Questões de Concurso Nível superior

Foram encontradas 2.020.815 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4405160 Português
Leia o Texto II para responder à questão.
Texto II

AS TENSÕES INSTITUCIONAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR

    Janeiro sempre chega com água farta em Brasília. O céu fecha, a umidade sobe, as tempestades se formam rapidamente e, em poucas horas, o que parecia rotina vira alagamento. O curioso é que, no Brasil, esse padrão climático encontra um paralelo quase perfeito no funcionamento das instituições. Assim como a cidade parece precisar da chuva para se reorganizar, o sistema político nacional parece depender da crise para se mover. Parece que o país só reage quando o mau tempo se instala. Na bonança, as engrenagens rangem, a agenda emperra, o planejamento some do radar. Na tempestade, surgem decisões rápidas, pactos improvisados e uma coordenação que raramente se vê em tempos normais.
    O calendário ajuda a explicar. Janeiro é mês de recesso, transição administrativa e expectativas difusas. Mas também é quando problemas acumulados transbordam. Déficits ocultos reaparecem, crises regulatórias emergem, conflitos entre poderes ganham novo fôlego. A água que cai do céu funciona como metáfora de um sistema que só se dispõe a agir quando pressionado pelo risco imediato. O novo ano, contudo, não herda apenas os problemas de sempre. Herda a mais grave crise institucional desde o golpe militar de 1964 — uma crise que não eclodiu de repente, mas que vem se avolumando ao longo deste século, alimentada por tensões sucessivas entre os poderes, pela erosão da confiança nas instituições e por um modelo de governança que há muito dá sinais de esgotamento. O 8 de janeiro de 2023 foi apenas a erupção mais visível de um vulcão que já fumegava havia anos.
    Nesse cenário, a agenda legislativa de 2026 será decisivamente influenciada por dois vetores que se reforçam mutuamente: o conflito institucional ainda não resolvido e o ciclo eleitoral que se avizinha. Na prática, isso significa um Congresso em que cada ator cuida prioritariamente de si. Deputados e senadores calcularão cada voto pensando nas urnas. O Executivo medirá cada gesto pela repercussão na campanha. E o Judiciário seguirá oscilando entre a contenção e o protagonismo. Reformas de fundo tendem a ficar para depois. O Brasil se acostumou a governar no modo emergência. Reformas avançam apenas quando há colapso fiscal à vista. Ajustes institucionais só prosperam após escândalos ruidosos. A cooperação entre os poderes costuma surgir não por vocação, mas por medo do transbordamento. Passada a tormenta, volta a estiagem decisória: comissões esvaziam, projetos dormem, diagnósticos ficam nas gavetas. Esse vício tem custo alto. A previsibilidade se perde, o investimento recua, a confiança pública se desgasta. A exceção vira norma, e a regra perde autoridade. Governa-se pelo improviso, não pelo planejamento; pela urgência, não pela estratégia. Como em uma cidade que nunca investe em drenagem, prefere-se lidar com o alagamento a prevenir a enchente.
    As chuvas de janeiro, portanto, não são apenas um fenômeno meteorológico. Elas anunciam, simbolicamente, um ano em que as tensões institucionais tendem a se intensificar. O céu pesado sobre a Praça dos Três Poderes reflete um sistema que segue dependente da tempestade para funcionar. Enquanto o país não aprender a operar sob céu aberto — com instituições capazes de agir sem o empurrão da crise —, janeiro continuará sendo mais do que o início do ano. Será o prenúncio de novas tormentas políticas. E as águas de março, que fecham o verão, ainda estão por vir. Fonte: VEJA, 09/01/2026, edição nº 2977. 
No Texto II, o fenômeno das chuvas e suas implicações para as cidades, como Brasília, é tomado como parâmetro para tratar do funcionamento das instituições. No plano global, o autor se utiliza da comparação e da explicação no desenvolvimento da progressão temática, mas outras relações semânticas se estabelecem no texto.
Dados os fragmentos abaixo, retirados do segundo parágrafo, analise o sentido que se depreende da combinação das orações.
I- “Janeiro é mês de recesso, transição administrativa e expectativas difusas. // Mas também é quando problemas acumulados transbordam”.
II- “O novo ano [...]. Herda a mais grave crise institucional desde o golpe militar de 1964 — uma crise que não eclodiu de repente, // mas que vem se avolumando ao longo deste século, alimentada por tensões sucessivas entre os poderes [...] e por um modelo de governança que há muito dá sinais de esgotamento”.
O sentido viabilizado pelo uso do MAS TAMBÉM, em (I), e do MAS, em (II) é de: 
Alternativas
Q4405159 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Analise a veracidade das proposições a respeito das três estruturas oracionais expostas na sequência.
i. “[...] Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra -empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, [...].”
ii. “[...] A cada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem [...]”
iii. “[...] Olhou o trem, a composição pareceu -lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou -se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão.”

I- O uso da locução prepositiva “em meio a”, em (i), favoreceu o fenômeno da crase em “às rezas” e às vozes...” na primeira frase. Uma estrutura alternativa seria: “Cresceu no meio dos solavancos, das rezas, e das vozes dos bêbados, [...].
II- O verbo “desacostumar”, como empregado em (ii), é transitivo indireto. Esse verbo também tem uso como transitivo indireto pronominal, de modo que a frase resultante seria: “[...] Ardoca mais estranhava e se desacostumava da vida do trem.”
III- O verbo “encostar-se”, transitivo direto e indireto pronominal, se constrói com complemento locativo. Assim, em (iii), há um desvio gramatical, pois, segundo a norma padrão, a única estrutura aceita seria: “[...] encostou-se na parede do vagão e ... foi escorregando o corpo até chegar ao chão.”
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q4405158 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Os verbos se distinguem em “predicadores” e “não-predicadores”. No período abaixo, os verbos em destaque são ditos “predicadores”, por fazerem suas próprias exigências quanto à presença ou ausência de complemento, ao contrário de “querer”, usado como “verbo auxiliar”, portanto, “não-predicador”. 
“[...] (Ardoca) queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado.[...]” 
Observe o emprego dos verbos em destaque nas frases indicadas em cada uma das alternativas. Depois, assinale a alternativa que traz CORRETAMENTE um verbo que faz o mesmo tipo de exigência feita pelo verbo “PERMANECER”.
Alternativas
Q4405157 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Indique em qual das frases elencadas a seguir o pronome LHE é usado no lugar de outro, contrariando o que determina a norma padrão no que tange à regência verbal. 
Alternativas
Q4405156 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
As formas verbais – resolver, beber e decidir – em destaque no período abaixo transcrito estão conjugadas no pretérito mais que perfeito.
 “Naquela tarde, ainda no trabalho ele RESOLVERA tudo. Num gesto desesperado e solitário BEBERA lentamente um veneno e DECIDIRA levantar para morrer no trem.”
Identifique, nas estruturas oracionais expostas na sequência, aquela(s) em que há CORRETA utilização das formas verbais, que pode(m) substituir a versão original, mantendo a organização cronológica proposta no texto
I- “Naquela tarde, ainda no trabalho ele tinha resolvido tudo. Num gesto desesperado e solitário tinha bebido lentamente um veneno e decido levantar para morrer no trem.”
II- “Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvia tudo. Num gesto desesperado e solitário bebia lentamente um veneno e decidia levantar para morrer no trem.”
III- “Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolveria tudo. Num gesto desesperado e solitário beberia lentamente um veneno e decidiria levantar para morrer no trem.”
IV- “Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolveu tudo. Num gesto desesperado e solitário bebeu lentamente um veneno e decidiu levantar para morrer no trem.”
V- “Naquela tarde, ainda no trabalho ele havia resolvido tudo. Num gesto desesperado e solitário havia bebido lentamente um veneno e decidido levantar para morrer no trem.”
A alternativa que responde CORRETAMENTE é aquela que cita a(s) paráfrase(s) exposta(s) em:
Alternativas
Q4405155 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
No Texto I, há uma presença marcante de adjetivos, alguns dos quais referidos ao personagem Ardoca. Analise os contextos em que os adjetivos se apresentam nas frases a seguir e indique a função sintática assumida por eles.
I- “Assistiu inúmeras vezes, como testemunha CEGA e MUDA, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados”.
II- “Estava sempre ATENTO, TENSO, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir”.
III- “Ele se sentia CANSADO por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida”.
Os adjetivos em destaque têm, respectivamente, as funções de: 
Alternativas
Q4405154 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Avalie as asserções a respeito do conto “Ei, Ardoca!”, listadas a seguir.
I- Ao referir-se ao “barulhar” do trem, a autora alude não só ao ruído que emerge do atrito com a linha férrea, mas a toda agitação resultante da mistura de ações realizadas naquele recinto.
II- O 1º parágrafo é descritivo-narrativo, e mostra a difícil realidade vivida por muitos trabalhadores durante o percurso de casa para o trabalho no trem: superlotação, violência, pobreza, alvoroço e diferentes práticas sociais e culturais das.
III- O 1º parágrafo denuncia a vida precária do personagem central da narrativa, Ardoca, representada na tensão vivida por ele – o ruído do trem e tudo que o cerca cotidianamente –, situação que justifica o ato de desistir da vida, descrito no 2º parágrafo
IV- A descrição, no 3º parágrafo, da atitude do personagem que finge socorrer Ardoca, tem como propósito mostrar o perigo das amizades e a indiferença ao sofrimento do próximo como uma atitude generalizada no subúrbio.
V- O texto inicia e finaliza fazendo alusão ao barulho e a recorrência a termos da mesma esfera semântica, como: gritos, vozes, brados, entre outros, além de promover a unidade temática, consolida uma simbologia expressa na narrativa – a ideia de continuidade, repetição, rotina, e a perda de sentido existencial do personagem Ardoca.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4405153 Música

