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Ano: 2025 Banca: UNEB Órgão: SEC-BA Prova: UNEB - 2025 - SEC-BA - Professor - Português |
Q3626524 Português

O texto seguinte servirá de base para responder às questão.



Quem Tem Amigo Tem Tudo: A Essência da Boa Saúde Mental



Quando alguém me procura para cuidar da sua questão de saúde mental, há três pontos que presto especial atenção: se a pessoa pratica alguma atividade física (qualquer uma), como está a qualidade do sono dela e se ela tem amigos. Esses são os três indicadores, na minha opinião, de que algo vai bem ou mal com aquele paciente. Um número surpreendente de pessoas com problemas de saúde mental me relata não ter amigos, apenas conhecidos. A verdade é que a amizade não é apenas um conforto social; é um pilar imprescindível da nossa saúde mental e bem-estar.


E inúmeras pesquisas vêm demonstrando isso ao longo dos anos. As evidências são claras: ter amigos aumenta a nossa satisfação com a vida e tem sido associado a menores chances de uma pessoa sofrer de depressão e de ansiedade. Mais do que isso, a amizade comprovadamente aumenta a longevidade. Embora a relação não seja direta, estudos demonstram que a amizade diminui a probabilidade de uma pessoa morrer de todas as causas possíveis, entre elas, de uma doença crônica e de problemas cardíacos.


Além disso, amigos nos mantêm mentalmente ativos e, muitas vezes, fisicamente ativos. Basta ver como ter um amigo companheiro de atividade esportiva ajuda a nos mantermos engajados nos treinos.


Para além do impacto positivo na saúde e saúde mental, a amizade é um indicador importante de felicidade e de bem-estar. Curiosamente, algumas pesquisas revelam inclusive que ter amigos é ainda mais significativo na terceira idade. Relacionar-se com amigos nessa fase da vida, mostrou um estudo americano, traz mais efeitos positivos do que os próprios relacionamentos familiares.


Amigos são aqueles que agem como o "grilo falante" do Pinóquio: nem sempre falam algo que queremos ouvir, mas estão ali para orientar, aconselhar e servir como bússola moral em momentos de dúvida. Por fim, as amizades podem desempenhar um papel crucial na recuperação de problemas de saúde mental e, principalmente, ajudar quem está sofrendo a superar a sensação de isolamento que muitas vezes acompanha um diagnóstico psiquiátrico.


Como Fazer Amigos e Mantê-los 


As relações de amizade não nascem nem florescem sem esforço de cada uma das partes. Eis algumas dicas para fazer novas amizades ou aprofundar as que você já tem.


Esteja preparado para ouvir: Nada tem sido tão difícil nesse mundo dominado pelas plataformas digitais do que parar e ouvir o que o outro tem a dizer e acolher as suas dores e angústias. Estar presente para o seu amigo, mesmo que você não se sinta preparado para responder ao desabafo dele, já é um grande passo e um ato de profunda conexão.


Aja com seu amigo do modo como gostaria que ele agisse com você: Esse é o princípio básico do colocar-se no lugar do outro e da empatia − a base de qualquer relação verdadeira.


Consistência é chave: Relações entre amigos exigem o mesmo cuidado que com plantas e animais. É preciso adubar, regar e dar alimento diariamente. Isso não significa que você precise falar com seus amigos todos os dias, mas que talvez seja necessário se fazer presente de forma consistente na vida deles.


No Dia do Amigo, 20 de julho, gostaria de passar a seguinte mensagem: amizades não se tratam de números, de quem tem mais ou menos, mas de cultivar o cuidado genuíno, de deixar-se ser cuidado pelo outro, abrir-se e estar verdadeiramente aberto para o outro.



https://forbes.com.br/coluna/2025/07/quem-tem-amigo-tem-tudo-a-esse ncia-da-boa-saude-mental/ 

Analise os trechos retirados do texto e identifique aquele que apresenta uma opinião.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UNEB Órgão: SEC-BA Prova: UNEB - 2025 - SEC-BA - Professor - Português |
Q3626523 Português

O texto seguinte servirá de base para responder às questão.



Quem Tem Amigo Tem Tudo: A Essência da Boa Saúde Mental



Quando alguém me procura para cuidar da sua questão de saúde mental, há três pontos que presto especial atenção: se a pessoa pratica alguma atividade física (qualquer uma), como está a qualidade do sono dela e se ela tem amigos. Esses são os três indicadores, na minha opinião, de que algo vai bem ou mal com aquele paciente. Um número surpreendente de pessoas com problemas de saúde mental me relata não ter amigos, apenas conhecidos. A verdade é que a amizade não é apenas um conforto social; é um pilar imprescindível da nossa saúde mental e bem-estar.


