Questões de Concurso Para professor - língua portuguesa

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Q3635484 Português
Analise a tira do cartunista argentino Quino:
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Assinale a alternativa que indique o gênero textual que está nas mãos da personagem.
Alternativas
Q3635483 Português
TEXTO 1 - Como surgiu a noite

Para algumas tribos, no começo dos tempos, a Lua vivia na Terra. Era uma moça branca, tão branca, que brilhava. Chamava-se Capei. Vivia nas matas e [...] acendia as luzes dos vaga-lumes. Conhecia todas as coisas e punha ordem em tudo o que existe, desde marés até nascimentos de crianças. Todos iam consultá-la antes de fazerem qualquer coisa, porque ela sabia de tudo. Certo dia, ela foi ofendida por um feiticeiro, então decidiu buscar outros caminhos. Resolveu ir para o céu e, para isso, construiu uma grande escada de cipós. Mas tinha de haver alguém para segurar a ponta lá de cima, e a coruja fez esse favor. Capei subiu, subiu, até chegar ao céu e lá ?cou, instruindo suas ?lhas estrelas sobre como brilhar para ensinar os caminhos aos homens. Capei continua brilhando no céu e mantendo a ordem de todas as coisas na Terra. Sua grande ajudante é a coruja, que enxerga à noite e tornou-se o símbolo da sabedoria, a ponto de conseguir aconselhar os homens.
PIAI, Arlete; PACCINI, M. Júlia. Viajando pelo folclore de norte a sul. São Paulo: Cortez, 2004.

TEXTO 2 -

[...] a teoria mais aceita atualmente é uma quarta teoria que propõe que a origem da Lua se deu por meio da colisão entre a Terra com um objeto tão grande quanto Marte há cerca de 4,5 bilhões de anos, que teria feito com que ambos se misturassem e, depois, parte do material resultante da colisão se desprendesse, originando a Lua. Seja qual for sua origem, a Lua possui forte influência sobre a Terra. Principalmente quando falamos de campo gravitacional.
A atração existente entre a Lua e a Terra provoca o efeito das marés. [...]
LUA. Disponível em: .<www.infoescola.com/lua/>. Acesso em: 9 mar. 2017.

Sobre a influência da Lua na Terra, assinale a alternativa que ocorre a intertextualidade entre o texto 1 e 2:
Alternativas
Q3635482 Pedagogia
São diretrizes do Plano Nacional de Educação, EXCETO:
Alternativas
Q3635481 Português
Leia o texto:

COBRA COME LESMA?

No Brasil, existem certas espécies de cobras que não são perigosas e cuja alimentação se baseia exclusivamente no consumo de lesmas e caracóis que vivem no solo e em árvores. Estamos falando das cobras malacófagas. Mala... O quê?! Não se assuste com o nome: malaco (vem do latim mollis) quer dizer molusco, e fagos significa comedora. Assim, cobras malacófagas são aquelas que se alimentam de moluscos. Simples assim!

No Brasil, são conhecidas 17 espécies de cobras com essas características. Elas são muito importantes na agricultura. Por quê? Bem, como são comedoras de moluscos, contribuem no controle das pragas que poderiam acabar com uma plantação. Interessante, não é mesmo? O problema é que algumas pessoas confundem as malacófagas com cobras venenosas e acabam matando esses animais − por puro desconhecimento
Revista Ciência Hoje das Crianças, junho de 2009, no 22. p. 15. Fragmento.

No trecho "... e acabam matando esses animais...", a expressão destacada refere-se a:
Alternativas
Q3635480 Português
Leia o texto para responder a questão:

Conto de verão nº 2: "Bandeira branca"

Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. [...] ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira [...].

Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, [...] ela de egípcia. [...] Passaram o tempo todo de mãos dadas. Só no terceiro Carnaval se falaram.

— Como é teu nome?

— Janice. E o teu?

 — Píndaro.

[...]

