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Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723044 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

Peter Hulme afirmava ter sido, em vida passada, um/a

Alternativas
Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723043 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

No trecho “A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo.” (linha 33), o termo ceticismo significa


Alternativas
Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723042 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

O trecho “Contra todas as expectativas, ...” (linhas 9 e 10) leva a compreender que

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Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723041 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

A palavra que, no texto, pode ser substituída por enraizado/a (s) sem prejuízo para o significado é

Alternativas
Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723040 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

De acordo com o texto, a crença em reencarnação

Alternativas
Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723039 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

Em relação à ciência, infere-se da leitura do texto que

Alternativas
Ano: 2018 Banca: CEPS-UFPA Órgão: UNIFESSPA Prova: CEPS-UFPA - 2018 - UNIFESSPA - Redator |
Q2723038 Português

Reencarnação


1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário

2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:

3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não

4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma

5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também

6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e

8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram

9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra

10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando

11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett

12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas

13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não

14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto

15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar

16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga

18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De

19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças

20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase

21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do

22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de

23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de

25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um

26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela

27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento

28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam

29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas

30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e

31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de

32 suas crenças.

33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de

34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício

35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma

36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais

37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos

38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas

39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo

40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar

41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram

42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De

43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos

44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio

45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência

46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,

47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em

48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além

49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras

50 coincidências.

51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o

52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com

53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris

54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos

55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar

56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro

57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem

58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a

59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem

60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma

61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.


NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.

Edição 383-A, dez. 2017.

O texto de Igor Natusch aborda a “reencarnação” sem, contudo, se comprometer com a sua existência. Verifica-se esse fato em trechos como

Alternativas
Q2051955 Jornalismo

A pauta da reportagem no jornalismo online apresenta o seguinte roteiro:


(1) Indicação de fontes preliminares a serem ouvidas.

(2) Elementos webjornalísticos que serão utilizados para a construção da reportagem.

(3) Estrutura hipertextual preliminar.

(4) Título da reportagem.

(5) Indicação de nome de pessoa a ser entrevistada.

(6) Parágrafo de sete a dez linhas discorrendo sobre o aspecto da cidade que será enfocado e justificando-o.


A sequência numérica que ordena CORRETAMENTE o roteiro é:

Alternativas
Q2051954 Jornalismo

São características básicas do Jornalismo na internet:


(1) Hipertextualidade.

(2) Acessibilidade.

(3) Personalização de conteúdo.

(4) Interdiscursividade.

(5) Multimidialidade.


Estão CORRETOS os itens:

Alternativas
Q2051953 Comunicação Social
De acordo com Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, o jornalista, explicitamente, não pode:
(1) Disseminar informações falsas ou enganosas ou permitir a difusão de notícias que não possam ser comprovadas por meio de fatos conhecidos e demonstráveis.
(2) Impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de ideias.
(3) Permitir o exercício da profissão por pessoas não habilitadas.
(4) Deturpar ou apresentar de maneira capciosa elementos de pesquisa ou estatísticas.
(5) Submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação.
Estão CORRETOS os itens: 
Alternativas
Q2051952 Jornalismo
Sobre a terminologia do jornalismo, numere corretamente a coluna da direita de acordo a da esquerda.
(1) Assuntos mais destacados em uma reportagem. (2) Levantamento de informações para redação da matéria. (3) Esboço da página futura de um jornal ou revista. (4) Espaço ao lado do cabeçalho com informações variadas (5) Sequência de um assunto em edições seguintes do jornal.
( ) Espelho ( ) Orelha ( ) Suíte ( ) Apuração ( ) Abordagem
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2051951 Jornalismo
Em relação ao texto jornalístico para rádio, são recomendações para redatores, repórteres e editores:
(1) O uso do ontem no lead envelhece a notícia no rádio. (2) Evite os gerúndios, pois deixam as frases longas e enfraquecem o texto. (3) Os artigos devem ser suprimidos, especialmente nas manchetes. (4) A adjetivação reforça a densidade indispensável ao texto jornalístico. (5) Evite o lead com uma negativa, o que dificilmente interessará ao ouvinte.
Estão CORRETOS os itens:
Alternativas
Q2051950 Comunicação Social
A teoria que trata da construção da realidade engendrada pela mídia, a partir da seleção temática de assuntos que merecem ser discutidos publicamente, por serem portadores do status de notícia, se denomina: 
Alternativas
Q2051949 Comunicação Social
O lead que anuncia vários fatos importantes, abrindo a notícia, se denomina:
Alternativas
Q2051948 Comunicação Social

As três maiores vantagens dos jornais impressos sobre o rádio e a televisão são:


(1) Periodicidade

(2) Tempo

(3) Espaço

(4) Durabilidade

(5) Imediaticidade


Estão CORRETOS os itens:

Alternativas
Q2051947 Comunicação Social
Sobre a valorização dos elementos da notícia, numere corretamente a coluna da direita de acordo com a da esquerda:
(1) Com três tiros de revólver, Zequinha da Serra matou Jorge da Silva, casado, aposentado, residente à Rua Ubiraitá, 1.034, ontem às 21 horas, na esquina das ruas Imbiaçá com Ibirapitanga, porque a vítima, ao ser assaltada, tinha em sua carteira apenas uma nota de cinco reais. 
(2) Ontem às 21 horas, na esquina ruas Imbiaçá com Ibirapitanga, Zequinha da Serra matou, com três tiros de revólver, o aposentado Jorge da Silva, casado, residente à Rua Ubiraitá, 1.034, porque, ao assaltá-lo, encontrou em sua carteira apenas uma nota de cinco reais.
(3) Por haver encontrado apenas uma nota de cinco reais na carteira de Jorge da Silva, aposentado, residente à Rua Ubiraitá, 1.034, a quem assaltara, Zequinha da Serra o matou com três tiros de revólver, ontem às 21 horas, na esquina das ruas Imbiaçá com Ibirapitanga
(4) No cruzamento das ruas Imbiaçá com Ibirapitanga, Zequinha da Serra matou, ontem às 21 horas, com três tiros de revólver, Jorge da Silva, casado, aposentado, residente à Rua Ubiraitá, 1.034, porque, ao assaltá-lo, encontrou em sua carteira apenas uma cédula de cinco reais.
( ) Valorização do por que ( ) Valorização do como ( ) Valorização do onde ( ) Valorização do quando
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2051946 Comunicação Social
As expressões “cenas dantescas”, “branco como a neve”, “ilustre visitante”, “pobreza franciscana” e “última morada” devem ser evitadas no texto jornalístico por constituírem: 
Alternativas
Q2051945 Comunicação Social
Sobre os critérios de noticiabilidade, numere corretamente a coluna da direita de acordo a da esquerda.
(1) É um abalo moral, causado nas pessoas por acontecimentos chocantes ou impressionantes.
(2) Tudo o que se refere a pessoas importantes encontra interessados.
(3) Uma epidemia que ocorra na China ou no Japão será publicada com destaque se houver possibilidade de chegar ao Brasil.
(4) O que foge da rotina é interessante. 
(5) A impressa cobriu com destaque o trabalho de resgate do time Javalis Selvagens numa gruta da Tailândia.
( ) Consequências ( ) Impacto ( ) Raridade ( ) Interesse humano ( ) Proeminência
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2051944 Comunicação Social
O princípio “A divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas” fundamenta, corretamente,
Alternativas
Q2051941 Comunicação Social
Sobre a tipologia de releases, numere corretamente a coluna da direita de acordo a da esquerda.
(1) Predomina a informação sobre fatos, produtos e eventos.  (2) Geralmente maior, com depoimentos, fontes e contextualização. (3) Informa detalhes específicos de interesse da imprensa sobre um evento.  (4) Informa sobre fatos relativos a um evento já ocorrido aos veículos que não compareceram.  (5) Geralmente formatado em linguagem especializada. 
( ) Cobertura ( ) Padrão ( ) Segmentado ( ) Convocação ( ) Especial

A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
Alternativas
Respostas
11401: B
11402: E
11403: B
11404: C
11405: D
11406: C
11407: E
11408: D
11409: A
11410: C
11411: C
11412: B
11413: A
11414: A
11415: C
11416: B
11417: D
11418: X
11419: B
11420: X