Questões de Vestibular
Sobre o sujeito moderno em filosofia
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FOUCAULT, M. História da sexualidade: a vontade de saber. São Paulo: Paz e Terra, 2015. p. 82-83.
Sobre o método genealógico e o pensamento foucaultiano sobre a sexualidade, assinale a alternativa correta.
DESCARTES, R. Meditações sobre filosofia primeira. Campinas: Editora da UNICAMP, 2004. p. 9-10.
Considerando o texto, assinale a alternativa que apresenta exemplos de ideias inatas, adventícias e fictícias, respectivamente.
No contexto da filosofia renascentista e moderna, o desenvolvimento tecnológico descrito no excerto e demonstrado na imagem simboliza a
I. A Filosofia Antiga defendia que o conhecimento era resultado exclusivo da dedução lógica, enquanto a Filosofia Moderna rejeitou qualquer forma de raciocínio dedutivo em favor da experiência sensorial.
II. Na Filosofia Antiga, a lógica era vista como um instrumento para alcançar a verdade objetiva, enquanto na Filosofia Moderna ela foi substituída pelo ceticismo absoluto como base do conhecimento.
III. A Filosofia Antiga sustentava que a verdade poderia ser atingida por meio da reflexão racional, ao passo que na Filosofia Contemporânea surge, em algumas correntes, como na filosofia analítica e no pensamento de Wittgenstein, a substituição dessa noção pela ideia de que o conhecimento somente poderia ser estabelecido por convenções linguísticas.
verifica-se que está/ão correta/s
SPINOZA, Benedictus de. Ethica/Ética. Edição bilíngue Latim-Português. São Paulo: EDUSP, 2021, p. 45. Adaptado.
Considerando-se a citação de Benedictus de Spinoza, cuja visão propõe que não há separação entre Deus e o universo, qual o período da Filosofia em que a sua obra e as suas ideias se inserem?
Texto I
O homem, como zoon logikón, é um ser que, em razão de sua psyqué, ao mesmo tempo pertence ao âmbito da natureza e por essência se distingue de todos os outros seres da natureza em virtude do predicado da racionalidade, ele é um “animal racional”, um zoon logikón. A racionalidade é, pois, a diferença específica do homem, e, ao se acentuar esse aspecto, Aristóteles prolonga a linha de reflexão antropológica que tem sua origem na Sofística e que fora continuada, mesmo sofrendo profunda inflexão, pela antropologia socrático-platônica. Enquanto ser dotado de razão e linguagem, o homem transcende de alguma maneira a natureza e não pode ser considerado simplesmente um ser “natural”.
VAZ, Henrique de C. Lima. Antropologia filosófica. São Paulo: Loyola, 2020. p. 51. (Adaptado).
Texto II
Outros autores interpretam o homem como possibilidade de autoprojeção. É nesse sentido que Kant afirma que, para poder atribuir ao homem seu lugar na natureza viva e assim caracterizá-lo, só resta dizer que ele tem o caráter que ele mesmo faz, porquanto sabe aperfeiçoar-se segundo os fins por ele mesmo criados. Na filosofia contemporânea, esse conceito de homem foi assumido por vários pensadores. Por um lado, eles frisam que o homem é aquilo que ele mesmo pode e quer tornar-se, que projeta seu modo de ser ou de viver e que esse projeto passa a constituir, em algum grau, parte de seu ser. Por outro lado, esses mesmos pensadores reconhecem as limitações dessa possibilidade de se projetar, já que cada projeto já encontra como dados os elementos que utiliza. Sartre insistiu na liberdade absoluta da possibilidade de projetar e considerou puramente arbitrária ou gratuita a escolha de um projeto qualquer.
ABBGAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 512-513. (Adaptado).
Em ambos os textos são apresentados posicionamentos acerca do que constitui definição de ser humano. A comparação entre esses textos indica que eles
“Se, compreendendo um outro ser humano, penetro profundamente no horizonte do que lhe é próprio, então logo me depararei com o fato de que, assim como o seu corpo se encontra no meu campo de percepção, também o meu corpo se encontra no dele, e que, em geral, ele me experiencia sem mais como um outro para ele, tal como eu o experiencio como outro para mim.”
HUSSERL, E. Meditações cartesianas. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013.
O filósofo Edmund Husserl propõe uma reflexão sobre como cada pessoa estabelece relações com as outras. Ocorre uma equiparação dos pontos de vista, de modo que cada uma aparecerá às demais não como uma consciência incomparável, mas justamente como uma outra pessoa. Essa ideia ajuda a entender a perspectiva crítica contida na charge: certas condições ou características que percebemos como depreciativas em outras pessoas também podem ser percebidas da mesma maneira pelos outros em nós.
Qual situação reproduz essa estrutura de equiparação exibida na charge?
Texto 01
VII. Só podemos duvidar se existirmos: esse é o primeiro conhecimento que adquirimos quando filosofamos ordenadamente.
Como rejeitamos assim tudo aquilo em que podemos cogitar a menor dúvida ou mesmo imaginamos ser falso, supomos facilmente, com efeito, que não há Deus, nem céu, nem corpos, e que nós mesmos não temos nem mãos nem pés, tampouco, finalmente, um corpo; mas não podemos da mesma maneira supor que não existimos enquanto duvidamos da verdade de todas essas coisas; pois é repugnante conceber que aquilo que pensa não existe no momento em que pensa. Por conseguinte, o conhecimento PENSO, LOGO EXISTO, é o primeiro e mais certo que se apresenta àquele que filosofa ordenadamente.
DESCARTES, René. Princípios da Filosofia. 2. ed. São Paulo: Rideel, 2007. p. 27.
