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Q3469253 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

Considere a seguinte sentença, retirada do texto: “Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.” Em relação às classes gramaticais, as palavras “já”, “meus”, “menos” e “comida” são, respectivamente: 
Alternativas
Q3469252 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:



I. “Sempre fomos incompreendidos.”


II. “Pensamos em recorrer à Justiça, lembra?”



Nas sentenças dadas, os verbos “ser” e “recorrer” apresentam, respectivamente, as regências: 

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Q3469251 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:



I. “Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.”


II. “Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?”


III. “― Acho que devíamos chamar alguém para…”


IV. “Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?”


V. “― Cuidado com esse fósforo.” Nas sentenças dadas, observam-se diferentes tipos de pronomes.



Aquela que apresenta apenas um pronome, sendo este do tipo demonstrativo, É a: 

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Q3469250 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

Considere o seguinte excerto: “Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta.” No contexto em que ocorre, a palavra “atravessada” está em relação direta de concordância com: 
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Q3469249 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:



I. “― Você não se lembra? Não há mais criados.”


II. “― Ali se sentava o… Como era mesmo?”


III. “― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…”



Nas sentenças dadas, a palavra “se” atua como conjunção condicional apenas em: 

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Q3469248 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

No excerto “Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.”, um dos personagens relembra o enterro de um dos membros do clube. Dado o comportamento dos membros em relação à comida, neste contexto, a ação de salivar junto ao caixão remete ao ato de:
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Q3469247 Português

O clube



― Aqui estamos nós. Cada vez mais velhos…


― E gordos…


― Você está enorme.


― Você também.


― Graças a Deus. Já perdi todos os meus apetites, menos o de comida.


― É o que eu sempre digo: comida é bom e alimenta.


― O clube está deserto. Os criados foram todos embora?


― Você não se lembra? Não há mais criados.


― É mesmo. Não havia mais razão para mantê-los aqui. Afinal, nos reunimos só uma vez por mês.


― Mas eu vivo só para estas reuniões.


― Eu também. Não há mais nada.


― Não compreendo por que esta mesa posta para doze. Do grupo original, só sobramos nós dois.


― É a tradição. Temos que manter a tradição. Cada lugar vazio corresponde a um membro do clube que se foi.


― Ali se sentava o… Como era mesmo?


― O Gastão.


― Gastão, Gastão… Não sei se me lembro…


― Advogado. Morreu aqui na mesa mesmo, com uma espinha de peixe atravessada na garganta. Foi um escândalo. Ele rolou por cima da mesa. Destruiu um pudim de claras que parecia estar útimo. Nunca o perdoei.


― É engraçado. Não consigo me lembrar…


― Fazia um assado de perna de vitela com molho de hortelã.


― Claro! Agora me lembro. E batatas noisette. Sim, sim.


― Ali, sentava o doutor Malvino.


― Camarões com molho de nata.


― Não. Musse de salmão.


― Exato. Divina. E do lado dele…


― O Cerdeira. O primeiro dos nossos a morrer. Coração.


― Me lembro. Lamentável. Todos sentimos muito a sua morte. Ninguém fazia uma salada de anchovas como ele.


― Se ao menos tivesse deixado a receita do molho…


― Lamentável, lamentável.


― E quando morreu o Parreirinha?


― Nem me fale. Foi um golpe duro. Pensar que nunca mais provaríamos o seu creme de avelãs.


― Todos os membros do clube foram ao seu enterro. Houve cenas de desespero. Muitos salivavam descontroladamente junto ao caixão.


― A viúva alegou que ele não deixara a receita. Pensamos em recorrer à Justiça, lembra? Era birra dela. Dizia que o clube tinha matado o Parreirinha, de congestão.


― Balela. Sempre fomos incompreendidos. Nos acusavam de sermos símbolos de uma classe empanturrada pela própria inconsciência, qualquer coisa assim. Diziam que para nós a comida era tudo. Injustiça. [...]


― Mas chega de recordações. Vamos ao prato de hoje.


― Preparei a minha especialidade. Panquecas de hadock flambadas ao conhaque.


― Me ajude com o conhaque. Já não consigo segurar…


― Cuidado. Assim. Epa.


― Derramou um pouco na toalha. Não faz mal.


― Cuidado com esse fósforo. Não aproxime muito da… Olha aí, prendeu fogo na toalha.


― Olha a garrafa!


― Caiu embaixo da mesa.


― O fogo já chegou no chão.


― Você, quando fala em “flambé”, é “flambé” mesmo… Toda a mesa está em chamas.


― Salva as panquecas! Salva as panquecas!


― Tarde demais.


― Acho que devíamos chamar alguém para…


― Já estamos cercados pelo fogo. Não há ninguém aqui. E eu, francamente, não tenho ânimo para sair desta cadeira.


― Eu sei que a pergunta, a esta altura, é acadêmica, mas que conhaque era?


― Hennesy quatro estrelas, naturalmente. Eu não uso outra coisa.


― Pelas chamas, eu juraria que era um Martel.


― Ai.


― Hein?


― “Ai”. Denotando dor. Acho que está pegando fogo na minha calça. Qual seria o seu prato para a nossa próxima reunião?


― Bisque de lagosta.


― Pena, pena. Enfim…


― O pior é morrer assim, queimado.


― Você preferia como?


