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Q3811088 Português
Novo modelo clínico propõe cinco etapas para a prevenção do suicídio

Com base na psicoterapia existencial e em pesquisas empíricas recentes, método foca em fazer o paciente redescobrir o sentido e o propósito

Jean Silya

10/09/2025

Interessado, desde o início da pós-graduação, no tema-tabu do suicídio, o psicólogo Élison Santos propôs um novo modelo clínico de cinco etapas para a prevenção. Em seu doutorado em Psicologia Clínica, no Instituto de Psicologia (IP) da USP, Santos modelou uma estratégia integrada de princípios contemporâneos baseados em evidências, na psicoterapia existencial, logoterapia e pesquisas empíricas. Pela complexidade da ideação suicida, esses cinco passos foram elencados em detalhes em artigo publicado pela revista Journal Contemporary Psychotherapy.

Sem hierarquias entre as etapas, ele apresenta como primeiro passo a recepção diferenciada; em seguida, a conexão dos indivíduos com seus valores fundamentais e responsabilidades; depois, a expansão das perspectivas e possibilidades. Os últimos dois passos consistem em navegar por tensões existenciais, encorajando a ambivalência da vida, e auxiliar na redescoberta do propósito e agência.

Para o psicólogo, não há uma etapa mais importante que outra: "Precisa de muito cuidado para ajudar [um indivíduo em ideação suicida] de forma delicada e assertiva, para ele perceber que existe um sentido, ou ajudá-lo a encontrar um", destad

A busca humana por direção como uma força motivacional primária da psicologia existencial é o cerne dessa formulação. Conforme o autor, integrar conceitos e abordagens diferentes permite compreender não apenas as preocupações imediatas com a segurança, mas também o sofrimento existencial subjacente que contribui para os pensamentos suicidas. "O objetivo é propor um framework que possa ser utilizado por terapeutas de qualquer abordagem para lidar com a ideação suicida. Busca-se entender o fenômeno da ideação suicida e desenvolver um modelo para diferentes contextos", afirma Santos.

Da conexão humana à redescoberta

Na primeira etapa, de recepção diferenciada, o pesquisador ressalta a importância de fornecer conexão humana que reafirme a dignidade e o valor do paciente, devido ao profundo isolamento social, autopercepção como fardo e pertencimento frustrado - conforme alguns modelos teóricos do suicídio. A terapêutica é caracterizada pelo entendimento e validação para conter esses sentimentos, promovendo segurança, pertencimento e a sensação de ser verdadeiramente enxergado. "Esse é um passo comum para todas as terapias, a questão da acolhida", indica o pesquisador.

Em seguida, entram os valores e responsabilidades. Para isso, o terapeuta precisa guiar a pessoa paciente a identificar ou se reconectar a valores pessoais, sentidos de vida e seu senso de responsabilidade. Conforme Santos, a ideação suicida pode ser entendida, em parte, como um desvio decorrente de uma desconexão com esse senso interno de propósito. "É abrir um pouco essa ideia. Por exemplo, ajudar a pessoa a perceber que ela se importa com as pessoas pode despertar o senso de responsabilidade", continua.

Então, no terceiro e no quarto passo, busca-se expandir perspectivas e possibilidades, e navegar por tensões existenciais encorajando a ambivalência da vida. Estes são passos posteriores, mas mantêm-se importantes. "Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, está vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que existe um monte de outros caminhos aqui' ", explica sobre a expansão de horizontes do passo três. Já no passo quatro, ele ressalta a importância dessas pessoas "entenderem que a tensão que temos na vida faz parte dessa ambivalência comum a todos, e ajudar o paciente a se conectar com essas capacidades que temos de lidar com ela".

"Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, tá vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que tem um monte de outros caminhos aqui'"

Por último, na etapa final, de redescoberta do propósito e agência, a proposta é orientar essas pessoas a reconhecerem sua dor, de sentimentos de derrota e aprisionamento, ou falta de conquistas percebidas, direcionando-as a observá-los como percepções distorcidas da realidade. Para isso, os terapeutas auxiliam o paciente a acessar forças internas e a relembrar valores e objetivos mantidos antes da crise. A implementação bem-sucedida exige que os psicólogos clínicos desenvolvam competências em trabalho existencial centrado no direcionamento, com sensibilidade à diversidade de sistemas de crenças que possam ser apresentados.

