Questões de Vestibular
Comentadas sobre estratificação e desigualdade social em sociologia
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Leia o trecho a seguir: A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. Nas mais remotas épocas da história, verificamos, quase por toda parte, uma completa estruturação da sociedade em classes distintas, uma múltipla gradação das posições sociais. […] Entretanto, a nossa época [...] caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se, cada vez mais, em dois campos opostos, em duas grandes classes em confronto direto: a burguesia e o proletariado.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998. pp. 40-41. A luta de classes opõe contrários numa relação dialética.
O que isso significa? Assinale a alternativa correta.
Errantes no fim do século é o resultado de várias pesquisas, levadas a cabo no período entre 1987 e 1990, acerca dos(as) trabalhadores(as) rurais na região de Ribeirão Preto-SP, considerada uma das regiões agrícolas mais ricas do país [...]. Trata-se de um estudo visando à apreensão dos processos de expropriação, exploração dominação e exclusão de milhares de homens e mulheres, produzidos no bojo da modernização trágica, implantada na década de 1960, cujos efeitos, além do maciço êxodo rural, foram traduzidos por um violento processo de proletarização.
SILVA, Maria Aparecida de Moraes. Errantes no fim do século. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 15 (fragmento).
O meio rural brasileiro se constituiu pela presença de duas categorias sociais distintas – pequenos agricultores e fazendeiros –, por profundas contradições na produção e pela desigualdade de acesso à terra. Nesse sentido, depreende-se do fragmento apresentado que
(TOMAZI, Nelson D. Sociologia para o ensino médio. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.)
Considerando o texto acima, atente para as proposições a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) As castas ainda possuem grande prestígio na sociedade indiana e impedem a mobilidade social.
( ) O único elemento em que se baseia a hierarquização de castas sociais indianas é o da religião.
( ) A mobilidade social na sociedade indiana tem sido ampliada pela influência de culturas estrangeiras.
( ) A tradição de castas reúne as tendências de repulsão entre grupos e da hierarquização social.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
Considerando essa perspectiva de Mills, avalie as seguintes proposições sociológicas:
I. As elites são compostas por pessoas cujas posições de classe social lhes permitem influenciar e tomar decisões que afetam toda a sociedade.
II. As elites do poder não são solitárias e necessitam de conselheiros, políticos e formadores de opinião para capitanearem seus interesses e escolhas.
III. O status social das elites tem uma íntima relação com a posição na estrutura social e com o reconhecimento de que são uma classe superior na sociedade.
IV. Os estratos sociais dominantes conseguem se manter como elite do poder porque buscam uniões matrimoniais com todas as outras classes sociais.
É correto o que se afirma em
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última década (2012-2022), a grande maioria das mulheres negras tiveram trajetórias duradouras nas ocupações de menos prestígio social, com baixos salários e de más condições de trabalho, como o emprego doméstico e o de serviços gerais. Além disso, a PNADC aponta que 22,1% das mulheres negras, em idade ativa para o trabalho, estavam desempregadas no 1º trimestre de 2021 – o dobro da registrada entre homens brancos (10,0%) e muito distante da reportada pelas mulheres brancas e homens negros (13,8%). E no primeiro trimestre de 2022, 43,3% das mulheres negras ocupadas estavam em postos de trabalho informais, taxa maior que a de homens brancos (34,8%) e a das mulheres brancas (32,7%), abaixo apenas da dos homens negros (46,6%).
Considerando esses dados da PNADC/IBGE, é correto concluir-se que
A concepção de uma “nacionalidade mestiça” brasileira, de modo geral, considera que o povo aqui surgiu historicamente do cruzamento de três raças (o europeu, o índio e o africano), mas, depois desse momento inicial, os brasileiros já não são mais portugueses/europeus, nem africanos e nem índios, mas um “povo novo”, resultado desse cadinho de raças diferentes do passado colonial. Porém, esta concepção de que o povo brasileiro é mestiço carrega consigo, por outro lado, um discurso ideológico que estabelece a ideia de unidade nacional e esconde o racismo e as contradições étnico-raciais historicamente constituídas e ainda presentes na sociedade atual, além de amenizar a pauta pública nacional sobre as reivindicações dos povos e populações tradicionais no país.
