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Q3807302 Português

Esperando os aliens

Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/ esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025 

“Diante do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena” (1º parágrafo). Nesse trecho, em seu contexto de uso, o verbo em destaque está flexionado no:


Alternativas
Q3807301 Português

Esperando os aliens

Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/ esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025 

Em “incapaz de arrumar a própria casa” (4º parágrafo), o prefixo em destaque expressa:
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Q3807300 Português

Esperando os aliens

Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

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“Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência” (2º parágrafo). A palavra em destaque forma um par de:
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Q3807299 Português

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Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/ esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025 

“[...] o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade” (2º parágrafo). No texto, com maior precisão, a palavra em destaque significa:
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Q3807298 Português

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Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

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O desfecho do texto, retomando a gargalhada da filha, configura:
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Q3807297 Português

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Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

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Quando afirma “No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial” (9º parágrafo), nesse trecho, em específico, o narrador revela:
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Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
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A referência a Gandhi, Mandela e Chimamanda Adichie serve, no texto, para:
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Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

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A expressão “mudou o vocabulário, não a fé” (3º parágrafo) indica que, segundo o autor a:
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Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/ esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025 

“Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros” (3º parágrafo). Nesse trecho, emprega-se uma estratégia argumentativa baseada em:
Alternativas
Q3807293 Português

Esperando os aliens

Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar


Dinte do estado do mundo não surpreende que tantas pessoas acompanhem, ansiosas, o trajeto de um meteorito, o 3I/ Atlas, e rezem para que seja uma nave alienígena.
Para essas pessoas, entre as quais se incluem alguns cientistas desesperados, o meteorito representa a derradeira esperança da Humanidade. Os extraterrestres viriam salvar-nos de nós mesmos — da nossa crueldade, da nossa ganância e da nossa incompetência. Teriam o coração generoso de Mahatma Gandhi, o talento pacifi cador de Nelson Mandela e a inteligência bem-humorada de Chimamanda Adichie. Viriam em missão diplomática e pedagógica, trazer-nos a paz, e, ao mesmo tempo, explicar-nos como se administra um planeta.
Durante séculos, erguemos os olhos para os céus em busca de deuses. Agora procuramos engenheiros. Mudou o vocabulário, não a fé. A teologia foi substituída pela astrobiologia. Já não esperamos o Messias — aguardamos o bom marciano.
Os massacres se multiplicam, as democracias ameaçam entrar em colapso, os glaciares derretem, o clima enlouquece. Diante desse cenário, a Humanidade, incapaz de arrumar a própria casa, começa a sonhar com um síndico intergaláctico. Que venha alguém de fora, mais sensato, mais lúcido, menos violento, que nos diga com voz doce e levemente metálica: “Queridos terráqueos, isto assim não pode continuar. Vamos tentar fazer diferente?”
Quanto a mim, acho que morreria de vergonha no momento em que o nosso bom alienígena descesse da sua nave para apertar a mão a Donald Trump, a Vladimir Putin ou a Xi Jinping.
Talvez existam, de fato, civilizações alienígenas conscientes da nossa existência. Suspeito que olharão para nós com imensa piedade — ou, pior, com profundo terror.
Acredito que uma civilização só consiga alcançar um estado de desenvolvimento tecnológico muito avançado se tiver sido capaz, antes, de abandonar a violência e a crueldade.
Civilizações violentas tendem a servir-se do conhecimento para produzir armas cada vez mais letais, desgastando-se em guerras absurdas, muito antes de aprenderem a navegar entre as estrelas. É o que está acontecendo com a nossa.
O mais provável é que o 3I/Atlas não passe de uma grande pedra vagando sem destino — como nós. No íntimo, porém, também eu gostaria que fosse uma nave espacial. Imagino-a pousando suavemente no discoporto de Barra do Garças, na Serra Azul, em Mato Grosso. Dela desceriam seres luminosos, dotados de infi nita paciência, que, com um simples estalar de dedos, transformariam em água todas as armas existentes no planeta. [...]
Não virá ninguém. Nenhum gigante alado atravessará as nuvens para nos ensinar boas maneiras cósmicas. Continuaremos assassinando crianças, incendiando fl orestas, discutindo em casa e no trânsito. A nave que aguardamos somos nós: enguiçada, ruidosa, movida a contradições. Cada pequeno gesto de solidariedade para com os mais frágeis representa um conserto improvisado no casco. Cada sorriso sincero, um reparo na fuselagem.
Chegaremos algum dia a navegar entre as estrelas?
Sempre que assisto ao noticiário, duvido. Depois escuto a gargalhada da minha fi lha e volto a acreditar.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/11/ esperando-os-aliens.ghtml. Acesso em 01/11/2025 

