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Q864544 Português

                                            INCÊNDIO


      Vi a menina procurar pela mãe, na multidão em frente ao edifício que pegara fogo, e ninguém dizer-lhe onde estava ela. E a menina sabia que a mãe morrera; sabia de vaga notícia, de obscura ciência, como essas coisas se sabem sem necessidade de testemunho. Ela passeava entre populares e fotógrafos o seu rostinho contraído, sua vozinha de choro, sua escassez de palavras. E quando apareceu um bombeiro para dizer-lhe que a  pessoa morta não devia ser sua mãe, todos os sinais tranquilizadores que ele dava eram precisamente sinais confirmativos da perda. E a menina era apenas uma dor humilde, entre outras que latejavam naquele momento em meio à confusão das providências para apagar as chamas e salvar as vidas. 

      Vi a moça dependurar-se à corda, lá no alto, sua saia abrir-se como uma flor redonda, parece mulher ensaiando voo, os cabelos são louros, a moça vem devagar e difícil, os braços tensos afrouxam, ela tomba no vazio. De repente não é mais nada senão uma forma chata sobre a marquise. Raro é ver a morte operar assim à plena luz, sem disfarce nem preparativo de anos e anos. A morte dando demonstração. E a morte estava solta no vão entre dois edifícios, um que se queimava, outro que assumia o papel de porto de salvação. A vida por uma corda, fora do circo, no coração do cotidiano. Uma corda que não chega a rebentar, não é preciso, as mãos da moça é que cederam.

      Vi... Não vi nada disso no local, mas em casa, em preto e branco, repetido pelo televisor que captou a morte, a dor da menina, o material da tragédia no momento em que ela  se fazia. A documentação hoje em dia não acompanha a vida de perto: confunde-se com a vida, e, o que é terrível, nos obriga a todos a ser espectadores de dramas que não podemos remediar, mas cujos horrores temos de contemplar de cara. A menos que desliguemos o aparelho, como o avestruz se recolhe às penas, assistimos de palanque ao incêndio, à inundação, ao terremoto.

      Desses homens e mulheres sacrificados no último incêndio pode dizer-se que morreram antes da hora, não de sua própria morte, mas de outra improvisada e injusta. Arde uma casa e as chamas não matam ninguém. O que mata é a fuga ao incêndio, é a impossibilidade de fugir a ele, nesses edifícios onde tudo foi previsto menos o resguardo da vida de seus moradores. É o despreparo, a omissão, o que-nem-me-importa com o que possa acontecer, porque na maioria dos casos não acontece nada, os incêndios não são diários e metódicos. Vivemos sob o signo da ameaça, e com ele nos habituamos de tal modo que nem o sentimos. Todos esses edifícios, amontoados, colados, como um rebanho denso, toda essa gente dormindo ou trabalhando em seus milhares de escaninhos no ar, sem garantia a não ser o acaso, previsão, sem consciência do perigo, até que um dia a moça loura se agarra desesperadamente a uma corda e depois arria como um balão tascado... É de arrepiar.

(ANDRADE, Carlos Drummond. Auto-retrato e outras crônicas. RJ:Record, 1989)

O uso dos dois pontos em “A documentação hoje em dia não acompanha a vida de perto: confunde-se com a vida” tem função similar na seguinte oração:
Alternativas
Q864543 Português

                                            INCÊNDIO


      Vi a menina procurar pela mãe, na multidão em frente ao edifício que pegara fogo, e ninguém dizer-lhe onde estava ela. E a menina sabia que a mãe morrera; sabia de vaga notícia, de obscura ciência, como essas coisas se sabem sem necessidade de testemunho. Ela passeava entre populares e fotógrafos o seu rostinho contraído, sua vozinha de choro, sua escassez de palavras. E quando apareceu um bombeiro para dizer-lhe que a  pessoa morta não devia ser sua mãe, todos os sinais tranquilizadores que ele dava eram precisamente sinais confirmativos da perda. E a menina era apenas uma dor humilde, entre outras que latejavam naquele momento em meio à confusão das providências para apagar as chamas e salvar as vidas. 

      Vi a moça dependurar-se à corda, lá no alto, sua saia abrir-se como uma flor redonda, parece mulher ensaiando voo, os cabelos são louros, a moça vem devagar e difícil, os braços tensos afrouxam, ela tomba no vazio. De repente não é mais nada senão uma forma chata sobre a marquise. Raro é ver a morte operar assim à plena luz, sem disfarce nem preparativo de anos e anos. A morte dando demonstração. E a morte estava solta no vão entre dois edifícios, um que se queimava, outro que assumia o papel de porto de salvação. A vida por uma corda, fora do circo, no coração do cotidiano. Uma corda que não chega a rebentar, não é preciso, as mãos da moça é que cederam.

      Vi... Não vi nada disso no local, mas em casa, em preto e branco, repetido pelo televisor que captou a morte, a dor da menina, o material da tragédia no momento em que ela  se fazia. A documentação hoje em dia não acompanha a vida de perto: confunde-se com a vida, e, o que é terrível, nos obriga a todos a ser espectadores de dramas que não podemos remediar, mas cujos horrores temos de contemplar de cara. A menos que desliguemos o aparelho, como o avestruz se recolhe às penas, assistimos de palanque ao incêndio, à inundação, ao terremoto.

      Desses homens e mulheres sacrificados no último incêndio pode dizer-se que morreram antes da hora, não de sua própria morte, mas de outra improvisada e injusta. Arde uma casa e as chamas não matam ninguém. O que mata é a fuga ao incêndio, é a impossibilidade de fugir a ele, nesses edifícios onde tudo foi previsto menos o resguardo da vida de seus moradores. É o despreparo, a omissão, o que-nem-me-importa com o que possa acontecer, porque na maioria dos casos não acontece nada, os incêndios não são diários e metódicos. Vivemos sob o signo da ameaça, e com ele nos habituamos de tal modo que nem o sentimos. Todos esses edifícios, amontoados, colados, como um rebanho denso, toda essa gente dormindo ou trabalhando em seus milhares de escaninhos no ar, sem garantia a não ser o acaso, previsão, sem consciência do perigo, até que um dia a moça loura se agarra desesperadamente a uma corda e depois arria como um balão tascado... É de arrepiar.

(ANDRADE, Carlos Drummond. Auto-retrato e outras crônicas. RJ:Record, 1989)

O uso de “cujos” em “A documentação hoje em dia não acompanha a vida de perto: confunde-se com a vida, e, o que é terrível, nos obriga a todos a ser espectadores de dramas que não podemos remediar, mas cujos horrores temos de contemplar de cara”, no penúltimo parágrafo do texto de Drummond, refere-se
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Q864542 Português

                                            INCÊNDIO


      Vi a menina procurar pela mãe, na multidão em frente ao edifício que pegara fogo, e ninguém dizer-lhe onde estava ela. E a menina sabia que a mãe morrera; sabia de vaga notícia, de obscura ciência, como essas coisas se sabem sem necessidade de testemunho. Ela passeava entre populares e fotógrafos o seu rostinho contraído, sua vozinha de choro, sua escassez de palavras. E quando apareceu um bombeiro para dizer-lhe que a  pessoa morta não devia ser sua mãe, todos os sinais tranquilizadores que ele dava eram precisamente sinais confirmativos da perda. E a menina era apenas uma dor humilde, entre outras que latejavam naquele momento em meio à confusão das providências para apagar as chamas e salvar as vidas. 

      Vi a moça dependurar-se à corda, lá no alto, sua saia abrir-se como uma flor redonda, parece mulher ensaiando voo, os cabelos são louros, a moça vem devagar e difícil, os braços tensos afrouxam, ela tomba no vazio. De repente não é mais nada senão uma forma chata sobre a marquise. Raro é ver a morte operar assim à plena luz, sem disfarce nem preparativo de anos e anos. A morte dando demonstração. E a morte estava solta no vão entre dois edifícios, um que se queimava, outro que assumia o papel de porto de salvação. A vida por uma corda, fora do circo, no coração do cotidiano. Uma corda que não chega a rebentar, não é preciso, as mãos da moça é que cederam.

      Vi... Não vi nada disso no local, mas em casa, em preto e branco, repetido pelo televisor que captou a morte, a dor da menina, o material da tragédia no momento em que ela  se fazia. A documentação hoje em dia não acompanha a vida de perto: confunde-se com a vida, e, o que é terrível, nos obriga a todos a ser espectadores de dramas que não podemos remediar, mas cujos horrores temos de contemplar de cara. A menos que desliguemos o aparelho, como o avestruz se recolhe às penas, assistimos de palanque ao incêndio, à inundação, ao terremoto.