Futuro da pesquisa

Essa modelagem preocupada mutuamente com a segurança e o sofrimento existencial precisa ainda ser consolidada por mais pesquisas. São necessários testes empíricos por meio de ensaios clínicos randomizados em larga escala para estabelecer sua eficácia e qualquer intervenção deve ser adaptada às necessidades individuais. Ainda assim, as contribuições da teoria de Análise Existencial de Viktor Frankl e a logoterapia dessa, que destaca a "vontade de sentido" como a motivação fundamental, permitiram ao estudo destacar a capacidade humana de superar situações extremas, mesmo diante de limitações sociais e sofrimento.

Em meio a um cenário global de extremismos, desigualdades e ansiedade climática, sentimentos que assolam os jovens com medo das mudanças climáticas, o suicídio ganha outras faces como sintoma dos problemas da sociedade. Ainda assim, apesar de o professor reconhecer que as psicoterapias podem não ter um alcance social massivo, elas podem ser capazes de "ajudar uma pessoa, o que pode curar simbolicamente a sociedade", afirma. "Às vezes, basta alguém mostrar interesse e preocupação para mudar o destino de uma pessoa. A área da saúde mental é complexa, e a combinação de estudos humanizadores e evidências científicas [na psicologia] pode ser produtiva", conclui o professor. 
A intencionalidade do jornal, ao publicar a reportagem, pode ser inferida como:
Alternativas
Q3811087 Português
Novo modelo clínico propõe cinco etapas para a prevenção do suicídio

Com base na psicoterapia existencial e em pesquisas empíricas recentes, método foca em fazer o paciente redescobrir o sentido e o propósito

Jean Silya

10/09/2025

Interessado, desde o início da pós-graduação, no tema-tabu do suicídio, o psicólogo Élison Santos propôs um novo modelo clínico de cinco etapas para a prevenção. Em seu doutorado em Psicologia Clínica, no Instituto de Psicologia (IP) da USP, Santos modelou uma estratégia integrada de princípios contemporâneos baseados em evidências, na psicoterapia existencial, logoterapia e pesquisas empíricas. Pela complexidade da ideação suicida, esses cinco passos foram elencados em detalhes em artigo publicado pela revista Journal Contemporary Psychotherapy.

Sem hierarquias entre as etapas, ele apresenta como primeiro passo a recepção diferenciada; em seguida, a conexão dos indivíduos com seus valores fundamentais e responsabilidades; depois, a expansão das perspectivas e possibilidades. Os últimos dois passos consistem em navegar por tensões existenciais, encorajando a ambivalência da vida, e auxiliar na redescoberta do propósito e agência.

Para o psicólogo, não há uma etapa mais importante que outra: "Precisa de muito cuidado para ajudar [um indivíduo em ideação suicida] de forma delicada e assertiva, para ele perceber que existe um sentido, ou ajudá-lo a encontrar um", destad

A busca humana por direção como uma força motivacional primária da psicologia existencial é o cerne dessa formulação. Conforme o autor, integrar conceitos e abordagens diferentes permite compreender não apenas as preocupações imediatas com a segurança, mas também o sofrimento existencial subjacente que contribui para os pensamentos suicidas. "O objetivo é propor um framework que possa ser utilizado por terapeutas de qualquer abordagem para lidar com a ideação suicida. Busca-se entender o fenômeno da ideação suicida e desenvolver um modelo para diferentes contextos", afirma Santos.

Da conexão humana à redescoberta

Na primeira etapa, de recepção diferenciada, o pesquisador ressalta a importância de fornecer conexão humana que reafirme a dignidade e o valor do paciente, devido ao profundo isolamento social, autopercepção como fardo e pertencimento frustrado - conforme alguns modelos teóricos do suicídio. A terapêutica é caracterizada pelo entendimento e validação para conter esses sentimentos, promovendo segurança, pertencimento e a sensação de ser verdadeiramente enxergado. "Esse é um passo comum para todas as terapias, a questão da acolhida", indica o pesquisador.