“Chegaremos a navegar entre as estrelas? Sempre que vejo o noticiário, duvido. Mas depois escuto a gargalhada da minha filha e volto a acreditar” (11º e 12º parágrafos). Nesse trecho do texto, a oposição entre “ver o noticiário” e “escutar a gargalhada da filha” revela:

Alternativas
Q3806862 Pedagogia
Considerando a perspectiva da BNCC para a área de Linguagens, Literatura e Língua Portuguesa, avalie as afirmativas a seguir sobre o ensino e aprendizagem da língua:

I. A BNCC prioriza a aprendizagem da língua apenas como instrumento normativo, enfatizando a gramática e a correção formal, desconsiderando contextos sociais e culturais.
II. O ensino da literatura deve desenvolver a leitura crítica e reflexiva, valorizando diferentes vozes, contextos históricos e sociais, e promovendo experiências estéticas e formativas.
III. A leitura e a escrita são processos integrados, em que o estudante deve ser capaz de interpretar, produzir e refletir sobre textos de múltiplos gêneros e mídias, considerando intenções comunicativas e interlocutores diversos.
IV. A BNCC reconhece a variedade linguística e orienta o combate a preconceitos linguísticos, promovendo o respeito às diferentes formas de expressão e comunicação.

A alternativa correta é: 
Alternativas
Q3806861 Português
Sobre leitura crítica e letramento literário, analise as afirmativas sobre o papel da leitura na educação básica:

I. A leitura deve ser compreendida como um processo dinâmico, no qual o leitor atribui significados singulares às palavras, ultrapassando a mera decodificação.
II. O efeito de estranhamento nas obras literárias funciona como mecanismo de amadurecimento, transformação e ampliação da experiência crítica do leitor.
III. A leitura na escola deve ser interpretativa, objetiva de fatos e enredos, para garantir uniformidade de compreensão entre os alunos.
IV. O desenvolvimento das habilidades de leitura envolve estratégias múltiplas, que podem ocorrer simultânea ou sequencialmente, integrando competências cognitivas automáticas e conscientes.
V. A interação entre leitor e texto é essencial para a produção de sentidos e para a formação crítica e social do indivíduo.

A alternativa correta é:
Alternativas
Q3806860 Linguística
Para cada autor listado na Coluna A, identifique a alternativa na Coluna B que descreve corretamente sua teoria ou contribuição no campo da linguística.


Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q3806859 Português

Para a questão, considere o texto “Aniversário”, de Álvaro de Campos:



Aniversário



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu era feliz e ninguém estava morto.


Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,


E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,


De ser inteligente para entre a família,


E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.


Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.


Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.



Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,


O que fui de coração e parentesco.


O que fui de serões de meia-província,


O que fui de amarem-me e eu ser menino,


O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…


A que distância!…


(Nem o acho…) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!



O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,


Pondo grelado nas paredes…


O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),


O que eu sou hoje é terem vendido a casa,


É terem morrido todos,


É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…


Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!


Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,


Por uma viagem metafísica e carnal,


Com uma dualidade de eu para mim…


Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!



Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…


A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,


com mais copos,


O aparador com muitas coisas: doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado,


As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…



Para, meu coração!


Não penses! Deixa o pensar na cabeça!


Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!


Hoje já não faço anos.


Duro.


Somam-se-me dias.


Serei velho quando o for.


Mais nada.


Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…



O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

Contexto: Segundo a BNCC, a habilidade EM13LP17 propõe que o estudante analise o fenômeno da variação linguística em seus diferentes níveis (fonético-fonológico, lexical, sintático, semântico e estilístico-pragmático) e dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.).
No poema “Aniversário”, de Álvaro de Campos, a linguagem poética reflete escolhas conscientes do autor para expressar a subjetividade e o impacto emocional da memória do passado.
Leia o trecho abaixo:
"Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida."