Texto 02
Um conceito básico convencional, que no momento ainda é algo obscuro, mas que nos é indispensável na psicologia, é o de um ‘instinto’. Podemos afirmar que um instinto é um estímulo aplicado à mente. Em primeiro lugar, um estímulo instintual não surge do mundo exterior, mas de dentro do próprio organismo. Por esse motivo ele atua diferentemente sobre a mente, e diferentes ações se tornam necessárias para removê-lo. Um instinto jamais atua como uma força que imprime um impacto momentâneo, mas sempre como um impacto constante. Considerando a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo.
FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Ed. Standart Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 123- 127. [Adaptado].
Analisando-se os textos apresentados e situando-os no contexto em que foram produzidos, verificamos o seguinte:
DESCARTES, R. Meditações sobre Filosofia Primeira. Campinas: Unicamp, 2004, p. 39.
Sobre a trajetória meditativa de Descartes que o leva ao cogito, é INCORRETO afirmar que
(Lúcio Lourenço Prado. Filosofia da linguagem, 2012. Adaptado.)
O argumento lockeano mencionado tem implicações no âmbito
Hobbes, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1988, p. 30. (Coleção Os Pensadores)
De acordo com a passagem apresentada e com a obra de que foi retirada, é correto dizer que, para Thomas Hobbes:
Mateus Nogueira – Estou eu imaginando todas as almas dos homens serem umas e todas de uma mesma matéria, feitas à imagem e semelhança de Deus, e todas capazes da glória e criadas para ela. Diante de Deus, têm a mesma natureza a alma do papa e a alma de um indígena da capitania do Espírito Santo.
Gonçalo Álvares – Os indígenas têm alma como nós?
Mateus Nogueira – É claro! Afinal, a alma tem três potências: entendimento, vontade e memória, que todos têm. [...] Você teve tão ruim entendimento para entender o que eu queria lhe dizer como os nativos para entender as coisas de nossa fé. [...]
NÓBREGA, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2017, p. 213-214. – Adaptado.
A discussão sobre a existência da alma possuindo entendimento e vontade, sendo independente do corpo e suas sensações, e comum a todos os homens, foi depois tema central em uma corrente da filosofia europeia moderna, qual seja:
As preocupações filosóficas acerca das características do conhecimento e de suas possibilidades expressam-se desde a Antiguidade, no entanto a ausência de tecnologias naquele período da história impede a aproximação de tais reflexões aos fenômenos relativos à IA.
Analise a tirinha e leia o texto a seguir.

(Legenda: !Cuidado! Irresponsáveis trabalhando. Disponível em: . Acesso em: 26 ago. 2023.)
A proposta ética de Habermas não comporta conteúdo. Ela é formal. Ela apresenta um procedimento, fundamentado na racionalidade comunicativa, de resolução de pretensões normativas de validade.
(DUTRA, D. J. V. Razão e consenso em Habermas. A teoria discursiva da verdade, da moral, do direito e da biotecnologia. 2.ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2005. p.152.)
Com base na tirinha, no texto e nos conhecimentos sobre a ética do discurso de Habermas, assinale a alternativa correta.
A tragédia exemplifica o Estado e os costumes, determinando a ação da mulher, situação que reflete toda a história até o nosso tempo. Hoje, a filósofa, Judith Butler, interpreta a tragédia de Antígona, de uma perspectiva feminista, considerando outras possibilidades, como referências da pós-modernidade. Afirma a filósofa:
Quem, portanto, é Antígona nesse cenário, e o que devemos fazer de suas palavras, palavras que se tornam eventos dramáticos e atos performativos? Ela não pertence ao humano, porém fala por meio de sua linguagem. Proibida de agir, ela, no entanto, age, e seu ato está longe de ser a simples assimilação de uma norma existente. Ao agir como alguém que não tem o direito de fazê-lo, ela perturba o vocabulário do parentesco que é uma precondição do humano, implicitamente levantando a questão, para nós, de quais realmente devem ser essas precondições. Ela fala na linguagem do direito da qual está excluída, participando na linguagem da reivindicação com a qual nenhuma identificação final é possível. Se ela é humana, então o humano entrou em catacrese: já não conhecemos mais seu uso próprio.
Judith Butler. O clamor de Antígona. Parentesco entre a vida e a morte. Florianópolis: UFSC, 2014.
Nesse sentido, Butler, ao tomar Antígona como referência desse mundo pós-moderno, no que se refere às perspectivas do feminismo, apresenta a crítica de que o movimento feminista deve
(Gustavo Arantes Camargo. Liberdade e vontade de potência na filosofia de Nietzsche. Cadernos Nietzsche 42 (3), Setembro/Dezembro, 2021.)
No texto acima, o autor defende que, para Nietzsche,
(ONU News. Moradores de Gaza estão encurralados com bombardeios nas rotas de evacuação. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2023/10/1822532. Adaptado.)
Na passagem acima, está pressuposta uma concepção filosófica moderna da universalização da condição humana. Quanto à guerra, essa concepção se expressa da seguinte forma:
Em junho de 1996, organizações não governamentais reuniram-se em Barcelona (Espanha), sob o patrocínio da UNESCO, e elaboraram a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. Em sua Introdução, esse documento estabelece, como uma das considerações que lhe serve de base, que “a invasão, a colonização e a ocupação, assim como outros casos de subordinação política, econômica ou social, implicam frequentemente a imposição direta de uma língua estrangeira ou a distorção da percepção do valor das línguas e o aparecimento de atitudes linguísticas hierarquizantes que afetam a lealdade linguística dos falantes”.
UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, 1996.
Desse modo, é correto afirmar que a hierarquia entre línguas, bem como a desvalorização cultural de línguas minoritárias — como as línguas indígenas, as de ciganos, as de sinais, entre outras — pela hegemonia de línguas majoritárias significa