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Q4216622 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

No período: “Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].”, o termo destacado em negrito introduz uma: 
Alternativas
Q4216621 Português

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Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Observe o trecho: “Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade.”. Sem prejuízo de sentido ao texto original e considerando o contexto em que se encontra, o termo destacado em negrito pode ser substituído por: 
Alternativas
Q4216620 Português

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Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

No excerto: " A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, compulsão por sistema entregamo-nos à [Systemzwang]", observam-se os verbos debater e lutar destacados em negrito. Os substantivos correspondentes debate e luta são exemplos de palavras formadas a partir de bases verbais. Com relação à gramática normativa, o processo de formação que explica a passagem do verbo para o substantivo, no contexto apresentado, denomina-se:
Alternativas
Q4216619 Português

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Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

“A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho.”. Sobre a regência do verbo submeter, no contexto em que se encontra, é verdadeiro afirmar que: 
Alternativas
Q4216618 Português

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Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Leia os trechos a seguir:


“Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa.” 



“A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas.”



Em relação aos processos de formação de palavras, podemos afirmar que os termos destacados em negrito nos trechos são formados, respectivamente, por:

 

Alternativas
Q4216617 Português

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Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Em “A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições.”, sobre o elemento conector destacado em negrito é correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4216616 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Observe a palavra destacada em negrito do trecho do texto: "Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social.". O vocábulo destacado em negrito, conforme o contexto em que se encontra e considerando sua classificação morfológica, classifica-se como: 
Alternativas
Q4216615 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Em “Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente.”. O acento grave indicador de crase em “à dor” se justifica: 
Alternativas
Q4216614 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

No trecho “A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições”, o emprego da expressão “analgésicos de curto efeito” constitui um recurso expressivo utilizado para: 
Alternativas
Q4216613 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


Algofobia


Trecho do livro “Sociedade paliativa” de autoria de Byung-Chul Han 


    “Dize tua relação com a dor, e te direi quem és!” Este ditado de Ernst Jünger pode ser extrapolado para a sociedade como um todo. A nossa relação com a dor mostra em que sociedade vivemos. Dores são cifras. Elas contêm a chave para o entendimento de toda a sociedade. Assim, cada crítica da sociedade tem de levar a cabo uma hermenêutica da dor. Caso se deixe a dor apenas a cargo da medicina, deixamos escapar o seu caráter de signo [Zeichencharakter].


    Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor. Também a tolerância à dor diminui rapidamente. A algofobia tem por consequência uma anestesia permanente. Toda condição dolorosa é evitada. Tornam-se suspeitas, entrementes, também as dores de amor. A algofobia se prolonga no social. Conflitos e controvérsias que poderiam levar a confrontações dolorosas têm cada vez menos espaço. A algofobia se estende também à política. A coação à conformidade e a pressão por consenso crescem. A política se orienta em uma zona paliativa e perde toda vitalidade. A “falta de alternativa” é um analgésico político. O “centro” difuso atua paliativamente. Em vez de debater e lutar pelos melhores argumentos, entregamo-nos à compulsão por sistema [Systemzwang]. Uma pós-democracia se anuncia. Ela é uma democracia paliativa. Por isso, Chantal Mouffe demanda uma “política agonística”, que não evita confrontações dolorosas. A política paliativa não é capaz de visões ou de reformas penetrantes. Ela prefere tomar analgésicos de curto efeito, que apenas aceleram disfunções e rejeições. A política paliativa não tem nenhuma coragem para a dor. Desse modo, o igual [das Gleiche] avança.


    Há uma mudança de paradigma no fundamento da algofobia atual. Vivemos em uma sociedade da positividade, que busca se desonerar de toda forma de negatividade. A dor é a negatividade pura e simplesmente. Também a psicologia segue essa mudança de paradigma e passa, da psicologia negativa como “psicologia do sofrimento”, para a “psicologia positiva”, que se ocupa com o bem-estar, a felicidade e o otimismo. Pensamentos negativos devem ser evitados. Eles devem ser substituídos imediatamente por pensamentos positivos. A psicologia positiva submete a própria dor a uma lógica do desempenho. A ideologia neoliberal da resiliência transforma experiências traumáticas em catalisadores para o aumento do desempenho. Fala-se até mesmo de crescimento pós traumático. O treino de resiliência como treino de resistência espiritual tem de formar, a partir do ser humano, um sujeito de desempenho permanentemente feliz, o mais insensível à dor possível.



A missão de felicidade da psicologia positiva e a promessa de um oásis de bem-estar medicamente produzível são irmanadas. A crise de opioides estadunidense tem [um] caráter paradigmático. Dela toma parte não apenas a cobiça material de uma empresa farmacológica. Antes há, em seu fundamento, uma suposição fatal para a existência humana. Só uma ideologia do bem-estar permanente pode levar a que medicamentos que eram originariamente usados na medicina paliativa sejam usados com grande pompa também nos saudáveis. Não por acaso o especialista em dor estadunidense David B. Morris já notava, décadas atrás: “Os americanos de hoje pertencem, provavelmente, à primeira geração da Terra que veem uma existência livre de dor como um direito constitucional. Dores são um escândalo”.



A sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza. Ela é algo que deve ser ocultado ou ser eliminado por meio da otimização [wegzuoptimieren]. Ela não é compatível com o desempenho. A passividade do sofrer não tem lugar na sociedade ativa dominada pelo poder [Können]. Hoje se remove à dor qualquer possibilidade de expressão. Ela é, além disso, condenada a calar-se. A sociedade paliativa não permite avivar, verbalizar a dor em uma paixão.



A sociedade paliativa é, ademais, uma sociedade do curtir [Gefällt-mir]. Ela degenera em uma mania de curtição [Gefälligkeitswahn]. Tudo é alisado até que provoque bem-estar. O like é o signo, sim, o analgésico do presente. Ele domina não apenas as mídias sociais, mas todas as esferas da cultura. Nada deve provocar dor. Não apenas a arte, mas também a própria vida tem de ser instagramável, ou seja, livre de ângulos e cantos, de conflitos e contradições que poderiam provocar dor. Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.



Fonte: Han, Byung-Chul. Sociedade paliativa: a dor hoje. 1.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

Segundo o texto, a “algofobia” presente na sociedade contemporânea contribui para:
Alternativas
Q4209019 Raciocínio Lógico

O secretário de uma escola municipal precisa negar corretamente a seguinte proposição feita pela coordenadora pedagógica: “O projeto de leitura foi aprovado pelo conselho escolar e recebeu verba suplementar para aquisição de livros”. Assinale a alternativa que apresenta a negação lógica correta dessa proposição.

Alternativas
Q4209018 Matemática

O secretário de uma escola municipal precisa encomendar um reservatório de água cilíndrico para armazenar água da chuva, que será usada na irrigação do jardim. O engenheiro apresentou as seguintes especificações:



 Raio da base: 2 metros.


⋅  Altura: 5 metros.



Qual é o volume total, em m³, desse reservatório? Considere π = 3,14. 

Alternativas
Q4209017 Matemática

O secretário de uma escola municipal precisa distribuir 240 kits de material escolar igualmente entre as turmas. Ele sabe que 6 turmas recebem, cada uma, 40 kits. Se a escola tivesse 8 turmas, quantos kits cada turma receberia, mantendo-se a mesma quantidade total de kits?

Alternativas
Q4209016 Matemática

O secretário de uma escola municipal observou que o número de alunos matriculados vem crescendo de forma constante nos últimos anos. No ano de 2020, a escola tinha 200 alunos. Em 2021, passou a ter 215 alunos. Em 2022, o número subiu para 230 alunos, e assim por diante, seguindo com essa mesma diferença a cada ano. Mantendo esse padrão, quantos alunos a escola terá no ano de 2026? 

Alternativas
Q4209015 Matemática

O secretário de uma escola municipal precisa instalar uma rampa de acesso para pessoas em cadeira de rodas na entrada do prédio. A rampa terá a forma de um triângulo retângulo, com um desnível vertical de 7 metros e uma distância horizontal de 24 metros. Qual será o comprimento da rampa em metros?

Alternativas
Q4209014 Matemática

O secretário de uma escola municipal precisa formar uma comissão de 3 professores para representar a escola em um evento. Há 8 professores disponíveis para participar da comissão. De quantas maneiras diferentes ele pode escolher essa comissão, sabendo que a ordem de escolha dos professores não importa?

Alternativas
Q4209013 Matemática

O secretário de uma escola municipal precisa calcular o valor de um polinômio que representa o custo total de materiais escolares em função do número de alunos matriculados. O polinômio é dado por: P(x) = 3x² – 5x + 7, onde x é o número de alunos (em centenas). Se a escola tem 4 centenas de alunos, qual é o custo total representado pelo polinômio? 

Alternativas
Q4209012 Raciocínio Lógico

Em uma escola municipal, o secretário organizou os seguintes dados de 150 professores quanto à participação em dois cursos de formação:



 80 professores participaram do curso de informática.


⋅  70 professores participaram do curso de libras.


⋅  30 professores participaram dos dois cursos.



Com base nesses dados, quantos professores NÃO participaram de nenhum dos dois cursos?

Alternativas
Q4209011 Matemática Financeira

O secretário de uma escola municipal precisa organizar o pagamento de um fornecedor de materiais de limpeza. A dívida com o fornecedor é de R$ 3.200,00 e será paga com atraso de 5 meses. A taxa de juros simples cobrada pelo fornecedor é de 2,5% ao mês. Ao final dos 5 meses, qual será o valor total a ser pago ao fornecedor?

Alternativas
Q4209010 Raciocínio Lógico

Em uma escola municipal, o secretário organizou os dados de 80 alunos que participam de atividades extracurriculares e obteve as seguintes informações:



⋅ 45 alunos participam do clube de xadrez.


⋅ 38 alunos participam do clube de robótica.


 12 alunos participam dos dois clubes.



Com base nesses dados, quantos alunos NÃO participam de nenhum dos dois clubes?

Alternativas
Respostas
41: A
42: E
43: C
44: D
45: E
46: A
47: B
48: A
49: C
50: D
51: A
52: C
53: C
54: D
55: D
56: A
57: D
58: B
59: C
60: B