Questões de Vestibular
Comentadas sobre modernismo em literatura
Foram encontradas 460 questões
Pois é, compadre Siga agora o seu caminho
Procure minha madrinha Maleita diga que eu vou me casar [...]
No caminho vá convidando gente pro Caxiri grande
Haverá muita festa durante sete luas sete sóis Traga a Joaninha Vintém o Pajé-pato Boi-Queixume Não se esqueça dos Xicos Maria-Pitanga o João
Ternura
O Augusto Meyer Tarsila Tatizinha Quero o povo de Belém de Porto Alegre de São Paulo
– Pois então até breve, compadre Fico le esperando atrás das serras do Sem-fim
I. Em Cobra Norato o antropomorfismo do herói em cobra permite-lhe transitar pela floresta. II. Ao longo da narrativa, Cobra Norato vai cumprindo missões para aproximar-se da filha da rainha Luzia. III. O autor recorre a seres do imaginário amazônico para compor as aventuras de Cobra Norato.
Assinale a alternativa correta:
Observe os seguintes excertos do canto II, de Cobra Norato:
Começa agora a floresta cifrada
[...]
Aqui um pedaço de mato está de castigo
Arvorezinhas acocoram-se no charco
Um fio de água atrasada lambe a lama
[...]
Agora são os rios afogados
bebendo o caminho
[...]
– Agora sim
Vou ver a filha da rainha Luzia
Mas antes tem que passar por sete portas
Ver sete mulheres brancas de ventres despovoados
guardadas por um jacaré
[...]
Tem que entregar a sombra para o Bicho do Fundo
Tem que fazer mirongas na lua nova
Tem que beber três gotas de sangue
Assinale a alternativa CORRETA:
I. A narração em primeira pessoa é mediada por outras personagens, o padre e o jornalista, contratados por Paulo Honório para escrever suas memórias.
II. O narrador em primeira pessoa promove um aprofundamento psicológico de Paulo Honório e sua tomada de consciência perante a vida.
III. O tempo da história é o mesmo tempo dos acontecimentos, por isso a personagem se vê perdida em seus pensamentos, quase sempre confusos.
IV. O tempo dos acontecimentos é um elemento supérfluo, visto que o narrador não se preocupa em marcá-los de maneira objetiva, deixando-o em aberto.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir.
Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo de saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.
A que eu conhecia era Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas, eu julgava todas. Não me sentia, pois, inclinado para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de São Bernardo.
(RAMOS, G. São Bernardo. 28.ed. Rio de Janeiro: Record, 1977. p.54.)
Sobre a morte de Madalena, assinale a alternativa correta.
Leia o poema a seguir e responda à questão.
Plena Pausa
Lugar onde se faz Nenhuma página
o que já foi feito, jamais foi limpa.
branco da página, Mesmo a mais Saara,
soma de todos os textos, ártica, significa.
foi-se o tempo Nunca houve isso,
quando, escrevendo, uma página em branco.
era preciso No fundo, todas gritam,
uma folha isenta. pálidas de tanto.
(LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.185.)
I. O poema nega os elementos essenciais do movimento concretista e, portanto, destoa do clima geral do livro.
II. O poema apresenta o elemento metalinguístico como forma de reforçar a realidade psíquica do eu lírico.
III. O poema reforça a importância da página em branco enquanto parte integrante da significação poética.
IV. Orientalismo, concretismo e tropicalismo estão entre as principais referências formais da produção poética do escritor.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir.
No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro: passou mais de seis anos não falando. Se o incitavam a falar, exclamava: – Ai que preguiça!... e não dizia mais nada. Quando era pra dormir trepava no macuru pequeninho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava por debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então adormecia sonhando palavras feias, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar.
(Adaptado de: ANDRADE, M. Macunaíma. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p.7.)
Enquanto produção cultural, o Modernismo procurava reconhecer as identidades que formavam o povo brasileiro.
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a
presença da temática indígena no movimento, tendo
por modelo o romance de Mário de Andrade.