Em seguida, entram os valores e responsabilidades. Para isso, o terapeuta precisa guiar a pessoa paciente a identificar ou se reconectar a valores pessoais, sentidos de vida e seu senso de responsabilidade. Conforme Santos, a ideação suicida pode ser entendida, em parte, como um desvio decorrente de uma desconexão com esse senso interno de propósito. "É abrir um pouco essa ideia. Por exemplo, ajudar a pessoa a perceber que ela se importa com as pessoas pode despertar o senso de responsabilidade", continua.

Então, no terceiro e no quarto passo, busca-se expandir perspectivas e possibilidades, e navegar por tensões existenciais encorajando a ambivalência da vida. Estes são passos posteriores, mas mantêm-se importantes. "Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, está vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que existe um monte de outros caminhos aqui' ", explica sobre a expansão de horizontes do passo três. Já no passo quatro, ele ressalta a importância dessas pessoas "entenderem que a tensão que temos na vida faz parte dessa ambivalência comum a todos, e ajudar o paciente a se conectar com essas capacidades que temos de lidar com ela".

"Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, tá vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que tem um monte de outros caminhos aqui'"

Por último, na etapa final, de redescoberta do propósito e agência, a proposta é orientar essas pessoas a reconhecerem sua dor, de sentimentos de derrota e aprisionamento, ou falta de conquistas percebidas, direcionando-as a observá-los como percepções distorcidas da realidade. Para isso, os terapeutas auxiliam o paciente a acessar forças internas e a relembrar valores e objetivos mantidos antes da crise. A implementação bem-sucedida exige que os psicólogos clínicos desenvolvam competências em trabalho existencial centrado no direcionamento, com sensibilidade à diversidade de sistemas de crenças que possam ser apresentados.

Futuro da pesquisa

Essa modelagem preocupada mutuamente com a segurança e o sofrimento existencial precisa ainda ser consolidada por mais pesquisas. São necessários testes empíricos por meio de ensaios clínicos randomizados em larga escala para estabelecer sua eficácia e qualquer intervenção deve ser adaptada às necessidades individuais. Ainda assim, as contribuições da teoria de Análise Existencial de Viktor Frankl e a logoterapia dessa, que destaca a "vontade de sentido" como a motivação fundamental, permitiram ao estudo destacar a capacidade humana de superar situações extremas, mesmo diante de limitações sociais e sofrimento.

Em meio a um cenário global de extremismos, desigualdades e ansiedade climática, sentimentos que assolam os jovens com medo das mudanças climáticas, o suicídio ganha outras faces como sintoma dos problemas da sociedade. Ainda assim, apesar de o professor reconhecer que as psicoterapias podem não ter um alcance social massivo, elas podem ser capazes de "ajudar uma pessoa, o que pode curar simbolicamente a sociedade", afirma. "Às vezes, basta alguém mostrar interesse e preocupação para mudar o destino de uma pessoa. A área da saúde mental é complexa, e a combinação de estudos humanizadores e evidências científicas [na psicologia] pode ser produtiva", conclui o professor. 
Assinale a alternativa que justifica o uso do hífen no termo "tema-tabu" pelo jornalista. 
Alternativas
Q3811086 Psicologia
Novo modelo clínico propõe cinco etapas para a prevenção do suicídio

Com base na psicoterapia existencial e em pesquisas empíricas recentes, método foca em fazer o paciente redescobrir o sentido e o propósito

Jean Silya

10/09/2025

Interessado, desde o início da pós-graduação, no tema-tabu do suicídio, o psicólogo Élison Santos propôs um novo modelo clínico de cinco etapas para a prevenção. Em seu doutorado em Psicologia Clínica, no Instituto de Psicologia (IP) da USP, Santos modelou uma estratégia integrada de princípios contemporâneos baseados em evidências, na psicoterapia existencial, logoterapia e pesquisas empíricas. Pela complexidade da ideação suicida, esses cinco passos foram elencados em detalhes em artigo publicado pela revista Journal Contemporary Psychotherapy.

Sem hierarquias entre as etapas, ele apresenta como primeiro passo a recepção diferenciada; em seguida, a conexão dos indivíduos com seus valores fundamentais e responsabilidades; depois, a expansão das perspectivas e possibilidades. Os últimos dois passos consistem em navegar por tensões existenciais, encorajando a ambivalência da vida, e auxiliar na redescoberta do propósito e agência.

