Questões de Vestibular
Sobre urbanização brasileira em geografia
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A cidade dos sonhos do arquiteto Le Corbusier teve enorme impacto em nossas cidades. Ele procurou fazer do planejamento para automóveis um elemento essencial do seu projeto. Traçou grandes artérias de mão única para trânsito expresso. Reduziu o número de ruas porque “os cruzamentos são inimigos do tráfego”. Manteve os pedestres fora das ruas e dentro dos parques. Essa visão deu enorme impulso aos defensores do zoneamento urbano e dos conceitos de superquadra. Não importava quão vulgar ou acanhado fosse o projeto, quão árido ou inútil o espaço, quão monótona fosse a vista, a imitação de Le Corbusier gritava: “Olhem o que eu fiz!”.
Adaptado de JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
O texto expressa a crítica de Jane Jacobs a um modelo urbanístico importante ao longo do século XX. A escritora defendia a mistura de usos no espaço urbano de forma a valorizá-lo e a fortalecer o convívio.
A cidade que apresenta o predomínio do padrão urbano criticado por Jane Jacobs é:
Evolução nas taxas (%) de urbanização nas grandes regiões geográficas brasileira.

IBGE, Censo demográfico 1940-2010. Até 1970 dados extraídos de: Estatísticas do século XX. Rio de Janeiro: IBGE, 2007 no Anuário Estatístico do Brasil, 1981, vol. 42, 1979.
De acordo com os dados apresentados, assinale a alternativa que NÃO se constitui como
fator que convalida a evolução da urbanização nas regiões brasileiras.
Analise o texto a seguir:
A rede urbana é formada pelo conjunto de cidades - de um mesmo país ou de países vizinhos - que se interligam umas às outras por meio de sistemas de transporte e de telecomunicação, através dos quais se dão os fluxos de pessoas, mercadorias, informações e capitais. Na tentativa de apreender as relações que se estabelecem entre as cidades no interior de uma rede, a noção de hierarquia urbana passou a ser utilizada. Surge, então, um esquema clássico de classificação dos centros urbanos como vila, cidade local, centro regional, metrópole regional e metrópole nacional.
MOREIRA, J.; SENE, E. Geografia Geral e do Brasil. Espaço geográfico e globalização. São Paulo: Scipione, 2016, p. 197. Adaptado.
No Brasil, com base no esquema mencionado, classifica-se como metrópole nacional:

A história da Maré começa nos anos 40. No final dessa década, já havia palafitas – barracos de madeira sobre a lama e a água. Surgem as comunidades da Baixa do Sapateiro, Parque Maré e Morro do Timbau – este em terra firme. A construção da avenida Brasil, concluída em 1946, foi determinante para a ocupação da área, que prosseguiu pela década de 50. Nos anos 60, um novo fluxo de ocupação teve início, quando moradores da Praia do Pinto, Morro da Formiga, Favela do Esqueleto e desabrigados das margens do rio Faria-Timbó foram transferidos para moradias “provisórias” construídas na Maré. O início dos anos 80, quando a Maré das palafitas era símbolo da miséria nacional, marca a primeira grande intervenção do governo federal: o Projeto Rio, que previa o aterramento e a transferência dos moradores das palafitas para construções pré-fabricadas. Em 1988, foi criada a 30ª Região Administrativa (R.A.), abarcando a área da Maré. A primeira R.A. da cidade a se instalar numa favela marcou seu reconhecimento como um bairro.
Adaptado de museudamare.org.br.
Composta hoje por 16 comunidades, a Maré é o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro. Sua história, em parte, está relacionada com as transformações na cidade entre meados do século XX e o momento atual.
Analise a imagem de satélite.

