Questões de Vestibular
Sobre escolas literárias em literatura
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I. O poema aborda a questão do racismo, que esteve em discussão no início do século XIX. II. O poema é religioso, como confirma a referência a São Pedro. III. A linguagem coloquial é uma característica do poeta e do Modernismo brasileiro. IV. A figura de Irene nos remete à imagem das ex-escravas, constantes na literatura do início do século XX. V. O poema nos remete à morte de Irene, figura querida pelo eu lírico.
1) o racismo e a herança da escravidão.
2) a herança armorial na cultura brasileira.
3) o nacionalismo xenofóbico.
4) a defesa da nobreza agrária.
5) a vida intelectual carioca.
Estão corretas:
TEXTO 4
...
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino da Maria do Zacarias,
Lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
Que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
“A gente via Brejeirinha: primeiro, os cabelos, compridos, lisos, louro-cobre; e, no meio deles, coisicas diminutas: a carinha não-comprida, o perfilzinho agudo, um narizinho que-carícia. Aos tantos, não parava, andorinhava, espiava agora – o xixixi e o empapar-se da paisagem – as pestanas til-til. Porém, dissese-dizia ela, pouco se vê, pelos entrefios: - “Tanto chove, que me gela!” Aí, esticou-se para cima, dando com os pés em diversos objetos. – “Ui, ui-te!”” ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1967.
A recriação da própria linguagem e de neologismos, no texto de Guimarães Rosa, também está presente em outros autores, conforme exemplificam os versos: