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    75 questões encontradas
    Os bons selvagens mirins

    Garotos podem ser maus? Embora a visão romantizada
    da infância sugira a existência de uma pureza primordial,
    crianças, como qualquer outro animal social, são capazes tanto
    de atitudes do mais profundo egoísmo ? de crueldade mesmo ?
    quanto de gestos altruístas. É um clássico caso de copo meio
    cheio ou meio vazio.
    E a pergunta interessante é: por que tanta gente deixa
    seletivamente de ver os fatos que não lhe convêm para sustentar
    o mito da infância angelical? Parte da resposta está na
    biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos
    de cuidadores. Estes serezinhos foram "desenhados" com
    características que exploram nossos vieses sensórios. Tais traços
    são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney.
    E, se essa é a base biológica do "amor às crianças",
    sobre ela passaram a operar poderosos fatores culturais, que
    reforçaram essa predisposição natural até torná-la uma ideologia.
    Enquanto bebês nasciam aos borbotões e morriam em proporções
    parecidas ? o que ocorreu durante 99,9% da história ?,
    víamos o óbito de filhos como algo, se não natural, ao menos
    esperado. Evitávamos investir tudo num único rebento. Com o
    surgimento da família burguesa, a partir do século 16, as coisas
    começaram a mudar. Ter um bebê e vê-lo chegar à idade adulta
    deixou de ser uma aposta temerária. Estava aberto o caminho
    para que o amor paterno pudesse prosperar.
    Foi nesse contexto que surgiram, no século 18, pedagogos
    como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que criou
    um novo conceito de infância. Jovens não deveriam ser apenas
    ensinados, mas educados, respeitando-se as especificidades de
    seu desenvolvimento natural. O problema é que essa ideia bastante
    plausível de Rousseau veio misturada com outras, menos
    razoáveis, como a balela de que o homem é originalmente bom,
    mas a sociedade o corrompe. Não foi preciso muito para que
    crianças virassem bons selvagens mirins, a encarnação da bondade
    primeva. O fato de Rousseau ter se tornado o filósofo mais
    influente da história, especialmente no pensamento de esquerda,
    só aumentou o vigor do mito e o tamanho do estrago
    provocado.

    (Hélio Schwartzman, Folha de S. Paulo)

    A expressão É um clássico caso de copo meio cheio ou meio vazio é utilizada, no contexto do primeiro parágrafo, para figurar a

    Você configurou para não ver comentários antes de resolver uma questão.

    Os bons selvagens mirins

    Garotos podem ser maus? Embora a visão romantizada
    da infância sugira a existência de uma pureza primordial,
    crianças, como qualquer outro animal social, são capazes tanto
    de atitudes do mais profundo egoísmo ? de crueldade mesmo ?
    quanto de gestos altruístas. É um clássico caso de copo meio
    cheio ou meio vazio.
    E a pergunta interessante é: por que tanta gente deixa
    seletivamente de ver os fatos que não lhe convêm para sustentar
    o mito da infância angelical? Parte da resposta está na
    biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos
    de cuidadores. Estes serezinhos foram "desenhados" com
    características que exploram nossos vieses sensórios. Tais traços
    são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney.
    E, se essa é a base biológica do "amor às crianças",
    sobre ela passaram a operar poderosos fatores culturais, que
    reforçaram essa predisposição natural até torná-la uma ideologia.
    Enquanto bebês nasciam aos borbotões e morriam em proporções
    parecidas ? o que ocorreu durante 99,9% da história ?,
    víamos o óbito de filhos como algo, se não natural, ao menos
    esperado. Evitávamos investir tudo num único rebento. Com o
    surgimento da família burguesa, a partir do século 16, as coisas
    começaram a mudar. Ter um bebê e vê-lo chegar à idade adulta
    deixou de ser uma aposta temerária. Estava aberto o caminho
    para que o amor paterno pudesse prosperar.
    Foi nesse contexto que surgiram, no século 18, pedagogos
    como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que criou
    um novo conceito de infância. Jovens não deveriam ser apenas
    ensinados, mas educados, respeitando-se as especificidades de
    seu desenvolvimento natural. O problema é que essa ideia bastante
    plausível de Rousseau veio misturada com outras, menos
    razoáveis, como a balela de que o homem é originalmente bom,
    mas a sociedade o corrompe. Não foi preciso muito para que
    crianças virassem bons selvagens mirins, a encarnação da bondade
    primeva. O fato de Rousseau ter se tornado o filósofo mais
    influente da história, especialmente no pensamento de esquerda,
    só aumentou o vigor do mito e o tamanho do estrago
    provocado.

