Questões de Concurso Para letras

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Q4011741 Português
Leia o trecho abaixo.
Ao receber a solicitação, o servidor verificou que o pedido era pertinente e que sua análise deveria ser feita com prioridade.
No contexto da frase, a palavra pertinente significa:
Alternativas
Q4011740 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Em ambientes de trabalho, a comunicação eficiente não depende apenas de falar corretamente, mas também de compreender o que o outro diz, o contexto em que diz e a finalidade da mensagem. Uma orientação mal interpretada pode gerar retrabalho, atrasos e falhas evitáveis. Por isso, ler com atenção não é atitude passiva, mas prática indispensável para a boa execução das tarefas.

Com base no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4011739 Português
Analise as orações abaixo.
I. Devem-se pensar em todas as estratégias contra Esparta. II. Devem-se analisar todas as táticas da frota ateniense.
A concordância está correta em:
Alternativas
Q4011738 Português
Indique a alternativa cuja concordância verbal seja igual à utilizada na frase “Faz oito anos que visitei Pirenópolis”.
Alternativas
Q4011647 Português

Considere os enunciados a seguir, todos hipoteticamente extraídos de um relatório técnico-científico, e avalie-os à luz da norma-padrão da língua portuguesa, no que se refere à concordância nominal e à concordância verbal, inclusive em construções com sujeito posposto, expressões partitivas, núcleos complexos e predicativos deslocados.


Marque a alternativa correta.

Alternativas
Q4011646 Português

Leia o texto a seguir.


“O que encontrei lá dentro, porém, mudou tudo, deixando-me sem fôlego.”


Considere que esse enunciado, quando inserido em um texto narrativo contemporâneo, pode dialogar implicitamente com uma tradição literária que explora a descoberta súbita como elemento estruturante da narrativa, recorrente em contos de mistério, romances psicológicos e narrativas de formação. Tal construção remete a outros textos nos quais o clímax se organiza a partir da revelação de um objeto, de uma informação ou de um segredo capaz de reconfigurar a percepção do narrador sobre si mesmo e sobre o mundo. A partir dessas considerações, assinale a alternativa correta quanto ao fenômeno da intertextualidade e às relações que se estabelecem entre textos.

Alternativas
Q4011644 Português

Considere a situação a seguir.


Carlos teve de refazer um relatório porque os dados estavam errados. Irritado com o empecilho, comentou que “quebrou a cara” com o trabalho e foi ao banco resolver pendências antes de voltar ao escritório.


Com base nos mecanismos semânticos da língua portuguesa, indique a alternativa correta.

Alternativas
Q4011643 Português

Com base no trecho apresentado a seguir, assinale a alternativa correta acerca do emprego e dos efeitos de sentido dos sinais de pontuação.


A velha escrivaninha, herdada de meu avô, guardava muitos segredos; no entanto, nenhum parecia tão instigante quanto a pequena gaveta trancada. Olhei em volta: a sala estava silenciosa, a poeira dançava no ar e a luz da tarde diminuía. Minhas mãos tremiam, sentindo a frieza do metal, quando decidi abrir o compartimento secreto. — Será que contém cartas de amor, mapas antigos ou apenas memórias esquecidas? — sussurrei para mim mesmo. O que encontrei lá dentro, porém, mudou tudo, deixando-me sem fôlego.

Alternativas
Q4011642 Português

Mudanças Climáticas e Eventos Atmosféricos: A Frente Fria Pós-Carnaval e Seus Efeitos no Brasil



    Nos dias subsequentes ao Carnaval de 2026, o Brasil passou por uma mudança significativa no padrão meteorológico devido ao avanço de uma frente fria que rompeu o regime de clima quente e estável característico dessa época do ano. Durante o período festivo, grande parte do território nacional experimentou tempo predominantemente ensolarado, altas temperaturas e baixa instabilidade atmosférica.