E inúmeras pesquisas vêm demonstrando isso ao longo dos anos. As evidências são claras: ter amigos aumenta a nossa satisfação com a vida e tem sido associado a menores chances de uma pessoa sofrer de depressão e de ansiedade. Mais do que isso, a amizade comprovadamente aumenta a longevidade. Embora a relação não seja direta, estudos demonstram que a amizade diminui a probabilidade de uma pessoa morrer de todas as causas possíveis, entre elas, de uma doença crônica e de problemas cardíacos.


Além disso, amigos nos mantêm mentalmente ativos e, muitas vezes, fisicamente ativos. Basta ver como ter um amigo companheiro de atividade esportiva ajuda a nos mantermos engajados nos treinos.


Para além do impacto positivo na saúde e saúde mental, a amizade é um indicador importante de felicidade e de bem-estar. Curiosamente, algumas pesquisas revelam inclusive que ter amigos é ainda mais significativo na terceira idade. Relacionar-se com amigos nessa fase da vida, mostrou um estudo americano, traz mais efeitos positivos do que os próprios relacionamentos familiares.


Amigos são aqueles que agem como o "grilo falante" do Pinóquio: nem sempre falam algo que queremos ouvir, mas estão ali para orientar, aconselhar e servir como bússola moral em momentos de dúvida. Por fim, as amizades podem desempenhar um papel crucial na recuperação de problemas de saúde mental e, principalmente, ajudar quem está sofrendo a superar a sensação de isolamento que muitas vezes acompanha um diagnóstico psiquiátrico.


Como Fazer Amigos e Mantê-los 


As relações de amizade não nascem nem florescem sem esforço de cada uma das partes. Eis algumas dicas para fazer novas amizades ou aprofundar as que você já tem.


Esteja preparado para ouvir: Nada tem sido tão difícil nesse mundo dominado pelas plataformas digitais do que parar e ouvir o que o outro tem a dizer e acolher as suas dores e angústias. Estar presente para o seu amigo, mesmo que você não se sinta preparado para responder ao desabafo dele, já é um grande passo e um ato de profunda conexão.


Aja com seu amigo do modo como gostaria que ele agisse com você: Esse é o princípio básico do colocar-se no lugar do outro e da empatia − a base de qualquer relação verdadeira.


Consistência é chave: Relações entre amigos exigem o mesmo cuidado que com plantas e animais. É preciso adubar, regar e dar alimento diariamente. Isso não significa que você precise falar com seus amigos todos os dias, mas que talvez seja necessário se fazer presente de forma consistente na vida deles.


No Dia do Amigo, 20 de julho, gostaria de passar a seguinte mensagem: amizades não se tratam de números, de quem tem mais ou menos, mas de cultivar o cuidado genuíno, de deixar-se ser cuidado pelo outro, abrir-se e estar verdadeiramente aberto para o outro.



https://forbes.com.br/coluna/2025/07/quem-tem-amigo-tem-tudo-a-esse ncia-da-boa-saude-mental/ 

"Quando alguém me procura para cuidar da sua questão de saúde mental, há três pontos que presto especial atenção: se a pessoa pratica alguma atividade física (qualquer uma), como está a qualidade do sono dela e se ela tem amigos. Esses são os três indicadores, na minha opinião, de que algo vai bem ou mal com aquele paciente." Após analisar as relações coesivas presentes no trecho acima, marque (V), para as afirmativas verdadeiras, ou (F), para as falsas:

(__)O emprego dos pronomes 'dela' e 'ela' são exemplos de coesão referencial anafórica retomando a expressão 'questão'. 
(__)O pronome 'esses' realiza uma substituição coesiva, retomando os três pontos citados anteriormente.
(__)A conjunção 'e' estabelece uma oposição entre os dois elementos: a qualidade do sono e a amizade.
(__)A expressão 'na minha opinião' funciona como um marcador de subjetividade, indicando que aquilo que vem a seguir é uma opinião pessoal, e não uma verdade absoluta ou um dado objetivo, o que enfraquece e compromete a validade da argumentação.

A sequência que preenche corretamente os parênteses acima é:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UNEB Órgão: SEC-BA Prova: UNEB - 2025 - SEC-BA - Professor - Português |
Q3626522 Português

O texto seguinte servirá de base para responder às questão.