— Que nome! 

Ele de legionário romano, ela de índia americana.

Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval [...]. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia [...].

[...] quase no fim do baile, na hora do "Bandeira branca", ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face [...].No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal!

Beijaram-se muito [...]. Até na boca. [...]No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo tozo à procura, um havaiano desconsolado.

[...]Mas, no ano seguinte, [...] lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

[...]Estava diferente. [...] Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

[...] quando a banda começou a tocar "Bandeira branca" e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim [...]. Ela encostando a cabeça no seu ombro.Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando [...] para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio.

[...]

[...] ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, "Bandeira branca", a cabeça dela no meu ombro [...]. E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo [...]. Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

VERISSIMO, Luis Fernando. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

No que se refere a estrutura narrativa do conto, as afirmações sobre o texto estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Q3635479 Português
No cartão-postal a seguir, temos na integra a correspondência entre Guimarães Rosa e sua neta Vera Lúcia Tess.

Q8.png (348×213)

CANDIDO, Antônio & MINDLIN, José. "Prefácio". In: ROSA, João Guimarães. Ooó do vovô:correspondência de João de Guimarães Rosa, o vovô Joãozinho, com Vera e Beatriz Helena Tess, de setembrode 1966 a novembro de 1967.

"Rio, setembro Verinha, querida.

Você vem cá, vovô conta estória. Você não vai me duvidar, hem? Aqui tem histórias muito bonitas, muitas, muitas. Do macaco risonho. Do boi de chapéu. Do peixe pintado. Do trem de ferro que queria pegar o outro trem. Da noiva que casou num barco. Das noivas que foram à casa da fada-boa. Da bruxa má que casou com o macacão. Saudades, lembranças, beijos do vovô."
Considere as seguintes afirmações.
I.Cria um contexto infantil possível de reconhecimento pela criança por meio da renovação sintática, da escolha lexical, do ritmo e da imagem.
II.O encadeamento sintático, estabelecido pelos pronomes relativos, configura a relação de dependência entre os pares: trem e outro trem; noivo e noiva; bruxa má e macacão.
III.O emprego do modo imperativo é um recurso do enunciador para convencer a criança a visitar o avô.
IV.O universo infantil é recriado pela linguagem não verbal, expressa nos desenhos e nos tipos de letra empregados.

Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Alternativas
Q3635478 Pedagogia
De acordo com a Lei nº 9.394/96 − Lei de Diretrizes e Bases da Educação − LDB, analise os itens abaixo e julgue como V (para verdadeiro) e F (para falso) no que diz respeito ao Ensino Fundamental:

(__)O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
(__)Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do
(__)processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino.
(__)É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos.
(__)O estudo sobre os símbolos internacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental.

Marque a alternativa que indica a sequência CORRETA, de cima para baixo:
Alternativas
Q3635477 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Segundo o Art. 81 da Lei nº 8.069/90, é proibida a venda à criança ou ao adolescente, EXCETO:
Alternativas
Q3635476 Português
Indique a alternativa que apresenta o trecho com sentido subjetivo conotativo:
Alternativas
Q3635475 Português
Com base na afirmação a seguir, indique as palavras que podem substituir os termos destacados na manchete:

"Brasileiras que tiveram malas trocadas por bagagens com drogas deixam prisão na Alemanha, diz família."

Por Michael Gomes, G1 Goiás − 11/04/2023, 12h19.
Alternativas
Q3635474 Português
Sobre o discurso indireto é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3635473 Português
Observe o texto:

"Você mexe comigo
Quando começo a mexer
Mexe, mexe, mainha
Quero sambar com você
Roda, roda, mainha
Quero quebrar com você".
https://www.letras.mus.br/e-o-tchan/281588/- Mexe, Mexe, Mainha - É o Tchan

Informe o tipo de variação linguística apresentada no trecho da música Mexe, mexe, mainha da banda É o Tchan: 
Alternativas
Q3635472 Português
Considere:

I.Antes das locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas.
II.Antes de palavras femininas.