Para o psicólogo, não há uma etapa mais importante que outra: "Precisa de muito cuidado para ajudar [um indivíduo em ideação suicida] de forma delicada e assertiva, para ele perceber que existe um sentido, ou ajudá-lo a encontrar um", destad

A busca humana por direção como uma força motivacional primária da psicologia existencial é o cerne dessa formulação. Conforme o autor, integrar conceitos e abordagens diferentes permite compreender não apenas as preocupações imediatas com a segurança, mas também o sofrimento existencial subjacente que contribui para os pensamentos suicidas. "O objetivo é propor um framework que possa ser utilizado por terapeutas de qualquer abordagem para lidar com a ideação suicida. Busca-se entender o fenômeno da ideação suicida e desenvolver um modelo para diferentes contextos", afirma Santos.

Da conexão humana à redescoberta

Na primeira etapa, de recepção diferenciada, o pesquisador ressalta a importância de fornecer conexão humana que reafirme a dignidade e o valor do paciente, devido ao profundo isolamento social, autopercepção como fardo e pertencimento frustrado - conforme alguns modelos teóricos do suicídio. A terapêutica é caracterizada pelo entendimento e validação para conter esses sentimentos, promovendo segurança, pertencimento e a sensação de ser verdadeiramente enxergado. "Esse é um passo comum para todas as terapias, a questão da acolhida", indica o pesquisador.

Em seguida, entram os valores e responsabilidades. Para isso, o terapeuta precisa guiar a pessoa paciente a identificar ou se reconectar a valores pessoais, sentidos de vida e seu senso de responsabilidade. Conforme Santos, a ideação suicida pode ser entendida, em parte, como um desvio decorrente de uma desconexão com esse senso interno de propósito. "É abrir um pouco essa ideia. Por exemplo, ajudar a pessoa a perceber que ela se importa com as pessoas pode despertar o senso de responsabilidade", continua.

Então, no terceiro e no quarto passo, busca-se expandir perspectivas e possibilidades, e navegar por tensões existenciais encorajando a ambivalência da vida. Estes são passos posteriores, mas mantêm-se importantes. "Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, está vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que existe um monte de outros caminhos aqui' ", explica sobre a expansão de horizontes do passo três. Já no passo quatro, ele ressalta a importância dessas pessoas "entenderem que a tensão que temos na vida faz parte dessa ambivalência comum a todos, e ajudar o paciente a se conectar com essas capacidades que temos de lidar com ela".

"Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, tá vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que tem um monte de outros caminhos aqui'"

Por último, na etapa final, de redescoberta do propósito e agência, a proposta é orientar essas pessoas a reconhecerem sua dor, de sentimentos de derrota e aprisionamento, ou falta de conquistas percebidas, direcionando-as a observá-los como percepções distorcidas da realidade. Para isso, os terapeutas auxiliam o paciente a acessar forças internas e a relembrar valores e objetivos mantidos antes da crise. A implementação bem-sucedida exige que os psicólogos clínicos desenvolvam competências em trabalho existencial centrado no direcionamento, com sensibilidade à diversidade de sistemas de crenças que possam ser apresentados.

Futuro da pesquisa

Essa modelagem preocupada mutuamente com a segurança e o sofrimento existencial precisa ainda ser consolidada por mais pesquisas. São necessários testes empíricos por meio de ensaios clínicos randomizados em larga escala para estabelecer sua eficácia e qualquer intervenção deve ser adaptada às necessidades individuais. Ainda assim, as contribuições da teoria de Análise Existencial de Viktor Frankl e a logoterapia dessa, que destaca a "vontade de sentido" como a motivação fundamental, permitiram ao estudo destacar a capacidade humana de superar situações extremas, mesmo diante de limitações sociais e sofrimento.

Em meio a um cenário global de extremismos, desigualdades e ansiedade climática, sentimentos que assolam os jovens com medo das mudanças climáticas, o suicídio ganha outras faces como sintoma dos problemas da sociedade. Ainda assim, apesar de o professor reconhecer que as psicoterapias podem não ter um alcance social massivo, elas podem ser capazes de "ajudar uma pessoa, o que pode curar simbolicamente a sociedade", afirma. "Às vezes, basta alguém mostrar interesse e preocupação para mudar o destino de uma pessoa. A área da saúde mental é complexa, e a combinação de estudos humanizadores e evidências científicas [na psicologia] pode ser produtiva", conclui o professor. 
Assinale a alternativa que melhor expressa a relevância da pesquisa para a psicologia.
Alternativas
Q3811085 Português
Novo modelo clínico propõe cinco etapas para a prevenção do suicídio

Com base na psicoterapia existencial e em pesquisas empíricas recentes, método foca em fazer o paciente redescobrir o sentido e o propósito

Jean Silya

10/09/2025

Interessado, desde o início da pós-graduação, no tema-tabu do suicídio, o psicólogo Élison Santos propôs um novo modelo clínico de cinco etapas para a prevenção. Em seu doutorado em Psicologia Clínica, no Instituto de Psicologia (IP) da USP, Santos modelou uma estratégia integrada de princípios contemporâneos baseados em evidências, na psicoterapia existencial, logoterapia e pesquisas empíricas. Pela complexidade da ideação suicida, esses cinco passos foram elencados em detalhes em artigo publicado pela revista Journal Contemporary Psychotherapy.

Sem hierarquias entre as etapas, ele apresenta como primeiro passo a recepção diferenciada; em seguida, a conexão dos indivíduos com seus valores fundamentais e responsabilidades; depois, a expansão das perspectivas e possibilidades. Os últimos dois passos consistem em navegar por tensões existenciais, encorajando a ambivalência da vida, e auxiliar na redescoberta do propósito e agência.

Para o psicólogo, não há uma etapa mais importante que outra: "Precisa de muito cuidado para ajudar [um indivíduo em ideação suicida] de forma delicada e assertiva, para ele perceber que existe um sentido, ou ajudá-lo a encontrar um", destad

A busca humana por direção como uma força motivacional primária da psicologia existencial é o cerne dessa formulação. Conforme o autor, integrar conceitos e abordagens diferentes permite compreender não apenas as preocupações imediatas com a segurança, mas também o sofrimento existencial subjacente que contribui para os pensamentos suicidas. "O objetivo é propor um framework que possa ser utilizado por terapeutas de qualquer abordagem para lidar com a ideação suicida. Busca-se entender o fenômeno da ideação suicida e desenvolver um modelo para diferentes contextos", afirma Santos.

Da conexão humana à redescoberta

Na primeira etapa, de recepção diferenciada, o pesquisador ressalta a importância de fornecer conexão humana que reafirme a dignidade e o valor do paciente, devido ao profundo isolamento social, autopercepção como fardo e pertencimento frustrado - conforme alguns modelos teóricos do suicídio. A terapêutica é caracterizada pelo entendimento e validação para conter esses sentimentos, promovendo segurança, pertencimento e a sensação de ser verdadeiramente enxergado. "Esse é um passo comum para todas as terapias, a questão da acolhida", indica o pesquisador.

Em seguida, entram os valores e responsabilidades. Para isso, o terapeuta precisa guiar a pessoa paciente a identificar ou se reconectar a valores pessoais, sentidos de vida e seu senso de responsabilidade. Conforme Santos, a ideação suicida pode ser entendida, em parte, como um desvio decorrente de uma desconexão com esse senso interno de propósito. "É abrir um pouco essa ideia. Por exemplo, ajudar a pessoa a perceber que ela se importa com as pessoas pode despertar o senso de responsabilidade", continua.

Então, no terceiro e no quarto passo, busca-se expandir perspectivas e possibilidades, e navegar por tensões existenciais encorajando a ambivalência da vida. Estes são passos posteriores, mas mantêm-se importantes. "Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, está vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que existe um monte de outros caminhos aqui' ", explica sobre a expansão de horizontes do passo três. Já no passo quatro, ele ressalta a importância dessas pessoas "entenderem que a tensão que temos na vida faz parte dessa ambivalência comum a todos, e ajudar o paciente a se conectar com essas capacidades que temos de lidar com ela".

"Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, tá vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que tem um monte de outros caminhos aqui'"

Por último, na etapa final, de redescoberta do propósito e agência, a proposta é orientar essas pessoas a reconhecerem sua dor, de sentimentos de derrota e aprisionamento, ou falta de conquistas percebidas, direcionando-as a observá-los como percepções distorcidas da realidade. Para isso, os terapeutas auxiliam o paciente a acessar forças internas e a relembrar valores e objetivos mantidos antes da crise. A implementação bem-sucedida exige que os psicólogos clínicos desenvolvam competências em trabalho existencial centrado no direcionamento, com sensibilidade à diversidade de sistemas de crenças que possam ser apresentados.

Futuro da pesquisa

Essa modelagem preocupada mutuamente com a segurança e o sofrimento existencial precisa ainda ser consolidada por mais pesquisas. São necessários testes empíricos por meio de ensaios clínicos randomizados em larga escala para estabelecer sua eficácia e qualquer intervenção deve ser adaptada às necessidades individuais. Ainda assim, as contribuições da teoria de Análise Existencial de Viktor Frankl e a logoterapia dessa, que destaca a "vontade de sentido" como a motivação fundamental, permitiram ao estudo destacar a capacidade humana de superar situações extremas, mesmo diante de limitações sociais e sofrimento.

Em meio a um cenário global de extremismos, desigualdades e ansiedade climática, sentimentos que assolam os jovens com medo das mudanças climáticas, o suicídio ganha outras faces como sintoma dos problemas da sociedade. Ainda assim, apesar de o professor reconhecer que as psicoterapias podem não ter um alcance social massivo, elas podem ser capazes de "ajudar uma pessoa, o que pode curar simbolicamente a sociedade", afirma. "Às vezes, basta alguém mostrar interesse e preocupação para mudar o destino de uma pessoa. A área da saúde mental é complexa, e a combinação de estudos humanizadores e evidências científicas [na psicologia] pode ser produtiva", conclui o professor. 
Assinale a alternativa cujo fator NÃO pode ser explicitamente relacionado à pesquisa e à sua divulgação pela reportagem.
Alternativas
Q3811084 Português
Novo modelo clínico propõe cinco etapas para a prevenção do suicídio

Com base na psicoterapia existencial e em pesquisas empíricas recentes, método foca em fazer o paciente redescobrir o sentido e o propósito

Jean Silya

10/09/2025

Interessado, desde o início da pós-graduação, no tema-tabu do suicídio, o psicólogo Élison Santos propôs um novo modelo clínico de cinco etapas para a prevenção. Em seu doutorado em Psicologia Clínica, no Instituto de Psicologia (IP) da USP, Santos modelou uma estratégia integrada de princípios contemporâneos baseados em evidências, na psicoterapia existencial, logoterapia e pesquisas empíricas. Pela complexidade da ideação suicida, esses cinco passos foram elencados em detalhes em artigo publicado pela revista Journal Contemporary Psychotherapy.

Sem hierarquias entre as etapas, ele apresenta como primeiro passo a recepção diferenciada; em seguida, a conexão dos indivíduos com seus valores fundamentais e responsabilidades; depois, a expansão das perspectivas e possibilidades. Os últimos dois passos consistem em navegar por tensões existenciais, encorajando a ambivalência da vida, e auxiliar na redescoberta do propósito e agência.

Para o psicólogo, não há uma etapa mais importante que outra: "Precisa de muito cuidado para ajudar [um indivíduo em ideação suicida] de forma delicada e assertiva, para ele perceber que existe um sentido, ou ajudá-lo a encontrar um", destad

A busca humana por direção como uma força motivacional primária da psicologia existencial é o cerne dessa formulação. Conforme o autor, integrar conceitos e abordagens diferentes permite compreender não apenas as preocupações imediatas com a segurança, mas também o sofrimento existencial subjacente que contribui para os pensamentos suicidas. "O objetivo é propor um framework que possa ser utilizado por terapeutas de qualquer abordagem para lidar com a ideação suicida. Busca-se entender o fenômeno da ideação suicida e desenvolver um modelo para diferentes contextos", afirma Santos.

Da conexão humana à redescoberta

Na primeira etapa, de recepção diferenciada, o pesquisador ressalta a importância de fornecer conexão humana que reafirme a dignidade e o valor do paciente, devido ao profundo isolamento social, autopercepção como fardo e pertencimento frustrado - conforme alguns modelos teóricos do suicídio. A terapêutica é caracterizada pelo entendimento e validação para conter esses sentimentos, promovendo segurança, pertencimento e a sensação de ser verdadeiramente enxergado. "Esse é um passo comum para todas as terapias, a questão da acolhida", indica o pesquisador.

