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Q3071780 Português

Leia o texto a seguir e responda a questão.


   O ensino da língua portuguesa encontra-se em vertiginosa expansão em universidades chinesas, e o governo de Pequim não tem medido esforços nem investimentos para liderar os estudos sobre a língua de Camões e Machado de Assis na Ásia. O vetor dessa expansão está em Macau - cidade chinesa que foi domínio português entre 1557 e 1999. Segundo o coordenador do Centro da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, professor Carlos Ascenso André, a crescente presença da língua em universidades chinesas é fruto de uma estratégia clara de difusão e expansão do português na China. Nos últimos dez anos, o número de universidades chinesas que ensinam português praticamente quadruplicou, passando de seis para 23 instituições.

   Segundo ele, há atualmente centenas de bolsas para estudantes do interior da China virem a Macau aprender a língua, além de ações promovidas pela equipe do Instituto Politécnico para desenvolver centros de estudos em outras universidades do país. Segundo Caio César Christiano, professor brasileiro contratado há um ano pelo Instituto Politécnico, "Macau assumiu a incumbência de ser o centro difusor da língua portuguesa na China. É um desejo claro de a China formar muitos professores e tradutores de língua portuguesa".

   Macau sempre teve importância estratégica singular. Tornada domínio do Império Português em 1557, a reboque da expansão colonial lusitana na Ásia, a cidade converteu-se rapidamente em entreposto comercial e porto seguro para incursões portuguesas na região do Pacífico. Após um motim liderado por grupos pró-Pequim nos anos 1960, foram postas em andamento negociações com as autoridades portuguesas sobre o futuro do território. Formalmente devolvida à República Popular da China em 1999, Macau é gerida atualmente por uma junta administrativa autônoma, que governará até 2049, quando a região será definitivamente integrada ao sistema administrativo chinês.

   A grande maioria da população (94%) é composta por cantoneses, grupo da etnia han do sul da China, mas a presença portuguesa se faz sentir no nome de inúmeras ruas e na boca de setores da sociedade macauense que ainda falam o português, o que, segundo o censo de 2006, equivale a 2,4% da população. A administração da cidade é oficialmente bilíngue e todos os sinais e placas públicas são grafados em cantonês e português.

   É justamente esse caráter híbrido e cosmopolita que faz de Macau uma área estratégica para o projeto de expansão dos estudos da língua portuguesa em território chinês. Tal expansão tem uma clara dimensão econômica e geopolítica, ligada a interesses estratégicos chineses na América Latina e, sobretudo, na África lusófona. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional -41022424.

A partir da leitura do texto, pode-se inferir que o interesse da China em expandir o ensino da língua portuguesa está relacionado, principalmente, a;
Alternativas
Q3068833 Português

Leia o texto e, a seguir, responda à questão.



Disponível em: file:///C:/Users/livia/Downloads/carlarsfigueiredo,+Jaqueline+ZANZI.pdf. Acesso em 20 de set. 2024. 

Os elementos verbais e não verbais constituem o texto por serem
Alternativas
Q3068832 Literatura

Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


Baleia


    A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.  

   Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de roscas, semelhante a uma cauda de cascavel.

   Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o sacatrapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.

[...]


RAMOS, Graciliano. Baleia. In: Vidas Secas. 82ªed. Rio de Janeiro: Record, 2001. P. 85-91.

O capítulo Baleia faz parte do livro Vidas Secas de Graciliano Ramos. Esse escritor faz parte de qual movimento literário brasileiro?
Alternativas
Q3068831 Português

Leia o texto e, a seguir, responda à questão.


Baleia


    A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.  

   Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de roscas, semelhante a uma cauda de cascavel.

   Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o sacatrapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.

[...]


RAMOS, Graciliano. Baleia. In: Vidas Secas. 82ªed. Rio de Janeiro: Record, 2001. P. 85-91.

No trecho, “Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.”, os termos sublinhados “la” e “a” atuam como um mecanismo de coesão 
Alternativas
Q3068830 Inglês

Read the text below and answer the question 


Paris 2024 Gymnastics: Rebeca Andrade captures

floor exercise gold ahead of Simone Biles and Jordan Chiles


By Scott Bregman / 05 August 2024


If this was a finale, Rebeca Andrade went out in style.

The most decorated Brazilian athlete at the Olympic Games added a gold medal Monday afternoon (5 August), claiming the women's floor title at the Olympic Games Paris 2024.

It's a second Olympic gold for Andrade, the Tokyo 2020 vaulting champion. She has six total medals in her three Olympic appearances. Andrade told media earlier this week that Paris could be her career floor finale.

"I am very happy and proud about what I did," she said. "We came here every day to compete and perform (well). Gymnastics is not an easy sport, it requires a lot from our body and mind.

"I was confident I was able to manage all of the pressure and I worked with my coach in order to achieve what we've done." Andrade's 14.166 was just ahead of Simone Biles (14.133). 

Biles' American teammate Jordan Chiles was third, scoring a 13.766 after a scoring inquiry lifted her from fifth to the podium.

It's the 11th Olympic medal for Biles, extending her record as the most decorated U.S. Olympic gymnast. The Brazilian star tumbled a front layout full to full-in and a full-twisting double layout to open. She closed with a controlled double pike.

Andrade took her time coming off the podium, savouring the appreciation from the crowd. When the final scores flashed inside Bercy Arena, the 25-year-old artistic gymnastics star seemed stunned during an embrace with coach.

In the warm-up, Biles looked cautious. 

She has been dealing with a strained calf injury throughout the Games and struggled through her signature triple-double (Biles II) in the moments before she competed.

But in competition, that tumbling pass gave her no trouble. Instead, Biles flew out of bounds with both feet on her second and fourth tumbling passes, incurring a .600 total neutral deduction.

"Obviously wasn't my best performances, but at the end of the day, whoever medaled, medaled and that's what's so exciting because you just never know with gymnastics," said Biles afterward. "So I'm not very upset or anything about my performance at the Olympics. I'm actually very happy, proud and even more excited about it." 

Chiles' score was originally 13.666 but coaches Laurent and Cecile Landi filed an inquiry. It was accepting, raising her difficulty score by .1 and giving her the bronze medal.

"I didn't even realize my coaches put in an inquiry, and I was like, 'Okay, yeah. Like, let's see... it can vary,'" explained Chiles. "So when it came through, I was very proud of myself. It was my first event final and my first event medal. This is crazy."


https://olympics.com/en/news/paris-2024-gymnastics-rebeca-andrade-captures-floor-exercise-gold

In the sentence, “I'm actually very happy, proud and even more excited about it,” which of the following correctly identifies the use of comparative and superlative adjectives, and which of the provided options correctly forms a comparative and superlative version of the adjective “excited”?
Alternativas
Q3068829 Inglês

Read the text below and answer the question 


Paris 2024 Gymnastics: Rebeca Andrade captures

floor exercise gold ahead of Simone Biles and Jordan Chiles


By Scott Bregman / 05 August 2024


If this was a finale, Rebeca Andrade went out in style.

The most decorated Brazilian athlete at the Olympic Games added a gold medal Monday afternoon (5 August), claiming the women's floor title at the Olympic Games Paris 2024.

It's a second Olympic gold for Andrade, the Tokyo 2020 vaulting champion. She has six total medals in her three Olympic appearances. Andrade told media earlier this week that Paris could be her career floor finale.

"I am very happy and proud about what I did," she said. "We came here every day to compete and perform (well). Gymnastics is not an easy sport, it requires a lot from our body and mind.

"I was confident I was able to manage all of the pressure and I worked with my coach in order to achieve what we've done." Andrade's 14.166 was just ahead of Simone Biles (14.133). 

Biles' American teammate Jordan Chiles was third, scoring a 13.766 after a scoring inquiry lifted her from fifth to the podium.

It's the 11th Olympic medal for Biles, extending her record as the most decorated U.S. Olympic gymnast. The Brazilian star tumbled a front layout full to full-in and a full-twisting double layout to open. She closed with a controlled double pike.

Andrade took her time coming off the podium, savouring the appreciation from the crowd. When the final scores flashed inside Bercy Arena, the 25-year-old artistic gymnastics star seemed stunned during an embrace with coach.

In the warm-up, Biles looked cautious. 

She has been dealing with a strained calf injury throughout the Games and struggled through her signature triple-double (Biles II) in the moments before she competed.

But in competition, that tumbling pass gave her no trouble. Instead, Biles flew out of bounds with both feet on her second and fourth tumbling passes, incurring a .600 total neutral deduction.