    A chegada dessa frente fria desencadeou alterações relevantes na dinâmica atmosférica, promovendo aumento da nebulosidade, queda gradual das temperaturas e elevação do risco de temporais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Tais frentes configuram-se como importantes mecanismos de reorganização climática, resultantes do avanço de massas de ar frio sobre áreas previamente aquecidas.

    Do ponto de vista ecológico, a mudança abrupta nas condições climáticas impacta diretamente os ecossistemas terrestres e aquáticos. A intensificação das chuvas interfere no ciclo hidrológico, no transporte de nutrientes e na estabilidade do solo, afetando comunidades biológicas sensíveis às variações térmicas e pluviométricas.

    Além disso, a redução das temperaturas máximas influencia processos fisiológicos de plantas e animais, podendo alterar ciclos reprodutivos, padrões de crescimento e estratégias adaptativas. Esses efeitos evidenciam a estreita relação entre eventos atmosféricos e respostas biológicas em ambientes naturais.

    O aumento do risco de temporais exige atenção das autoridades ambientais e de defesa civil, uma vez que precipitações intensas podem ocasionar alagamentos, erosões e deslizamentos. O monitoramento meteorológico contínuo torna-se, assim, ferramenta indispensável para a mitigação de impactos socioambientais.

    Em síntese, a frente fria observada após o Carnaval de 2026 ilustra a complexidade das interações entre atmosfera e biosfera. A compreensão científica desses eventos contribui para o aprimoramento das previsões climáticas e para a formulação de estratégias de conservação ambiental.



Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/19/frente-fria-muda-o-tempo-apos-carnaval-de-sol-e-calor-e-eleva-risco-de-temporais.ghtml. Adaptado. Acesso em: 19 fev. 2026. 

Considerando o texto apresentado, bem como os efeitos sintáticos, semânticos e discursivos produzidos pelo emprego dos sinais de pontuação, marque a alternativa correta, à luz da norma-padrão da língua portuguesa e das convenções do texto científico-informativo.
Alternativas
Q4011641 Português

Mudanças Climáticas e Eventos Atmosféricos: A Frente Fria Pós-Carnaval e Seus Efeitos no Brasil



    Nos dias subsequentes ao Carnaval de 2026, o Brasil passou por uma mudança significativa no padrão meteorológico devido ao avanço de uma frente fria que rompeu o regime de clima quente e estável característico dessa época do ano. Durante o período festivo, grande parte do território nacional experimentou tempo predominantemente ensolarado, altas temperaturas e baixa instabilidade atmosférica.

    A chegada dessa frente fria desencadeou alterações relevantes na dinâmica atmosférica, promovendo aumento da nebulosidade, queda gradual das temperaturas e elevação do risco de temporais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Tais frentes configuram-se como importantes mecanismos de reorganização climática, resultantes do avanço de massas de ar frio sobre áreas previamente aquecidas.

    Do ponto de vista ecológico, a mudança abrupta nas condições climáticas impacta diretamente os ecossistemas terrestres e aquáticos. A intensificação das chuvas interfere no ciclo hidrológico, no transporte de nutrientes e na estabilidade do solo, afetando comunidades biológicas sensíveis às variações térmicas e pluviométricas.

    Além disso, a redução das temperaturas máximas influencia processos fisiológicos de plantas e animais, podendo alterar ciclos reprodutivos, padrões de crescimento e estratégias adaptativas. Esses efeitos evidenciam a estreita relação entre eventos atmosféricos e respostas biológicas em ambientes naturais.

    O aumento do risco de temporais exige atenção das autoridades ambientais e de defesa civil, uma vez que precipitações intensas podem ocasionar alagamentos, erosões e deslizamentos. O monitoramento meteorológico contínuo torna-se, assim, ferramenta indispensável para a mitigação de impactos socioambientais.

    Em síntese, a frente fria observada após o Carnaval de 2026 ilustra a complexidade das interações entre atmosfera e biosfera. A compreensão científica desses eventos contribui para o aprimoramento das previsões climáticas e para a formulação de estratégias de conservação ambiental.



Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/19/frente-fria-muda-o-tempo-apos-carnaval-de-sol-e-calor-e-eleva-risco-de-temporais.ghtml. Adaptado. Acesso em: 19 fev. 2026. 

Com base no texto, indique a alternativa em que a colocação do pronome átono está correta, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, considerando as exceções e restrições sintáticas aplicáveis.
Alternativas
Q4011640 Português

Mudanças Climáticas e Eventos Atmosféricos: A Frente Fria Pós-Carnaval e Seus Efeitos no Brasil



    Nos dias subsequentes ao Carnaval de 2026, o Brasil passou por uma mudança significativa no padrão meteorológico devido ao avanço de uma frente fria que rompeu o regime de clima quente e estável característico dessa época do ano. Durante o período festivo, grande parte do território nacional experimentou tempo predominantemente ensolarado, altas temperaturas e baixa instabilidade atmosférica.

    A chegada dessa frente fria desencadeou alterações relevantes na dinâmica atmosférica, promovendo aumento da nebulosidade, queda gradual das temperaturas e elevação do risco de temporais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Tais frentes configuram-se como importantes mecanismos de reorganização climática, resultantes do avanço de massas de ar frio sobre áreas previamente aquecidas.

    Do ponto de vista ecológico, a mudança abrupta nas condições climáticas impacta diretamente os ecossistemas terrestres e aquáticos. A intensificação das chuvas interfere no ciclo hidrológico, no transporte de nutrientes e na estabilidade do solo, afetando comunidades biológicas sensíveis às variações térmicas e pluviométricas.

    Além disso, a redução das temperaturas máximas influencia processos fisiológicos de plantas e animais, podendo alterar ciclos reprodutivos, padrões de crescimento e estratégias adaptativas. Esses efeitos evidenciam a estreita relação entre eventos atmosféricos e respostas biológicas em ambientes naturais.

    O aumento do risco de temporais exige atenção das autoridades ambientais e de defesa civil, uma vez que precipitações intensas podem ocasionar alagamentos, erosões e deslizamentos. O monitoramento meteorológico contínuo torna-se, assim, ferramenta indispensável para a mitigação de impactos socioambientais.

    Em síntese, a frente fria observada após o Carnaval de 2026 ilustra a complexidade das interações entre atmosfera e biosfera. A compreensão científica desses eventos contribui para o aprimoramento das previsões climáticas e para a formulação de estratégias de conservação ambiental.



Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/19/frente-fria-muda-o-tempo-apos-carnaval-de-sol-e-calor-e-eleva-risco-de-temporais.ghtml. Adaptado. Acesso em: 19 fev. 2026. 

Considerando o texto-base e as normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, bem como as exigências de correção linguística aplicáveis à redação institucional de alto nível, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4011639 Português

Mudanças Climáticas e Eventos Atmosféricos: A Frente Fria Pós-Carnaval e Seus Efeitos no Brasil



    Nos dias subsequentes ao Carnaval de 2026, o Brasil passou por uma mudança significativa no padrão meteorológico devido ao avanço de uma frente fria que rompeu o regime de clima quente e estável característico dessa época do ano. Durante o período festivo, grande parte do território nacional experimentou tempo predominantemente ensolarado, altas temperaturas e baixa instabilidade atmosférica.

    A chegada dessa frente fria desencadeou alterações relevantes na dinâmica atmosférica, promovendo aumento da nebulosidade, queda gradual das temperaturas e elevação do risco de temporais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Tais frentes configuram-se como importantes mecanismos de reorganização climática, resultantes do avanço de massas de ar frio sobre áreas previamente aquecidas.

    Do ponto de vista ecológico, a mudança abrupta nas condições climáticas impacta diretamente os ecossistemas terrestres e aquáticos. A intensificação das chuvas interfere no ciclo hidrológico, no transporte de nutrientes e na estabilidade do solo, afetando comunidades biológicas sensíveis às variações térmicas e pluviométricas.

