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Q3233910 Português
As sentenças a seguir apresentam lacunas que devem ser preenchidas por um dos termos parônimos dados entre parênteses, ao final de cada uma. Analise-as e assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente essas lacunas.

I. Não sabia …. o que fazer. (mais/ mas)
II. Escolheu um …. momento para dar a notícia. (mal/ mau)
III. Ela se preocupa …. considera o amigo inconsequente. (porque/ porquê/ por que/ por quê).
IV. Não trouxe nada para casa …. a decepção da derrota. (senão/ se não)
Alternativas
Q3233909 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Medo da eternidade


     Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

     

      Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

     – Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 

     – Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

     – Não acaba nunca, e pronto.


      Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.


      Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      – E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

     – Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


     Perder a eternidade? Nunca.

     O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      – Acabou-se o docinho. E agora?

      – Agora mastigue para sempre. 


      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


     Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


     – Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    – Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


   Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C.

A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade>.

Observe a relação de concordância nominal no trecho “Disse eu em fingidos espanto e tristeza”. Verifica-se exatamente o mesmo tipo de concordância na sentença:
Alternativas
Q3233908 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Medo da eternidade


     Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

     

      Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

     – Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 

     – Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

     – Não acaba nunca, e pronto.


      Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.


      Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      – E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

     – Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


     Perder a eternidade? Nunca.

     O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      – Acabou-se o docinho. E agora?

      – Agora mastigue para sempre. 


      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


     Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


     – Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    – Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


   Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C.

A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade>.

O advérbio em [...] eu mastigava obedientemente, sem parar” exprime uma circunstância de:
Alternativas
Q3233907 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Medo da eternidade


     Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

     

      Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

     – Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 

     – Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

     – Não acaba nunca, e pronto.


      Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.


      Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      – E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

     – Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


     Perder a eternidade? Nunca.

     O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      – Acabou-se o docinho. E agora?

      – Agora mastigue para sempre. 


      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


     Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


     – Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    – Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


   Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C.

A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade>.

Em todas as sentenças a seguir, retiradas do texto, ocorre um pronome pessoal empregado como complemento, exceto em:
Alternativas
Q3233906 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Medo da eternidade


     Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

     

      Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

     – Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 

     – Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

     – Não acaba nunca, e pronto.


      Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.


      Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      – E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

     – Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


     Perder a eternidade? Nunca.

     O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      – Acabou-se o docinho. E agora?

      – Agora mastigue para sempre. 


      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


     Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


     – Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    – Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


   Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C.

A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade>.

A locução “a menos que”, empregada em “E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca [...], exprime, em relação à oração antecedente, um sentido de:
Alternativas
Q3233905 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Medo da eternidade


     Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

     

      Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

     – Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 

     – Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

     – Não acaba nunca, e pronto.


      Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.


      Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      – E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

     – Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


     Perder a eternidade? Nunca.

     O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      – Acabou-se o docinho. E agora?

      – Agora mastigue para sempre. 


      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


     Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


     – Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    – Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


   Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C.

A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade>.

A expressão “elixir do longo prazer”, empregada no texto – “Peguei a pequena pastilha cor-derosa que representava o elixir do longo prazer” –, denota: 
Alternativas
Q3233904 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Medo da eternidade


     Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

     

      Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

     – Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 

     – Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

     – Não acaba nunca, e pronto.


      Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.


      Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

      – E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

     – Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


     Perder a eternidade? Nunca.

     O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

      – Acabou-se o docinho. E agora?

      – Agora mastigue para sempre. 


      Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


     Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


     – Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    – Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


   Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C.

A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade>.

Com a leitura do texto, conclui-se que:
Alternativas
Q3224119 Veterinária
Ao se escolher Testes Diagnósticos para determinadas doenças, é imprescindível que se conheça o teste que está sendo realizado, seus benefícios e suas limitações e o ciclo biológico da doença. Com relação aos Testes Diagnósticos, analisar os itens:

I. Sensibilidade: É a capacidade do teste dar um resultado positivo para pessoas realmente doentes/contaminadas/ infectadas.
II. Especificidade: É a capacidade do teste dar um resultado positivo para pessoas realmente doentes/contaminadas/ infectadas.
III. Falso-positivo: é a porcentagem de indivíduos que tiveram o teste negativo, mas possuem a doença (ou estão contaminados/infectados).

Está CORRETO o que se afirma:
Alternativas
Q3224118 Veterinária
A conservação de alimento por salga é um dos processos mais antigos utilizados. A respeito desse tipo de conservação, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE.

O sal desidrata o produto por diferença de pressão osmótica entre o meio externo e o interno, _____________ a Atividade de água (Aw) do produto para ___________ sua estabilidade microbiana, química e bioquímica.
Alternativas
Q3224117 Veterinária
No metabolismo das proteínas, os animais excretam o excesso de nitrogênio corporal de diferentes formas. Considerando-se as espécies animais e a forma com que o nitrogênio é excretado, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente.

(1) Amônia.
(2) Ácido Úrico.
(3) Ureia.

