Questões de Vestibular
Comentadas sobre romantismo em literatura
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I. A emoção estética em Lobo da Costa é reflexo do seu temperamento romântico, que buscou sua satisfação na natureza, no sentimento, no regional, no pitoresco. II. O poeta é uma autêntica voz brasileira, falou dos anseios do povo, manifestou o que seus contemporâneos pensavam e sentiam sobre o amor, o infortúnio e sua escrita traz fortes marcas de oralidade, da língua viva dos campos e das cidades. III. Usa, em sua prosa e poemas, processos que mostram a fusão da realidade e fantasia: as personagens históricas convivem com as romanescas, eventos destacados tornam-se motivos para criações artísticas.
A correta é
I. O "Romance de 30", a exemplo de São Bernardo, de Graciliano Ramos, reflete sobre o condicionamento das ações e sentimentos do homem ao espaço geográfico por ele habitado. II. A prosa de ficção produzida na segunda metade do século XX tinha uma preocupação excessiva em representar as relações amorosas, em homenagem aos valores românticos do século XIX. III. Clarice Lispector, uma das maiores representantes brasileiras das narrativas intimistas, explora a narração em primeira pessoa para relatar as reflexões e angústias dos seus personagens. IV. Em Macunaíma, Mário de Andrade refaz o percurso de lendas e mitos da cultura indígena e africana, usando da ironia para depreciar tais culturas na formação da nação brasileira.
Estão corretas:
“Incompreensível mulher! / A noite a vira bacante infrene, calcando aos pés lascivos o pudor e a dignidade, ostentar o vício na maior torpeza do cinismo, com toda a hediondez de sua beleza. A manhã a encontrava tímida menina, amante casta e ingênua, bebendo num olhar a felicidade que dera, e suplicando o perdão da felicidade que recebera.” (José de Alencar, em Lucíola)
Em relação ao romance Lucíola, considere as seguintes afirmativas:
1. Para Lúcia, a prostituição funciona como autopunição, na medida em que reforça o sentimento de culpa pela pureza perdida e valorizada.
2. O idealismo romântico convive com a aguda percepção da importância da posição social, do conflito entre dinheiro e virtude e com o realismo das descrições sem reticências.
3. O romance de Alencar coloca a literatura em relevo, através das obras citadas, da crítica de Lúcia à Dama das Camélias e da referência às leituras permitidas às mulheres.
4. O abandono da vida anterior não é purificação suficiente, razão pela qual o corpo manchado pelo vício deve morrer junto com o fruto do amor impossível.
Assinale a alternativa correta.
Fragmento 1
“Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração [...]; levaram o resto do dia de namoro cerrado: ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão [...]; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extemosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos” (ALMEIDA, 1997, p. 12-3).
Fragmento 2 “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; acabou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil” (ASSIS, 1995, p. 42).
Assinale a alternativa correta com relação à visão dos narradores sobre o amor.
Instrução: A questão toma por base uma passagem do romance O sertanejo, do romântico brasileiro José de Alencar (1829-1877).
O sertanejo
O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:
– Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.
O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:
– Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado. O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes de algodão.
Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.
– Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido?... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.
O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu.
Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.
E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.
(José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro:
Livraria Garnier, [s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.)
Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo.
Com esta visão que o sertanejo tem de sua senhora, fica perfeitamente caracterizado no relato um dos traços fundamentais da literatura do Romantismo:
I. O Romantismo brasileiro pregava a valorização do elemento local e dos aspectos particulares de cada povo como material de criação artística; há, portanto, uma grande analogia entre as propostas românticas e o momento histórico e social vivenciado pelo País na primeira metade do século XIX.
II. A primeira geração romântica apresentava como cerne de suas atenções a pátria recém- independente, para a qual procurava uma forma de expressão autêntica. O Romantismo dessa geração era marcado predominantemente pelo nacionalismo.
III. Os poetas da segunda geração estavam voltados para a própria individualidade, preocupavam- se com a demonstração de seus sentimentos e suas frustrações.
IV. Também o teatro inseriu-se no projeto nacionalista do romantismo. A grande figura do teatro romântico foi Nelson Rodrigues, considerado o criador da Comédia brasileira.
V. A terceira geração da poesia romântica passou a valorizar uma produção voltada para os problemas sociais que trazia à tona tópicos abolicionistas e republicanos, entre outros.
Assinale a alternativa correta.
I – O romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, mostra ao leitor diversos aspectos, como a descrição e as regras para alcançar e preservar o modus vivendi de uma sociedade de determinada época, assim como a ideologia. Tudo isso é revelado sob uma história de amor, sem deixar de lado, no entanto, a crítica irônica e, por vezes, ferina, dos hábitos de uma sociedade que segue o Romantismo como moda tirânica da qual não pode fugir. II – Aurélia Camargo, filha de uma pobre costureira, e órfã de pai, apaixonou-se por Fernando Seixas – homem ambicioso – a quem namorou. Este, porém, desfez a relação, movido pela vontade de se casar com uma moça rica, Adelaide Amaral, que tinha um considerável dote para o futuro marido. Essa é a trama do romance Lucíola, de José de alencar. III – A partir do paradoxo, “inseto que brilha à beira dos charcos”, Machado de Assis narra a história de Lúcia, do romance Senhora. IV – A morte de um ente querido, muitas vezes, causa sérios problemas, no entanto, ocasionalmente, surpresas são reservadas aos familiares e amigos do falecido, e Machado de Assis descreve bem uma dessas surpresas no romance Helena.
Estão corretas:
Sobre Francisco Lobo da Costa e sua obra, analise as afirmações seguintes como FALSAS (F) ou VERDADEIRAS (V).
I. Apesar de sua evolução poética, Lobo da Costa jamais se libertou integralmente do formalismo parnasiano, o que o impossibilitou de alcançar o grande público.
II. O poeta, descrente da vida, incapaz de superar as adversidades, conta, em sua poesia lírico-amorosa, seus sentimentos e seus sonhos frustrados.
III. Francisco Lobo da Costa, em sua obra, sintetizou as diversas facetas do nosso cotidiano, combatendo os exageros dos românticos.
A opção correta é
I. Embora sua obra esteja presa quase sempre ao sertão brasileiro, Guimarães Rosa pôs em cena situações dramáticas que desnudam conflitos urbanos, sexuais e sociais das grandes metrópoles do extremo sul do Brasil. II. Uma característica importante a ser ressaltada na obra de Machado de Assis é o uso da personificação como forma de concretização do abstrato, isto é, atribuir sentimentos e ações humanas a seres inanimados ou a conceitos abstratos. III. A experimentação com a linguagem é o aspecto mais marcante da poética de Gonçalves Dias, que brinca com a língua portuguesa, reinventando palavras e criando termos.