Considerando o enunciado acima, atente para o que se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) Pensar que no Brasil de hoje todos somos mestiços resulta em um pensamento que exclui da história as matrizes étnico-raciais indígena e negra na formação da nação, considerando apenas os portugueses.
( ) A principal consequência da ideia da mestiçagem é a de comprovar que, no Brasil, há de fato uma democracia racial que promove uma sociedade sem falsas contradições uma vez que todos são brasileiros.
( ) A concepção de uma “mestiçagem brasileira” pode esconder as lutas políticas por direitos e ações afirmativas das pessoas negras, das comunidades quilombolas e dos povos tradicionais indígenas.
( ) Imaginar que o brasileiro é mestiço e não mais branco, negro ou índio prejudica o reconhecimento de que a sociedade brasileira é composta pela diversidade étnico-racial e pelo multiculturalismo.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
O ChatGPT é uma tecnologia de inteligência artificial (IA) que foi lançada no final de 2022 e é basicamente um robô virtual (chatbot) que responde a perguntas variadas e pode redigir uma gama considerável de textos dos mais variados tipos e modelos, por exemplo: redações, procurações judiciais, poesias, artigos acadêmicos, matérias jornalísticas e, mesmo, questões de vestibulares. Apesar da euforia com as possibilidades desta IA, a ameaça de disrupção já paira sobre trabalho e emprego. Campos que dependem do texto, como o jornalismo, poderão ser largamente modificados — e vagas poderão sumir para sempre. A competência do ChatGPT em gerar códigos também já provoca questionamentos em um setor relativamente novo: a programação. Mas, uma das áreas que vêm percebendo desde já o potencial de problemas do ChatGPT é justamente uma das mais afetadas pela chegada de novas tecnologias: a educação.
SUZUKI, Shin. O que é o ChatGPT e por que alguns o veem como
ameaça, BBC News Brasil, São Paulo, 19 de janeiro de 2023.
Partindo do exposto, assinale a proposição verdadeira.
Para Nancy Fraser, cientista social norte-americana, as reivindicações dos movimentos sociais por justiça social, a partir do final do século XX, passaram a dividir-se em dois tipos: as reivindicações redistributivas e as de reconhecimento. O primeiro tipo de reivindicações pretende buscar uma distribuição mais justa de recursos materiais e riquezas dentro de uma sociedade. As reivindicações do tipo reconhecimento traçam metas, no geral, que visam, dentre outros fins, a uma sociedade onde se acolha amistosamente as diferenças sociais e culturais.
Considerando esses tipos de reivindicações dos movimentos sociais, avalie as proposições a seguir:
I. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no Brasil, fazem parte do tipo de reivindicações redistributivas.
II. O Occupy Wall Street, de 2011, produziu uma reivindicação do tipo reconhecimento nesse distrito financeiro dos EUA, pois lutava contra a disparidade socioeconômica.
III. As organizações dos movimentos negro, feminista e LGBTQIAP + produzem reivindicações redistributivas uma vez que lutam contra discriminações e por igualdade de direitos.
IV. As reivindicações das pessoas com deficiência são do tipo reconhecimento considerando-se que buscam pela inclusão social e por tratamento justo em ambientes como empresas e escolas.
É correto o que se afirma somente em
(FIGUEIREDO, V. A paixão da Igualdade: uma genealogia do indivíduo moral na França. Belo Horizonte: Relicário, p. 9, 2021.)
Escolha, dentre as alternativas a seguir, aquela que sintetiza melhor a ideia expressa na citação de Figueiredo:
(CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade. A construção do outro como não ser como fundamento do ser. São Paulo: Zahar, p. 91, 2023.)