    Além disso, a redução das temperaturas máximas influencia processos fisiológicos de plantas e animais, podendo alterar ciclos reprodutivos, padrões de crescimento e estratégias adaptativas. Esses efeitos evidenciam a estreita relação entre eventos atmosféricos e respostas biológicas em ambientes naturais.

    O aumento do risco de temporais exige atenção das autoridades ambientais e de defesa civil, uma vez que precipitações intensas podem ocasionar alagamentos, erosões e deslizamentos. O monitoramento meteorológico contínuo torna-se, assim, ferramenta indispensável para a mitigação de impactos socioambientais.

    Em síntese, a frente fria observada após o Carnaval de 2026 ilustra a complexidade das interações entre atmosfera e biosfera. A compreensão científica desses eventos contribui para o aprimoramento das previsões climáticas e para a formulação de estratégias de conservação ambiental.



Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/19/frente-fria-muda-o-tempo-apos-carnaval-de-sol-e-calor-e-eleva-risco-de-temporais.ghtml. Adaptado. Acesso em: 19 fev. 2026. 

Considerando as características estruturais, a finalidade comunicativa e o tratamento dado às informações científicas no texto, marque a alternativa que identifica corretamente o gênero textual predominante.
Alternativas
Q4011638 Português

Mudanças Climáticas e Eventos Atmosféricos: A Frente Fria Pós-Carnaval e Seus Efeitos no Brasil



    Nos dias subsequentes ao Carnaval de 2026, o Brasil passou por uma mudança significativa no padrão meteorológico devido ao avanço de uma frente fria que rompeu o regime de clima quente e estável característico dessa época do ano. Durante o período festivo, grande parte do território nacional experimentou tempo predominantemente ensolarado, altas temperaturas e baixa instabilidade atmosférica.

    A chegada dessa frente fria desencadeou alterações relevantes na dinâmica atmosférica, promovendo aumento da nebulosidade, queda gradual das temperaturas e elevação do risco de temporais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Tais frentes configuram-se como importantes mecanismos de reorganização climática, resultantes do avanço de massas de ar frio sobre áreas previamente aquecidas.

    Do ponto de vista ecológico, a mudança abrupta nas condições climáticas impacta diretamente os ecossistemas terrestres e aquáticos. A intensificação das chuvas interfere no ciclo hidrológico, no transporte de nutrientes e na estabilidade do solo, afetando comunidades biológicas sensíveis às variações térmicas e pluviométricas.

    Além disso, a redução das temperaturas máximas influencia processos fisiológicos de plantas e animais, podendo alterar ciclos reprodutivos, padrões de crescimento e estratégias adaptativas. Esses efeitos evidenciam a estreita relação entre eventos atmosféricos e respostas biológicas em ambientes naturais.

    O aumento do risco de temporais exige atenção das autoridades ambientais e de defesa civil, uma vez que precipitações intensas podem ocasionar alagamentos, erosões e deslizamentos. O monitoramento meteorológico contínuo torna-se, assim, ferramenta indispensável para a mitigação de impactos socioambientais.

    Em síntese, a frente fria observada após o Carnaval de 2026 ilustra a complexidade das interações entre atmosfera e biosfera. A compreensão científica desses eventos contribui para o aprimoramento das previsões climáticas e para a formulação de estratégias de conservação ambiental.



Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/02/19/frente-fria-muda-o-tempo-apos-carnaval-de-sol-e-calor-e-eleva-risco-de-temporais.ghtml. Adaptado. Acesso em: 19 fev. 2026. 

Considerando a progressão temática do texto, a articulação entre os aspectos meteorológicos e ecológicos e a conclusão apresentada pelo autor, assinale a alternativa que sintetiza, de forma mais abrangente e fiel, a ideia central desenvolvida no texto.
Alternativas
Q4011485 Redação Oficial
De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, o endereçamento nos documentos oficiais constitui elemento essencial da Redação Oficial, pois identifica corretamente o destinatário da comunicação administrativa e assegura o respeito à hierarquia, à formalidade e à impessoalidade próprias dos atos do poder público.