Considerando a habilidade EM13LP17, analise as alternativas e assinale a que apresenta a interpretação mais adequada sobre a variação linguística e estilística presente nesse trecho.
Alternativas
Q3806858 Literatura

Para a questão, considere o texto “Aniversário”, de Álvaro de Campos:



Aniversário



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu era feliz e ninguém estava morto.


Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,


E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,


De ser inteligente para entre a família,


E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.


Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.


Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.



Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,


O que fui de coração e parentesco.


O que fui de serões de meia-província,


O que fui de amarem-me e eu ser menino,


O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…


A que distância!…


(Nem o acho…) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!



O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,


Pondo grelado nas paredes…


O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),


O que eu sou hoje é terem vendido a casa,


É terem morrido todos,


É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…


Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!


Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,


Por uma viagem metafísica e carnal,


Com uma dualidade de eu para mim…


Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!



Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…


A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,


com mais copos,


O aparador com muitas coisas: doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado,


As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…



Para, meu coração!


Não penses! Deixa o pensar na cabeça!


Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!


Hoje já não faço anos.


Duro.


Somam-se-me dias.


Serei velho quando o for.


Mais nada.


Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…



O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

O poema “Aniversário”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, apresenta uma reflexão sobre a experiência do tempo e a memória da infância. Considerando a poética de Campos, assinale a alternativa que melhor expressa a ideia central do poema.
Alternativas
Q3806857 Literatura
Para a questão, considere o trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha abaixo:


       “Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!

[...]

          Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos — terra que nos parecia muito extensa.

        Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, darse-á nela tudo; por causa das águas que tem!

        Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!”


(Caminha, P. V. (1500). Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel. In: Cartas de Achamento do Brasil. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000099.pdf. Acesso em: 24 out. 2025.)
Considerando o trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha e os pressupostos discursivos do Quinhentismo no Brasil, particularmente no âmbito da escrita informativa e catequética que caracteriza a literatura de viagem, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação crítica coerente com o contexto ideológico e estético do documento.
Alternativas
Q3806856 Linguística
A Gramática Descritiva, fundamentada em abordagens empíricas da Linguística moderna, investiga sistematicamente os usos efetivos da língua em sua heterogeneidade sociocomunicativa. No contexto educacional contemporâneo, tal perspectiva dialoga com pressupostos de letramento, variação e mudança linguística. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta uma contribuição teoricamente consistente da Gramática Descritiva para o ensino de língua portuguesa na escola básica.
Alternativas
Q3806855 Português
De acordo com a origem e a história da língua portuguesa, identifique a alternativa que representa corretamente uma das etapas do desenvolvimento do português.
Alternativas
Q3806854 Literatura
A partir do aporte teórico dos Estudos Pós-coloniais, que investigam os dispositivos discursivos de dominação e resistência presentes na literatura produzida em contextos coloniais e pós-coloniais, assinale a alternativa que apresenta, de forma correta e relevante, uma obra e seu respectivo autor cuja contribuição é reconhecida como estruturante para essa corrente crítica.
Alternativas
Q3806853 Literatura
______________, formulado(a) no âmbito da Escola de Constança, por Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser, desloca o foco dos estudos literários da centralidade do autor e da obra para a atividade interpretativa do leitor. Nesse paradigma teórico, o texto literário é concebido como uma estrutura de indeterminação que apenas se concretiza plenamente no processo hermenêutico instaurado pelo ato da leitura. O leitor, ao aproximar-se do texto, mobiliza um conjunto de expectativas socioculturalmente constituídas, designado como “horizonte de expectativas”, que orienta e tensiona a construção de sentidos.

Assinale a alternativa que completa adequadamente a caracterização da corrente da Teoria Literária apresentada. 
Alternativas
Respostas
3101: A
3102: A
3103: D
3104: B
3105: D
3106: B
3107: C
3108: D
3109: D
3110: C
3111: C
3112: D
3113: B
3114: C
3115: A
3116: B
3117: D
3118: E
3119: B
3120: A