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Q3171071 Português

Leia o texto para responder à quetão.


Um vento engraçado


Publicado em 11/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica


Muitas vezes ele sai em silêncio, mas ainda assim o pum faz barulho. A flatulência é uma reação digestiva normal e democrática – reis e súditos soltam bufas – mas provoca a imaginação popular, quase sempre seguida de risos, desde tempos imemoriais. Porque ninguém sabe, mas, dos casos e piadas, vieram livros. O primeiro, De Flatibus, de 1582, escrito pelo médico Jean Fyens, seguido por De Peditu, do erudito alemão Gaspard Dornau, de 1628, e pelo mais escatológico de todos, de 1751, A Arte de Peidar, atribuído a Pierre-ThomasNicolas Hurtaud.


Antes que alguém levante suspeitas fedorentas, quero dizer que não sou especialista em gases. Nem nos nobres, muito menos nos plebeus. Mas, andando pelos corredores da Feira do Livro, plantada num estranho e feioso barraco na Esplanada dos Ministérios, fui atraído por um estande que expunha cordéis. E eis que, no meio daquelas miúdas e MAL / MAU impressas publicações, havia praticamente uma SEÇÃO / SESSÃO / CESSÃO dedicada aos traques: “O ABC do Peido”, “O Peido que Acabou com um Casamento”, “O Que o Peido pode Fazer”, “O Prazer que o Peido Dá”, “Antologia do Peido”, “As Consequência do Peido”, “O Que o Peido Pode Fazer”, e muitos outros títulos, de diversos autores e procedências. Fico pensando que tipo de inspiração bate na cabeça dos cordelistas para caprichar nas rimas e nos casos, mas certamente o público quer saber mais sobre o fute. Por quê? Qual a graça de uma ventosidade, barulhenta ou não, que cheira MAL / MAU e causa desconforto em quem produz e em quem recebe?


Há algum tempo, o cronista Danilo Gomes me enviou um exemplar de A Arte de Peidar, que se apresenta assim: “Ensaio teórico-físico e metódico para o uso das pessoas constipadas, das pessoas graves e austeras, das senhoras melancólicas e de todos que insistem em permanecer escravos do preconceito”. É um opúsculo que faria sucesso se adotado para discussão na quinta série do primeiro grau; tido como clássico da literatura cômica e pseudomédica, o texto começa mostrando as diferenças entre pum e arroto – mas não explica por que um é considerado tão engraçado enquanto o outro, também difícil de segurar, é tido como falta de educação mesmo. Há também a afirmação que são 62 os tipos de sons musicais que acompanham a lufada – incluindo o plenivocal-pleno, que seria o tom mais alto. No final, o autor relaciona tipos de ventosidades que seriam agradáveis, uma sucessão escatológica que nos leva aos cordéis nordestinos que elegem o cheiroso como tema e que também costuma mostrar as diferenças.


O mistério persiste. É uma espécie universal de piada, que causa frouxos (epa!) de riso em quem solta e em quem está próximo, mas, afinal, qual é a graça?


Em 2008 tentaram acabar com a farra. Os jornais publicaram a notícia de que uma empresa da Califórnia estava lançando um filtro para neutralizar o odor da flatulência a partir de carvão ativado e que deveria ser instalado na cueca. Uma embalagem com cinco filtros custaria US$ 9,95, mais ou menos uns R$ 50,00.


Eu prefiro distância. Preferi inclusive comprar outros cordéis, com temas de menor fedentina.


PESTANA, Paulo. Um vento engraçado. Correio Braziliense, 11 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/umvento-engracado/. Acesso em: 17 dez. 2023. Adaptado.


Glossário:


-  escatológico: relativo a excrementos ou à excreção.

-  opúsculo: livro pequeno sobre artes.

-  fute: (brasileirismo) diabo, demônio.

De acordo com a leitura do texto, percebe-se que o cronista considera o tratamento da flatulência em cordéis como algo:
Alternativas
Q3171070 Português

Leia o texto para responder à quetão.


Um vento engraçado


Publicado em 11/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica


Muitas vezes ele sai em silêncio, mas ainda assim o pum faz barulho. A flatulência é uma reação digestiva normal e democrática – reis e súditos soltam bufas – mas provoca a imaginação popular, quase sempre seguida de risos, desde tempos imemoriais. Porque ninguém sabe, mas, dos casos e piadas, vieram livros. O primeiro, De Flatibus, de 1582, escrito pelo médico Jean Fyens, seguido por De Peditu, do erudito alemão Gaspard Dornau, de 1628, e pelo mais escatológico de todos, de 1751, A Arte de Peidar, atribuído a Pierre-ThomasNicolas Hurtaud.


Antes que alguém levante suspeitas fedorentas, quero dizer que não sou especialista em gases. Nem nos nobres, muito menos nos plebeus. Mas, andando pelos corredores da Feira do Livro, plantada num estranho e feioso barraco na Esplanada dos Ministérios, fui atraído por um estande que expunha cordéis. E eis que, no meio daquelas miúdas e MAL / MAU impressas publicações, havia praticamente uma SEÇÃO / SESSÃO / CESSÃO dedicada aos traques: “O ABC do Peido”, “O Peido que Acabou com um Casamento”, “O Que o Peido pode Fazer”, “O Prazer que o Peido Dá”, “Antologia do Peido”, “As Consequência do Peido”, “O Que o Peido Pode Fazer”, e muitos outros títulos, de diversos autores e procedências. Fico pensando que tipo de inspiração bate na cabeça dos cordelistas para caprichar nas rimas e nos casos, mas certamente o público quer saber mais sobre o fute. Por quê? Qual a graça de uma ventosidade, barulhenta ou não, que cheira MAL / MAU e causa desconforto em quem produz e em quem recebe?