Quem Tem Amigo Tem Tudo: A Essência da Boa Saúde Mental



Quando alguém me procura para cuidar da sua questão de saúde mental, há três pontos que presto especial atenção: se a pessoa pratica alguma atividade física (qualquer uma), como está a qualidade do sono dela e se ela tem amigos. Esses são os três indicadores, na minha opinião, de que algo vai bem ou mal com aquele paciente. Um número surpreendente de pessoas com problemas de saúde mental me relata não ter amigos, apenas conhecidos. A verdade é que a amizade não é apenas um conforto social; é um pilar imprescindível da nossa saúde mental e bem-estar.


E inúmeras pesquisas vêm demonstrando isso ao longo dos anos. As evidências são claras: ter amigos aumenta a nossa satisfação com a vida e tem sido associado a menores chances de uma pessoa sofrer de depressão e de ansiedade. Mais do que isso, a amizade comprovadamente aumenta a longevidade. Embora a relação não seja direta, estudos demonstram que a amizade diminui a probabilidade de uma pessoa morrer de todas as causas possíveis, entre elas, de uma doença crônica e de problemas cardíacos.


Além disso, amigos nos mantêm mentalmente ativos e, muitas vezes, fisicamente ativos. Basta ver como ter um amigo companheiro de atividade esportiva ajuda a nos mantermos engajados nos treinos.


Para além do impacto positivo na saúde e saúde mental, a amizade é um indicador importante de felicidade e de bem-estar. Curiosamente, algumas pesquisas revelam inclusive que ter amigos é ainda mais significativo na terceira idade. Relacionar-se com amigos nessa fase da vida, mostrou um estudo americano, traz mais efeitos positivos do que os próprios relacionamentos familiares.


Amigos são aqueles que agem como o "grilo falante" do Pinóquio: nem sempre falam algo que queremos ouvir, mas estão ali para orientar, aconselhar e servir como bússola moral em momentos de dúvida. Por fim, as amizades podem desempenhar um papel crucial na recuperação de problemas de saúde mental e, principalmente, ajudar quem está sofrendo a superar a sensação de isolamento que muitas vezes acompanha um diagnóstico psiquiátrico.


Como Fazer Amigos e Mantê-los 


As relações de amizade não nascem nem florescem sem esforço de cada uma das partes. Eis algumas dicas para fazer novas amizades ou aprofundar as que você já tem.


Esteja preparado para ouvir: Nada tem sido tão difícil nesse mundo dominado pelas plataformas digitais do que parar e ouvir o que o outro tem a dizer e acolher as suas dores e angústias. Estar presente para o seu amigo, mesmo que você não se sinta preparado para responder ao desabafo dele, já é um grande passo e um ato de profunda conexão.


Aja com seu amigo do modo como gostaria que ele agisse com você: Esse é o princípio básico do colocar-se no lugar do outro e da empatia − a base de qualquer relação verdadeira.


Consistência é chave: Relações entre amigos exigem o mesmo cuidado que com plantas e animais. É preciso adubar, regar e dar alimento diariamente. Isso não significa que você precise falar com seus amigos todos os dias, mas que talvez seja necessário se fazer presente de forma consistente na vida deles.


No Dia do Amigo, 20 de julho, gostaria de passar a seguinte mensagem: amizades não se tratam de números, de quem tem mais ou menos, mas de cultivar o cuidado genuíno, de deixar-se ser cuidado pelo outro, abrir-se e estar verdadeiramente aberto para o outro.



https://forbes.com.br/coluna/2025/07/quem-tem-amigo-tem-tudo-a-esse ncia-da-boa-saude-mental/ 

Analise o texto-base identificando sua ideia principal, como se estabelecem as relações de coerência, além de relações de comparação e contraste, e identifique a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3624596 Português
Segundo Bakhtin (1992) e Marcuschi (2008), os gêneros do discurso são formas relativamente estáveis de enunciados que se consolidam historicamente na interação social e possuem características estruturais próprias. Cada gênero apresenta finalidade comunicativa, temas recorrentes e organização interna, refletindo contextos sociais específicos. 

Considerando essas ideias, assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3624595 Português
De acordo com estudos de Bagno (2007) e Faraco (2011), o ensino da Língua Portuguesa deve considerar a norma culta como referência formal de comunicação, sem desconsiderar a variação linguística e os diferentes registros presentes na sociedade. O professor de língua deve, portanto, mediar o ensino da norma culta, articulando regras gramaticais e situações reais de uso da linguagem, promovendo competência comunicativa crítica nos estudantes. 