Escolha a alternativa que apresenta crítica semelhante à de Sueli Carneiro.
(Adaptado de: HILL COLLINS, P.; BILGE, S. Interseccionalidades. São Paulo: Boitempo, p. 32-33, 2016.)
A partir do texto, é correto afirmar que
Leia o texto a seguir e responda à questão.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos puseram fim ao conflito, no ano de 1945, ao lançar duas bombas atômicas, um artefato de destruição em massa produzido com base nos avanços da pesquisa científica realizada em tempos de guerra. A bomba lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima era de fissão de urânio-235 e a lançada sobre Nagasaki era de fissão de plutônio-239. Juntas elas ceifaram a vida de cerca de 71 mil pessoas instantaneamente e, nos primeiros cinco anos após as explosões, provocaram aproximadamente 200 mil mortes, por alterações cromossômicas oriundas de exposição à radiação. Desde então, a bomba atômica se manteve como estratégica no poderio dos Estados nacionais, constituindo uma ameaça permanente de destruição, catástrofe e fim súbito, o que representa certa vinculação entre ciência, política, poder e ideologia.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre política, poder e ideologia, considere as afirmativas a seguir.
I. Nas sociedades capitalistas ocidentais e em contextos de guerra, ocorre um enfraquecimento do uso político da ideia de nação, em virtude da prioridade aos recursos militares e ao poderio bélico, em detrimento da valorização do povo.
II. O conhecimento científico colonialista refuta o pensamento hegemônico ocidental, favorecendo a ampliação de diferentes formas de conhecer e explicar o mundo, reconhecendo e valorizando outras culturas e saberes nativos.
III. O conhecimento científico pode se tornar uma ideologia e uma forma de dominação quando o seu saber se apresenta como inquestionável, constituindo a ideia de uma verdade absoluta, com o propósito de explicar todas as coisas.
IV. A ideologia da meritocracia converte as oportunidades em termos de capitais econômicos, culturais e sociais em um dom individual, legitimando a reprodução das desigualdades nos acessos e meios de produção do conhecimento.
Assinale a alternativa correta.
(Djamila Ribeiro. O que é: lugar de fala?, 2017. Adaptado.)
O excerto aborda um conceito que propõe uma nova perspectiva de análise filosófica, sobretudo em relação
Elas entraram para o movimento feminista apagando e negando a diferença, sem pensar em raça e gênero juntos, mas eliminando raça do cenário.
(bell hooks. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras, 2018. Adaptado.)
Ao abordar aspectos do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da década de 1960, o excerto
( ) O empreendedorismo e os contratos formais e estáveis, no Brasil, demonstraram crescente aumento, apesar de existirem possibilidades de modalidades contratuais, como os trabalhos intermitente, terceirizado e autônomo. Tais contratos preveem a acentuada flexibilidade em utilizar o trabalhador apenas em momentos precisos.
( ) Os campos empregatícios que mais têm recrutado trabalhadores via contrato intermitente são ocupados, majoritariamente, por pessoas do sexo masculino, as mais acometidas pelo desemprego no Brasil.
( ) A terceirização atinge frações e segmentos da classe social historicamente submetida a condições de precarização do trabalho, o que leva ao aprofundamento das disparidades socioeconômicas. Os trabalhadores terceirizados são mais acometidos por agravos de saúde, em decorrência do tipo de vínculo firmado e de condições e relações de trabalho estabelecidas.
