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Q3048743 Português

Da gramática às receitas da vovó


    A coluna pede licença para falar... da coluna. Entre as reações de leitores, positivas ou negativas, que por aqui chegam há anos, nenhuma me deixa mais bolado do que a que me considera um destruidor da língua portuguesa.

    A acusação é tola, claro. Caso existam, suponho que “destruidores da língua” comecem por destruir, bem, a língua em que se exprimem, não? Que sujeito do povo dos vândalos, ao saquear uma cidade romana, se deteria a acariciar uma Vênus de mármore com embevecimento, em vez de arrasá-la a marteladas?

    No entanto, se a acusação carece de base, não lhe faltam adeptos em revezamento perpétuo – a menos que se trate de um único cara obsessivo, quem sabe algum desafeto esquecido dos tempos da faculdade, que fica trocando de nome.

    Não, a dona Nilza, minha melhor professora de português, não criou um vândalo ao abrir meus olhos para as delícias da análise sintática naqueles idos dos 1970, no colégio estadual Souza Dantas, em Resende (RJ). Ela se ofenderia com a calúnia, o que talvez fosse divertido; era meio brava.

    Ocorre que, depois de estudar a gramática normativa na escola, eu cresci. Como jornalista e escritor, comecei a desconfiar que língua é um troço muito maior do que qualquer compêndio de regrinhas.

    Se pensarmos bem, nada é mais óbvio do que isso. Por mais que a gente valorize, digamos, o caderno de receitas herdado de uma avó que cozinhava divinamente, ninguém é maluco de dizer que naquelas páginas estão contidos todos os sabores e saberes sobre culinária, nutrição, agricultura, engenharia de alimentos e história social da comida.

    Metaforicamente, é esse o papel dos estudos linguísticos: aplicar o método científico à expansão do nosso conhecimento sobre as línguas, organismos vivos que nascem orais e se renovam todos os dias – até que, não tendo mais falantes, morrem.

    Enquanto isso, o caderno da vovó, que ensina a fazer determinados pratos de determinada forma, não perde a sua função. Vamos supor que, pelo contrário, a comida da velha senhora, aquela danadinha, seja do tipo mais valorizado pelas camadas poderosas e influentes da sociedade.

    Composto por gramáticas tradicionais e suas versões diluídas – dos manuais voltados para concursos públicos às “páginas de português” que pululam na internet –, todo o aparato normativo é comparável a esse caderno.

    Diz respeito a uma fatia única, embora importante, do universo linguístico: a norma padrão ou culta, que vem a ser esta em que escrevo e cujo domínio é socialmente recompensado. A culinária da vovó, que aliás era nascida em Lisboa – não sei se já mencionei isso.

    Que a língua tem múltiplas camadas além da abarcada pelas receitas da velha é relativamente fácil de compreender. Encontra mais resistência a ideia, não menos verdadeira, de que tudo isso – inclusive o festejado caderno de delícias tradicionais – se submete ao fluxo da história.

    Nada na língua está escrito na pedra. Em movimento lento, lentíssimo, mas constante, ela se refaz o tempo todo e vai encontrando novos caminhos por decisão irrecorrível de um soberano: o povo que a fala. Ou seja, todo mundo – e ninguém.

    É aí que o reacionarismo gramatical se encrespa. Como assim, querem mexer nas receitas da vovó? Trocar banha de porco por azeite extravirgem? Não se respeita mais nada? Isso é vale-tudo! Destruição!

    São histéricos, coitados. Se conseguissem relaxar só um pouquinho, se divertiriam muito mais.


(RODRIGUES, Sérgio. Da gramática às receitas da vovó. Jornal Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiorodrigues/. Acesso em: junho de 2024.)

É possível inferir do texto que um “destruidor da língua” é alguém que:
Alternativas
Q3048742 Português

Da gramática às receitas da vovó


    A coluna pede licença para falar... da coluna. Entre as reações de leitores, positivas ou negativas, que por aqui chegam há anos, nenhuma me deixa mais bolado do que a que me considera um destruidor da língua portuguesa.

    A acusação é tola, claro. Caso existam, suponho que “destruidores da língua” comecem por destruir, bem, a língua em que se exprimem, não? Que sujeito do povo dos vândalos, ao saquear uma cidade romana, se deteria a acariciar uma Vênus de mármore com embevecimento, em vez de arrasá-la a marteladas?

