Questões de Vestibular
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Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma, A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação, Não noutra alma. Só em Deus – ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(...) O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: – “Meu cancioneiro É bem martelado.
Vede como primo Em comer os hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos.
O meu verso é bom Frumento sem joio. Faço rimas com Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos Que lhes dei a norma: Reduzi sem danos A fôrmas a forma.
Clame a saparia Em críticas céticas: Não há mais poesia, Mas há artes poéticas...” (...)
Ambientado no interior do Ceará, nos fins de 1878, durante uma grande seca, a história narra a vida de uma mulher arredia, corajosa e destemida de grande força física, que trabalha na construção de uma prisão, junto aos homens, e é desejada pelo soldado Capriúna. Ela, porém, não se interessa por amores e mantém uma relação de amizade e ajuda mútua com Alexandre.
I – O romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, mostra ao leitor diversos aspectos, como a descrição e as regras para alcançar e preservar o modus vivendi de uma sociedade de determinada época, assim como a ideologia. Tudo isso é revelado sob uma história de amor, sem deixar de lado, no entanto, a crítica irônica e, por vezes, ferina, dos hábitos de uma sociedade que segue o Romantismo como moda tirânica da qual não pode fugir. II – Aurélia Camargo, filha de uma pobre costureira, e órfã de pai, apaixonou-se por Fernando Seixas – homem ambicioso – a quem namorou. Este, porém, desfez a relação, movido pela vontade de se casar com uma moça rica, Adelaide Amaral, que tinha um considerável dote para o futuro marido. Essa é a trama do romance Lucíola, de José de alencar. III – A partir do paradoxo, “inseto que brilha à beira dos charcos”, Machado de Assis narra a história de Lúcia, do romance Senhora. IV – A morte de um ente querido, muitas vezes, causa sérios problemas, no entanto, ocasionalmente, surpresas são reservadas aos familiares e amigos do falecido, e Machado de Assis descreve bem uma dessas surpresas no romance Helena.
Estão corretas:
Leia atentamente o fragmento do poema de Gregório de Matos e marque a alternativa correta.
Ontem a vi por minha desventura
De uma mulher, que em anjo se mentia
De um sol, que se trajava em criatura
Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me
Se a beleza heis de ver para matar-me
Antes olhos cegueis, do que eu perder-me.
I – Os versos acima mostram o conflito do homem barroco centrado entre o amor divino e o amor carnal.
II – O fragmento acima é repleto de antíteses, uma das figuras mais empregadas no Arcadismo. Podemos destacar, como exemplo, que a antítese de mulher, no poema, é beleza.
III – Uma das características do Barroco é o cultismo, que se constitui no jogo de palavras e construção de imagens. O fragmento destacado confirma essa ideia com a presença de metáforas, paradoxos e antíteses nos seus versos.
Estão corretas:
Vila Rica
O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um brasão.
O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,
O último ouro de sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.
Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,
Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.
(BILAC, O. Poesias. São Paulo: Ed. Martim Claret, 2002.)
Cerro – monte, serra
Ciciar – sussurrar Fulvo – dourado,
louro Laivo – mancha
Urbe – cidade
Cancioneiro da Inconfidência
(Excerto Canto XXXI)
Por aqui passava um homem
– e como o povo se ria! –
que reformava este mundo
de cima da montaria.
Tinha um machinho rosilho.
Tinha um machinho castanho.
Dizia: „Não se conhece
país tamanho!‟ „
Do Caeté a Vila Rica,
tudo ouro e cobre!
O que é nosso, vão levando...
E o povo aqui sempre pobre!‟
Por aqui passava um homem
– e como o povo se ria! –
que não passava de Alferes
de cavalaria!
„Quando eu voltar – afirmava –
outro haverá que comande.
Tudo isto vai levar volta,
e eu serei grande!‟
„Faremos a mesma coisa
que fez a América Inglesa!‟
E bradava: "Há de ser nossa
tanta riqueza!"
Por aqui passava um homem
– e como o povo se ria! –
„Liberdade ainda que tarde‟
nos prometia.
(MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar S.A., 1987.)
I - O poema mescla dois tempos: o dos eventos relatados e o do presente do sujeito lírico, conforme comprovam os tempos verbais em Por aqui passava um homem / - e como o povo se ria! - II - O sujeito poético se identifica aos recebedores da promessa da personagem, Liberdade ainda que tarde / nos prometia. III - Cancioneiro da Inconfidência é fruto da veia simbolista de Cecília Meireles, marcada pelo vago e impreciso, pela busca de transcendência. IV - A descrição de Tiradentes é interrompida pelo comentário: - e como o povo se ria! - que mostra a ambiguidade no processo de torná-lo herói.
Estão corretas as afirmativas
Vila Rica
O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um brasão.
O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,
O último ouro de sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.
Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,
Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.
(BILAC, O. Poesias. São Paulo: Ed. Martim Claret, 2002.)
Cerro – monte, serra
Ciciar – sussurrar Fulvo – dourado,
louro Laivo – mancha
Urbe – cidade
Cancioneiro da Inconfidência
(Excerto Canto XXXI)
Por aqui passava um homem
– e como o povo se ria! –
que reformava este mundo
de cima da montaria.
Tinha um machinho rosilho.
Tinha um machinho castanho.
Dizia: „Não se conhece
país tamanho!‟ „
Do Caeté a Vila Rica,
tudo ouro e cobre!
O que é nosso, vão levando...
E o povo aqui sempre pobre!‟
Por aqui passava um homem
– e como o povo se ria! –
que não passava de Alferes
de cavalaria!
„Quando eu voltar – afirmava –
outro haverá que comande.
Tudo isto vai levar volta,
e eu serei grande!‟
„Faremos a mesma coisa
que fez a América Inglesa!‟
E bradava: "Há de ser nossa
tanta riqueza!"
Por aqui passava um homem
– e como o povo se ria! –
„Liberdade ainda que tarde‟
nos prometia.
(MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar S.A., 1987.)