( ) Aves.
( ) Mamíferos.
( ) Peixes.
Alternativas
Q3224116 Veterinária
O Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) estabelece suas ações visando ao efetivo controle da ocorrência da raiva dos herbívoros no Brasil, e não à convivência com a doença. Esse objetivo é alcançado por meio da vacinação estratégica de espécies suscetíveis e do controle populacional de seu principal transmissor, o Desmodus rotundus, associado a outras medidas profiláticas e de vigilância. Considerando-se o PNCRH, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente. 

(1) Educação sanitária e divulgação das ações preventiva.
(2) Estratégia do programa.
(3) Controle dos transmissores.

( ) É fundamentada principalmente na vigilância epidemiológica e na orientação da vacinação dos herbívoros domésticos.
( ) É a promoção da saúde animal, humana e do meio ambiente a partir da conscientização e do consequente comprometimento de todos os segmentos da cadeia produtiva e da sociedade em geral.
( ) O método dependerá da espécie animal envolvida, da topografia e de eventuais restrições legais (áreas de proteção ambiental, reservas indígenas e outras). Os métodos devem ser seletivos e executados corretamente, de tal forma a atingir unicamente morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus.
( ) É fundamentada principalmente no controle de morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus, sempre que houver risco de transmissão da raiva aos herbívoros; Educação em Saúde.
Alternativas
Q3224115 Veterinária
A parvovirose canina é uma das mais importantes doenças infecciosas que acometem os cães. Sobre a doença é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3224114 Veterinária
Quando fora de seu habitat natural, a alimentação dos animais depende quase exclusivamente da interferência do ser humano que deve planejar, de forma racional, o fornecimento de alimentos adequados e em quantidades e proporções corretas para que o animal possa manter-se são e, quando for o caso, produtivo. Considerando-se os muitos termos rotineiramente utilizados para tratar de alimentação e nutrição animal, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) Catabolismo: transformações químicas contrárias ao anabolismo, ou seja, é o processo de desconstrução de moléculas mais complexas em moléculas menores e mais simples.
( ) Nutriente: componente do alimento, representando uma entidade química definida e que, ao participar do metabolismo celular do animal, contribui para manutenção da vida. Uma vez que o que nutre os animais efetivamente são os nutrientes contidos nos alimentos e não o alimento em si, todos os alimentos são substituíveis, tendo como base o suprimento de nutrientes aos animais.
Alternativas
Q3224113 Veterinária
A abordagem lombossacra (L7 a S1) para anestesia epidural em cães e gatos é de execução tecnicamente fácil, devido ao espaço intervertebral relativamente grande nessa localização. Qual dos anestésicos a seguir é utilizado para anestesia epidural?
Alternativas
Q3224112 Veterinária
Na cidade X, alguns habitantes que passaram por um período de febre, dores abdominais e diarreia começaram a apresentar um quadro grave de distúrbios neurológicos, sendo diagnosticados com síndrome de Guillain-Barré. A bactéria e o alimento responsáveis por esse quadro são: 
Alternativas
Q3224111 Veterinária
O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) foi instituído no Brasil pela Instrução Normativa Ministerial nº 02/2001 e regulamentado pela Instrução Normativa SDA nº 10/2017 com o objetivo de reduzir os impactos negativos dessas zoonoses na saúde humana e animal. Sobre isso, assinalar a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3224110 Veterinária
As doenças-alvo da vigilância da síndrome respiratória e nervosa das aves (SRN) são Influenza Aviária (IA) e Doença de Newcastle (DNC). Sobre estas doenças, assinalar a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3224109 Veterinária
Conforme o Decreto nº 9.013/2017 – RIISPOA, a fabricação de gelatina e produtos colagênicos será realizada nos estabelecimentos classificados como:
Alternativas
Q3224108 Veterinária
De acordo com o Decreto nº 9.013/2017 – RIISPOA, a inspeção federal será realizada em caráter permanente ou periódico. Com base nisso, analisar a sentença.

A inspeção permanente consiste na presença do serviço oficial de inspeção para a realização dos procedimentos de inspeção e fiscalização nos demais estabelecimentos registrados ou relacionados e nas outras instalações industriais (1ª parte). A inspeção periódica consiste na presença do serviço oficial de inspeção para a realização dos procedimentos de inspeção e fiscalização ante mortem e post mortem, durante as operações de abate das diferentes espécies de açougue, de caça, de anfíbios e répteis nos estabelecimentos (2ª parte).

A sentença está:
Alternativas
Q3224107 Veterinária
De acordo com a Portaria SVS/MS nº 1.428/1993 − Regulamento Técnico para Inspeção de Alimentos, BPP e PIQ’s, as informações que deverão constar do laudo de inspeção são:

I. Denúncia ou suspeita quanto à qualidade de produto e/ou serviços.
II. Detalhamento técnico de equipamentos utilizados durante a inspeção.
III. Informações financeiras do estabelecimento.

Está CORRETO o que se afirma:
Alternativas
Respostas
5641: D
5642: A
5643: C
5644: D
5645: B
5646: A
5647: C
5648: A
5649: D
5650: C
5651: D
5652: B
5653: B
5654: A
5655: C
5656: C
5657: A
5658: B
5659: D
5660: A