( ) A crônica constrói-se por meio da crítica bemhumorada do autor à corrupção generalizada da classe política. ( ) O autor explora, nesse texto, a linguagem típica da notícia de jornal para apresentar a realidade brasileira de forma caricaturesca. ( ) A profissão de Suzette na crônica é apresentada de modo direto, sem eufemismos. ( ) FHC, Lula e Palocci são personagens reais a partir dos quais a fé da Velhinha na política se consolida. ( ) Luís Fernando Veríssimo é um autor que, em seus textos, explora outros gêneros textuais, como a notícia, o conto, o diálogo, a poesia. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam o morto distraídos Estavam todos voltados para a vida Absortos na vida Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e [demorado Olhando o esquife longamente Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem [finalidade Que a vida é traição E saudava a matéria que passava Liberta para sempre da alma extinta.
( ) Entre as duas estrofes do poema, há uma relação de oposição quanto a visões sobre a vida. ( ) O uso de elementos cotidianos, por trás dos quais há uma revelação, é típico em Manuel Bandeira. ( ) Apesar de ser construído por versos livres, o ritmo do poema torna-se mais rápido a partir da segunda estrofe. ( ) Pode-se inferir, a partir da leitura do poema, que o elemento primordial, na visão do eu lírico, é a alma, não o corpo. ( ) O poeta é um dos principais representantes da poesia da geração de 45, junto com João Cabral de Melo Neto. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
“E, páginas adiante, o padre se portou ainda mais
excelentemente, porque era mesmo uma brava criatura.
Tanto assim, que, na despedida, insistiu:
– Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um
dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito
a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter
muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua
hora e a sua vez: você há de ter a sua.” [p. 356]
[...]
“Quando ficou bom para andar, escorando-se nas
muletas que o preto fabricara, já tinha os seus planos,
menos maus, cujo ponto de início consistia em ir para
longe, para o sitiozinho perdido no sertão mais longínquo
[...] que era agora a única coisa que possuía de seu.
Antes de partir, teve com o padre uma derradeira
conversa, muito edificante e vasta. E, junto com o casal
de pretos samaritanos, que, ao hábito de se desvelarem,
agora não o podiam deixar nem por nada, pegou chão,
sem paixão.
Largaram à noite, porque o começo da viagem teria de
ser uma verdadeira escapada. E, ao sair, Nhô Augusto
se ajoelhou, no meio da estrada, abriu os braços em
cruz, e jurou:
– Eu vou p’ra o céu, e vou mesmo, por bem ou por
mal!... E a minha vez a de chegar... P’ra o céu eu vou,
nem que seja a porrete!...
E os negros aplaudiram, e a turminha pegou o passo, a
caminho do sertão.” [p. 357-358]
[...]
“E o povo, enquanto isso, dizia: – ‘Foi Deus quem
mandou esse homem no jumento, por mór de salvar as
famílias da gente!...’” [p. 385]
“Mas Nhô Augusto tinha o rosto radiante, e falou:
– Perguntem quem é aí que algum dia já ouviu falar no
nome de Nhô Augusto Esteves, das Pindaíbas! [...]
Então, Augusto Matraga fechou um pouco os olhos,
com sorriso intenso nos lábios lambuzados de sangue,
e de seu rosto subia um sagaz contentamento. [...]
Depois, morreu.” [p. 386]
(ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Record, 1984)
“Apuram o passo, por entre campinas ricas, onde pastam ou ruminam outros mil e mais bois. Mas os vaqueiros não esmorecem nos eias e cantigas, porque a boiada ainda tem passagens inquietantes: alarga-se e recomprime-se, sem motivo, e mesmo dentro da multidão movediça há giros estranhos, que não os deslocamentos normais do gado em marcha – quando sempre alguns disputam a colocação na vanguarda, outros procuram o centro, e muitos se deixam levar, empurrados, sobrenadando quase, com os mais fracos rolando para os lados e os mais pesados tardando para trás, no coice da procissão. – Eh, boi lá! ... Eh-ê-ê-eh, boi! ... Tou! Tou! Tou... As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado Junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão...
‘Um boi preto, um boi pintado, cada um tem sua cor. Cada coração um jeito de mostrar o seu amor.’ Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando...”
(ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 37)