Questões de Concurso Para professor - língua portuguesa

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Q3985504 Português
Leia:
Remetente: João da Silva Rua dos Joaquins, nº 01, Bairro JJ 000-000 Campinas do Sul
Destinatário: COMPUTERLY, LTDA. Rua do equívoco, nº 2 0000-000 Campinas do Sul
Campinas do Sul, 29 de fevereiro de 2009.
Assunto: computador entregue com estragos aparentes
Exmo(s). Senhor (es),
No último dia 05 de fevereiro, dirigi-me ao seu estabelecimento, situado na Rua do Equívoco, nº 2, como endereçado, a fim de comprar um computador. Após escolher o modelo que me interessou, solicitei que a mercadoria fosse entregue na minha casa. Para tanto, assinei a nota de encomenda e paguei a taxa para que fosse realizado o serviço. No dia 10 do mesmo mês, foi-me entregue o computador encomendado, no entanto, após ligar o aparelho na tomada constatei que o mesmo emitia mais de 8 apitos e não funcionava.
Diante deste fato, recusei o computador e solicitei que me fosse enviado outro exemplar em excelente estado, o que faria jus ao valor já pago. Entretanto, até a presente data continuo à espera.
O atraso na resolução do problema vem ocasionando vários transtornos ao meu cotidiano. Por este motivo, demando que outro computador de mesma marca e modelo seja entregue, sem falta, dentro de 3 dias úteis. Caso contrário, anularei a compra e exijo o dinheiro do pagamento de volta.
Sem mais, João da Silva.
Anexos: fotocópias da nota fiscal de compra e do recibo da taxa de entrega.
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/.htm

Em relação ao gênero textual, podemos afirmar que o texto acima refere-se:
Alternativas
Q3985503 Português
Leia:

Uso de plástico bate recorde global, apesar de esforços contra poluição, diz estudo.

    O mundo está produzindo uma quantidade recorde de resíduos plásticos descartáveis, principalmente feitos de polímeros criados a partir de combustíveis fósseis, apesar dos esforços globais para reduzir a poluição plástica e as emissões de carbono, segundo um novo relatório divulgado nesta segunda-feira.     Em junho passado, o Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido disse que as emissões de gases de efeito estufa do Reino Unido caíram 13%, para pouco mais de 478 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente no ano até 2020.     “Isso demonstra, sem sombra de dúvida, que o problema da poluição plástica está ficando muito maior e está sendo impulsionado pelos produtores de polímeros, que são, é claro, impulsionados pelo setor de petróleo e gás”, disse Andrew Forrest, fundador da Minderoo e diretor-executivo da gigante de minério de ferro Fortescue Metals.      Ele está propondo um “prêmio de polímero” para cada quilo de polímero plástico feito de combustíveis fósseis para dar às pessoas, empresas e governos um incentivo financeiro para reciclar mais.      “No mundo avançado, esse pagamento de polímero levará à cobrança mecanizada automática. No mundo em desenvolvimento, isso levará pessoas que de outra forma não teriam nenhum trabalho, a trabalhar para garantir que não haja lixo plástico indo para o oceano, não haja lixo plástico nas ruas, não haja lixo plástico envenenando a vida selvagem”, disse.



No título do texto aparece como elemento conector uma locução expressando uma ideia de: 
Alternativas
Q3985502 Português
Leia o texto:

