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Q3730548 Português

Não se lembra de mim?

Por Fabrício Carpinejar

 

Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:

— Não se lembra de mim?

Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.

 

Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.

 

O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:

— Como não se lembra de mim?

 

Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.

O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.

O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:

— Era ele!

 

A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.

Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.

Qual a principal causa do constrangimento que o narrador experimenta ao encontrar amigos que não reconhece?
Alternativas
Q3730547 Português

Não se lembra de mim?

Por Fabrício Carpinejar

 

Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:

— Não se lembra de mim?

Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.

 

Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.

 

O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:

— Como não se lembra de mim?

 

Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.

O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.

O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:

— Era ele!

 

A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.

Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.

O texto acima apresenta uma reflexão sobre o quê?
Alternativas
Q3730546 Português

Não se lembra de mim?

Por Fabrício Carpinejar

 

Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:

— Não se lembra de mim?

Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.

 

Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.

 

O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:

— Como não se lembra de mim?

 

Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.

O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.

O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:

— Era ele!

 

A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.

Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.

Após a leitura de “Não se lembra de mim?”, pode-se afirmar que, de acordo com o texto, o narrador:
Alternativas
Q3577074 Direito Civil

Veja as opções abaixo:



I – O empreiteiro pode apenas realizar serviços sem fornecer os materiais;


II – Não se aplica a responsabilidade objetiva no contrato de empreitada;


III – A prestação de serviços envolverá apenas serviço lícito;


IV – O contrato de prestação de serviços é um contrato personalíssimo.



Estão corretas as alternativas:

Alternativas
Q3577073 Direito Civil
Sobre o comodato e o mútuo, modalidades de contratos previstas no Código Civil, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3577072 Direito Tributário
Acerca das hipóteses indiretas de cobrança no âmbito tributário, bem como suas sanções, assinale a opção correta.
Alternativas
Q3577071 Direito Tributário
Sobre o papel fiscalizador do Estado acerca do cumprimento das obrigações tributárias, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3577070 Direito do Trabalho

Leia as opções abaixo:



I - Ao empregado afastado do emprego, são asseguradas, por ocasião de sua volta, todas as vantagens que, em sua ausência, tenham sido atribuídas à categoria a que pertencia na empresa.


II - Nos contratos por prazo determinado, o tempo de afastamento, se assim acordarem as partes interessadas, não será computado na contagem do prazo para a respectiva terminação.


III - A suspensão do empregado por mais de 60 (sessenta) dias consecutivos importa na rescisão injusta do contrato de trabalho.


IV – O empregado continuará percebendo sua remuneração durante os primeiros 30 (trinta) dias do afastamento em virtude das exigências do serviço militar, ou de outro encargo público.



Estão corretas as alternativas:  

Alternativas
Q3577069 Direito do Trabalho
Acerca da rescisão do contrato de trabalho, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q3577068 Direito do Trabalho
Sobre o aviso prévio, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3577067 Direito Processual do Trabalho
Considerando o que dispõe a CLT sobre as custas e emolumentos, assinale a opção correta.
Alternativas
Q3577066 Direito Processual do Trabalho
Sobre a sentença no âmbito do processo trabalhista, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3577065 Direito Administrativo
A Administração Pública detém poderes para apurar fatos que possam configurar ilícito administrativo, denominado sindicância. Sobre a sindicância, assinale a opção correta.
Alternativas
Q3577064 Direito Administrativo
Acerca dos processos administrativos e seu trâmite, é INCORRETO afirmar que:  
Alternativas
Q3577063 Direito Financeiro

Leia as opções abaixo, levando em consideração o que dispõe a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000).



I - Os valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados como "Outras Despesas de Pessoal";


II – Na despesa com pessoal, serão computadas as despesas de indenização por demissão de servidores ou empregados;


III - Para a apuração da despesa total com pessoal, será observada a remuneração líquida do servidor;


IV - A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos onze imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência.



Estão corretas as alternativas: 

Alternativas
Q3577062 Direito Financeiro
Considerando o que dispõe a Lei n.101/2000 acerca da Lei Orçamentária Anual, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3577061 Direito Administrativo
Ainda sobre o consórcio público, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3577060 Direito Administrativo
Acerca da contratação de consórcios públicos, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3577059 Conhecimentos Gerais
O mais novo integrante da Academia Brasileira de Letras, Ailton Alves Lacerda Krenak, é o primeiro indígena eleito para ocupar uma cadeira na Casa de Machado de Assis. Onde nasceu Ailton Krenak? 
Alternativas
Respostas
5501: A
5502: B
5503: D
5504: C
5505: A
5506: C
5507: C
5508: A
5509: A
5510: C
5511: A
5512: D
5513: D
5514: C
5515: A
5516: A
5517: C
5518: B
5519: D
5520: A