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Q4146641 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
No trecho “O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo”, o pronome relativo “que” (em “que sempre mandava cartões postais”):
Alternativas
Q4146640 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
Considerando o movimento argumentativo e os exemplos literários acionados pela autora, assinale a alternativa que representa o eixo central da construção de sentido do texto.
Alternativas
Q4137280 Enfermagem
Em uma unidade hospitalar, um profissional de enfermagem identifica uma prescrição médica com dose incorreta antes da administração do medicamento e realiza a correção junto à equipe responsável, evitando que o erro chegue ao paciente. Esse tipo de ocorrência é classificado como: 
Alternativas
Q4137279 Enfermagem
Em uma situação de parada cardiorrespiratória, conforme as diretrizes de suporte avançado de vida (ACLS), qual é a conduta prioritária na abordagem inicial do paciente?
Alternativas
Q4137278 Enfermagem
Sobre farmacocinética, segurança medicamentosa e atuação do enfermeiro, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) Medicamentos administrados por via oral sofrem efeito de primeira passagem hepática, o que pode reduzir sua biodisponibilidade sistêmica.

( ) A velocidade de infusão intravenosa não interfere no efeito terapêutico de medicamentos vasoativos.

( ) A incompatibilidade físico-química entre fármacos pode ocorrer mesmo quando administrados por vias diferentes, dependendo da estabilidade sistêmica.

( ) A notificação de eventos adversos relacionados a medicamentos faz parte das ações de segurança do paciente e da enfermagem.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4137277 Enfermagem
As manobras de Leopold são técnicas utilizadas na assistência à gestante com a finalidade de avaliar o(a):
Alternativas
Q4137276 Enfermagem
Durante a avaliação de pacientes em uma unidade hospitalar, um enfermeiro realiza o monitoramento rigoroso da temperatura corporal ao longo do dia, registrando padrões distintos de variação febril. A análise da curva térmica é fundamental para auxiliar na suspeita clínica de diferentes processos infecciosos e inflamatórios. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os tipos de febre às suas respectivas características semiológicas.

Coluna 1 1. Febre contínua. 2. Febre remitente. 3. Febre intermitente. 4. Febre recorrente (ondulante).
Coluna 2 ( ) Caracteriza-se por elevação persistente da temperatura corporal, com pequenas variações diárias inferiores a 1 °C, sem retorno aos valores normais.
( ) Apresenta episódios de elevação da temperatura intercalados com períodos em que a temperatura retorna ao padrão normal.
( ) Mantém-se elevada ao longo do dia, com variações superiores a 1 °C, porém sem atingir valores normais.
( ) Evidencia episódios febris separados por intervalos de dias ou semanas em que o paciente permanece afebril.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q4137275 Enfermagem
No processo de assistência de Enfermagem, o enfermeiro deve utilizar instrumentos padronizados para avaliar condições clínicas e prevenir agravos à saúde do paciente. Ao identificar a necessidade de avaliar o risco de lesão por pressão em pacientes acamados ou com mobilidade reduzida, o instrumento mais indicado é a: 
Alternativas
Q4137273 Enfermagem
Durante o exame físico respiratório, o enfermeiro identifica ruídos adventícios na ausculta pulmonar de um paciente. Sobre a caracterização desses sons, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4137272 Enfermagem
Um enfermeiro realizou registros assistenciais no prontuário eletrônico utilizando credenciais de outro profissional da equipe e sem registrar o horário do procedimento realizado. Considerando os aspectos éticos e legais relacionados ao prontuário do paciente, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4137271 Enfermagem
Durante a assistência prestada em uma unidade de internação clínica, um enfermeiro realiza a coleta de dados, identifica necessidades humanas afetadas, estabelece diagnósticos de Enfermagem, elabora intervenções individualizadas e posteriormente avalia os resultados obtidos com o cuidado implementado. Esse método científico e organizado possibilita que os conhecimentos teóricos da Enfermagem sejam aplicados de forma prática e sistematizada na assistência ao paciente. O trecho refere-se ao(à):
Alternativas
Q4136900 Raciocínio Lógico
Analise as assertivas a seguir e assinale V, se o resultado lógico for verdadeiro, ou F, se o resultado lógico for falso.
( ) Se 9 + 0 = 9, então 9 . 0 = 9 ( ) 120 : 6 = 2 ou 1201 = 0 ( ) 30 : 5 = 6 e 5 . 6 = 30 ( ) 50 : 5 = 10 e 10 . 2 = 30

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q4136899 Matemática
Considere que:
A = Máximo divisor comum entre os números 18 e 36 B = Resultado de 3.0 + 40 C = Mínimo múltiplo comum entre os números 30 e 45 D = Resultado de 5-2. 10
Qual é o resultado da seguinte operação?
B + D . C : A1
Alternativas
Q4136898 Raciocínio Lógico
A negação da proposição “Lucas é engenheiro e Antônio não é dentista” é:
Alternativas
Q4136896 Matemática
Os alunos de uma escola municipal construíram um foguete de garrafa PET. Ao ser lançado, o foguete realizou uma trajetória descrita parábola representada pela seguinte função de 2º grau:
f(x) = - x 2 + 4x + 3

Qual foi a altura máxima, em metros, que o foguete alcançou? 
Alternativas
Q4136895 Legislação Federal
Conforme a Lei Maria da Penha, as informações estatísticas sobre violência doméstica e familiar contra a mulher devem subsidiar o sistema nacional de dados e informações sobre as mulheres. Para isso, essas informações devem ser incluídas em: 
Alternativas
Q4136894 Legislação Federal
Em um atendimento policial, uma mulher em situação de violência doméstica relata que ela e seus filhos estão em situação que representa risco às suas vidas e que precisam deixar imediatamente o local em que vivem. Considerando as disposições da Lei Maria da Penha, nesse contexto, cabe à autoridade policial: 
Alternativas
Q4136893 Direito Tributário
Gabriel deseja transferir gratuitamente seu imóvel para o sobrinho, o que constitui, em termos legais, o processo de doação. Considerando as disposições da Constituição Estadual do Rio Grande do Sul, é correto afirmar que essa operação: 
Alternativas
Q4136892 Legislação Estadual
Considerando a Constituição Estadual do Rio Grande do Sul e o conjunto das atribuições da Brigada Militar, é correto afirmar que incumbe(m) à corporação a: 
Alternativas
Respostas
2261: B
2262: A
2263: C
2264: B
2265: A
2266: B
2267: A
2268: B
2269: B
2270: C
2271: A
2272: B
2273: C
2274: A
2275: D
2276: C
2277: B
2278: A
2279: D
2280: C