Nessa perspectiva, é CORRETO afirmar que:  
Alternativas
Q3624594 Português
Segundo Marcuschi (2008) e Yule (2010), a linguagem humana possui diferentes dimensões que permitem ao falante construir sentido, organizar estruturas e interagir adequadamente em contextos comunicativos. A comunicação eficaz em Língua Portuguesa depende do domínio simultâneo dessas dimensões, garantindo coerência, clareza e adequação à situação de comunicação. 

Considerando essas ideias, é CORRETO associar:  
Alternativas
Q3624593 Português
A respeito da gramática prescritiva (ou normativa), analise as afirmativas a seguir e assinale V para VERDADEIRO e F para FALSO:

( ) A gramática prescritiva busca descrever a língua tal como é utilizada pelos falantes em diferentes contextos sociais.
( ) Essa abordagem estabelece regras e padrões considerados corretos, indicando como a língua deve ser usada, especialmente na escrita formal.
( ) A gramática normativa valoriza exclusivamente a norma-padrão e tende a desconsiderar variações linguísticas regionais e sociais.
( ) Um dos desafios da gramática prescritiva é que ela pode limitar a criatividade linguística dos falantes ao enfatizar apenas a correção normativa. 

Assinale a alternativa CORRETA quanto à veracidade das afirmativas: 
Alternativas
Q3624592 Português
O conceito de dialogismo, conforme Bakhtin, indica que: 
Alternativas
Q3624591 Literatura
Luís Fernando Veríssimo (1936 –2025) foi um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos, reconhecido por suas crônicas, contos e sátiras, marcadas pelo humor refinado e crítica social. Considerando sua produção literária e o lugar de Veríssimo na história da literatura em língua portuguesa, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3624590 Literatura
TEXTO II


Vozes-Mulheres 
Conceição Evaristo

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue e
 fome.


A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.


(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25.
Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-
autoras/923-conceicao-evaristo-vozes-mulheres
Ainda sobre o poema Vozes-Mulheres, Conceição Evaristo, ele reflete uma tradição literária que resgata experiências históricas de sujeitos marginalizados, em especial mulheres negras, articulando memória, resistência e subjetividade. 

Considerando os paradigmas estéticos e movimentos literários da literatura em língua portuguesa, é correto afirmar que o poema:
Alternativas
Q3624589 Português
TEXTO II


Vozes-Mulheres 
Conceição Evaristo

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue e
 fome.


A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.


(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25.
Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-
autoras/923-conceicao-evaristo-vozes-mulheres
No poema lido (Texto II), a autora apresenta a sucessão de vozes femininas de diferentes gerações, culminando na voz da filha:

A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
a fala e o ato. 

Nesse contexto, o ato de recolher a fala simboliza uma dimensão do ser humano relacionada à escrita e à linguagem. Assinale a alternativa que melhor interpreta essa potencialidade humana no poema:
Alternativas
Q3624588 Português
TEXTO II


Vozes-Mulheres 
Conceição Evaristo

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue e
 fome.


A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.


(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25.
Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-
autoras/923-conceicao-evaristo-vozes-mulheres
No texto II, a repetição da expressão “A voz de...” ao longo das estrofes funciona como um recurso textual que contribui tanto para a progressão quanto para a unidade temática do texto.

Considerando os mecanismos de coesão e os fatores de coerência textual, é correto afirmar que essa repetição   
Alternativas
Q3624587 Português
TEXTO II


Vozes-Mulheres 
Conceição Evaristo

A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue e
 fome.


A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.


(In: Poemas de recordação e outros movimentos, 3.ed., p. 24-25.
Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-
autoras/923-conceicao-evaristo-vozes-mulheres
No poema “Vozes-Mulheres”, de Conceição Evaristo, a seleção lexical e a disposição gráfica dos versos evidenciam uma preocupação que transcende o simples ato de comunicar. Nesse contexto, a linguagem adquire uma função primordial que, segundo os estudos linguísticos de Roman Jakobson, está relacionada:       
Alternativas
Q3624586 Português

Leia o texto abaixo e responda às questão. 


TEXTO I


Reflexões de um burro 


8 de abril


Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve-me a impertinência; os gostos não são iguais. 


Entre a grade do jardim da Praça Quinze de novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bonds, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os nossos furavam lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mas tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.


Diante do animal havia algum capim espalhado e uma lata com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma piedade houve no dono ou quem quer que é que o deixou na praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem bebeu da água; estava para outros capins e outras águas, em campos mais largos e eternos.


Meia dúzia de curiosos tinham parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas justamente lado da anca. Diga-se a do verdade; não o fez — ao menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos. Esses poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há justiça na terra, valerão por um século, tal foi a descoberta que me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos. 