      Desses homens e mulheres sacrificados no último incêndio pode dizer-se que morreram antes da hora, não de sua própria morte, mas de outra improvisada e injusta. Arde uma casa e as chamas não matam ninguém. O que mata é a fuga ao incêndio, é a impossibilidade de fugir a ele, nesses edifícios onde tudo foi previsto menos o resguardo da vida de seus moradores. É o despreparo, a omissão, o que-nem-me-importa com o que possa acontecer, porque na maioria dos casos não acontece nada, os incêndios não são diários e metódicos. Vivemos sob o signo da ameaça, e com ele nos habituamos de tal modo que nem o sentimos. Todos esses edifícios, amontoados, colados, como um rebanho denso, toda essa gente dormindo ou trabalhando em seus milhares de escaninhos no ar, sem garantia a não ser o acaso, previsão, sem consciência do perigo, até que um dia a moça loura se agarra desesperadamente a uma corda e depois arria como um balão tascado... É de arrepiar.

(ANDRADE, Carlos Drummond. Auto-retrato e outras crônicas. RJ:Record, 1989)

Dadas as afirmações seguintes sobre o texto,


I. No primeiro parágrafo, os sinais tranquilizadores dados pelo bombeiro reconfortaram a menina, convencendo-a de que sua mãe não estaria morta.

II. O uso repetido da conjunção “e” no início das orações do primeiro parágrafo pode ser considerado um recurso expressivo que reforça a situação desoladora da criança.

III. No terceiro parágrafo, é possível inferir que, para o narrador da crônica, é preferível assistir a um acontecimento pela televisão a vê-lo ao vivo no local em que ele ocorre.

IV. Por meio da frase “as mãos da moça é que cederam”, explicitada no final do segundo parágrafo, pode-se compreender que a morte da moça se deu, não pela fragilidade da corda, mas por ela ter afrouxado suas mãos, soltando-as da referida corda.


verifica-se que são verdadeiras

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Q446653 Arquitetura de Software
A estrutura básica de uma mensagem SOAP utilizada por serviços Web é um documento XML bem-formado. Essas mensagens SOAP podem ser compostas por:
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Q446652 Banco de Dados
Com relação ao REPLACE do MySQL, é posivel afirmar que ele é um comando de:
Alternativas
Q446651 Engenharia de Software
Affordance é um conceito básico ligado ao estudo das interações humano-computador e suas interfaces. Affordance é um conceito originado na:
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Q446650 Arquitetura de Computadores
Com relação ao tema “arquitetura de computadores”, a opção correta em relação às afirmativas a seguir é:

I - A Unidade de Lógica e Aritmética é quem executa as operações matemáticas com os dados.Dentre as operações executadas destacam-se: soma, subtração e deslocamentos à esquerda à direita.

II - O relógio do sistema é um dispositivo gerador de pulsos. A quantidade de pulsos por segundo se denomina período. Essa quantidade de pulsos é utilizada para definir a velocidade da Unidade Central de Processamento.

III - O barramento de um sistema de computação é o elemento que permite a interligação dos demais componentes do computador. Ele conduz dados, endereços e sinais de controle de modo assíncrono.
Alternativas
Q446649 Banco de Dados
Analise o código descrito em T-SQL. Ele foi executado em um SQL Server por um desenvolvedor que possui conta local com privilégios de OWNER.

USE [MyBD];
GO
CREATE TABLE MyTable (ColA INT PRIMARY KEY,
ColB CHAR(3));
GO
INSERT INTO MyTable VALUES (1, ‘PeV’);
INSERT INTO MyTable VALUES (2, ‘NeV’);
INSERT INTO MyTable VALUSE (3, ‘FeB’);
GO
SELECT * FROM MyTable;
GO
Ao término da execução do código teremos:
Alternativas
Q446648 Engenharia de Software
A UML é uma linguagem originada na engenharia de software amplamente utilizada na modelagem de sistemas. O nome do tipo diagrama estruturante que representa estruturas estáticas, exibindo classes, interfaces, associações e outros relacionamento é o diagrama de:
Alternativas
Q446647 Redes de Computadores
O nome de um protocolo que foi projetado para fornecer criptografa de dados e autenticação na transmissão de dados sensíveis entre um cliente e um servidor Web, sabendo-se que esse protocolo opera em duas fases, a saber: começa com uma fase de apresentação mútua em que se negociam e autenticam as chaves e o algoritmo de criptografa, e segue com a transmissão de dados criptografados, é:
Alternativas
Q446646 Banco de Dados
Dentre os bancos de dados do tipo System Database do SQL Server, aquele que NÃO pode sofrer operações de backup é o:
Alternativas
Q446645 Algoritmos e Estrutura de Dados
Em relação ao tema “estruturas de dados”, analise as afirmativas a seguir e marque a opção correta:

I - Nas árvores B todas as folhas sempre estarão no mesmo nível.

II - Nas listas duplamente encadeadas, todos os nós apontam para os nós sucessores e antecessores.

III - Nas árvores binárias cada nó pode ter no máximo duas subárvores.
Alternativas
Q446644 Banco de Dados
Uma injeção de SQL é um tipo de ataque de segurança, sobre o qual são feitas as afirmativas abaixo.

I - Diz respeito a inserir dados arbitrários, geralmen- te formando uma query SQL em uma string a ser enviada para ser executada pelo banco de dados.

II - O tratamento de plics (‘), ou aspas simples, resolve o problema da injeção de sql pois evita a presença de caracteres especiais injetados em queries.

III - O problema não ocorre em Stored procedures, pois as queries contidas nas Stored procedures são pré-compiladas.

Podemos afirmar que:
Alternativas
Q446643 Banco de Dados
Seja a sentença SQL abaixo, que expressa um comando Select sobre uma tabela Aluno, a qual possui as colunas nome, turma e nota, sendo as duas primeiras colunas do tipo VARCHAR e a última coluna do tipo INT:

Select nome, turma, avg(nota), min(nota) from Aluno group by turma

É correto afirmar que:
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Q446642 Banco de Dados
Sejam as tabelas abaixo, de Pessoal e Local, em um banco MySQL:

imagem-003.jpg

 Considerando que, conforme ilustrado acima, a tabela Pessoal contém as colunas Departamento e Nome com 7 linhas, e que a Tabela Local contém as colunas Departamento e Cidade com 3 linhas, quantas COLUNAS e quantas LINHAS, respectivamente, são retornadas pela query abaixo?

 Select * from Pessoal P INNER JOIN Local L ON P.Departamento = L.Departamento
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Q446641 Segurança da Informação
O nome serviço de autenticação que utiliza técnicas de criptografa de chaves simétricas, central de distribuição de chaves, suporte para vários servidores de autenticação, delegação de direitos e bilhetes renováveis é o:
Alternativas
Q446640 Programação
A programação com Javascript pode ser utilizada para gerar conteúdo HTML dinamicamente. Em relação a Javascript, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q446639 Programação
Analise o seguinte código PHP abaixo.

< ?php
    class A {
     public $foo = ‘laranja’;
   }
   class B {
     public $foo = ‘banana’;
      public $ola = ‘aloalo’;
   }
   function normalAtrib($obj) {
     $obj->foo = ‘trocado’;
     $obj = new B;
     $obj->foo = ‘mudeidenovo’;
   }
  function referenceAtrib(&$obj) {
    $obj->foo = ‘mudado’;
    $obj = new B;
  }
  $a = new A;
      normalAtrib($A);
     referenceAtrib($A);
echo “{$a->foo}”;
?>

Assinale a alternativa que contém o valor de $a->foo a ser exibido pelo comando echo contido no final do código PHP acima.
Alternativas
Q446638 Programação
Analise o trecho de código PHP abaixo:

$xxx = 5;
$yyy = 4;
$zzz = $xxx % $yyy;

A alternativa que contém o valor de $zzz é:
Alternativas
Q446637 Programação
Analise os dois trechos de documentos XML abaixo.

Trecho do documento 1:
imagem-001.jpg

Trecho do documento 2:
imagem-002.jpg

Sobre esses trechos, podemos afirmar que:
Alternativas
Respostas
10021: B
10022: A
10023: C
10024: A
10025: C
10026: B
10027: D
10028: A
10029: C
10030: E
10031: B
10032: B
10033: C
10034: B
10035: A
10036: E
10037: D
10038: C
10039: A
10040: C