"Obviously wasn't my best performances, but at the end of the day, whoever medaled, medaled and that's what's so exciting because you just never know with gymnastics," said Biles afterward. "So I'm not very upset or anything about my performance at the Olympics. I'm actually very happy, proud and even more excited about it." 

Chiles' score was originally 13.666 but coaches Laurent and Cecile Landi filed an inquiry. It was accepting, raising her difficulty score by .1 and giving her the bronze medal.

"I didn't even realize my coaches put in an inquiry, and I was like, 'Okay, yeah. Like, let's see... it can vary,'" explained Chiles. "So when it came through, I was very proud of myself. It was my first event final and my first event medal. This is crazy."


https://olympics.com/en/news/paris-2024-gymnastics-rebeca-andrade-captures-floor-exercise-gold

After winning the floor exercise gold at Paris 2024, Rebeca Andrade mentioned that gymnastics is not an easy sport. Based on the article, what reasons does Andrade give to explain the challenges of gymnastics, and how do her statements reflect her journey to winning the gold?
Alternativas
Q3068828 Inglês
The image shows a person imagining a scenario using an "if clause." Which grammatical structure is being used to express a hypothetical situation?
Alternativas
Q3068392 Literatura
Sobre o Modernismo na literatura brasileira, especialmente no que diz respeito aos principais escritores do movimento, assinale a afirmativa que descreve de maneira precisa a contribuição e o papel desses autores no período.
Alternativas
Q3068391 Literatura
Sobre o Barroco na literatura brasileira, a seguir, uma característica ou aspecto correto e bem contextualizado desse período literário.
Alternativas
Q3068390 Português
Analise as afirmativas a seguir.
I. Considera-se que um termo é homônimo quando apresenta diferentes significados, mas a mesma forma escrita ou pronunciada.
II. A expressão “banco” em “ele foi ao banco” e “ele sentou no banco do parque” é um exemplo de homonímia.
III. A palavra “manga” em “ele comeu uma manga” e “ele usou uma manga longa” é um exemplo de homonímia.
IV. Em: “Durante a reunião, o chefe mencionou a importância da análise para a empresa”, a palavra “análise” pode ser considerada um exemplo de homonímia.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3068389 Português
Roman Jakobson é uma presença constante nas ementas dos cursos de comunicação em todo o mundo. Seu modelo de comunicação foi amplamente difundido e até os dias de hoje é considerado por alguns como a reprodução fiel do processo de comunicação. Compreender as escolas que influenciaram seu trabalho e a biografia desse autor é de grande importância para que se tenha em mente o contexto histórico-acadêmico que gerou uma das correntes teóricas mais populares de nosso tempo.

(SANTEE; Temer, 2011, p. 73.)
Com base na teoria das funções da linguagem proposta por Roman Jakobson, qual das seguintes alternativas exemplifica corretamente a função referencial da linguagem, considerando seu papel em um texto?
Alternativas
Q3068388 Português
O trecho a seguir contextualiza à questão.

Há uma tendência recente no que tange à ciência linguística, envolvendo a criação de gramáticas por linguistas. Contudo, a Linguística, ao se estabelecer como uma disciplina científica no final do século XIX, não pretendia originalmente vincular sua pesquisa com o ensino de línguas (MARCUSCHI, 2016). É importante destacar, no entanto, que o desenvolvimento da gramática não se relaciona inerentemente com o ensino de línguas. Assim, certas gramáticas modernas elaboradas por linguistas foram projetadas especificamente com esse objetivo em mente: servir como recursos pedagógicos para a sala de aula.

(MARCUSCHI, L. A. O papel da linguística no ensino de línguas. Revista Diadorim, v. 18, n. 2. Em: dezembro de 2016)
Assinale a afirmativa que apresenta a análise correta sobre a coerência textual do trecho, considerando a relação entre a linguística, o desenvolvimento da gramática e o ensino de línguas.
Alternativas
Q3068387 Linguística
O trecho a seguir contextualiza à questão.