O que me pareceu, é que o burro fazia exame de consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, tinha no olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho interior e profundo. Este remoque popular: por pensar morreu um burro mostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não há dúvida que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura maior; não decifrei palavras escritas, más idéias íntimas de criatura que não podia exprimi-las verbalmente.


E diria o burro consigo:


“Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes de haver aprendido maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que é apanhar e calar. Quanto ao zurro, usei dele como linguagem. Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a zurrar por ser costume velho, não com idéia de agravar ninguém. Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bond, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando a autoridade.


“Passando a ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarando os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de Estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses dá minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima, que é, em resumo, o meu único defeito. Quando não teimava, mordia freio, dando assim um bonito exemplo de submissão e conformidade. Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês o tílburi ou o apito do bond, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos os bens que pratiquei.


“A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando depressa tílburi e o namorado à casa da namorada — ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia no bond podia mirar a moça que estava na janela. Não poucos devedores terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses que chamam patuscos, queria fazer rir os amigos, fui sempre em auxílio dele, deixando que me desse tapas e punhadas na cara. Enfim…”


Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à tristeza de que um burro tão bom pensador ia morrer. A consideração, porém, de que todos os burros devem ter os mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam, não seriam menos exemplares que esse. Por que se não investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também, coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o mesmo ao burro, que é maior? 


Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de novembro, achei o animal já morto.


Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver, espetáculo repugnante; mas a infância, como a ciência, é curiosa sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século. 



Requiescat in pace.


Machado de Assis – “A Semana” (crônicas 1892-1900) Disponível em: https://revistamacondo.wordpress.com/2012/01/13/cronica-machado-de-assis-reflexoes-de-um-burro/




Releia:

"Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite." (último parágrafo)

No trecho acima, a palavra destacada exerce a função de:  
Alternativas
Q3624585 Português

Leia o texto abaixo e responda às questão. 


TEXTO I


Reflexões de um burro 


8 de abril


Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve-me a impertinência; os gostos não são iguais. 


Entre a grade do jardim da Praça Quinze de novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bonds, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os nossos furavam lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mas tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.


Diante do animal havia algum capim espalhado e uma lata com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma piedade houve no dono ou quem quer que é que o deixou na praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem bebeu da água; estava para outros capins e outras águas, em campos mais largos e eternos.


Meia dúzia de curiosos tinham parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas justamente lado da anca. Diga-se a do verdade; não o fez — ao menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos. Esses poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há justiça na terra, valerão por um século, tal foi a descoberta que me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos. 


O que me pareceu, é que o burro fazia exame de consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, tinha no olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho interior e profundo. Este remoque popular: por pensar morreu um burro mostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não há dúvida que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura maior; não decifrei palavras escritas, más idéias íntimas de criatura que não podia exprimi-las verbalmente.


E diria o burro consigo:


“Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes de haver aprendido maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que é apanhar e calar. Quanto ao zurro, usei dele como linguagem. Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a zurrar por ser costume velho, não com idéia de agravar ninguém. Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bond, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando a autoridade.


“Passando a ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarando os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de Estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses dá minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima, que é, em resumo, o meu único defeito. Quando não teimava, mordia freio, dando assim um bonito exemplo de submissão e conformidade. Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês o tílburi ou o apito do bond, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos os bens que pratiquei.


“A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando depressa tílburi e o namorado à casa da namorada — ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia no bond podia mirar a moça que estava na janela. Não poucos devedores terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses que chamam patuscos, queria fazer rir os amigos, fui sempre em auxílio dele, deixando que me desse tapas e punhadas na cara. Enfim…”


Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à tristeza de que um burro tão bom pensador ia morrer. A consideração, porém, de que todos os burros devem ter os mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam, não seriam menos exemplares que esse. Por que se não investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também, coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o mesmo ao burro, que é maior? 


Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de novembro, achei o animal já morto.


Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver, espetáculo repugnante; mas a infância, como a ciência, é curiosa sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século. 



Requiescat in pace.


Machado de Assis – “A Semana” (crônicas 1892-1900) Disponível em: https://revistamacondo.wordpress.com/2012/01/13/cronica-machado-de-assis-reflexoes-de-um-burro/




No trecho do texto: 



"De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite." (último parágrafo)



Considerando a perspectiva de Bakhtin (1992) sobre a linguagem literária como interação entre enunciador e receptor, a função comunicativa desse trecho é: 

Alternativas
Q3624584 Português

Leia o texto abaixo e responda às questão. 


TEXTO I


Reflexões de um burro 


8 de abril


Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve-me a impertinência; os gostos não são iguais. 