Considerando as normas estabelecidas pelo Manual para o endereçamento de documentos oficiais, analise as afirmações a seguir:

I. O endereçamento deve conter o cargo da autoridade destinatária, grafado com inicial maiúscula, seguido do nome do órgão ou entidade, evitando-se o uso do nome da pessoa que ocupa o cargo.
II. Em comunicações oficiais, o tratamento protocolar (“Senhor”, “Senhora”) integra o endereçamento e deve estar adequado ao cargo do destinatário.
III. O uso de abreviaturas no endereçamento é admitido, desde que consagrado pelo uso administrativo e não comprometa a clareza do documento.
IV. O endereçamento deve sempre mencionar o local completo (rua, número, bairro e CEP), independentemente do tipo de documento ou da tramitação interna ou externa.
V. O correto endereçamento contribui para a eficiência administrativa, a tramitação adequada do documento e a observância do princípio da hierarquia no serviço público.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4011484 Redação Oficial
De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, a Redação Oficial deve atender a princípios que assegurem a uniformidade, a clareza e a impessoalidade na comunicação administrativa, uma vez que os atos e comunicações do poder público não expressam a vontade individual do agente, mas a posição institucional do Estado.

Considerando os fundamentos da Redação Oficial e sua aplicação prática nos órgãos públicos, analise as afirmações a seguir:

I. A impessoalidade na Redação Oficial decorre do princípio constitucional da impessoalidade e se manifesta, entre outros aspectos, pela ausência de marcas de subjetividade, opiniões pessoais ou tratamento informal.
II. A clareza e a concisão são princípios complementares, pois a comunicação oficial deve transmitir a informação necessária com precisão, evitando ambiguidades, excessos vocabulares e construções rebuscadas.
III. A formalidade na Redação Oficial autoriza o uso de linguagem excessivamente técnica ou arcaica, ainda que comprometa a compreensão do texto pelo destinatário.
IV. A padronização dos documentos oficiais contribui para a eficiência administrativa, facilitando a leitura, a tramitação e o arquivamento dos expedientes.
V. O uso da norma-padrão da língua portuguesa é facultativo na Redação Oficial, desde que o texto cumpra sua finalidade comunicativa.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4011362 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta! O som representado pelo "ç" na palavra esbagaçou é o som de /s/. A cedilha (ç) é um sinal diacrítico usado para atribuir a sonoridade de "s" à letra "c" antes das vogais. Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam o mesmo som de /s/ independentemente da grafia:
Alternativas
Q4011361 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

"Não posso dar o bote perdido." A análise sintática detalhada e correta dos termos desse fragmento encontra erro em:
Alternativas
Q4011360 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

Batendo o barro da roupa, passada à lama.

O uso do acento grave justifica-se pela regência do termo anterior: O particípio "passada", ao indicar que algo foi submetido ou exposto a um estado ou substância, exige a preposição "a".
Presença do artigo A: A palavra lama" é um substantivo feminino que admite o artigo definido "a". Dadas as opções a seguir marque a que não recebe acento grave.
Alternativas
Q4011359 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

A fila é um texto ficcional, dentre as muitas características que o compõem, encontra-se a ambiguidade, ou seja, expressões que podem possuir mais de um sentido e, diferentes embora, as significações são pertinentes ao contexto da narrativa. Tal processo ocorre em:
Alternativas
Q4011358 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

"-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não!"

O excerto é parte da fala da personagem que quase teve sua bolsa roubada. Observe a palavra destacada, trata-se de uma questão que acarreta muita dúvida referente à concordância nominal. Dadas as frases a seguir, marque a opção incorreta:
Alternativas
Respostas
10921: C
10922: B
10923: B
10924: D
10925: A
10926: D
10927: D
10928: C
10929: D
10930: B
10931: C
10932: B
10933: A
10934: A
10935: A
10936: D
10937: D
10938: B
10939: B
10940: C