Há uma tendência recente no que tange à ciência linguística, envolvendo a criação de gramáticas por linguistas. Contudo, a Linguística, ao se estabelecer como uma disciplina científica no final do século XIX, não pretendia originalmente vincular sua pesquisa com o ensino de línguas (MARCUSCHI, 2016). É importante destacar, no entanto, que o desenvolvimento da gramática não se relaciona inerentemente com o ensino de línguas. Assim, certas gramáticas modernas elaboradas por linguistas foram projetadas especificamente com esse objetivo em mente: servir como recursos pedagógicos para a sala de aula.

(MARCUSCHI, L. A. O papel da linguística no ensino de línguas. Revista Diadorim, v. 18, n. 2. Em: dezembro de 2016)
No contexto do ensino de Língua Portuguesa, os tipos de gramática desempenham papéis distintos na abordagem da língua. Sobre os tipos de gramática e seu impacto no ensino, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3068386 Pedagogia
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e suas diretrizes para o ensino de Língua Portuguesa, reflete corretamente a abordagem esperada para a integração das práticas pedagógicas no desenvolvimento das habilidades linguísticas dos alunos:
Alternativas
Q3068385 Português
Texto para respondeu à questão.

Viagem no tempo

        Tinha um dom único: viajar no tempo. Sem máquina, maquinaria, apetrechos ou afins. Um deslocar-se assustadoramente unidirecional: voltava no tempo. Jamais podia avançar no futuro. Descobriu o dom assim, do nada. Na juventude, 12 ou 13 anos, perdido entre lâminas afiadas do arrependimento, desejou voltar atrás e refazer tudo. Fechou os olhos, e de repente… estava lá. O mesmo corpo. A mesma cena. Um minuto antes. Tempo suficiente para desfazer a bobagem. Ou melhor ainda, nem sequer cometê-la.
            Atordoado, passou dias dominado pelo terror. Demorou anos para reunir coragem e realizar o feito, novamente. Foi aos 18 anos. Quando disse para a mulher que amava que ela era a pior coisa que lhe tinha acontecido. O momento de irreflexão. A raiva aflorando na pele ressequida, descontentamento. O desejo de fazer outrem se sentir tão pesaroso quanto si próprio. A palavra desferida. Os olhos dela marejando lágrimas. O arrependimento lhe rasgando artéria pulmonar e aorta. Ventrículo despedaçado. Arrependeu-se. Então, fechou os olhos e conseguiu: 20 segundos antes. Já estava com a boca aberta para desferir irreflexão mordaz, quando a fechou, respirou fundo, repensou palavras e sentimentos, e arrematou:
                – Odeio quando brigamos. Eu preciso do seu sorriso. Me deixe lutar por ele.
         Namoro rompido salvo pela viagem no tempo. Um corpo que sangra, agora, estancado. Idílio no lugar do choro arrependido.
            Achou que deveria explorar o dom. O medo circulava em suas veias entupidas. Sangue coagulado. Mas precisava enfrentá-lo. Começou aos poucos. Voltou dois minutos em um dia. Cinco, em outro. Dez, no seguinte. Aos poucos, conquistou coragem. Sua confiança rompendo vasos. O sangue ganhando espaço. 200 km por hora. Que tal um salto maior? Cansou-se dos minutos. Desta vez, voltaria um ano. Fechou os olhos, e conseguiu.
            Aos 27 anos, descontente com os rumos que sua vida tomara, suspirou. Vida amorosa, profissão, vida social. Refaria tudo se pudesse. Refaria. Se pudesse. Mas podia. E faria.
            Sentiu falta dos tempos de infância. Sabia que era uma loucura. A viagem era unilateral. Se voltasse para sua infância, precisaria reviver tudo novamente, alterando o que quisesse, refazendo o que lhe conviesse. Cansado da morbidez do agora, decidiu enfrentar a viagem. Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, pés descalços, canela perebenta. No meio da casa. A casa de sua infância. Ofegante. O corpo ardendo. Gosto de sangue. Um corpo que arde. Viu-se com o rosto banhado em lágrimas. Tudo doía. Tudo. O pai, monstruoso e bêbado, de pé em sua frente, cinta em mãos. Ergueu o braço para golpeá-lo novamente. Péssima época ele escolheu para retornar. Não tinha um registro de tudo o que lhe acontecera. Se tivesse, evitaria voltar em épocas traumatizantes como esta. Antes que o violento golpe do pai lhe fosse desferido outra vez, quis fugir de tudo aquilo. Fechou os olhos e desejou voltar muito, muito, muito tempo antes disso.
               Tempo demais.
          Acabou voltando para quando ainda nem tinha nascido. Fechou os olhos. E não mais os abriu. Inconsistente. Inconsciente. Jazendo na infinita escuridão.
          Ainda levaria 50 anos para que seu pequenino corpo voltasse a deixar o ventre de sua mãe para ser finalmente reapresentado à luz.

(Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas-pequenas/viagem-tempo. Acesso em: setembro de 2024.)
No trecho “Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, [...]” (7º§), a função gramatical da expressão “e quando os abriu” (7º§) é:
Alternativas
Q3068384 Português
Texto para respondeu à questão.

Viagem no tempo

        Tinha um dom único: viajar no tempo. Sem máquina, maquinaria, apetrechos ou afins. Um deslocar-se assustadoramente unidirecional: voltava no tempo. Jamais podia avançar no futuro. Descobriu o dom assim, do nada. Na juventude, 12 ou 13 anos, perdido entre lâminas afiadas do arrependimento, desejou voltar atrás e refazer tudo. Fechou os olhos, e de repente… estava lá. O mesmo corpo. A mesma cena. Um minuto antes. Tempo suficiente para desfazer a bobagem. Ou melhor ainda, nem sequer cometê-la.
            Atordoado, passou dias dominado pelo terror. Demorou anos para reunir coragem e realizar o feito, novamente. Foi aos 18 anos. Quando disse para a mulher que amava que ela era a pior coisa que lhe tinha acontecido. O momento de irreflexão. A raiva aflorando na pele ressequida, descontentamento. O desejo de fazer outrem se sentir tão pesaroso quanto si próprio. A palavra desferida. Os olhos dela marejando lágrimas. O arrependimento lhe rasgando artéria pulmonar e aorta. Ventrículo despedaçado. Arrependeu-se. Então, fechou os olhos e conseguiu: 20 segundos antes. Já estava com a boca aberta para desferir irreflexão mordaz, quando a fechou, respirou fundo, repensou palavras e sentimentos, e arrematou:
                – Odeio quando brigamos. Eu preciso do seu sorriso. Me deixe lutar por ele.
         Namoro rompido salvo pela viagem no tempo. Um corpo que sangra, agora, estancado. Idílio no lugar do choro arrependido.
            Achou que deveria explorar o dom. O medo circulava em suas veias entupidas. Sangue coagulado. Mas precisava enfrentá-lo. Começou aos poucos. Voltou dois minutos em um dia. Cinco, em outro. Dez, no seguinte. Aos poucos, conquistou coragem. Sua confiança rompendo vasos. O sangue ganhando espaço. 200 km por hora. Que tal um salto maior? Cansou-se dos minutos. Desta vez, voltaria um ano. Fechou os olhos, e conseguiu.
            Aos 27 anos, descontente com os rumos que sua vida tomara, suspirou. Vida amorosa, profissão, vida social. Refaria tudo se pudesse. Refaria. Se pudesse. Mas podia. E faria.
            Sentiu falta dos tempos de infância. Sabia que era uma loucura. A viagem era unilateral. Se voltasse para sua infância, precisaria reviver tudo novamente, alterando o que quisesse, refazendo o que lhe conviesse. Cansado da morbidez do agora, decidiu enfrentar a viagem. Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, pés descalços, canela perebenta. No meio da casa. A casa de sua infância. Ofegante. O corpo ardendo. Gosto de sangue. Um corpo que arde. Viu-se com o rosto banhado em lágrimas. Tudo doía. Tudo. O pai, monstruoso e bêbado, de pé em sua frente, cinta em mãos. Ergueu o braço para golpeá-lo novamente. Péssima época ele escolheu para retornar. Não tinha um registro de tudo o que lhe acontecera. Se tivesse, evitaria voltar em épocas traumatizantes como esta. Antes que o violento golpe do pai lhe fosse desferido outra vez, quis fugir de tudo aquilo. Fechou os olhos e desejou voltar muito, muito, muito tempo antes disso.
               Tempo demais.
          Acabou voltando para quando ainda nem tinha nascido. Fechou os olhos. E não mais os abriu. Inconsistente. Inconsciente. Jazendo na infinita escuridão.
          Ainda levaria 50 anos para que seu pequenino corpo voltasse a deixar o ventre de sua mãe para ser finalmente reapresentado à luz.

(Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas-pequenas/viagem-tempo. Acesso em: setembro de 2024.)
No contexto do texto, a expressão “Fechou os olhos e de repente… estava lá.” (1º§) é um exemplo de informalidade na língua porque:
Alternativas
Q3068383 Português
Texto para respondeu à questão.

Viagem no tempo

        Tinha um dom único: viajar no tempo. Sem máquina, maquinaria, apetrechos ou afins. Um deslocar-se assustadoramente unidirecional: voltava no tempo. Jamais podia avançar no futuro. Descobriu o dom assim, do nada. Na juventude, 12 ou 13 anos, perdido entre lâminas afiadas do arrependimento, desejou voltar atrás e refazer tudo. Fechou os olhos, e de repente… estava lá. O mesmo corpo. A mesma cena. Um minuto antes. Tempo suficiente para desfazer a bobagem. Ou melhor ainda, nem sequer cometê-la.
            Atordoado, passou dias dominado pelo terror. Demorou anos para reunir coragem e realizar o feito, novamente. Foi aos 18 anos. Quando disse para a mulher que amava que ela era a pior coisa que lhe tinha acontecido. O momento de irreflexão. A raiva aflorando na pele ressequida, descontentamento. O desejo de fazer outrem se sentir tão pesaroso quanto si próprio. A palavra desferida. Os olhos dela marejando lágrimas. O arrependimento lhe rasgando artéria pulmonar e aorta. Ventrículo despedaçado. Arrependeu-se. Então, fechou os olhos e conseguiu: 20 segundos antes. Já estava com a boca aberta para desferir irreflexão mordaz, quando a fechou, respirou fundo, repensou palavras e sentimentos, e arrematou:
                – Odeio quando brigamos. Eu preciso do seu sorriso. Me deixe lutar por ele.
         Namoro rompido salvo pela viagem no tempo. Um corpo que sangra, agora, estancado. Idílio no lugar do choro arrependido.
            Achou que deveria explorar o dom. O medo circulava em suas veias entupidas. Sangue coagulado. Mas precisava enfrentá-lo. Começou aos poucos. Voltou dois minutos em um dia. Cinco, em outro. Dez, no seguinte. Aos poucos, conquistou coragem. Sua confiança rompendo vasos. O sangue ganhando espaço. 200 km por hora. Que tal um salto maior? Cansou-se dos minutos. Desta vez, voltaria um ano. Fechou os olhos, e conseguiu.
            Aos 27 anos, descontente com os rumos que sua vida tomara, suspirou. Vida amorosa, profissão, vida social. Refaria tudo se pudesse. Refaria. Se pudesse. Mas podia. E faria.
            Sentiu falta dos tempos de infância. Sabia que era uma loucura. A viagem era unilateral. Se voltasse para sua infância, precisaria reviver tudo novamente, alterando o que quisesse, refazendo o que lhe conviesse. Cansado da morbidez do agora, decidiu enfrentar a viagem. Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, pés descalços, canela perebenta. No meio da casa. A casa de sua infância. Ofegante. O corpo ardendo. Gosto de sangue. Um corpo que arde. Viu-se com o rosto banhado em lágrimas. Tudo doía. Tudo. O pai, monstruoso e bêbado, de pé em sua frente, cinta em mãos. Ergueu o braço para golpeá-lo novamente. Péssima época ele escolheu para retornar. Não tinha um registro de tudo o que lhe acontecera. Se tivesse, evitaria voltar em épocas traumatizantes como esta. Antes que o violento golpe do pai lhe fosse desferido outra vez, quis fugir de tudo aquilo. Fechou os olhos e desejou voltar muito, muito, muito tempo antes disso.
               Tempo demais.
          Acabou voltando para quando ainda nem tinha nascido. Fechou os olhos. E não mais os abriu. Inconsistente. Inconsciente. Jazendo na infinita escuridão.
          Ainda levaria 50 anos para que seu pequenino corpo voltasse a deixar o ventre de sua mãe para ser finalmente reapresentado à luz.

(Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas-pequenas/viagem-tempo. Acesso em: setembro de 2024.)
Qual foi o principal motivo que levou o protagonista a usar seu dom de viajar no tempo na sua juventude? 
Alternativas
Q3068382 Pedagogia
Na avaliação escolar, como em qualquer outro tipo de avaliação, é necessário estabelecer critérios, senão não temos como perceber se o aluno está ou não se aproximando ao que dele se espera. Os critérios representam o que é julgado essencial em uma determinada área de conhecimento e tornam claras as referências utilizadas para a avaliação, servindo de base para a construção de fontes mais seguras de informações sobre o ponto que está a aprendizagem avaliada e o que falta para chegar ao desejado. Acerca dos critérios de avaliação, analise as afirmativas a seguir.
I. A clareza e a compreensão dos critérios de avaliação pelos alunos são fundamentais para a construção da autonomia intelectual, pois permitem que eles direcionem seus estudos e compreendam o que se espera deles.
II. A participação dos alunos na construção e discussão dos critérios de avaliação promove uma relação mais democrática e colaborativa entre professor e alunos, além de favorecer a aprendizagem significativa.
III. A flexibilidade dos critérios de avaliação é fundamental para garantir que o processo avaliativo seja adaptado às necessidades e particularidades de cada turma e de cada aluno.
IV. A utilização de instrumentos de avaliação que não se alinham aos critérios estabelecidos compromete a validade e a confiabilidade do processo avaliativo.
V. Os alunos podem sugerir modificações nos critérios de avaliação, o que significa deixar de levar em conta os objetivos que os originaram.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3068381 Pedagogia
A sala de aula é um complexo, é um mundo, digamos, é a alma da escola, onde as coisas acontecem, ou não. Ao tratar daquilo que normalmente mais ocupa o docente, a questão do conteúdo, da metodologia, da construção do conhecimento, sentimos necessidade de situar a reflexão no contexto maior da sala de aula, justamente para não reduzir a complexidade da atividade docente. O trabalho com o conhecimento, embora nuclear, não esgota o trabalho do professor. Existem outras duas dimensões que devem ser agregadas quando pensamos na gestão da sala de aula: relacionamento interpessoal e organização da coletividade de sala de aula. Sobre o relacionamento interpessoal entre professor e alunos, analise as afirmativas a seguir.
I. É fundamental para a construção do conhecimento e o desenvolvimento humano do estudante, mas não interfere diretamente no processo de ensino-aprendizagem.
II. A capacidade do professor de conhecer cada aluno individualmente é essencial para uma prática pedagógica eficaz, independentemente das condições de trabalho e da complexidade das turmas.
III. A construção de um vínculo positivo entre professor e aluno é crucial para a criação de um ambiente de aprendizagem seguro e colaborativo, onde os estudantes se sintam motivados a aprender e a superar desafios.
IV. O amor à profissão e o compromisso com a aprendizagem de todos os alunos são elementos fundamentais para o sucesso da prática pedagógica e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
V. O professor deve priorizar a individualidade de cada aluno, desconsiderando as características e as necessidades do grupo como um todo.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3068380 Pedagogia
O planejamento escolar, por si só, não garante o processo de ensino e aprendizagem. A prática, o acúmulo de experiência docente e a formação continuada fazem do planejamento um momento de reflexão madura e de avaliação da própria atuação. Além disso, o planejamento deve ser pensado de forma integrada, considerando as diferentes dimensões do processo educativo. Com esse embasamento, percebe-se que o planejamento escolar:
I. Terá todos os seus elementos, objetivos, conteúdos, métodos e avaliação, independentes entre si, contribuindo para sua efetividade.
II. Será norte para as ações do professor, mas, ao mesmo tempo, flexível para se adaptar às necessidades e mudanças que surgirem durante o processo de ensino-aprendizagem.
III. Será revisto ao final cada ano letivo, considerando as necessidades de continuidade e permanência do planejado enquanto o ano letivo estiver sendo efetivado, evitando rupturas e descontinuidade.
IV. Contemplará atividades e conteúdos organizados de forma que um leve ao outro.
V. Estará alinhado com a realidade da sala de aula e com os objetivos educacionais, favorecendo propostas vagas ou genéricas.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Respostas
9201: C
9202: C
9203: D
9204: B
9205: A
9206: B
9207: B
9208: A
9209: D
9210: A
9211: D
9212: A
9213: D
9214: D
9215: C
9216: D
9217: B
9218: D
9219: A
9220: B