Entre a grade do jardim da Praça Quinze de novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bonds, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os nossos furavam lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mas tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.


Diante do animal havia algum capim espalhado e uma lata com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma piedade houve no dono ou quem quer que é que o deixou na praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem bebeu da água; estava para outros capins e outras águas, em campos mais largos e eternos.


Meia dúzia de curiosos tinham parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas justamente lado da anca. Diga-se a do verdade; não o fez — ao menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos. Esses poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há justiça na terra, valerão por um século, tal foi a descoberta que me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos. 


O que me pareceu, é que o burro fazia exame de consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, tinha no olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho interior e profundo. Este remoque popular: por pensar morreu um burro mostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não há dúvida que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura maior; não decifrei palavras escritas, más idéias íntimas de criatura que não podia exprimi-las verbalmente.


E diria o burro consigo:


“Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes de haver aprendido maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que é apanhar e calar. Quanto ao zurro, usei dele como linguagem. Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a zurrar por ser costume velho, não com idéia de agravar ninguém. Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bond, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando a autoridade.


“Passando a ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarando os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de Estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses dá minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima, que é, em resumo, o meu único defeito. Quando não teimava, mordia freio, dando assim um bonito exemplo de submissão e conformidade. Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês o tílburi ou o apito do bond, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos os bens que pratiquei.


“A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando depressa tílburi e o namorado à casa da namorada — ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia no bond podia mirar a moça que estava na janela. Não poucos devedores terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses que chamam patuscos, queria fazer rir os amigos, fui sempre em auxílio dele, deixando que me desse tapas e punhadas na cara. Enfim…”


Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à tristeza de que um burro tão bom pensador ia morrer. A consideração, porém, de que todos os burros devem ter os mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam, não seriam menos exemplares que esse. Por que se não investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também, coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o mesmo ao burro, que é maior? 


Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de novembro, achei o animal já morto.


Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver, espetáculo repugnante; mas a infância, como a ciência, é curiosa sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século. 



Requiescat in pace.


Machado de Assis – “A Semana” (crônicas 1892-1900) Disponível em: https://revistamacondo.wordpress.com/2012/01/13/cronica-machado-de-assis-reflexoes-de-um-burro/




Considerando o texto “Reflexões de um burro” de Machado de Assis, é CORRETO afirmar que o registro predominante apresenta: 
Alternativas
Q3624583 Português

Leia o texto abaixo e responda às questão. 


TEXTO I


Reflexões de um burro 


8 de abril


Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve-me a impertinência; os gostos não são iguais. 


Entre a grade do jardim da Praça Quinze de novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bonds, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os nossos furavam lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mas tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.


Diante do animal havia algum capim espalhado e uma lata com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma piedade houve no dono ou quem quer que é que o deixou na praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem bebeu da água; estava para outros capins e outras águas, em campos mais largos e eternos.


Meia dúzia de curiosos tinham parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas justamente lado da anca. Diga-se a do verdade; não o fez — ao menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos. Esses poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há justiça na terra, valerão por um século, tal foi a descoberta que me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos. 


O que me pareceu, é que o burro fazia exame de consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, tinha no olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho interior e profundo. Este remoque popular: por pensar morreu um burro mostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não há dúvida que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura maior; não decifrei palavras escritas, más idéias íntimas de criatura que não podia exprimi-las verbalmente.


E diria o burro consigo:


“Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes de haver aprendido maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que é apanhar e calar. Quanto ao zurro, usei dele como linguagem. Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a zurrar por ser costume velho, não com idéia de agravar ninguém. Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bond, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando a autoridade.


“Passando a ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarando os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de Estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses dá minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima, que é, em resumo, o meu único defeito. Quando não teimava, mordia freio, dando assim um bonito exemplo de submissão e conformidade. Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês o tílburi ou o apito do bond, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos os bens que pratiquei.


“A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando depressa tílburi e o namorado à casa da namorada — ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia no bond podia mirar a moça que estava na janela. Não poucos devedores terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses que chamam patuscos, queria fazer rir os amigos, fui sempre em auxílio dele, deixando que me desse tapas e punhadas na cara. Enfim…”


Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à tristeza de que um burro tão bom pensador ia morrer. A consideração, porém, de que todos os burros devem ter os mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam, não seriam menos exemplares que esse. Por que se não investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também, coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o mesmo ao burro, que é maior? 


Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de novembro, achei o animal já morto.


Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver, espetáculo repugnante; mas a infância, como a ciência, é curiosa sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século. 



Requiescat in pace.