( ) O desemprego e as dificuldades de inserção dos trabalhadores no mercado formal de trabalho impedem a aceitação das ofertas de trabalho, visto que os trabalhadores se submetem a ficar sem o gozo de férias, sem descansos e sem condições dignas de alimentação.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Na obra Canaã, dentre as temáticas discutidas pelos imigrantes alemães, está a questão das raças e da miscigenação. O personagem Lentz afirma que
“Não acredito que da fusão com espécies radicalmente incapazes resulte uma raça sobre que se possa desenvolver a civilização. Será sempre uma cultura inferior, civilização de mulatos, eternos escravos em revoltas e quedas. Enquanto não se eliminar a raça que é o produto de tal fusão, a civilização será sempre um misterioso artifício, todos os minutos rotos pelo sensualismo, pela bestialidade e pelo servilismo inato do negro. O problema social para o progresso de uma região como o Brasil está na substituição de uma raça híbrida, como a dos mulatos, por europeus. A imigração não é simplesmente para o futuro da região do País um caso de simples estética, é antes de tudo uma questão complexa, que interessa o futuro humano.”
ARANHA, G.. Canaã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
O recorte do diálogo de Lentz apresenta visão sobre os resultados da miscigenação no Brasil que se contrapõe
à perspectiva sociológica de
Leia a matéria jornalística sobre caso de racismo, sofrido por expoente jogador de futebol, no Rio de Janeiro.
Gabigol depõe ao TJD e diz que não pretende deixar caso de racismo passar impune.
O jogador do Flamengo Gabriel Barbosa, o Gabigol, prestou depoimento de forma virtual ao Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ), na tarde desta sexta-feira (18), no inquérito que investiga as ofensas racistas contra o jogador. O atleta falou por cerca de uma hora, se mostrou indignado e afirmou que não pretende deixar o caso passar impune. No depoimento, ao qual a CNN teve acesso, Gabigol narrou os fatos ocorridos na partida, realizada no dia 6 de fevereiro, contra o Fluminense, no estádio Nilton Santos, o Engenhão. Ele disse que “no intervalo da partida, ainda em direção ao túnel que dá acesso ao vestiário, ouviu diversos xingamentos e palavras ofensivas, em especial gritos de ‘macaco”, direcionados a ele.
https://www.cnnbrasil.com.br/esporte/gabigol-depoe-ao-tjd-e-diz-que-nao-pretende-deixar-caso-de-racismo-passar-impune
Ao relacionar o caso recente de racismo, apresentado na matéria jornalística, à interpretação do sociólogo
Florestan Fernandes de que a sociedade brasileira não se configura como uma democracia racial, é correto
afirmar que
Segundo Silvio Almeida, em O que é Racismo estrutural?, existem três aspectos do racismo: o individual, o institucional e o estrutural. O racismo individual são atos efetivados pelos indivíduos que discriminam outras pessoas de raça diferente; o racismo institucional é a discriminação racial de instituições privadas e públicas dominadas por um tipo de raça, em ambiente institucional, no qual o poder de um grupo persevera; o racismo estrutural já é mais abrangente, caracterizando-se por uma sociedade que tem toda sua estrutura social, pessoas e instituições, de modo a privilegiar, apenas, uma classe.
A relação adequada entre tipo de racismo e a situação de discriminação é a seguinte:
A filósofa americana Angela Davis, discípula de Theodor Adorno e de Herbert Marcuse, desenvolveu uma filosofia prática para a transformação da realidade pela militância no combate às injustiças, principalmente, ao racismo aplicado às mulheres negras, constituído pelo capitalismo que produz um sistema discriminatório negativo a esse grupo.
O pensamento feminista de Angela Davis está contemplado na seguinte assertiva:
Para Hannah Arendt, o racismo é o fenômeno de fortalecimento da ideologia política do imperialismo europeu do século XVIII até o século XX, confirmado, principalmente, pela corrida territorial europeia para África. Esse predomínio da raça branca no território africano foi fundamentado a partir da utilização de teorias científicas que justificassem a aplicação da política imperialista e totalitarista na prescrição de uma ideologia supremacista.
A relação darwinismo e racismo, segundo Hannah Arendt, foi produzida, a partir da contribuição da teoria do darwinismo que