Em seguida, entram os valores e responsabilidades. Para isso, o terapeuta precisa guiar a pessoa paciente a identificar ou se reconectar a valores pessoais, sentidos de vida e seu senso de responsabilidade. Conforme Santos, a ideação suicida pode ser entendida, em parte, como um desvio decorrente de uma desconexão com esse senso interno de propósito. "É abrir um pouco essa ideia. Por exemplo, ajudar a pessoa a perceber que ela se importa com as pessoas pode despertar o senso de responsabilidade", continua.

Então, no terceiro e no quarto passo, busca-se expandir perspectivas e possibilidades, e navegar por tensões existenciais encorajando a ambivalência da vida. Estes são passos posteriores, mas mantêm-se importantes. "Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, está vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que existe um monte de outros caminhos aqui' ", explica sobre a expansão de horizontes do passo três. Já no passo quatro, ele ressalta a importância dessas pessoas "entenderem que a tensão que temos na vida faz parte dessa ambivalência comum a todos, e ajudar o paciente a se conectar com essas capacidades que temos de lidar com ela".

"Se a ideação suicida tem a ver com um beco sem saída, então eu preciso falar: 'Olha, tá vendo essa esquina, você entrou nesse beco sem saída, mas se der uns três passos atrás vai ver que tem um monte de outros caminhos aqui'"

Por último, na etapa final, de redescoberta do propósito e agência, a proposta é orientar essas pessoas a reconhecerem sua dor, de sentimentos de derrota e aprisionamento, ou falta de conquistas percebidas, direcionando-as a observá-los como percepções distorcidas da realidade. Para isso, os terapeutas auxiliam o paciente a acessar forças internas e a relembrar valores e objetivos mantidos antes da crise. A implementação bem-sucedida exige que os psicólogos clínicos desenvolvam competências em trabalho existencial centrado no direcionamento, com sensibilidade à diversidade de sistemas de crenças que possam ser apresentados.

Futuro da pesquisa

Essa modelagem preocupada mutuamente com a segurança e o sofrimento existencial precisa ainda ser consolidada por mais pesquisas. São necessários testes empíricos por meio de ensaios clínicos randomizados em larga escala para estabelecer sua eficácia e qualquer intervenção deve ser adaptada às necessidades individuais. Ainda assim, as contribuições da teoria de Análise Existencial de Viktor Frankl e a logoterapia dessa, que destaca a "vontade de sentido" como a motivação fundamental, permitiram ao estudo destacar a capacidade humana de superar situações extremas, mesmo diante de limitações sociais e sofrimento.