Machado de Assis – “A Semana” (crônicas 1892-1900) Disponível em: https://revistamacondo.wordpress.com/2012/01/13/cronica-machado-de-assis-reflexoes-de-um-burro/




Na crônica de Machado de Assis, observe o trecho:



"De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite."



Nesse período, a oração destacada exerce a função de:  

Alternativas
Q3624582 Português

Leia o texto abaixo e responda às questão. 


TEXTO I


Reflexões de um burro 


8 de abril


Quinta-feira à tarde, pouco mais de três horas, vi uma coisa tão interessante, que determinei logo de começar por ela esta crônica. Agora, porém, no momento de pegar na pena, receio achar no leitor menor gosto que eu para um espetáculo, que lhe parecerá vulgar, e porventura torpe. Releve-me a impertinência; os gostos não são iguais. 


Entre a grade do jardim da Praça Quinze de novembro e o lugar onde era o antigo passadiço, ao pé dos trilhos de bonds, estava um burro deitado. O lugar não era próprio para remanso de burros, donde concluí que não estaria deitado, mas caído. Instantes depois, vimos (eu ia com um amigo), vimos o burro levantar a cabeça e meio corpo. Os nossos furavam lhe a pele, os olhos meio mortos fechavam-se de quando em quando. O infeliz cabeceava, mas tão frouxamente, que parecia estar próximo do fim.


Diante do animal havia algum capim espalhado e uma lata com água. Logo, não foi abandonado inteiramente; alguma piedade houve no dono ou quem quer que é que o deixou na praça, com essa última refeição à vista. Não foi pequena ação. Se o autor dela é homem que leia crônicas, e acaso ler esta, receba daqui um aperto de mão. O burro não comeu do capim, nem bebeu da água; estava para outros capins e outras águas, em campos mais largos e eternos.


Meia dúzia de curiosos tinham parado ao pé do animal. Um deles, menino de dez anos, empunhava uma vara, e se não sentia o desejo de dar com ela na anca do burro para espertá-lo, então eu não sei conhecer meninos, porque ele não estava do lado do pescoço, mas justamente lado da anca. Diga-se a do verdade; não o fez — ao menos enquanto ali estive, que foram poucos minutos. Esses poucos minutos, porém, valeram por uma hora ou duas. Se há justiça na terra, valerão por um século, tal foi a descoberta que me pareceu fazer, e aqui deixo recomendada aos estudiosos. 


O que me pareceu, é que o burro fazia exame de consciência. Indiferente aos curiosos, como ao capim e à água, tinha no olhar a expressão dos meditativos. Era um trabalho interior e profundo. Este remoque popular: por pensar morreu um burro mostra que o fenômeno foi mal entendido dos que a princípio o viram; o pensamento não é a causa da morte, a morte é que o torna necessário. Quanto à matéria do pensamento, não há dúvida que é o exame da consciência. Agora, qual foi o exame da consciência daquele burro, é o que presumo ter lido no escasso tempo que ali gastei. Sou outro Champollion, porventura maior; não decifrei palavras escritas, más idéias íntimas de criatura que não podia exprimi-las verbalmente.


E diria o burro consigo:


“Por mais que vasculhe a consciência, não acho pecado que mereça remorso. Não furtei, não menti, não matei, não caluniei, não ofendi nenhuma pessoa. Em toda a minha vida, se dei três coices, foi o mais, isso mesmo antes de haver aprendido maneiras de cidade e de saber o destino do verdadeiro burro, que é apanhar e calar. Quanto ao zurro, usei dele como linguagem. Ultimamente é que percebi que me não entendiam, e continuei a zurrar por ser costume velho, não com idéia de agravar ninguém. Nunca dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bond, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando a autoridade.


“Passando a ordem mais elevada de ações, não acho em mim a menor lembrança de haver pensado sequer na perturbação da paz pública. Além de ser a minha índole contrária a arruaças, a própria reflexão me diz que, não havendo nenhuma revolução declarando os direitos do burro, tais direitos não existem. Nenhum golpe de Estado foi dado em favor dele; nenhuma coroa os obrigou. Monarquia, democracia, oligarquia, nenhuma forma de governo, teve em conta os interesses dá minha espécie. Qualquer que seja o regímen, ronca o pau. O pau é a minha instituição um pouco temperada pela teima, que é, em resumo, o meu único defeito. Quando não teimava, mordia freio, dando assim um bonito exemplo de submissão e conformidade. Nunca perguntei por sóis nem chuvas; bastava sentir o freguês o tílburi ou o apito do bond, para sair logo. Até aqui os males que não fiz; vejamos os bens que pratiquei.