De acordo com as considerações feitas, assinale a alternativa cujo uso da crase NÃO deve ser empregado:
Alternativas
Q3635121 Geografia
Principal bacia hidrográfica que corta o município de Porto Real do Colégio: 
Alternativas
Q3635120 História e Geografia de Estados e Municípios
Qual dos seguintes elementos é mencionado no hino da cidade de Porto Real do Colégio - AL/Brasil como uma característica importante da cidade?
Alternativas
Q3635118 Psicologia
Sobre a relação entre saúde mental, bemestar e os desafios globais contemporâneos, é correto afirmar:
Alternativas
Q3635112 Direito do Trabalho
Qual das seguintes afirmações descreve corretamente o conceito de "trabalho análogo à escravidão"?
Alternativas
Q3635111 Português
Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”

Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).

Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.

O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bateestacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…

“Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…

“Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…” 
Considere as seguintes orações:

I. Não há como imputar a culpa exclusiva de outrem, a fim de ________ a responsabilidade das rés quanto aos danos.
II. Os inimigos que querem criar _________ entre as etnias e os diferentes grupos religiosos
III. O desejo de ________ é forte, pois as pesquisas demonstram que as pessoas gostariam de deixar de maneira definitiva o país de origem, caso pudessem.
IV. Concedo, pois, a medida liminar para __________ determinar a supressão do tema que se refere à revogação dos artigos.
V. A justiça irá ___________ sobre o pagamento dos precatórios aos professores da rede pública de educação.

Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas:
Alternativas
Q3635110 Português
Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”

Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).

Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.

O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bateestacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…

“Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…

“Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…” 
Considere as seguintes orações:

I. Os decretos flexibilizavam _____ aquisição e ____ circulação de armamentos no País
II. O Senado e a Câmara lançam ‘agosto Lilás’ em combate ____ violência contra mulheres.
III. Eles estabelecerão escalas de serviço a fim de que o atendimento _____ população não seja afetado.
IV. Os pais quilombolas e indígenas defendem legado de respeito _______ natureza.
V. O pai impulsionou _____ buscar os seus sonhos.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das orações acima:
Alternativas
Q3635109 Português
Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”

Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).

Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.

O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bateestacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…

“Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…

“Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…” 
Considere as seguintes notícias:

1. A maioria dos presos por crimes de drogas não tem relação com facções.
2. A maioria das pessoas desconhece as maiores descobertas científicas.
3. A maior parte dos indígenas do Brasil vive fora dos territórios tradicionais e mora nas cidades.
4. 25% dos candidatos não compareceu para a realização das provas objetivas.

Acerca das orações acima, analise as assertivas abaixo:
I. A primeira notícia apresenta erro de concordância verbal, tendo em vista que a forma verbal “tem” precisa ser acentuada para concordar com o sujeito que está no plural (presos). Desse modo, a forma verbal “tem” deve ser grafada da seguinte maneira: têm.
II. Na segunda notícia apresentou erro de concordância verbal, pois a forma verbal “desconhece”, nesse caso, precisa ser grafada no plural. Portanto, a grafia correta deveria ser “desconhecem”.
III. Na terceira notícia encontramos o tipo de sujeito denominado de partitivo, possibilitando que a grafia da forma verbal “vive” possa ser escrita também no plural: vivem.
IV. A quarta notícia apresenta erro de concordância verbal, tendo em vista que o verbo deve concordar com o valor da expressão numérica. Nesse sentido, a notícia deveria ser escrita da seguinte maneira: 25% dos candidatos não compareceram para a realização das provas objetivas.

Assinale:
Alternativas
Respostas
11841: A
11842: C
11843: B
11844: D
11845: D
11846: B
11847: A
11848: C
11849: D
11850: A
11851: A
11852: A
11853: B
11854: A
11855: C
11856: C
11857: C
11858: E
11859: B
11860: A