    (Hélio Schwartzman, Folha de S. Paulo)

    No 2º parágrafo, afirma-se que os adultos,

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    Os bons selvagens mirins

    Garotos podem ser maus? Embora a visão romantizada
    da infância sugira a existência de uma pureza primordial,
    crianças, como qualquer outro animal social, são capazes tanto
    de atitudes do mais profundo egoísmo ? de crueldade mesmo ?
    quanto de gestos altruístas. É um clássico caso de copo meio
    cheio ou meio vazio.
    E a pergunta interessante é: por que tanta gente deixa
    seletivamente de ver os fatos que não lhe convêm para sustentar
    o mito da infância angelical? Parte da resposta está na
    biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos
    de cuidadores. Estes serezinhos foram "desenhados" com
    características que exploram nossos vieses sensórios. Tais traços
    são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney.
    E, se essa é a base biológica do "amor às crianças",
    sobre ela passaram a operar poderosos fatores culturais, que
    reforçaram essa predisposição natural até torná-la uma ideologia.
    Enquanto bebês nasciam aos borbotões e morriam em proporções
    parecidas ? o que ocorreu durante 99,9% da história ?,
    víamos o óbito de filhos como algo, se não natural, ao menos
    esperado. Evitávamos investir tudo num único rebento. Com o
    surgimento da família burguesa, a partir do século 16, as coisas
    começaram a mudar. Ter um bebê e vê-lo chegar à idade adulta
    deixou de ser uma aposta temerária. Estava aberto o caminho
    para que o amor paterno pudesse prosperar.
    Foi nesse contexto que surgiram, no século 18, pedagogos
    como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que criou
    um novo conceito de infância. Jovens não deveriam ser apenas
    ensinados, mas educados, respeitando-se as especificidades de
    seu desenvolvimento natural. O problema é que essa ideia bastante
    plausível de Rousseau veio misturada com outras, menos
    razoáveis, como a balela de que o homem é originalmente bom,
    mas a sociedade o corrompe. Não foi preciso muito para que
    crianças virassem bons selvagens mirins, a encarnação da bondade
    primeva. O fato de Rousseau ter se tornado o filósofo mais
    influente da história, especialmente no pensamento de esquerda,
    só aumentou o vigor do mito e o tamanho do estrago
    provocado.

    (Hélio Schwartzman, Folha de S. Paulo)

    Atente para as seguintes afirmações:

    I. No 3º parágrafo, considera-se que há razões de ordem biológica para que os adultos deixem de transformar em ideologia a idealização que promovem da infância.

    II. No 4º parágrafo, a convicção de Rousseau é referida em reforço da tese de que a criança não deve ser vista como um ser naturalmente puro.

    III. No 4º parágrafo, afirma-se que um novo conceito de infância, proposto por Rosseau, dizia respeito a novas práticas de educação.

    Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em

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    Os bons selvagens mirins

    Garotos podem ser maus? Embora a visão romantizada
    da infância sugira a existência de uma pureza primordial,
    crianças, como qualquer outro animal social, são capazes tanto
    de atitudes do mais profundo egoísmo ? de crueldade mesmo ?
    quanto de gestos altruístas. É um clássico caso de copo meio
    cheio ou meio vazio.
    E a pergunta interessante é: por que tanta gente deixa
    seletivamente de ver os fatos que não lhe convêm para sustentar
    o mito da infância angelical? Parte da resposta está na
    biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos
    de cuidadores. Estes serezinhos foram "desenhados" com
    características que exploram nossos vieses sensórios. Tais traços
    são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney.
    E, se essa é a base biológica do "amor às crianças",
    sobre ela passaram a operar poderosos fatores culturais, que
    reforçaram essa predisposição natural até torná-la uma ideologia.
    Enquanto bebês nasciam aos borbotões e morriam em proporções
    parecidas ? o que ocorreu durante 99,9% da história ?,
    víamos o óbito de filhos como algo, se não natural, ao menos
    esperado. Evitávamos investir tudo num único rebento. Com o
    surgimento da família burguesa, a partir do século 16, as coisas
    começaram a mudar. Ter um bebê e vê-lo chegar à idade adulta
    deixou de ser uma aposta temerária. Estava aberto o caminho
    para que o amor paterno pudesse prosperar.
    Foi nesse contexto que surgiram, no século 18, pedagogos
    como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que criou
    um novo conceito de infância. Jovens não deveriam ser apenas
    ensinados, mas educados, respeitando-se as especificidades de
    seu desenvolvimento natural. O problema é que essa ideia bastante
    plausível de Rousseau veio misturada com outras, menos
    razoáveis, como a balela de que o homem é originalmente bom,
    mas a sociedade o corrompe. Não foi preciso muito para que
    crianças virassem bons selvagens mirins, a encarnação da bondade
    primeva. O fato de Rousseau ter se tornado o filósofo mais
    influente da história, especialmente no pensamento de esquerda,
    só aumentou o vigor do mito e o tamanho do estrago
    provocado.

    (Hélio Schwartzman, Folha de S. Paulo)

    Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em:

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    Os bons selvagens mirins

    Garotos podem ser maus? Embora a visão romantizada
    da infância sugira a existência de uma pureza primordial,
    crianças, como qualquer outro animal social, são capazes tanto
    de atitudes do mais profundo egoísmo ? de crueldade mesmo ?
    quanto de gestos altruístas. É um clássico caso de copo meio
    cheio ou meio vazio.
    E a pergunta interessante é: por que tanta gente deixa
    seletivamente de ver os fatos que não lhe convêm para sustentar
    o mito da infância angelical? Parte da resposta está na
    biologia. Bebês e crianças comovem e mobilizam nossos instintos
    de cuidadores. Estes serezinhos foram "desenhados" com
    características que exploram nossos vieses sensórios. Tais traços
    são há décadas conhecidos de artistas como Walt Disney.
    E, se essa é a base biológica do "amor às crianças",
    sobre ela passaram a operar poderosos fatores culturais, que
    reforçaram essa predisposição natural até torná-la uma ideologia.
    Enquanto bebês nasciam aos borbotões e morriam em proporções
    parecidas ? o que ocorreu durante 99,9% da história ?,
    víamos o óbito de filhos como algo, se não natural, ao menos
    esperado. Evitávamos investir tudo num único rebento. Com o
    surgimento da família burguesa, a partir do século 16, as coisas
    começaram a mudar. Ter um bebê e vê-lo chegar à idade adulta
    deixou de ser uma aposta temerária. Estava aberto o caminho
    para que o amor paterno pudesse prosperar.
    Foi nesse contexto que surgiram, no século 18, pedagogos
    como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que criou
    um novo conceito de infância. Jovens não deveriam ser apenas
    ensinados, mas educados, respeitando-se as especificidades de
    seu desenvolvimento natural. O problema é que essa ideia bastante
    plausível de Rousseau veio misturada com outras, menos
    razoáveis, como a balela de que o homem é originalmente bom,
    mas a sociedade o corrompe. Não foi preciso muito para que
    crianças virassem bons selvagens mirins, a encarnação da bondade
    primeva. O fato de Rousseau ter se tornado o filósofo mais
    influente da história, especialmente no pensamento de esquerda,
    só aumentou o vigor do mito e o tamanho do estrago
    provocado.

    (Hélio Schwartzman, Folha de S. Paulo)

    As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

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