Questões de Concurso
Para psicologia
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Considerando as perspectivas atuais e as controvérsias da atuação em psicologia escolar, julgue o item subsequente.
Um dos indicadores do perfil de psicólogo escolar alinhado
às perspectivas atuais é a promoção de uma cultura de
sucesso no ambiente escolar.
A prática profissional do psicólogo escolar deve ser norteada unicamente pelo conhecimento explícito, formalizado e fundamentado em uma perspectiva educacional.
Considerar a dimensão subjetiva da aprendizagem de alunos implica compreender que as dificuldades não surgem somente por impossibilidades intelectuais e envolvem sentidos subjetivos no processo de aprender que dificultam a sua realização, ou seja, a forma como os alunos subjetivam sua condição pode se tornar fonte geradora de produções subjetivas que desfavorecem a aprendizagem escolar.
A perspectiva inclusiva em uma sociedade excludente deve considerar tanto as possibilidades de acesso quanto as de sucesso escolar. Em uma perspectiva subjetiva da aprendizagem, os discursos das diferenças e dos direitos e a centralidade do diagnóstico constituem barreiras e riscos na conquista de novos níveis de aprendizagem e de seu desenvolvimento.
O desenvolvimento atípico caracteriza um diagnóstico específico de sintomas que evidencia a ocorrência de transtornos escolares, com causas primárias não reparáveis pelo sistema social de relações da criança.
A matrícula e a presença de crianças com deficiência nas salas de aula comuns podem ser consideradas um progresso: antes da democratização do ensino, as crianças com deficiência consideradas aptas à escolarização deveriam ser matriculadas nas escolas, enquanto aquelas direcionadas à meta mínima, que não apresentavam condições necessárias para a escolarização, deveriam ser atendidas apenas por serviços especializados.
O conjunto de normas legais proíbe a discriminação e segregação de alunos por motivo de deficiência, porém, no cotidiano escolar, continuam presentes ações restritivas que cerceiam as possibilidades de desenvolvimento dos alunos, como, por exemplo, a preponderância do uso de avaliações e testes para medir as capacidades em detrimento de avaliações contextualizadas acerca do desenvolvimento global.
Em termos macrossociais, o processo educacional está relacionado ao caráter excludente da educação obrigatória brasileira e a avanços em relação à (quase) universalização do ensino fundamental, sendo a democratização do acesso ao ensino definida pela apreensão quantitativa, pelos alunos, do conhecimento esperado pela escola.
De acordo com Vygotsky, a estimulação pedagógica da atividade criadora da criança deve ser orientada pela utilidade subjetiva da função da ação, com foco na satisfação livre das crianças, devendo a atividade criadora ser direcionada por qualquer estímulo arbitrário do meio ambiente. Assim, a criança escolhe livremente o que quer realizar, e isso possibilita o seu desenvolvimento no âmbito da cultura.
As crianças no período pré-escolar têm como atividade de criação típica o desenhar e o fazem mesmo sem ser estimuladas por um adulto; na idade escolar, o interesse pelo desenho é enfraquecido e a criação verbal e literária é a mais característica, o que apresenta grandes dificuldades, por possuir leis próprias que a criança precisa dominar.
Para Vygotsky, existem dois tipos fundamentais de atividades centrais no desenvolvimento humano: uma é reprodutiva, isto é, consiste em repetir formas de condutas precedentes que conservam a experiência anterior da vida humana; a outra é a atividade criadora de novas ações e imagens, na qual o cérebro faz combinações e reelaborações, o que faz erigirem novos comportamentos e situações.
Os sistemas de signos, como a escrita e o sistema numérico, representam instrumentos da cultura humana que a criança aprende por meio da memorização e acomodação em esquemas cognitivos que tendem a alcançar estabilidade na vida adulta.
As ideias de Vygotsky implicam compreender o desenvolvimento como um processo em movimento e em permanente transformação, no sentido de que as transformações na natureza do ser humano ocorrem tanto na vida material quanto na sociedade.
No materialismo dialético, o desenvolvimento é entendido como algo natural que ocorre dentro de uma previsibilidade e que se atualiza de acordo com a passagem do tempo cronológico: na educação, o desenvolvimento é o resultado de influências externas somadas a capacidades de maturação do organismo.
Em uma concepção operacional da aprendizagem, o processo de ensino ocorre por meio de estratégias pedagógicas baseadas em objetivos e técnicas centralizados na transmissão do conteúdo, estratégias essas que repercutem na aprendizagem do aluno e geram as condições necessárias para que a aprendizagem aconteça.
A compreensão contemporânea do ensino impacta o processo de ensino-aprendizagem, que tende a transbordar a clássica sala de aula, o que traz novas demandas para a qualidade das interações entre professores e alunos, deslocando as causas da problemática da aprendizagem do aluno para questões mais abrangentes no meio social e cultural.
Em uma concepção subjetiva do processo de ensino-aprendizagem, a relação estabelecida entre professor e aluno é central e as estratégias pedagógicas estão baseadas no processo comunicativo, sendo o diálogo entre eles o cerne da relação no processo de aprendizagem, o que enfatiza o papel ativo e criativo do professor e do aluno.
O processo de aprendizagem é definido pelos conteúdos do currículo escolar, por isso a ideia genérica de um modelo de aluno — um ser sem luz, no sentido etimológico da palavra — permite compreender esse indivíduo como repositório do saber do professor.
Conforme ideias importantes da teoria psicanalítica, em uma situação de ensino-aprendizagem, ocorre o fenômeno da transferência, configurada por uma relação emocional entre professor e aluno, que ultrapassa os limites conscientes e racionais.
Acerca dos pressupostos teóricos de diferentes autores da psicologia, julgue o item subsequente.
Conforme a teoria de Piaget, no desenvolvimento
sensório-motor, a criança passa por transformações
sensoriais que podem ser chamadas de revolução
copernicana, com a crescente heterogeneidade de esquemas,
de maneira que o próprio corpo fica descentralizado.