Em meio a um cenário global de extremismos, desigualdades e ansiedade climática, sentimentos que assolam os jovens com medo das mudanças climáticas, o suicídio ganha outras faces como sintoma dos problemas da sociedade. Ainda assim, apesar de o professor reconhecer que as psicoterapias podem não ter um alcance social massivo, elas podem ser capazes de "ajudar uma pessoa, o que pode curar simbolicamente a sociedade", afirma. "Às vezes, basta alguém mostrar interesse e preocupação para mudar o destino de uma pessoa. A área da saúde mental é complexa, e a combinação de estudos humanizadores e evidências científicas [na psicologia] pode ser produtiva", conclui o professor. 
Assinale a alternativa que apresenta a característica determinante do gênero perceptível nesta reportagem.
Alternativas
Q3809947 Administração Financeira e Orçamentária
A classificação por fontes ou destinações de recursos tem como objetivo agrupar receitas que apresentam as mesmas normas de aplicação na despesa. Nesse sentido, quando determinada receita pública só pode ser aplicada em finalidades específicas previstas em lei, tem-se a destinação
Alternativas
Q3809946 Contabilidade Geral
A equação básica da contabilidade ou equação patrimonial é expressa pelos elementos do patrimônio, representando a estrutura financeira da entidade. A equação básica da contabilidade é representada por:
Alternativas
Q3809945 Contabilidade Pública
De acordo com as normas de contabilidade aplicadas ao setor público, o valor do custo de estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Nesse contexto, compõe o custo de aquisição de estoques 
Alternativas
Q3809944 Contabilidade Geral
No funcionamento de uma entidade, ocorrem diversos eventos relacionados à sua gestão e operação. Alguns desses eventos impactam o patrimônio e devem ser registrados na contabilidade; outros não alteram a equação patrimonial, embora façam parte da rotina administrativa. Nesse sentido, é considerado um ato administrativo 
Alternativas
Q3809943 Contabilidade Geral
A tabela a seguir apresenta os saldos das contas de resultado em 31/12/2024 de uma empresa comercial.
q_46 cont.png (449×121)
Considerando as informações apresentadas, quais são, respectivamente, os valores da Receita Líquida de Vendas e do Lucro Bruto evidenciado na Demonstração do Resultado em 31/12/2024?
Alternativas
Q3809942 Direito Financeiro
Os princípios orçamentários orientam a elaboração, execução e controle do orçamento público. Qual princípio orçamentário estabelece que o Poder Público pode fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei expressamente autorizar, ou seja, que se subordina aos ditames da lei?
Alternativas
Q3809941 Contabilidade Pública
Segundo a NBC TSP – Estrutura Conceitual, existem diferentes bases de mensuração para ativos e passivos no setor público. A base de mensuração do ativo que representa o montante pelo qual um ativo pode ser trocado entre partes cientes e dispostas, em transação sob condições normais de mercado, é denominada 
Alternativas
Q3809939 Contabilidade Pública
De acordo com as definições referentes à avaliação e mensuração de ativos e passivos do setor Público, expressas no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, a redução ao valor recuperável reflete 
Alternativas
Q3809938 Contabilidade Geral
O balancete de verificação é um relatório contábil, elaborado a partir dos saldos das contas do razão. O balancete de verificação tem por finalidade 
Alternativas
Q3809937 Contabilidade Geral
A tabela a seguir apresenta as informações da folha de pagamento da empresa F, referentes ao mês de agosto de 2025, que serão pagas em setembro de 2025.
q_40 cont.png (449×134)
Ao reconhecer a folha de pagamento do mês de agosto de 2025, com base nas informações e valores apresentados, os lançamentos contábeis provocarão um aumento do passivo circulante no valor de  
Alternativas
Q3809936 Matemática Financeira
A empresa Z tomou, em 01/02/2024, um empréstimo de R$ 30.000,00 e o quitou em 30/09/2024, pagando o valor total de R$ 51.000,00. Considerando que o empréstimo foi corrigido por juros simples, qual a taxa de juros mensal?
Alternativas
Q3809935 Contabilidade Geral
Uma empresa adquiriu, a prazo, mercadorias para revenda no valor de R$ 45.000,00. A política comercial da empresa prevê uma margem de lucro de 40% sobre vendas, as quais serão realizadas à vista. Considerando a escrituração pelo método das partidas dobradas, qual lançamento contábil representa essa transação de compra de mercadorias?
Alternativas
Q3809934 Contabilidade Pública
O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) organiza os registros contábeis de acordo com diferentes naturezas de informação. O registro, processamento e evidenciação dos fatos financeiros e não financeiros relacionados com a composição do patrimônio público e suas variações qualitativas e quantitativas corresponde à natureza da informação
Alternativas
Q3809933 Contabilidade Geral
A tabela a seguir apresenta informações de uma empresa referentes ao mês de agosto de 2025.
q_36 cont.png (449×141)
Com base nas informações apresentadas, qual o resultado líquido do mês de agosto de 2025 pelos regimes de competência e de caixa, respectivamente? 
Alternativas
Q3809932 Contabilidade de Custos
Uma empresa adquiriu 200 mesas para revenda ao custo de R$ 350,00 cada, pagando ainda R$ 2.000,00 de frete para recebê-las. O preço de venda unitário definido foi de R$ 800,00. Houve ainda gasto de R$ 1.000,00 com propaganda no período. Considerando apenas as informações apresentadas e ignorando tributos porventura incidentes, o custo unitário da mesa apurado pela empresa foi de
Alternativas
Respostas
6361: A
6362: B
6363: C
6364: D
6365: C
6366: C
6367: B
6368: A
6369: D
6370: C
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6376: C
6377: D
6378: A
6379: C
6380: B