― Pelo menos mal-passado. 



Luís Fernando Verissimo. (Adaptado). Ed Mort – todas as histórias. 1™ Ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 

No texto “O clube”, de Luís Fernando Verissimo, o sentido cômico é construído em função da forma como os personagens se comportam em relação à comida. O excerto em que se pode depreender o clímax do texto é: 
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Q1836002 Matemática
Na primeira edição de um livro, foram encomendados 3.500 exemplares, a um preço de custo de R$ 12,50 cada um. Esses livros serão vendidos em várias livrarias do país, pelo mesmo preço em todas elas. Para que haja um lucro de R$ 78.750,00, o valor de venda de cada livro deverá ser igual a
Alternativas
Q1836000 Matemática
A Câmara de Vereadores de um município é composta por 16 mulheres e 12 homens, que serão divididos no maior número possível de comissões de tal forma que cada comissão tenha o mesmo número de membros. O número de membros em cada comissão é igual a
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Q1835989 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder a questão.


Os pais devem consolar o seu filho ou deixar que ele se acalme sozinho? Maria Montessori nos orienta sobre isso.


Disponível em https://www.revistapazes.com/os-pais-devem-consolar-os-seus-filhos-ou-deve-deixar-que-ele-se-acalmesozinho-maria-montessori-nos-orienta-sobre-isso/

Acessado em 3/03/2020

Segundo Maria Montessori, o choro frequente de uma criança
Alternativas
Q1790663 Arquitetura de Computadores
Sobre processamento paralelo e distribuído, julgue verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas a seguir:
I. A computação paralela é caracterizada pelo uso de várias unidades de processamento, que trabalham de forma simultânea, com o objetivo de otimizar a execução de uma tarefa. Baseia-se no conceito de dividir-para-conquistar. II. A execução de tarefas em um ambiente fortemente acoplado permite que a memória seja compartilhada entre os processos cooperantes. III. Para a elaboração de um programa paralelo, não é necessário prévio conhecimento da arquitetura de comunicação entre os processadores.
A sequência correta das afirmativas e
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Q1790662 Arquitetura de Computadores
Considere um computador com processador de 32 bits de endereçamento de byte. Sua cache possui mapeamento direto com uma capacidade de 1.024 palavras e blocos de 32 palavras. O endereço para acesso à cache é dividido de acordo com os campos descritos na tabela abaixo. 
Rótulo                                    i    Índice de linha                       ii   Palavra(s) dentro do bloco    iii 
A quantidade de bits de cada um dos campos acima, representados por i, ii e iii, são, respectivamente,
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Q1790661 Sistemas Operacionais
José acabou de criar um arquivo, nomeado trabalho_final.txt, em um ambiente Linux. Para permitir que esse arquivo seja lido, escrito e executado apenas por ele e por sua equipe de trabalho, José terá que digitar na linha de comando da pasta onde salvou o arquivo o comando
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Q1790660 Arquitetura de Computadores
É característica de uma máquina RISC
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Q1790659 Segurança da Informação
Os criadores de programas maliciosos não costumam compartilhar seus códigos-fonte com as empresas de segurança de informação. Sendo assim, a fim de entender como essas ameaças digitais funcionam e então poder criar defesas contra elas, os analistas que trabalham nessas empresas podem valer-se do processo conhecido como
Alternativas
Q1790658 Segurança da Informação
Considere as duas situações abaixo:
I. O conteúdo do e-mail foi alterado antes de chegar ao destino. II. O conteúdo do e-mail foi lido por uma pessoa que não é o destinatário devido.
Nas situações I e II, respectivamente, foram violados os seguintes princípios básicos da segurança da informação:
Alternativas
Q1790657 Redes de Computadores
Considere as seguintes afirmativas sobre os tipos de firewall:
I. Os firewalls da categoria filtro de pacotes simples atuam na camada de rede e podem tomar decisões com base no endereço IP de origem, no endereço IP de destino, ou ainda com base na porta do protocolo TCP ou UDP. II. Os firewalls de estado são mais elaborados que os filtros de pacotes simples porque trabalham na camada de transporte e são capazes de detectar falhas não só no nível dos pacotes mas também no nível das conexões TCP. III. Os firewalls de aplicação conseguem analisar conteúdos das mensagens na camada mais alta da comunicação, tendo a capacidade de bloquear páginas web com conteúdos indesejados, por exemplo.
Considerando-se V para verdadeiro e F para falso, o julgamento correto das afirmativas é
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Q1790656 Algoritmos e Estrutura de Dados
Seja T uma árvore balanceada do tipo AVL (Adelson-Velski e Landis) vazia. Supondo que os elementos 5, 10, 12, 8, 7, 11 e 13 sejam inseridos nessa ordem em T, a sequência que corresponde a um percurso de T em pré-ordem é
Alternativas
Q1790655 Programação
O conceito de Programação Orientada a Objetos que permite construir objetos especializados utilizando características de objetos mais generalistas, possibilitando reuso de código à medida que os atributos e métodos de classes já existentes podem gerar novas classes mais específicas, é o de
Alternativas
Respostas
101: B
102: A
103: E
104: B
105: C
106: A
107: A
108: A
109: C
110: E
111: C
112: D
113: B
114: D
115: E
116: E
117: C
118: A
119: B
120: B