído de Oliveira, R. C. “Grafite e pichação são formas de arte?” In: O Estado de São Paulo. 3 de fevereiro de 2017.
Assinale a alternativa que apresenta apenas ideias
contidas no excerto apresentado.