    No entanto, se a acusação carece de base, não lhe faltam adeptos em revezamento perpétuo – a menos que se trate de um único cara obsessivo, quem sabe algum desafeto esquecido dos tempos da faculdade, que fica trocando de nome.

    Não, a dona Nilza, minha melhor professora de português, não criou um vândalo ao abrir meus olhos para as delícias da análise sintática naqueles idos dos 1970, no colégio estadual Souza Dantas, em Resende (RJ). Ela se ofenderia com a calúnia, o que talvez fosse divertido; era meio brava.

    Ocorre que, depois de estudar a gramática normativa na escola, eu cresci. Como jornalista e escritor, comecei a desconfiar que língua é um troço muito maior do que qualquer compêndio de regrinhas.

    Se pensarmos bem, nada é mais óbvio do que isso. Por mais que a gente valorize, digamos, o caderno de receitas herdado de uma avó que cozinhava divinamente, ninguém é maluco de dizer que naquelas páginas estão contidos todos os sabores e saberes sobre culinária, nutrição, agricultura, engenharia de alimentos e história social da comida.

    Metaforicamente, é esse o papel dos estudos linguísticos: aplicar o método científico à expansão do nosso conhecimento sobre as línguas, organismos vivos que nascem orais e se renovam todos os dias – até que, não tendo mais falantes, morrem.

    Enquanto isso, o caderno da vovó, que ensina a fazer determinados pratos de determinada forma, não perde a sua função. Vamos supor que, pelo contrário, a comida da velha senhora, aquela danadinha, seja do tipo mais valorizado pelas camadas poderosas e influentes da sociedade.

    Composto por gramáticas tradicionais e suas versões diluídas – dos manuais voltados para concursos públicos às “páginas de português” que pululam na internet –, todo o aparato normativo é comparável a esse caderno.

    Diz respeito a uma fatia única, embora importante, do universo linguístico: a norma padrão ou culta, que vem a ser esta em que escrevo e cujo domínio é socialmente recompensado. A culinária da vovó, que aliás era nascida em Lisboa – não sei se já mencionei isso.

    Que a língua tem múltiplas camadas além da abarcada pelas receitas da velha é relativamente fácil de compreender. Encontra mais resistência a ideia, não menos verdadeira, de que tudo isso – inclusive o festejado caderno de delícias tradicionais – se submete ao fluxo da história.

    Nada na língua está escrito na pedra. Em movimento lento, lentíssimo, mas constante, ela se refaz o tempo todo e vai encontrando novos caminhos por decisão irrecorrível de um soberano: o povo que a fala. Ou seja, todo mundo – e ninguém.

    É aí que o reacionarismo gramatical se encrespa. Como assim, querem mexer nas receitas da vovó? Trocar banha de porco por azeite extravirgem? Não se respeita mais nada? Isso é vale-tudo! Destruição!

    São histéricos, coitados. Se conseguissem relaxar só um pouquinho, se divertiriam muito mais.


(RODRIGUES, Sérgio. Da gramática às receitas da vovó. Jornal Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiorodrigues/. Acesso em: junho de 2024.)

