Questões de Vestibular Comentadas sobre literatura
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I - Ao aprofundar aspectos realistas da literatura, cientificiza um discurso, assumido no plano estético pela ficção, induzindo o leitor a buscar não somente entretenimento em seus romances, mas também a problematização de estruturas sociais e de aspectos psicológicos das personagens.
II - O romance de tese, a exemplo de O cortiço, é o melhor projeto para o naturalista, uma vez que este só é considerado naturalista na medida em que sua produção literária se realiza unicamente no chamado romance de tese.
III - O realce de traços físicos e psicológicos nos romances de tese ratifica a ideia de o naturalismo, em suas narrativas, acentuar as tensões sociais e de demandas coletivas como proposta a ser problematizada a partir do elemento com o qual o leitor estabelece um grau de intimidade ou identificação, a saber, a personagem de ficção.
Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto. Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de amor espanto, Que não se muda já como soía*. (*) Soía: costumava
(Soneto, Luís Vaz de Camões. In: Literatura Comentada)
Com base no poema acima e nas características da poesia lírica de Camões, assinale a alternativa correta.
Deus disse: Vou ajeitar a você um dom: Vou pertencer você para uma árvore. E pertenceu-me. Escuto o perfume dos rios. Sei que a voz das águas tem sotaque azul. Sei botar cílio nos silêncios. Para encontrar o azul eu uso pássaros. Só não desejo cair em sensatez. Não quero a boa razão das coisas. Quero o feitiço das palavras.
(O retrato do artista quando coisa, 5. ed., Editora Record, Rio de Janeiro: 2007, p.61)
Da Impossibilidade
um pouco mais e eu me arrisco a esta palavra felina, arisca mas a mão trêmula de medo como um gato escaldado em segredo
hesita em escrever neste branco véu ou página-noiva a pedir-me provas de que realmente a mereço com um gesto de afeto ou apreço
e assim eu me fico: se continuo ou se risco se admito o fracasso
ou se me lanço onde não chego pois sonhar é possível diz o otimismo mais cego
(Nada ou quase uma arte, 2. ed., Editora Spia Vídeos e Produções, Macapá: 2009, p.1)
Quanto aos elementos estruturais e linguísticos do poema, é correto afirmar que:
Senhora, partem tam tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tam tristes vistes outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos, tam doentes da partida, tam cansados, tam chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. Partem tam tristes os tristes, Tam fora d’esperar bem, que nunca tam tristes vistes outros nenhuns por ninguém.
(João Reis de Castelo-Branco. In: Antologia da poesia portuguesa)
Sobre o texto acima, pertencente ao Trovadorismo Português, é correto afirmar que:
I. O "Romance de 30", a exemplo de São Bernardo, de Graciliano Ramos, reflete sobre o condicionamento das ações e sentimentos do homem ao espaço geográfico por ele habitado. II. A prosa de ficção produzida na segunda metade do século XX tinha uma preocupação excessiva em representar as relações amorosas, em homenagem aos valores românticos do século XIX. III. Clarice Lispector, uma das maiores representantes brasileiras das narrativas intimistas, explora a narração em primeira pessoa para relatar as reflexões e angústias dos seus personagens. IV. Em Macunaíma, Mário de Andrade refaz o percurso de lendas e mitos da cultura indígena e africana, usando da ironia para depreciar tais culturas na formação da nação brasileira.
Estão corretas:
1) Das estrias que a mão
esculpe
só o que brilha
sobrevive.
Nômade a manhã
despe o sol
à flor
da carne,
múltipla,
à vertigem da linguagem.
2) Nem o acre sabor das uvas
nos aplaca. Nem a chuva
nos olhos incendiados
devolve o que é vivido.
3) E no entanto lume
no verbo encarnado
sob a cesura que se esgarça
ao indefinível.
E no entanto é nome,
persona,
hologramas no vácuo
que são sem o Ser.
4) A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de comer às estátuas,
Dá de comer aos poetas.
5) Se diz a palo seco
O cante sem guitarra;
O cante sem; o cante;
O cante em mais nada
São do poeta maranhense os excertos: