Questões de Concurso Para técnico de laboratório - anatomia e necropsia

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Q2732438 Veterinária

A faca mais apropriada para remoção do couro de animais é a que tem

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Q2732437 Saúde Pública

O equipamento denominado chaira ou fuzil é utilizado na sala de necropsia para

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Q2732436 Saúde Pública

Entre os fatores que têm dificultado um emprego mais amplo da glicerina na conservação de cadáveres para ensino de anatomia está/estão

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Q2732435 Veterinária

A alteração post mortem que está relacionada ao acúmulo de sangue nas partes do cadáver animal que ficaram voltadas para o solo, devido à ação da gravidade, é o/a

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Q2732434 Medicina Legal

Em relação ao rigor mortis é correto afirmar o seguinte:

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Q2732433 Veterinária

“O acesso vascular venoso em cães é feito com maior frequência pela punção de veias dos membros torácicos.”


A(s) veias utilizadas no acesso no local citado é/são a(s)

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Q2732432 Veterinária

“As articulações sinoviais permitem o deslizamento entre as superfícies ósseas. As superfícies ósseas são cobertas por cartilagem e unidas pela cápsula articular. No espaço formado entre as superfícies há um líquido denominado líquido sinovial.”


Um exemplo deste tipo de articulação é/são a(s)

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Q2732430 Veterinária

A espécie animal que não tem a vesícula biliar é a dos

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Q2732429 Veterinária

Um músculo dos membros pélvicos é o

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Q2732427 Veterinária

“O técnico de necropsia retirou o encéfalo de um bovino e o dividiu em duas partes iguais.” É correto afirmar que o técnico fez um corte

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Q2732425 Veterinária

Os ossos que fazem parte do esqueleto axial são

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Q2732422 Veterinária

Faz(em) parte do sistema nervoso central

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Q2732420 Veterinária

Os órgãos que apresentam, na macroscopia, uma ou mais cavidades são

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Q2732417 Veterinária

Os órgãos que pertencem ao sistema digestivo são

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Q2732414 Veterinária

Os órgãos que estão localizados na cavidade abdominal são

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Q2732393 Português

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

Pode-se concluir da leitura do texto que


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Q2732391 Português

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

No trecho “A gaiola do grupo 2 tinha o chão eletrificado, para dar choques inesperados” (linhas 21 e 22), a preposição para confere à oração que ela encabeça o sentido de

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Q2732389 Português

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1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

Nos trechos “Quase um terço dos alunos passava por isso ocasionalmente” (linhas 13 e 14) e “O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso” (linha 34), o pronome isso se refere, respectivamente, a


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Q2732387 Português

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1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

O pronome - los no trecho “...passaram a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos.” (linhas 11 e 12) se refere a

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Q2732385 Português

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

No trecho “Descobriram que, já na década de 1960, era alta a incidência de violência na escola ...” (linhas 12 e 13), o termo incidência pode ser substituído, sem prejuízo do significado, por

Alternativas
Respostas
361: B
362: B
363: D
364: B
365: B
366: A
367: C
368: C
369: C
370: A
371: E
372: A
373: B
374: B
375: D
376: C
377: D
378: A
379: D
380: B