A principal temática discutida no texto é:
Alternativas
Q3010384 Engenharia Ambiental e Sanitária
O método de valoração dos recursos naturais que envolve aplicar um questionário às pessoas, mostrando dois cenários diferentes, para saber se estas estão dispostas a pagar pela existência e pelos potenciais benefícios de um bem ou recurso natural, é o método de 
Alternativas
Q3010383 Economia
Assinale a opção que representa um incentivo fiscal para a promoção da proteção ambiental.
Alternativas
Q3010382 Economia
Considerando os conceitos gerais da teoria da poluição e a teoria coeaseana, assinale opção correta. 
Alternativas
Q3010381 Economia
No contexto da economia ambiental, o que representa a tragédia dos comuns aplicada à gestão dos recursos naturais é
Alternativas
Q3010380 Economia
Acerca das teorias econômicas pertinentes ao uso dos recursos hídricos e à cobrança pelo uso da água, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3010379 Economia
No âmbito da economia ambiental, o principal objetivo dos instrumentos econômicos para proteção do meio ambiente corresponde 
Alternativas
Q3010378 Economia
Considerando que, no modelo IS/LM, determinada economia esteja em equilíbrio, e que haja aumento dos gastos do governo, assinale a opção que descreve o efeito inicial do aumento dos gastos do governo no equilíbrio do modelo IS/LM. 
Alternativas
Q3010377 Economia
      Para proteger sua indústria doméstica contra a concorrência estrangeira, determinado país pretende implementar as seguintes medidas econômicas: tarifas de importação, subsídios às indústrias locais e adoção de cotas de importação.
Considerando os possíveis efeitos das medidas econômicas apresentadas na situação hipotética acima, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3010376 Economia
Considerando que o Banco Central decida implementar uma política monetária expansionista com o objetivo de estimular a economia, assinale a opção correta, acerca do comportamento dos principais agregados monetários. 
Alternativas
Q3010375 Economia
      Uma economia hipotética é descrita pelas seguintes equações matemáticas, em que as primeiras derivadas das funções são positivas. Nessas equações, p é o preço, w, o salário nominal, λ, a produtividade do trabalho, , o mark-up, zp representa o conjunto de instituições existentes no mercado de bens que afetam o preço dos produtos industriais, E é a taxa de emprego, zw representa as instituições do mercado de trabalho, incluindo seguro-desemprego e proporção dos trabalhadores cobertos por acordos coletivos. 
Imagem associada para resolução da questão

Nessa economia hipotética,  
Alternativas
Q3010374 Economia
Considerando o modelo macroeconômico tradicional para uma economia fechada em que o salário nominal, exogenamente determinado, é elevado por uma política do governo, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3010373 Economia
• papel moeda em poder do público: 3.000 unidades
• reserva bancária: 6.000 unidades
• depósitos à vista em bancos comerciais: 24.000 unidades
• PIB: 1.000.000 unidades
• SELIC: 10% ao ano
• propensão marginal a consumir: 0,5

Considerando que, diante das informações hipotéticas acima apresentadas acerca do mercado bancário brasileiro, o Banco Central deseje executar uma política monetária expansionista, o valor multiplicador monetário, nesse caso, será igual a 
Alternativas
Q3010372 Economia
Tendo em vista que os deslocadores da curva IS podem ser de dois tipos: deslocadores de posição e deslocadores de inclinação, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3010371 Economia

Determinada economia é descrita pelo sistema de equações a seguir, em que: C representa os gastos de consumo, Y, a renda agregada, t, a alíquota de tributação, I, o investimento, r, a taxa de juros, G, o gasto do governo,  Md, a quantidade demandada de moeda, M, a quantidade de moeda, e P é o índice de preços.


C = 0,7(1 - t)Y + 200


t = 0,2


I = 500 - 35r


G = 650


Md = 0,2Y - 65r


M / P = 300


Nessa situação hipotética, assinale a opção que apresenta os valores aproximados da renda agregada e da taxa de juros de equilíbrio.  

Alternativas
Q3010370 Economia
Assinale a opção que representa uma função redistributiva do governo na economia. 
Alternativas
Q3010369 Economia
Assinale a opção correta a respeito de base monetária, meios de pagamento e multiplicador bancário. 
Alternativas
Q3010368 Economia
Assinale a opção que representa redução na base monetária. 
Alternativas
Q3010367 Economia
Acerca das funções da moeda, julgue os itens a seguir.

I Meio de troca se refere à moeda como uma mercadoria de aceitação geral, tornando as transações mais eficientes e eliminando a necessidade de haver a coincidência de desejos para uma transação.
II Reserva de valor tem a função de padrão comum de valor monetário, fornecendo um denominador comum para que os bens e serviços expressem seus valores.
III Pela sua função de unidade de conta, é possível atribuir preços aos bens e serviços em uma única moeda, sendo possível comparar seus valores relativos.
IV A inflação é um fenômeno inerente à alteração da reserva de valor da moeda ao longo do tempo.

Assinale a opção correta. 
Alternativas
Respostas
1421: A
1422: B
1423: D
1424: A
1425: C
1426: C
1427: C
1428: B
1429: D
1430: E
1431: D
1432: A
1433: B
1434: D
1435: E
1436: D
1437: E
1438: A
1439: A
1440: D