   O estímulo à leitura de livros literários nos anos iniciais é fundamental para a formação de leitores críticos. Nesse sentido, ler obras clássicas da literatura pode contribuir para estimular a imaginação das crianças, desenvolver-lhes a criatividade, além de suas habilidades cognitivas. Por meio das obras literárias as crianças experimentam muitas emoções e acabam se identificando com algumas histórias, as quais dão sentido à vida delas.
   A literatura é direito da infância. Formar leitores não tem sido uma tarefa fácil. Com a forte influência das mídias digitais, as crianças são envolvidas nas mais diversas interfaces, interagindo com jogos, vídeos e outras informações. Outro fator é a falta de acesso à cultura, que dificulta o estímulo ao manuseio e à leitura dos livros.
    O tema da literatura infantil é bastante discutido, porém concretiza-se a literatura em sala de aula e nos ambientes em que a criança está inserida de forma escassa. Na literatura o campo de exploração é vasto e não se deve concretizá-la somente na perspectiva da imaginação e entretenimento, mas como forma de letramento, leitura de mundo, leituras sensoriais, emocionais e racionais, abrangendo todos os campos de experiências propostos pela Base Nacional Comum Curricular, que tem uma proposta integrada. Dessa forma, ações integradas nem sempre são realizadas, ficando de certa forma polarizadas. (...)


Ludmila Louslene Soares e Bruna Milene Ferreira
Com base no texto e na BNCC, analise as afirmativas a seguir sobre a importância da literatura infantil para o desenvolvimento integral do estudante:

I. A literatura infantil, ao promover a identificação com personagens e histórias, contribui para a construção da identidade e da autonomia do leitor.

II. A leitura literária, ao proporcionar contato com diferentes gêneros e estilos, desenvolve a competência leitora e a capacidade de análise crítica.

III. A BNCC preconiza a leitura literária como um fim em si mesma, desvinculada de outras áreas do conhecimento.

IV. A literatura infantil, ao abordar temas diversos e complexos, estimula o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo.


É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3985501 Português
Leia o texto:

   O estímulo à leitura de livros literários nos anos iniciais é fundamental para a formação de leitores críticos. Nesse sentido, ler obras clássicas da literatura pode contribuir para estimular a imaginação das crianças, desenvolver-lhes a criatividade, além de suas habilidades cognitivas. Por meio das obras literárias as crianças experimentam muitas emoções e acabam se identificando com algumas histórias, as quais dão sentido à vida delas.
   A literatura é direito da infância. Formar leitores não tem sido uma tarefa fácil. Com a forte influência das mídias digitais, as crianças são envolvidas nas mais diversas interfaces, interagindo com jogos, vídeos e outras informações. Outro fator é a falta de acesso à cultura, que dificulta o estímulo ao manuseio e à leitura dos livros.
    O tema da literatura infantil é bastante discutido, porém concretiza-se a literatura em sala de aula e nos ambientes em que a criança está inserida de forma escassa. Na literatura o campo de exploração é vasto e não se deve concretizá-la somente na perspectiva da imaginação e entretenimento, mas como forma de letramento, leitura de mundo, leituras sensoriais, emocionais e racionais, abrangendo todos os campos de experiências propostos pela Base Nacional Comum Curricular, que tem uma proposta integrada. Dessa forma, ações integradas nem sempre são realizadas, ficando de certa forma polarizadas. (...)


Ludmila Louslene Soares e Bruna Milene Ferreira
De acordo com o texto, o estímulo à leitura de livros literários na infância é fundamental porque:
Alternativas
Q3985500 Literatura

Cartaz para responder a questão



O romance "Macunaíma", de Mário de Andrade, é considerado uma obra-prima do Modernismo brasileiro e se destaca pela:
Alternativas
Q3985499 Português

Cartaz para responder a questão



Em relação ao texto verbal do cartaz, assinale a opção cujo comentário é adequado.
Alternativas
Q3985498 Português

Cartaz para responder a questão



No cartaz, há exemplo de : 
Alternativas
Q3985497 Português
Olhos d’água

Conceição Evaristo


    Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe? 
      Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lavalava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
     Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
     Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe? (...)
A utilização frequente de verbos no pretérito imperfeito, como "cochilava", "andavam" e "brincavam", contribui para: 
Alternativas
Q3985496 Português
Olhos d’água

Conceição Evaristo


    Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe? 
      Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lavalava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
     Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
     Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe? (...)
Em relação à escolha da sequência discursiva do texto, assinale a opção cujo comentário é adequado.
Alternativas
Q3985495 Português
Olhos d’água

Conceição Evaristo


    Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe? 
      Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lavalava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
     Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
     Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe? (...)
A pergunta "De que cor eram os olhos de minha mãe?" representa, simbolicamente a:
Alternativas
Q3985494 Português
Olhos d’água

Conceição Evaristo


    Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada custei reconhecer o quarto da nova casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até ali. E a insistente pergunta, martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe? 
      Sendo a primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias dificuldades, cresci rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha mãe aprendi conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades, como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lavalava, o passa-passa das roupagens alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro cabeludo ela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
     Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em um lugar perdido no interior de Minas. Ali, as crianças andavam nuas até bem grandinhas. As meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos. Às vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com as de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse ali, apenas o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira. Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas por seus cabelos, braços e colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
     Às vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algodão doce. A mãe, então, espichava o braço que ia até o céu, colhia aquela nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas, de que cor eram os olhos de minha mãe? (...)
No trecho de Conceição Evaristo, o sentimento predominante da narradora em relação à sua mãe é: 
Alternativas
Q3985493 Português
“É bela a noite, quando grave se estende Sobre a terra dormente o negro manto De brilhantes estrelas recamado; Mas nessa escuridão, nesse silêncio Que ele consigo traz, há um quê de horrível Que espanta e desespera e geme n’alma; Um quê de triste que nos lembra a morte!”
GONÇALVES DIAS, A. In: Primeiros cantos (1847).

A conjunção coordenativa constrói uma:
Alternativas
Q3985492 Português
Ferdinand de Saussure definiu conceitos fundamentais para a delimitação da linguística enquanto ciência moderna e, entre eles, a separação entre língua, fala e linguagem tem lugar privilegiado. Como a linguística científica, na definição de Saussure, tem na língua seu objeto central, pois compreende que a língua é o elemento social, independente dos indivíduos e relativamente fixo, passível de se descrever enquanto sistema, a linguagem tende a emergir como conceito chave para compreender o próprio lugar deste objeto principal da ciência, então, em ascensão.
Por meio do corte entre língua e fala, Saussure insere uma nova perspectiva de observação científica na linguística e, por meio de sua teoria do valor linguístico, estabelece a possibilidade de compreender o funcionamento do sistema da língua. A linguagem em Saussure se torna, assim, um objeto de estudo multifacetado.

Vinicius Siqueira https://colunastortas.com.br/a-linguagem-ferdinand-de-saussure/
No trecho “Como a linguística científica, na definição de Saussure, tem na língua seu objeto central, pois compreende que a língua é o elemento social, independente dos indivíduos e relativamente fixo, passível de se descrever enquanto sistema, a linguagem tende a emergir como conceito chave para compreender o próprio lugar deste objeto principal da ciência, então, em ascensão.”, os termos em destaque evidenciam, respectivamente, a ideia de:
Alternativas
Q3985491 Português
Ferdinand de Saussure definiu conceitos fundamentais para a delimitação da linguística enquanto ciência moderna e, entre eles, a separação entre língua, fala e linguagem tem lugar privilegiado. Como a linguística científica, na definição de Saussure, tem na língua seu objeto central, pois compreende que a língua é o elemento social, independente dos indivíduos e relativamente fixo, passível de se descrever enquanto sistema, a linguagem tende a emergir como conceito chave para compreender o próprio lugar deste objeto principal da ciência, então, em ascensão.
Por meio do corte entre língua e fala, Saussure insere uma nova perspectiva de observação científica na linguística e, por meio de sua teoria do valor linguístico, estabelece a possibilidade de compreender o funcionamento do sistema da língua. A linguagem em Saussure se torna, assim, um objeto de estudo multifacetado.

Vinicius Siqueira https://colunastortas.com.br/a-linguagem-ferdinand-de-saussure/
A expressão "em ascensão", no contexto, sugere que a linguagem é:
Alternativas
Q3985490 Português
Ferdinand de Saussure definiu conceitos fundamentais para a delimitação da linguística enquanto ciência moderna e, entre eles, a separação entre língua, fala e linguagem tem lugar privilegiado. Como a linguística científica, na definição de Saussure, tem na língua seu objeto central, pois compreende que a língua é o elemento social, independente dos indivíduos e relativamente fixo, passível de se descrever enquanto sistema, a linguagem tende a emergir como conceito chave para compreender o próprio lugar deste objeto principal da ciência, então, em ascensão.
Por meio do corte entre língua e fala, Saussure insere uma nova perspectiva de observação científica na linguística e, por meio de sua teoria do valor linguístico, estabelece a possibilidade de compreender o funcionamento do sistema da língua. A linguagem em Saussure se torna, assim, um objeto de estudo multifacetado.

Vinicius Siqueira https://colunastortas.com.br/a-linguagem-ferdinand-de-saussure/
Segundo o texto, a relação entre língua, fala e linguagem está sintetizada em:
Alternativas
Q3985489 Linguística
Ferdinand de Saussure definiu conceitos fundamentais para a delimitação da linguística enquanto ciência moderna e, entre eles, a separação entre língua, fala e linguagem tem lugar privilegiado. Como a linguística científica, na definição de Saussure, tem na língua seu objeto central, pois compreende que a língua é o elemento social, independente dos indivíduos e relativamente fixo, passível de se descrever enquanto sistema, a linguagem tende a emergir como conceito chave para compreender o próprio lugar deste objeto principal da ciência, então, em ascensão.
Por meio do corte entre língua e fala, Saussure insere uma nova perspectiva de observação científica na linguística e, por meio de sua teoria do valor linguístico, estabelece a possibilidade de compreender o funcionamento do sistema da língua. A linguagem em Saussure se torna, assim, um objeto de estudo multifacetado.

Vinicius Siqueira https://colunastortas.com.br/a-linguagem-ferdinand-de-saussure/
De acordo com Saussure, a língua é considerada o objeto central da linguística porque a:
Alternativas
Q3985488 Português
Ferdinand de Saussure definiu conceitos fundamentais para a delimitação da linguística enquanto ciência moderna e, entre eles, a separação entre língua, fala e linguagem tem lugar privilegiado. Como a linguística científica, na definição de Saussure, tem na língua seu objeto central, pois compreende que a língua é o elemento social, independente dos indivíduos e relativamente fixo, passível de se descrever enquanto sistema, a linguagem tende a emergir como conceito chave para compreender o próprio lugar deste objeto principal da ciência, então, em ascensão.
Por meio do corte entre língua e fala, Saussure insere uma nova perspectiva de observação científica na linguística e, por meio de sua teoria do valor linguístico, estabelece a possibilidade de compreender o funcionamento do sistema da língua. A linguagem em Saussure se torna, assim, um objeto de estudo multifacetado.

Vinicius Siqueira https://colunastortas.com.br/a-linguagem-ferdinand-de-saussure/
Segundo o texto, a principal contribuição de Saussure para a linguística é a: 
Alternativas
Q3983252 Pedagogia
No trabalho com análise linguística/semiótica no Ensino Fundamental, a BNCC orienta que:
Alternativas
Q3983251 Português
A BNCC orienta que o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental deve priorizar o letramento e a ampliação das práticas sociais de linguagem. Qual das alternativas a seguir está em consonância com essa diretriz?
Alternativas
Q3983250 Português
A BNCC orienta que o ensino de Língua Portuguesa deve possibilitar ao aluno compreender os diferentes usos da linguagem em práticas sociais. Nesse sentido, o discurso é entendido como:
Alternativas
Respostas
2281: B
2282: A
2283: A
2284: D
2285: C
2286: B
2287: C
2288: B
2289: A
2290: D
2291: A
2292: B
2293: D
2294: C
2295: C
2296: B
2297: C
2298: A
2299: B
2300: B