Questões de Vestibular Sobre literatura
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Considere as seguintes afirmações sobre o romance As meninas, de Lygia Fagundes Teles.
I - Lia, estudante interna no Pensionato Nossa Senhora de Fátima, lê à Madre Alix uma cena de tortura extraída do depoimento de um militante político, preso por distribuir panfletos em uma fábrica.
II - A voz narrativa em terceira pessoa articula e alterna, de maneira quase imperceptível, as falas em primeira pessoa das protagonistas Ana Clara, Lia e Lorena, que comunicam seu universo subjetivo por meio do fluxo de consciência.
III- Temas como liberdade, casamento, sexo e aborto estão ausentes na representação da experiência feminina das protagonistas, tendo em vista a moral repressora da sociedade e a censura vigente no Brasil no início dos anos 1970, época da publicação do romance.
Quais estão corretas?
Considere as seguintes afirmações sobre Construção, álbum de Chico Buarque.
I - A canção “Construção” vale-se de proparoxítonas no fim dos versos para narrar um dia na vida de um trabalhador que tem um desfecho trágico; a sequência da narrativa é reconstruída em três estrofes muito elaboradas que aludem à exploração desse trabalhador.
II - “Deus lhe pague”, um agradecimento sarcástico ao autoritarismo; “Construção”, com seu trabalhador embrutecido e explorado; e “Samba de Orly”, que pede perdão pela omissão forçada de quem está fora do Brasil, formam um conjunto que remete à experiência do país sob a ditadura civil militar.
III- “Desalento” e “Valsinha” são canções amorosas em que o eu lírico apela à amada para que aceite retomar a relação interrompida pelo ciúme e pelas acusações mútuas; em “Desalento”, porém, as investidas resultam em fracasso emocional de quem fala, enquanto em “Valsinha”, o casal retoma a vida suburbana e estável.
Quais estão corretas?
Entre os anos 1940 e 1960, veio à luz um conjunto de dramas que renovou a cena teatral brasileira; entre os mais famosos encontram-se Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, e O pagador de promessas, de Dias Gomes.
No bloco da esquerda abaixo, estão listadas peças teatrais; no da direita, nomes de protagonistas.
Associe adequadamente os dois blocos.
( ) Vestido de noiva
( ) Auto da Compadecida
( ) Eles não usam black-tie
( ) O pagador de promessas
1- João Grilo
2- Alaíde
3- Tião
4- Zé do Burro
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Leia o soneto abaixo, de Florbela Espanca.
Fumo*
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...
* Fumo: fumaça, vapor.
Assinale a alternativa correta sobre “Fumo”
Considere as seguintes afirmações sobre os romances brasileiros mencionados.
I - Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, o narrador Bento Santiago rememora seu namoro e casamento com Capitu, a quem acusa de tê-lo traído com Escobar, seu melhor amigo, embora se reconcilie com a esposa e perdoe o amigo.
II - Em O cortiço, de Aluísio Azevedo, reconstrói-se o cotidiano de uma habitação coletiva na cidade do Rio de Janeiro, cujo proprietário, João Romão, explora os moradores, gente pobre que se aglomera e luta para sobreviver como pode.
III- Em O Ateneu, de Raul Pompeia, o narrador Sergio, já maduro, repassa sua experiência de interno no colégio, sob o domínio do vaidoso e autoritário diretor Aristarco; as ambivalências sexuais e a sensibilidade infantojuvenil são cruciais no livro.
Quais estão corretas?
Considere as seguintes afirmações sobre Papéis avulsos, de Machado de Assis.
I - Em “O alienista”, Simão Bacamarte, um estudioso de renome, cria um manicômio e dispõe-se a ali recolher quem não se enquadra nos seus critérios científicos de normalidade, do que resulta um encarceramento generalizado.
II - Em “O espelho”, Jacobina toma a palavra durante uma reunião noturna entre amigos e expõe uma experiência pela qual passou na juventude, quando enfrentou uma rebelião de escravos na cidade do Rio de Janeiro.
III- “O segredo do Bonzo” é atribuído a Fernão Mendes Pinto, e narra as aventuras do bonzo Pomada, que se destacava por recusar o conhecimento da época e praticar charlatanismo na cura de doenças transmissíveis.
Quais estão corretas?
Sobre Hamlet, de William Shakespeare, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) Laerte busca vingar-se de Hamlet por este ter matado Polônio, seu pai, e por ter desonrado Ofélia, sua irmã, que se mata devido à recusa de Hamlet em cumprir a promessa de matrimônio.
( ) Hamlet busca vingar a morte do pai, o Rei, traiçoeiramente assassinado por seu tio, que assumiu a coroa e também se casou com a Rainha, que não é cúmplice no crime.
( ) Os coveiros da peça buscam encerrar sua tarefa para permitir que Hamlet possa finalmente homenagear a sua amada Ofélia e também Yorick, o velho bufão que alegrou sua infância.
( ) A Rainha busca convencer o Rei da Dinamarca, seu esposo, de que Hamlet não poderá assumir o trono, porque enlouqueceu depois de haver encontrado o fantasma de seu pai nas muralhas.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
(Benjamin Abdala Junior e Samira Youssef Campedelli. Tempos da literatura brasileira, 1997. Adaptado.)
O texto refere-se ao escritor



“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da Lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso. — Continue, disse eu acordando. — Já acabei, murmurou ele. — São muito bonitos. Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou.”
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo. Ed. Penguin. 2016.
O narrador do fragmento acima pode ser caracterizado adequadamente do seguinte modo:
“Ele escondeu o objeto no oco de suas mãos. Era um objeto maravilhoso por sua própria estranheza: como um fragmento de escultura grega, encontrado no leito seco de um rio.
É uma “cápsula do tempo”, pensa Pedro, um outro universo está condensado nessa concha, e ele não estava longe de pensar que o mar noturno que lhe guardava o sono, se livrara da antiga concha, num dia em que ele havia, descuidadamente, quebrado uma de suas cápsulas.”
Por suas marcas, esse texto pode ser classificado como
[...] o sol se reparte em crimes espaçonaves guerrilhas em cardinales bonitas eu vou
em caras de presidentes em grandes beijos de amor em dentes pernas bandeiras bomba e brigitte bardot
o sol nas bancas de revistas me enche de alegria e preguiça quem lê tanta notícia eu vou
ela pensa em casamento e eu nunca mais fui à escola sem lenço e sem documento eu vou
eu tomo uma coca-cola ela pensa em casamento uma canção me consola eu vou
por entre fotos e nomes sem livros e sem fuzil sem fome sem telefone no coração do brasil [...]
(Heloísa B. de Hollanda e Marcos A. Gonçalves. Cultura e participação nos anos 60, 1987.)
Ao representar o período em que foi composta, essa canção de 1967 apresenta
(Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007. Adaptado.)
O texto trata de uma vanguarda que influenciou inúmeros escritores do Modernismo brasileiro, qual seja,