O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
E a onda levou...
Paralisado na areia da praia, Pedro Rocha sentiu a
mente tomada por lembranças e inquietações enquanto
caminhava, sem perceber, em direção ao mar. A luz do
crepúsculo refletida na água parecia formar um caminho
que o conduzia a um lugar de paz, como se alguém o
chamasse de longe. Diante daquela imensidão, suas
pegadas eram os únicos sinais de sua existência.
Ao tocar as ondas, lágrimas se misturaram à água
salgada enquanto tentava afastar pensamentos
angustiantes. Deixou-se levar pela correnteza,
afastando-se da orla sem se dar conta de que, sozinho,
não poderia retornar. Durante alguns instantes,
experimentou uma sensação de alívio, ouvindo apenas o
mar, o vento e as gaivotas — até que a calmaria se
desfez.
O mar tornou-se turbulento, e Pedro foi dominado pela
força das ondas, como se seus próprios medos o
empurrassem para baixo. Lembrou-se da família e
percebeu o absurdo de sua fuga, mas já não conseguia
lutar. Quando enfim se deixou submergir, viu ao redor a
vida marinha em contraste com o arrependimento que o
assolava — até sentir novamente a firmeza da areia sob
o corpo.
Alguns turistas o encontraram adormecido próximo à
maré, e Pedro despertou assustado, percebendo que
jamais saíra da orla: tudo não passara de um sonho
carregado de conflitos. Levantou-se em silêncio e
caminhou até o carro, certo de que aquela experiência —
real ou imaginada — significava uma nova chance. Ao
ligar o motor, retomou sua rotina com outros olhos,
entendendo que o mar não era o lugar para descarregar
suas dores.
Texto Adaptado
LIMA, Erickaline Bezerra de. E a onda levou... Disponível em:
https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/1d8f32b3-734e-401
a-85d8-69f95fa8be05/content . Acesso em: 21 nov. 2025.