Caracteriza um instrumento de gestão e de ordenamento territorial, legalmente definido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza com o objetivo de garantir a integridade dos processos ecológicos nas áreas de ligação entre unidades de conservação. É uma estratégia fundamental para evitar os prejuízos ecológicos proporcionados pelo isolamento das áreas naturais protegidas em meio à malha urbana e rural.
(www.icmbio.gov.br. Adaptado.)
O detalhe da imagem e o excerto destacam a união de
Sobre o processo de modernização das cidades brasileiras nos primeiros trinta anos do século XX, assinale a alternativa CORRETA:
Encravada ao lado do Morumbi, um dos bairros mais nobres de São Paulo, na zona sul, Paraisópolis é a segunda maior favela da capital paulista em termos habitacionais (tem cerca de 100.000 habitantes) e certamente a mais famosa do Estado – mesmo antes de estar diariamente na televisão dos brasileiros, com a novela “I Love Paraisópolis” (TV Globo), em 2015. Vizinha de mansões e prédios de luxo do Morumbi e um dos símbolos da desigualdade da cidade, sempre foi valorizada, sobretudo, pela proximidade com áreas como a Berrini e a Juscelino Kubitschek, onde multinacionais têm sede. Embora especialistas não sejam unânimes em apontar para a gentrificação da região, ouve-se pelas ruas uma queixa frequente: ficou mais caro morar por lá. Agora, seus moradores pretendem aproveitar o efeito novela para reivindicar que as melhorias no bairro alcancem o ritmo do aumento do custo de vida.
Fonte: Jornal El País, Espanha. Site: https://brasil.elpais.com/ brasil/2015/06/01/politica/1433185554_574794.html
Considerando o texto, é correto afirmar que o aprofundamento da desigualdade de condições de vida e moradia nas cidades brasileiras na segunda metade do século XX e no início do século XXI foi marcado
Responda à questão a partir da interpretação da letra da canção Despejo na Favela, de Adoniran Barbosa.
Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E, contra seu desejo
Entregou pra seu Narciso
Um aviso, uma ordem de despejo
Assinada, seu doutor
Assim dizia a ‘pedição’
“Dentro de dez dias
Quero a favela vazia
E os barracos todos no chão”
É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor! (...)
Não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não, seu doutor
Vou sair daqui
Pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem ‘probrema’
Em qualquer canto eu me arrumo
De qualquer jeito eu me ajeito
Depois, o que eu tenho é tão pouco
Minha mudança é tão pequena
Que cabe no bolso de trás
Mas essa gente aí, hein?
Como é que faz? (...)
Adaptado de Adoniran Barbosa. Despejo na Favela. (1969)
O processo de mudança social no espaço urbano descrito na letra da canção pode ser associado ao contexto dos anos 60 e 70, que se caracterizou pela
I. migração do nordeste para o sudeste e pela autoconstrução de casas em áreas periféricas das grandes cidades.
II. resistência das classes populares às tentativas de modernização habitacional, com a implantação de equipamentos urbanos adequados à melhoria de sua qualidade de vida.
III. segregação residencial no espaço urbano, com expulsão das classes populares de áreas centrais e sua realocação em áreas distantes do centro da cidade.
IV. produção de vazios urbanos para a valorização dos terrenos centrais pelo mercado imobiliário, impedindo que a população de baixa renda tivesse acesso à moradia digna.
Estão corretas apenas as afirmativas
Analise o gráfico relacionando-o com o texto a seguir.

Entre 1940 e 1960, no espaço de apenas duas décadas, a população brasileira aumentou cerca de 70%, saltando de 41 para 70 milhões de habitantes. A composição da população sofreu grandes mudanças. Se no início da década de 40 a população urbana era de 31% do total, nos anos 60 ela chega aos 45% e ultrapassa a população rural ao longo dessa década (IBGE, 2000).
Todos os fatores apresentados a seguir contribuíram
para o deslocamento da população brasileira do espaço
rural para o urbano, EXCETO:
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza os censos demográficos e econômicos, e considera população urbana aquela residente no perímetro urbano de cada município.
Sobre a tabela acima e a urbanização brasileira é correto afirmar, exceto:
Evolução da População Urbana e da População Rural no Brasil (1940 – 2010)
Sobre a urbanização do Brasil, é correto afirmar que teve como uma das suas causas
O crescimento das cidades e sua organização política estiveram relacionados ao processo histórico e seus elementos socioeconômicos, a exemplo de
Fonte: LOSNAK, Célio José. Polifonia urbana: imagens e representações Bauru: 1950-1980. Bauru:SP: EDUSC, 2004, p.43-44.
O texto acima relaciona-se ao processo de urbanização ocorrido em diferentes lugares no mundo ocidental. No Brasil, nas primeiras décadas do século XX, a articulação entre projetos de urbanização, saneamento e imposição de novos valores e comportamentos às classes populares geraram reações. Dentre os eventos históricos aponte aquele que representa resistência a tais projetos:
Fonte: http://www.back2blackfestival.com.br/site2015/2015/02/24/madame-sata-e-parte-fundamental-da-historia-do-rio-de-janeiro/Adaptado.
Esse personagem é considerado um dos principais representantes da
Dados: CENSO/IBGE. 2010. Disponível em:<http://niteroi.osbrasil.org.br/2016/06/10mapa-da-desigualdade. Acesso em: 21 set. 2017. Adaptado.
De acordo com os índices municipais de mobilidade urbana na Região Metropolitana do Rio de Janeiro apresentados no cartograma acima, conclui-se que o(s)
Escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma sobre os novos fenômenos da urbanização brasileira.
( ) As atividades econômicas vinculadas às funções de decisão, financeirização, inovação tecnológica da produção e serviços de pós-venda abandonam as metrópoles e se aglomeram cada vez mais em cidades médias e pequenas.
( ) Ocorre uma industrialização do campo, com seus complexos e redes agroindustriais expulsando parte da população rural.
( ) No Brasil contemporâneo, mudanças no processo de industrialização acentuam as forças centrífugas de difusão da produção industrial, com destaque para a reestruturação produtiva das firmas, as políticas de incentivo fiscal e o deslocamento da fronteira agrícola e mineral pelo território.
( ) Conjuntos habitacionais, favelas e cortiços, de um lado, e condomínios exclusivos, murados e controlados, de outro, demarcam os extremos da diferenciação espacial da habitação nas cidades brasileiras.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
De acordo com a hierarquia urbana apresentada pelo IBGE, é correto afirmar que:
As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia; e tudo pago adiantado. O preço de cada tina, metendo a água, quinhentos réis; sabão à parte. As moradoras do cortiço tinham preferência e não pagavam nada para lavar.
(...) E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputá-los.
E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das claras barracas de algodão cru, armadas sobre os lustrosos bancos de lavar.
Aluísio Azevedo, O cortiço.
Nas cidades brasileiras, particularmente no último quartel do século XIX, novas formas urbanas são constituídas, como os cortiços e as favelas. Sobre esse fenômeno, é correto afirmar: