Questões de Concurso
Para pedagogia
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Considere a situação a seguir.
No primeiro dia de aula, o professor apresenta para a turma um circuito com quatro estações. Na primeira estação, os alunos terão que pegar uma bola de meia e acertar a bola em um alvo ora com a mão direita, ora com a mão esquerda; na segunda, terão que se deslocar por entre bambolês ou arcos com movimentos alternados de pernas; na terceira, terão que entrar e sair de dentro de uma grande caixa de papelão sem tocar com as costas na parte superior dela. Na quarta e última estação, terão que fixar no corpo, papéis, que se encontram misturados em uma urna, com os nomes estabelecendo a correspondência com as partes do corpo.
Essa dinâmica inicial de trabalho como um processo avaliativo diagnóstico refere-se à abordagem
Na Educação Física escolar, o esporte é um aliado no trabalho de construção da cidadania e do desenvolvimento da formação moral do sujeito.
Assim, considerando-se esse pressuposto, caracterizam, respectivamente, a fase da heteronomia e a fase da autonomia, as seguintes atitudes dos alunos frente às regras do jogo:
Considere que um professor tinha planejado uma aula em que os alunos teriam que fazer uma pirâmide humana. A turma era formada por 32 alunos que teriam a tarefa de fazer uma pirâmide de quatro andares, contando com a participação de todos eles, sem utilizar recurso material.
Essa atividade exemplifica uma situação em que se emprega a abordagem
A Serrinha, em Vaz Lobo, é uma comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro, próxima a Madureira. O jongo da Serrinha é uma dança tradicional de origem africana, dos pretos escravizados, que até hoje se faz presente nas festas e eventos específicos dessa comunidade, onde ocorrem as rodas de jongo. Numa escola situada nessa comunidade, quando o professor de Educação Física tematizar essa dança como conteúdo de ensino, estará considerando o local da escola e o enraizamento da comunidade à qual seus alunos pertencem, ministrando o ensino e possibilitando a reflexão sobre a dança do jongo.
Nessa proposta pedagógica que trabalha a partir da realidade dos alunos, o professor evidencia que trabalha considerando
Um professor de Educação Física planejou iniciar sua nova unidade de trabalho com o conteúdo temático dança. Em uma de suas aulas, ele pede para toda a turma realizar o primeiro movimento, deslocando-se livremente pela sala, e, sem parar a aula, ele inclui um novo movimento, no qual os alunos terão que fazer uma conexão para realizar a primeira sequência da coreografia. Os alunos continuam dançando as duas primeiras figuras coreográficas ao som da música, e o professor vai sinalizando, sempre durante a dança, o que eles precisam melhorar. As correções e os aperfeiçoamentos da dança são feitos sempre com os alunos dançando.
O modo pelo qual o professor conduz a atividade é característico do método
Em uma reunião pedagógica, o professor de Educação Física falou que estava organizando um festival de pipas, visto que trabalharia com os alunos o desenvolvimento da coordenação motora ampla e o brincar como forte elemento da cultura popular. Todos acharam uma excelente ideia e resolveram usar a pipa como um objeto comum de estudo a todas as demais disciplinas. Surgiu, então, o projeto “Pipa no ar, céu colorido”. No planejamento desse projeto, a equipe pedagógica organizou atividades que abrangem desde a origem milenar da pipa na China, que será trabalhada por História; o estudo em arte sobre as cores primárias e secundárias, que transformarão as pipas em “telas voadoras”; o cálculo da área do papel de seda em Matemática, até a prática de coordenação motora ao soltar pipa e a reflexão sobre o local seguro para soltar pipa.
Ao integrar esses diferentes componentes curriculares em torno de um único objeto de estudo, de forma que os conhecimentos de uma área auxiliem na compreensão de outra, a proposta pedagógica assume o caráter de ensino
Uma escola pública decidiu inserir práticas sustentáveis no cotidiano das aulas, com o objetivo de integrar aprendizagem acadêmica, responsabilidade social e uso racional de recursos. Em uma turma de ensino médio, a professora de Biologia propôs transformar a sala de aula em um espaço de gestão sustentável, envolvendo os estudantes nas decisões sobre consumo de materiais e de energia e sobre organização das atividades. A coordenação pedagógica solicitou que a proposta, além de ambientalmente responsável, contribuísse para o desenvolvimento econômico e social, estimulando autonomia, participação e competências úteis para a vida em sociedade.
Considerando-se esse contexto, a ação pedagógica, no ambiente da sala de aula, que exemplifica uma prática sustentável alinhada, simultaneamente, ao desenvolvimento econômico e social é
Em uma atividade de formação continuada, um grupo de professores de Biologia debate como a Alfabetização Científica, prevista nos PCN, e o Letramento Científico, da BNCC, podem subsidiar o exercício da cidadania. O grupo conclui que, para que o estudante possa atuar de forma consciente em uma sociedade tecnológica, o ensino de Biologia deve abandonar a visão da ciência como um corpo de verdades acabadas e neutras.
Para atingir esse objetivo pedagógico sob a ótica do movimento Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), o professor deve estruturar sua prática acadêmica de modo a
Numa atividade escolar em laboratório uma criança coloca a mão em uma superfície muito quente e a retira rapidamente. Depois de verificar que o aluno não havia se queimado, a professora aproveita para discutir como o corpo funciona de forma integrada.
No contexto apresentado, a professora deve explicar à turma que
Alfabetização e letramento matemáticos são processos distintos e complementares. A alfabetização matemática contempla a leitura e a escrita de números e símbolos, bem como o domínio de operações básicas. O letramento pressupõe o entendimento e a aplicação do conhecimento adquirido na alfabetização matemática, ou seja, a efetivação social desse conhecimento.
Considere as 3 atividades práticas a seguir, propostas para alunos de uma turma de 5o ano do Ensino Fundamental.
I - Comparar os preços de dois potes de geleia de mesma qualidade, um com 300g e o outro com 200g, e concluir qual deles apresenta melhor preço (considerando o valor cobrado por 1 kg de geleia em cada caso).
II - Efetuar a multiplicação de dois números naturais, cada um formado por três dígitos, utilizando o algoritmo da multiplicação.
III - Calcular as quantidades dos ingredientes necessários para fazer um bolo que sirva a 20 pessoas, tendo como base uma receita de bolo para servir 8 pessoas.
As atividades apresentadas correspondem, respectivamente, a:
Texto IV

LAERTE, @laertegenial. [s. l.]. Instagram, ago. 2020. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CjvOTsjsE_K/?igshid=MzRIODBiNWFIZA %3D%3D. Acesso em: 2 fev. 2026. Adaptado.
A tirinha de Laerte promove uma reflexão sobre os efeitos da leitura na formação do sujeito.
Visando à produção de sentidos, que protocolos de leitura devem ser adotados no trabalho com o referido texto em turmas de 5o ano do Ensino Fundamental?
TEXTO II
Dandara
A guerreira de Palmares
Na escola, uma menininha muito esperta e curiosa chamada Carolina olha atenta os livros que estão na prateleira da sala de leitura.
Carol, como é carinhosamente conhecida, gosta muito de histórias. Às vezes, passa horas folheando as páginas dos livros, observando as figuras ou brincando de ler para suas bonecas, momentos em que dá vida aos personagens.
Às sextas-feiras, as crianças podem escolher um livro da biblioteca e levar para casa. Numa delas, em meio a tantas princesas que vivem em reinos distantes, à espera de seus príncipes encantados, um outro tipo de história chama a atenção de Carol.
A menina chega em casa animada e, como alguém que possui algo muito precioso, vai logo mostrando o livro para a mãe:
– Olha, mamãe, o livro que eu trouxe da escola!
Teresa, com carinho, pega o livro e fala:
– Hum, é sobre Dandara, guerreira do Quilombo dos Palmares! Excelente escolha, filha!
Carol olha para a mãe e diz:
– Você lê para mim?!
As duas se sentam no sofá e se preparam para o início de uma grande aventura!
A história que vou contar agora é sobre uma linda garotinha chamada Dandara. Ela é muito esperta, inteligente e corajosa!
– Igual a você, Carol – diz Teresa, recebendo em troca um sorriso cativante.
Numa época em que muitos reis, rainhas, ferreiros, agricultores, mineradores, tecelões, escultores são trazidos à força da África para serem escravizados no Brasil, Dandara vive em liberdade no Quilombo dos Palmares.
– O que é um quilombo, mamãe?
– Os quilombos eram comunidades onde homens, mulheres e crianças lutavam contra as crueldades da escravização. Tinham muitos negros, mas também brancos e indígenas. Lá eles construíam suas casas, plantavam milho, batata doce, mandioca, criavam animais, faziam festas, cantavam e dançavam ao som de cantigas e tambores... Enfim, viviam livres e felizes, como na terra mãe distante: a África.
Dandara adora tomar banho de rio, correr pela mata e brincar com os animais da floresta. Esse é um momento de grande diversão e troca de energia!
Os mais velhos da comunidade sempre falam sobre o cuidado e o respeito que se deve ter com a natureza. À noite, em volta da fogueira, eles também contam as incríveis histórias de seus antepassados, transmitindo todo o seu conhecimento. As crianças ouvem tudo em silêncio, prestando muita atenção!
Com espírito combativo e justo, a menina tem a confiança de todos na comunidade. Entre as crianças, até mesmo as de mais idade, é ela quem organiza as brincadeiras e as atividades diárias.
O tempo passa, Dandara cresce e se torna uma grande guerreira.
Obstinada em garantir a liberdade de seus irmãos e irmãs, Dandara começa a liderá-los em defesa do quilombo. Ela sabe que Palmares corre perigo, pois a ganância de certos homens está desestabilizando o equilíbrio do mundo.
Certo dia, de uma hora para outra, raios, ventos e tempestades começam a tomar o céu, agitando as palmeiras que balançam no ar.
A ventania traz consigo uma mensagem! Um jovem chamado Akin, com muita dificuldade, atravessa a mata fechada e chega ao quilombo com a notícia de que homens perversos estão avançando em direção à comunidade.
Dandara imediatamente reúne as guerreiras e os guerreiros e, juntos, começam a traçar as estratégias de resistência.
Os quilombolas, além de muito habilidosos nos combates, conhecem bem as matas da região. Usando isso a seu favor, eles conseguem corajosamente impedir os inimigos de chegarem a Palmares.
À noite, enquanto comemorava mais uma vitória contra aqueles que querem destruir o quilombo, Dandara agradece a proteção de seus ancestrais e pensa: quando Obatalá criou os homens e as mulheres, ele os fez livres e iguais. A liberdade é o que temos de mais precioso e ninguém pode tirá-la de nós.
Alguns dias depois, Dandara convoca as guerreiras e os guerreiros para uma missão muito importante. Consciente e determinada, a heroína sabe que sua liberdade, assim como a dos demais moradores do quilombo, só terá sentido quando todos os seus irmãos e irmãs negros também forem livres.
Dandara olha firme para seus companheiros e diz:
– Nós só seremos livres de verdade quando o nosso povo não for mais escravizado. Precisamos agir!
O plano de Dandara é libertar os escravizados de um engenho de açúcar da região.
Ao anoitecer, os quilombolas, liderados por ela e por Zumbi, seu companheiro de vida e de luta, chegam ao local. Os escravizados dormem nas senzalas, vigiados pelo feitor.
O vento, que soprava leve e agradável, de repente se agita. É a deusa dos raios, dos ventos e das tempestades e o deus da guerra que se aproximam para proteger os valorosos guerreiros!
Com a ventania, as tochas que iluminam a fazenda se apagam. Os quilombolas, mesmo com a oposição dos capangas, conseguem abrir as senzalas e todos seguem para Palmares.
– LIBERDADE!
No quilombo, tudo é compartilhado: a terra, os alimentos, mas principalmente o sonho de LIBERDADE, o qual é o tempo todo ameaçado por aqueles que atacam a comunidade. Dandara sabe disso e teme por sua família e por seus irmãos.
Certa noite, a guerreira não consegue descansar. Levanta-se, olha para Zumbi e para seus filhos. Todos dormem. Dandara sai da sua casa e caminha em direção à floresta. Lá, ela recuperaria suas energias para a batalha que se anunciava.
Ainda antes do amanhecer, Dandara e Zumbi recebem de Acaiuba a notícia de que Palmares está cercado pelos inimigos.
– Meus irmãos e irmãs... – diz Dandara a seus companheiros, que a olham com muita admiração, respeito e confiança.
– Há tempos estamos protegendo essa comunidade daqueles que querem nos escravizar e nos obrigar a trabalhar de forma desumana para sua riqueza. Mas nós não iremos aceitar! Nunca abriremos mão de nossa liberdade! NUNCA!
– LIBERDADE! LIBERDADE! – gritam os guerreiros.
Dandara lutou, lutou, lutou com muita força e coragem... por ela, por sua família e pelo seu povo negro. Seu espírito corajoso e guerreiro era livre, livre como o vento, e deixou muitas sementes plantadas por ali.
– Por isso, sua incansável luta pela liberdade continua viva até hoje, mesmo com a destruição do quilombo. Inspirando muitos homens, mulheres e crianças negras – diz Teresa, encerrando a história.
– Uau!!! Que incrível heroína foi Dandara! Podemos ler de novo quando o papai chegar? – Diz Carol, emocionada.
Teresa apenas sorri, observando a filha, que repete, pausadamente:
– Li-ber-da-de!
OLIVEIRA, Janaína. Dandara, a guerreira de Palmares. Pereira Barreto: A Arte da Palavra, 2022.
O Texto II é a narrativa integral do livro Dandara, a guerreira de Palmares, da escritora Janaína Oliveira.
Com vistas à formação do leitor literário nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que critérios justificam adequadamente a seleção dessa obra para turmas de 2o e 3o anos?
Texto I
A importância do ato de ler
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.
No Texto I, Paulo Freire tece uma sutil crítica à ideia de “escolarização”: “Primeiro, a ‘leitura’ do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da ‘palavramundo’.” (parágrafo 2)
De acordo com o pressuposto defendido pelo educador, que atividade de leitura literária seria adequada ao conceito de “palavramundo” nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental?
Texto I
A importância do ato de ler
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.
A educação, como prática social, jamais ocorre em um vácuo de neutralidade. Toda proposta de ensino carrega consigo, implícita ou explicitamente, um projeto de sociedade e um projeto de ser humano que se deseja formar. Sendo assim, no Brasil, a partir do final da década de 1960 e durante a década de 1970, a política educacional foi fortemente marcada pela concepção tecnicista de educação.
Dentre os principais aspectos que justificavam a hegemonia dessa concepção no planejamento do ensino brasileira daquela época, destaca-se a(o)
Considere o diálogo a seguir.
Antonio: [...] No ensino esqueceram-se das perguntas, tanto o professor como o aluno esqueceram-nas, e no meu entender todo conhecimento começa pela pergunta. [...]
Paulo: [...] Creio que a repressão à pergunta é uma dimensão apenas da repressão maior – a repressão ao ser inteiro, à sua expressividade em suas relações no mundo e com o mundo
FREIRE, Paulo; FAUNDEZ, Antonio. Por uma pedagogia da pergunta. 8. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2017. p.67-68. Adaptado.
Nesse contexto, Paulo Freire e Antonio Faundez defendem que, nos processos de ensinar e de educar, os educadores devem
Uma aluna do 2o ano do Ensino Fundamental chegou à escola com um “boneco de alpiste” feito em casa com sua família. As crianças ficaram curiosas e perguntaram: “Será que o ‘cabelo’ dele vai crescer?”. Percebendo o interesse dos alunos, a professora sugeriu que a turma registrasse, dia a dia, as observações do crescimento do alpiste em um quadro de acompanhamento coletivo.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), essa proposta se relaciona, principalmente, à seguinte habilidade específica do Ensino Fundamental de Língua Portuguesa:
Considere a situação a seguir.
A professora do 3º ano ia começar a contar uma história, quando uma criança falou:
— Olha, professora, a lagartixa aqui na parede!
Os alunos ficaram eufóricos e correram para observar de perto a lagartixa.
Percebendo o interesse das crianças, a professora guardou o livro e foi orientando a conversa. Os alunos compartilharam suas dúvidas e seus conhecimentos sobre lagartixas e fizeram muitas perguntas sobre esse animal. A professora foi registrando as curiosidades que surgiram no quadro. A partir daí, teve início um projeto de trabalho sobre animais, gerando muitas descobertas, troca de experiências e ampliação do conhecimento.
A situação apresentada caracteriza uma prática pedagógica que se organiza a partir da concepção de currículo como
Um aluno do 3o ano do Ensino Fundamental estava desenhando uma casa que incluía um para-raios. Um colega observava e disse que também queria desenhar uma casa com para-raios. O menino foi explicando o modo como fazer, e o colega conseguiu, ficando muito satisfeito. Em uma situação anterior, aquele aluno que ensinou ao colega tinha sido auxiliado por outro quando estava aprendendo a desenhar casas. Agora era sua vez de ensinar.
De acordo com a teoria histórico-cultural de Vygotski, a relação entre desenvolvimento e aprendizagem na escola se dá por meio de
Uma das alternativas para a Educação Musical Inclusiva é o Ensino Colaborativo, que envolve o trabalho em sala de aula entre o professor Regente e o professor de Educação Especial e é baseado na abordagem social da deficiência, ou seja, pressupõe que a escola deve ser transformada para atender os estudantes, e não o contrário.
Nesse contexto, constata-se que o Ensino Colaborativo propõe que