No coral de Bach abaixo temos cinco destaques numerados de I a V. 


Imagem associada para resolução da questão


Com base na análise dos destaques acima é CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q4405152 Música

Durante o século XX houve o desenvolvimento de muitas possibilidades inovadoras na música e, dentre elas, o contato mais íntimo com a música das comunidades africanas através de gravações de áudio. Esse fato influenciou muitos compositores eruditos a investir sua arte na produção de peças para percussão e, inspirados por esse novo universo estudaram, desenvolveram e aplicaram a polirritmia que estava presente além da África, em países do leste europeu, Índia, Bali, dentre outras culturas. Analise as três opções rítmicas abaixo:


Imagem associada para resolução da questão


Há presença de polirritmia apenas em: 

Alternativas
Q4405151 Música
Nas escalas menores – natural, harmônica e melódica – as alterações características promovem, também, alterações nos acordes decorrentes formados, gerando novas possibilidades harmônicas.
No que se refere aos graus que são diretamente afetados por essas alterações, analise as afirmações abaixo.
I- A escala menor natural não contém alterações diatônicas garantindo uma atmosfera modal associada ao modo eólio.
II- A única alteração de acorde na escala menor harmônica acontece na dominante que passa a ser maior.
III- As alterações de acordes na escala menor melódica podem ocorrem em todos os graus exceto a tônica.
IV- As alterações de acordes na escala menor harmônica ocorrem apenas nas funções mediante e sensível.
V- As alterações de acordes na escala menor melódica estão sempre presentes nas funções de sobretônica, mediante, sobredominante, dominante e sensível.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q4405150 Música
Durante os períodos Barroco e Clássico, as bases das regras tonais que ainda usamos hoje na maior parte das músicas eruditas e populares estiveram fundamentadas em composições cujas tonalidades dialogavam com outras tonalidades, estabelecendo as modulações que estão presentes principalmente a partir do estabelecimento da forma sonata durante o período clássico. As tonalidades mais propícias para a realização dessas modulações encontram-se nas denominadas tonalidades vizinhas ou próximas.
Com base nessas informações é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q4405149 Música

As melodias apresentadas na tabela abaixo, nos itens I, II, III e IV, foram compostas a partir de escalas diatônicas maiores e menores; possuem tonalidades diatônicas definidas e uma harmonia decorrente dos graus naturais das respectivas escalas.


Imagem associada para resolução da questão


Apartir das análises propostas nas opções acima, é CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q4405148 Música
Na escrita da música, muitas palavras advêm da língua italiana, posto que lá se desenvolveu a escrita musical histórica ocidental. Essa condição exportou os termos italianos para toda a Europa e, daí, para o mundo. Embora se utilizem termos em francês, italiano e alemão, a maioria do estudo, ensino e execução da música nas salas de concerto ainda adotam massivamente esses termos em italiano, razão pela qual é indispensável conhecê-los, apesar de hoje utilizarmos também termos em língua vernácula.
Nas alternativas abaixo apresentamos sinais de articulação e de andamento. Analise e escolha as opções adequadas.
I- Enérgico, deciso, pizzicatto e arco indicam sinais de articulação.
II- Tutti, glissando, legato, e tenuto, representam sinais de andamento.
III- Stringendo, grave, ritenuto e stretto indicam sinais de andamento.
IV- Staccatto, marcatto, sordino, e pesante, representam sinais de articulação.
V- Leggiero, spicatto, cantabile e smorzando representam sinais de andamento.
É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q4405147 Música

A melodia é um elemento musical que sugere em sua constituição o ritmo e as possibilidades de harmonia. Desse modo, os três elementos básicos da música se encontram entrelaçados e interdependentes. 

Imagem associada para resolução da questão


O estudo das melodias envolve o reconhecimento dos elementos que determinam a sua construção e permitem a análise promovendo o entendimento. Assim, observe e analise a melodia harmonizada acima e assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q4405146 Música
Numa comparação estre os graus modais e tonais das tonalidades de Sol bemol maior e Si bemol menor, podemos afirmar que os graus modais e tonais das duas tonalidades apresentam:
Alternativas
Q4405145 Música

Observe o gráfico abaixo no qual o eixo do X representa a duração de tempo e o eixo do Y representa a intensidade do som: 

Imagem associada para resolução da questão


As divisões desse exemplo de som musical estão representadas nas regiões acima identificadas em A, B, C, D. Com base na análise do gráfico desse som é CORRETO afirmar que as áreas referentes ao: 

Alternativas
Q4405144 Música

A figura abaixo apresenta o mesmo trecho musical escrito em várias claves e identificados nas pautas I, II, III, IV e V.


Imagem associada para resolução da questão


As alternativas que correspondem à transcrição uníssona estão CORRETAMENTE relacionadas apenas em: 

Alternativas
Q4405143 Música

No trecho musical abaixo estão identificados de 1 a 13 lugares onde as notas estão sujeitas a alterações que podem mudar a frequência do som para mais ou para menos um ou dois semitons. 


Imagem associada para resolução da questão


Após a análise das alterações destacadas no exemplo,marque a alternativa CORRETA. 

Alternativas
Q4405142 Música

Podemos ver na figura abaixo três intervalos musicais


Imagem associada para resolução da questão


Na análise desses intervalos, é CORRETO afirmar que: 

Alternativas
Q4405141 Música
No compasso 9/8, considerando a sua divisão normal predeterminada pela fórmula de compasso, temos inúmeras possibilidades de preenchimento desse compasso pela utilização de figuras de ritmo e/ou pausas.
Desse modo, é CORRETO afirmar que o compasso estará completamente preenchido pela utilização de:
Alternativas
Respostas
6921: E
6922: B
6923: C
6924: C
6925: B
6926: D
6927: E
6928: C
6929: B
6930: B
6931: C
6932: A
6933: C
6934: E
6935: E
6936: D
6937: D
6938: A
6939: E
6940: E