Leia o texto a seguir para responder à questão.
A febre do BBB e por que gostamos de “cuidar da
vida dos outros"
Por Natalie Rosa
Se você é um consumidor de programas de
televisão, provavelmente você já se viu preso em algum
reality show. Como a própria tradução literal diz, esses
"programas de realidade" costumam mostrar pessoas
reais em situações inusitadas, como procurar um novo
amor, se descobrir um cantor ou cozinheiro, ou
simplesmente estar confinado em uma casa com vários
outros desconhecidos e câmeras por todos os lados.
Hoje, basta abrir a Netflix para encontrar
reality shows sobre os assuntos mais inusitados
possíveis, como o Vidrados, em que você acompanha
uma disputa de quem é o melhor vidraceiro, o Peles em
Guerra, campeonato de pintura corporal, ou ainda
o Instant Hotel, em que proprietários de imóveis
cadastrados no Airbnb disputam quem é o melhor
anfitrião. Na televisão aberta, não é difícil entrar
no Twitter ou Instagram e não ver comentários sobre
o Big Brother Brasil ou MasterChef, por exemplo, em
que pessoas comuns de repente estão expostas ao Brasil
todo em seus erros e acertos.
Por mais que os reality shows sejam
roteirizados e muitos dos acontecimentos dependem do
desejo dos produtores, não há como negar que as
pessoas acabam mostrando nesses programas o
máximo de sua vulnerabilidade, atraindo a atenção do
público que, muitas vezes, assiste com pedras na mão
pronto e para criticar — o que, inclusive, foi debate da
edição de 2021 do BBB.
Com a fórmula dos reality shows ainda
funcionando — e nós ainda assistindo —, fica a dúvida
sobre o que realmente nos chama a atenção nisso.
Gostamos de consumir um entretenimento que não tem
muito a acrescentar, dependendo do ponto de vista?
Gostamos de "cuidar" da vida dos outros e nos
comparar? Seja qual for a explicação, está dando certo.
[...]
O consumo em excesso dos reality shows
pode ser nocivo à saúde mental?
Para Pereira, o consumo de reality shows
podem causar um sentimento de comparação com o que
está sendo apresentando, pois muitas vezes os
programas acabam expondo pessoas que possuem
padrões difíceis de serem alcançados, principalmente
físicos. "O tempo que a pessoa destina para isso
também pode ser considerado um fator a se analisar.
Deixar muitas coisas da própria vida de lado para se
dedicar a isso pode ser nocivo também", completa.
Martins diz também acreditar que os reality
shows podem ser nocivos aos espectadores quando há um grau de envolvimento maior do que deveria,
levando o seu conteúdo tão a sério a ponto de criar fãclubes e votações em massa, por exemplo.
Em relação ao conteúdo exibido, que mostra o
comportamento humano explícito, com seus erros e
acertos, a psicóloga afirma que pontos negativos e
positivos podem ser absorvidos deste conteúdo, e que
isso vai depender da realidade de cada pessoa. "A
forma com que enxergamos a 'realidade' é moldada por
nossas vivências e experiências de vida. Assim como o
que eu considero positivo pode não ser assim para
outras pessoas. O posicionamento que a mídia dá para
as coisas também influencia nesse positivo e negativo",
conclui.
Fonte: https://canaltech.com.br/series/a-febre-dos-realityshows-e-por-que-gostamos-de-cuidar-da-vida-dos-outros160999/