Questões de Vestibular
Comentadas sobre modernismo em literatura
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Leia o seguinte texto extraído do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos.
- Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
(...) E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.
Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
- Você é um bicho, Fabiano.
Isso para ele era motivo de orgulho. Sim, senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 18. – fragmento)
Considere as seguintes afirmações sobre o romance Vidas secas.
I. O livro apresenta um retrato brutal da dura existência no sertão nordestino, em que bichos e homens são igualados na tentativa de sobreviver às agruras da seca.
II. Fabiano questiona a própria humanidade para concluir, com a sabedoria de um homem letrado, que é um “bicho”.
III. A hostilidade da natureza e a opressão do sistema rural arcaico parecem eliminar do vaqueiro e de sua família vários traços de humanidade, impelindo, principalmente, Fabiano a se tornar um facínora.
Está(ão) correta(s):
De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente
(MORAES, Vinícius. Livro de Sonetos – 1957/1967. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.)
Considere as seguintes afirmações sobre o poema de Vinícius de Moraes.
I. O amor, e sua rima mais conhecida e banalizada, a dor, sempre caminharam juntos da poética de Vinícius de Moraes.
II. Nos inúmeros poemas de amor de Vinícius, a influência da poesia camoniana é muito forte e pode ser observada na tentativa de analisar o amor, na preferência pelo soneto como forma poética, e no uso frequente de antíteses para expressar a ausência total de contradições próprias desse sentimento.
III. A ideia central de Soneto da separação, em que as antíteses mostram o impacto da perda do amor na vida das pessoas, é o amor como um sentimento poderoso e fugaz.
Está(ão) correta(s):
Leia o seguinte texto:
Os sertões e a tragédia republicana
Os sertões é uma obra híbrida que transita entre a literatura, a história e a
ciência, ao unir a perspectiva científica, de base naturalista e evolucionista, à
construção literária, marcada pelo fatalismo trágico e por uma visão romântica
da natureza. Euclides recorreu a formas de ficção, como a tragédia e a
epopeia, para compreender o horror da guerra e inserir os fatos em um
enredo capaz de ultrapassar a sua significação particular. A epopeia gloriosa
da República brasileira, pela qual combatera na juventude, adquiriu caráter de
tragédia na violenta intervenção militar que testemunhou em Canudos.
(Roberto Ventura. Do mar se fez o sertão de Euclides da Cunha e Canudos. www.euclidesdacunha.org/ventura.htm)
Com base no texto de Roberto Ventura considere as seguintes afirmações sobre Os sertões, de Euclides da Cunha.
I. Em Os sertões, Euclides da Cunha jamais pôs de lado as ideologias colonialistas, deixando falar em si o republicano fanático, destacando, fundamentalmente, a barbárie dos “rudes patrícios transviados”.
II. Quando a República, no seu fanatismo civilizador, extermina o sertanejo, cumpre uma lei da “evolução”, mas também pratica um ato de fratricídio e automutilação nacional – numa guerra de assédio, cuja sombria grandiosidade lembra a Ilíada, a que alude a metáfora da Troia de taipa empregada na obra.
III. Com seu caráter de epopeia nacional e sua implícita, embora trágica, teologia política, Os sertões é um livro fundador, uma súmula da nacionalidade, uma obra que, com suas ambiguidades e contradições, cria uma imagem do Brasil real e ideal, em que a nação se reconhece até hoje.
Está(ão) correta(s):
I. Sua poesia está mais voltada ao mundo metafísico, subjetivo e existencial que à realidade circundante do mundo. Seu universo é, portanto, interior, cuja sondagem só foi possível através de uma linguagem essencial e, às vezes, hermética, carregada ainda de resíduos de estéticas anteriores ao próprio Modernismo.
II. Cecília empregou tanto as formas consagradas pela tradição, metros regulares, ritmos e acentos quase clássicos ou mesmo estrofes de cunho popular, quanto as formas mais livres apreendidas da modernidade.
III.No plano estilístico, ao contrário do coloquialismo dos poetas modernos, há, em sua obra, uma tendência à linguagem elevada, sempre carregada de musicalidade.