Há algum tempo, o cronista Danilo Gomes me enviou um exemplar de A Arte de Peidar, que se apresenta assim: “Ensaio teórico-físico e metódico para o uso das pessoas constipadas, das pessoas graves e austeras, das senhoras melancólicas e de todos que insistem em permanecer escravos do preconceito”. É um opúsculo que faria sucesso se adotado para discussão na quinta série do primeiro grau; tido como clássico da literatura cômica e pseudomédica, o texto começa mostrando as diferenças entre pum e arroto – mas não explica por que um é considerado tão engraçado enquanto o outro, também difícil de segurar, é tido como falta de educação mesmo. Há também a afirmação que são 62 os tipos de sons musicais que acompanham a lufada – incluindo o plenivocal-pleno, que seria o tom mais alto. No final, o autor relaciona tipos de ventosidades que seriam agradáveis, uma sucessão escatológica que nos leva aos cordéis nordestinos que elegem o cheiroso como tema e que também costuma mostrar as diferenças.


O mistério persiste. É uma espécie universal de piada, que causa frouxos (epa!) de riso em quem solta e em quem está próximo, mas, afinal, qual é a graça?


Em 2008 tentaram acabar com a farra. Os jornais publicaram a notícia de que uma empresa da Califórnia estava lançando um filtro para neutralizar o odor da flatulência a partir de carvão ativado e que deveria ser instalado na cueca. Uma embalagem com cinco filtros custaria US$ 9,95, mais ou menos uns R$ 50,00.


Eu prefiro distância. Preferi inclusive comprar outros cordéis, com temas de menor fedentina.


PESTANA, Paulo. Um vento engraçado. Correio Braziliense, 11 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/umvento-engracado/. Acesso em: 17 dez. 2023. Adaptado.


Glossário:


-  escatológico: relativo a excrementos ou à excreção.

-  opúsculo: livro pequeno sobre artes.

-  fute: (brasileirismo) diabo, demônio.

A crônica apresentada tem caráter argumentativo. Em qual dos trechos a seguir se pode ver uma evocação da opinião do autor sobre o tema explicitado? 
Alternativas
Q3170954 Saúde Pública
A etapa inicial do trabalho de um agente comunitário de saúde é o cadastramento das famílias de sua microárea – território de atuação – com, no máximo, 750 pessoas. Considerando que, para realizar o cadastramento, é necessário o preenchimento de fichas específicas, é correto afirmar que
Alternativas
Q3170953 Saúde Pública
Na vigilância em saúde, a primeira medida a ser tomada para controlar um surto de dengue é
Alternativas
Q3170952 Saúde Pública
É importante o retrato do território com a identificação de seus limites, população, número de famílias e outras características. Com base no processo de coleta e na sistematização de dados, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de dados demográficos.
Alternativas
Q3170951 Saúde Pública
Segundo o Ministério da Saúde, a ESF visa reorganizar a atenção básica no país, seguindo os preceitos do SUS, e é estabelecida por uma equipe multiprofissional, que inclui tanto médico generalista como
Alternativas
Q3170950 Saúde Pública
Ao definirem microáreas de uma nova unidade de saúde, tanto o agente comunitário de saúde como o enfermeiro da Estratégia Saúde da Família (EFS) devem levar em consideração 
Alternativas
Q3170949 Saúde Pública
Ao coordenar um projeto de cadastramento familiar, um agente comunitário de saúde observa que muitas famílias não têm acesso ao saneamento básico adequado. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor ação a ser tomada.
Alternativas
Q3170948 Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741 de 2003
No que diz respeito ao Estatuto da Pessoa Idosa, é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar à pessoa idosa o direito à
Alternativas
Q3170947 Saúde Pública
Sabendo-se que, no trabalho do agente comunitário de saúde, o planejamento pressupõe passos, momentos ou etapas básicas estabelecidos em uma ordem lógica, assinale a alternativa que apresenta a primeira etapa do planejamento para quem busca conhecer as características socioeconômicas, culturais e epidemiológicas, entre outras.
Alternativas
Q3170946 Saúde Pública
O conceito de territorialização é a
Alternativas
Q3170945 Saúde Pública
Acerca da importância do cadastramento familiar, é correto afirmar que a sua finalidade é
Alternativas
Q3170934 Saúde Pública
Para garantir que os dados de um sistema de informação em saúde sejam utilizados de maneira eficaz, é preciso
Alternativas
Q3170933 Saúde Pública
Assinale a alternativa que apresenta as ações que estão em conformidade com o Decreto n.º 7.508/2011. 
Alternativas
Q3170932 Saúde Pública
Para promover a participação social, conforme o ParticipaSUS, o gestor de saúde deve 
Alternativas
Q3170931 Saúde Pública
É correto afirmar que a Lei n.º 8.080/1990
Alternativas
Q3170930 Saúde Pública
Um gestor de saúde pública está avaliando o impacto dos determinantes sociais na saúde de uma comunidade. Assinale a alternativa que apresenta os determinantes sociais que afetam diretamente a saúde pública.
Alternativas
Q3170929 Saúde Pública
É correto afirmar que o controle social no SUS
Alternativas
Q3170928 Saúde Pública
Assinale a alternativa que apresenta o requisito necessário para garantir a fidedignidade dos dados coletados de um sistema de informação em saúde. 
Alternativas
Q3170927 Saúde Pública
Com relação ao papel do setor privado no SUS, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
7381: B
7382: D
7383: D
7384: D
7385: A
7386: C
7387: C
7388: D
7389: B
7390: B
7391: C
7392: B
7393: B
7394: B
7395: D
7396: C
7397: C
7398: C
7399: D
7400: C