“A mais de uma aventura amorosa terei servido, levando depressa tílburi e o namorado à casa da namorada — ou simplesmente empacando em lugar onde o moço que ia no bond podia mirar a moça que estava na janela. Não poucos devedores terei conduzido para longe de um credor importuno. Ensinei filosofia a muita gente, esta filosofia que consiste na gravidade do porte e na quietação dos sentidos. Quando algum homem, desses que chamam patuscos, queria fazer rir os amigos, fui sempre em auxílio dele, deixando que me desse tapas e punhadas na cara. Enfim…”


Não percebi o resto, e fui andando, não menos alvoroçado que pesaroso. Contente da descoberta, não podia furtar-me à tristeza de que um burro tão bom pensador ia morrer. A consideração, porém, de que todos os burros devem ter os mesmos dotes principais, fez-me ver que os que ficavam, não seriam menos exemplares que esse. Por que se não investigará mais profundamente o moral do burro? Da abelha já se escreveu que é superior ao homem, e da formiga também, coletivamente falando, isto é, que as suas instituições políticas são superiores às nossas, mais racionais. Por que não sucederá o mesmo ao burro, que é maior? 


Sexta-feira, passando pela Praça Quinze de novembro, achei o animal já morto.


Dois meninos, parados, contemplavam o cadáver, espetáculo repugnante; mas a infância, como a ciência, é curiosa sem asco. De tarde já não havia cadáver nem nada. Assim passam os trabalhos desse mundo. Sem exagerar o mérito do finado, força é dizer que, se ele não inventou a pólvora, também não inventou a dinamite. Já é alguma coisa neste final de século. 



Requiescat in pace.


Machado de Assis – “A Semana” (crônicas 1892-1900) Disponível em: https://revistamacondo.wordpress.com/2012/01/13/cronica-machado-de-assis-reflexoes-de-um-burro/




No trecho: “Nunca  dei com homem no chão. Quando passei do tílburi ao bond, houve algumas vezes homem morto ou pisado na rua, mas a prova de que a culpa não era minha, é que nunca segui o cocheiro na fuga; deixava-me estar aguardando a autoridade.”, as palavras destacadas pertencem, respectivamente, às seguintes classes gramaticais:

Assinale a alternativa CORRETA.  
Alternativas
Q3622996 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
De acordo com o art. 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos, entre outros, EXCETO:
Alternativas
Q3622994 Pedagogia

Sobre os desafios da neurociência aplicada a educação, analise as alternativas a seguir:



I. A Neurociência, quando dialoga com a educação, promove caminhos para o educador tornar-se um mediador do como ensinar com qualidade por meio de recursos pedagógicos que estimulem o estudante a pensar sobre o pensar. E o conhecimento do funcionamento do cérebro tornou-se muito importante para as práticas docentes em geral e hoje em dia.


II. A escola precisa sair das concepções obsoletas e saber como os estudantes aprendem. É a possibilidade da conquista da eficiência pedagógica. Todos precisam aprender a refletir, a raciocinar, a utilizar estratégias de resolução de problemas. Logo, “conhecer e entender o processo de aprendizagem e do comportamento tornou-se um grande desafio para os educadores.


III. As diferentes áreas do saber precisam envolver esses encéfalos com mais especializações e alcançar intensas experiências cognitivas. É fundamental que os educadores conheçam as estruturas cerebrais como interfaces da aprendizagem e do comportamento para a ininterrupção do desenvolvimento e que seja sempre um campo a ser explorado.


IV. Os conhecimentos científicos ajudam a conhecer melhor o funcionamento do cérebro e suas possíveis aplicações, e assim fazer toda a diferença para poder compreender os processos e mecanismos envolvidos na aquisição dos saberes.


V. O que se afirma é de suma importância para todos os educadores. Quando tomam conhecimento do funcionamento neurológico e do desenvolvimento maturacional do cérebro, aí sim podem de fato colaborar com o desenvolvimento do potencial cognitivo de cada aluno, principalmente nos dias atuais, quando é preciso ficar claro que o processo de aprendizagem, seja de leitura, de escrita ou de qualquer outro conhecimento, ocorre no cérebro. Logo, é essencial conhecê-lo, desvendá-lo, investigá-lo.



Estão CORRETOS:

Alternativas
Respostas
4901: D
4902: D
4903: B
4904: B
4905: C
4906: A
4907: B
4908: A
4909: A
4910: B
4911: C
4912: B
4913: C
4914: A
4915: C
4916: C
4917: D
4918: B
4919: B
4920: B