A sequência correta é
I. Vinicius de Moraes, em sua obra, entre o muito que fez pela poesia brasileira, estabeleceu uma peculiaríssima ligação entre o mar, a praia e a vida amorosa; reconstruiu o soneto; transformou o versículo solene dos seus primeiros livros em ritmo suspenso entre verso e prosa, de modo a não haver mais verso nem prosa; foi capaz de se apegar às coisas pequenas e humildes para lhes dar uma gravidade que não vem do tom, mas da estrutura latente de paradoxo que enforma sua poesia.
II.Os romances iniciais de Machado de Assis, embora guardem ainda características do Romantismo, já contêm, em sua quase totalidade, aquelas que o autor desenvolverá plenamente nos romances tipicamente realistas: a análise psicológica das personagens, um humorismo ferrenho, diversas interrupções na ordem linear das narrativas, longos monólogos interiores sobre a visão naturalista da vida social, política e econômica do interior pernambucano e o gosto em explicar o comportamento humano à luz das teorias científicas de sua época.
III.Com Francisco Lobo da Costa, o trabalho, começado pelos primeiros românticos para arrancar-nos da influência portuguesa, progrediu bastante. O moço fluminense, educado por alemães, acostumou-se a olhar para o grande mundo das letras e da poesia e a ler os grandes mestres gregos e latinos. Como poeta, foi um talento possante e não podia viver muito, era doentio, melancólico, demasiadamente franzino e apenas cantava os aspectos patológicos da capital carioca.
O período da literatura brasileira posterior ao clímax do chamado Modernismo “paulista” – período esse também conhecido como “Modernismo de 1930”, no qual surge, por exemplo, o chamado “romance nordestino”,
I beneficiou-se da liberdade de pesquisa estética conquistada pelo primeiro Modernismo, a qual incorporou e normalizou;
II procurou enraizar fortemente suas histórias e personagens em realidades bem determinadas e concretas e,
III com frequência, introjetou nas obras a radicalização político-ideológica característica do período.
Está correto o que se afirma em
INSTRUÇÃO: Para responder à questão , leia o excerto do romance Jubiabá, de Jorge Amado.
Foi quando o alemão voou para cima dele querendo acertar no outro olho de Balduíno. O negro livrou o corpo com um gesto rápido e como a mola de uma máquina que se houvesse partido distendeu o braço bem por baixo do queixo de Ergin, o alemão. O campeão da Europa central descreveu uma curva com o corpo e caiu com todo o peso.
A multidão rouca aplaudia em coro:
– BAL-DO... BAL-DO... BAL-DO...
O juiz contava: – Seis... sete... oito...
Antônio Balduíno olhava satisfeito o branco estendido aos seus pés.
Com base no diálogo e na obra de Jorge Amado, considere as afirmativas.
I. A luta entre Antônio Balduíno e Ergin pode ser interpretada como uma metáfora dos conflitos entre o branco europeu e o negro brasileiro.
II. Ao longo dos seus diferentes romances, Jorge Amado constrói um projeto estético baseado principalmente na representação do intimismo e do lirismo.
III. Nos romances Tereza Batista, cansada de guerra e Memorial de Maria Moura, o escritor baiano explora basicamente o universo erótico feminino em diferentes perspectivas sociais.
IV. O romance Capitães de areia apresenta um detalhado quadro da marginalidade infantil urbana, ao retratar crianças de rua, como Pedro Bala, Sem Pernas e Pirulito.
Está/Estão correta(s) a(s) afirmativa(s)
INSTRUÇÃO: Para responder à questão , leia o excerto do romance Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro.
– O senhor sabe quem foi Dadinha, meu avô?
– Então não sei? Não foi nada, não foi coisa nenhuma, foi uma velha gorda, corró, mentirosa, safadosa...
– Não foi minha bisavó? Mãe de Turíbio Cafubá?
– Mãe de... Quem é que está te contando essas coisas? Isso é negócio daquele velho broco Zé Pinto, eu vou pegar um cacete e tacar umas porretadas na cabeça dele, para ele deixar de ser abelhudo e enxerido, quem é que tá te contando essas coisas?
– Por que o senhor não me conta também? O nome de minha mãe, o nome verdadeiro, era Naê? Quem foi o caboco Capiroba?
– Caboco capiroba? E nunca teve nenhuns cabocos Capirobas, menina, nunca teve nada disso, isso é tudo lenda! Mas será possível que eu te mando para a escola com pensionato, te boto com a melhor professora, [...] e tu agora resolve crescer com rabo de cavalo, desaprender, se prepara pra ser uma nega preta veia, em vez de gente?
Com base no texto e na obra de João Ubaldo Ribeiro, analise as afirmativas.
I. A neta tem alguma consciência de suas raízes e procura conhecer sua genealogia.
II. O avô recusa-se a falar dos antepassados da neta, pois considera o assunto vergonhoso.
III. No seu romance Sargento Getúlio, João Ubaldo Ribeiro propõe um longo monólogo de um Sargento da Polícia Militar, aproximando-se esteticamente de uma variante caboclo-sertaneja, também presente em Guimarães Rosa.
Está/Estão correta(s) a(s) afirmativa(s)
INSTRUÇÃO: Para responder à questão , leia o excerto do texto dramático O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
MANUEL – Sim, é Manuel, o Leão de Judá, o Filho de Davi. Levantem-se todos pois vão ser julgados.
JOÃO GRILO – Apesar de ser um sertanejo pobre e amarelo, sinto que estou diante de uma grande figura. Não quero faltar com o respeito a uma pessoa tão importante, mas, se não me engano, aquele sujeito acaba de chamar o senhor de Manuel.
MANUEL – Foi isso mesmo, João. Esse é um dos meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele gosta de me chamar de Manuel ou Emanuel, porque assim quer se persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus.
JOÃO GRILO – Jesus?
MANUEL – Sim.
JOÃO GRILO – Mas espere, o senhor é que é Jesus?
MANUEL – Sou.
JOÃO GRILO – Aquele a quem chamavam Cristo?
JESUS – A quem chamavam, não, que era Cristo. Sou, por quê?
JOÃO GRILO – Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado. [...] A cor pode não ser das melhores, mas o senhor fala bem que faz gosto. [...]
MANUEL – Muito obrigado, João, mas agora é sua vez. Você é cheio de preconceito de raça. Vim hoje assim de propósito, porque sabia que ia despertar comentários. Que vergonha! Eu, Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim tanto faz um branco ou um preto. Você pensa que sou americano para ter preconceito de raça?
Com base no diálogo e na obra literária de Ariano Suassuna, analise as afirmativas.
I. João Grilo mostra-se desrespeitoso diante de um Jesus negro, que não corresponde às suas expectativas.
II. Na sua fala, Manuel demostra que o valor das pessoas independe da cor da pele.
III. O companheiro inseparável de João Grilo, Chicó, é um contador de estórias que se caracteriza como uma espécie de mentiroso ingênuo.
IV. A obra dramática de Ariano Suassuna mostra-se alinhada a uma tradição literária ibérica que apresenta obras fundacionais, como o Auto da barca do Inferno, de Gil Vicente.
Estão corretas as afirmativas
INSTRUÇÃO: Para responder à questão , leia o trecho de O cortiço, de Aluísio de Azevedo, e preencha as lacunas.
Bertoleza é que continuava na cepa torta, sempre a mesma crioula suja, sempre atrapalhada de serviço, sem domingo nem dia santo: essa, em nada, em nada absolutamente, participava das novas regalias do amigo: pelo contrário, à medida que ele galgava posição social, a desgraçada fazia-se mais e mais escrava e rasteira.
A personagem Bertoleza em O cortiço, de Aluísio de
Azevedo, representa o fatalismo_________ que se presentifica
em muitas obras _________, pautadas pela forte
influência de escritores franceses como _________.
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Oswald de Andrade
( ) VASO CHINÊS
“Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármore luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
..."
( ) ODE AO BURGUÊS
“Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
..."
( ) SE EU MORRESSE AMANHÃ
“Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
..."
1 - Romantismo
2 - Modernismo
3 - Parnasianismo
Mario de Andrade e __________ são considerados os principais nomes do __________ brasileiro, movimento que, entre outras características, apresentava __________ e __________.
A alternativa que completa o excerto adequadamente é:
Considerando o contexto histórico descrito no texto a seguir, assinale a alternativa correta quanto à produção literária no Brasil.
“Na Europa, a segunda Revolução Industrial promovera modificações profundas. Inovações tecnológicas desenvolveram a produção em massa de bens diversos. As cidades cresceram muito (em detrimento do campo), e formou-se um proletariado que logo começou a organizar-se politicamente. E, dentro desse contexto, as artes mudaram: a belle époque assiste a uma sucessão de movimentos artísticos revolucionários.”(LAFETÁ, 1982, p. 99)