Questões de Concurso
Para professor - história
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(MOMIGLIANO, Arnaldo. 2004, p.30) Fonte: MOMIGLIANO, Aranldo. As raízes da historiografia moderna; tradução Maria Beatriz Borba Florenza/Bauru, SP: EDUSC, 2004.
Sobre as primeiras civilizações, que se desenvolveram entre os rios Tigres e Eufrates, assinale:
1. Sumérios
2. Acádios
3. Babilônicos
4. Assírios
5. Caldeus
( )Seu desenvolvimento ocorreu durante o governo de Hamurábi, rei que conquistou vários territórios e unificou quase toda a Mesopotâmia. Em seu governo, organizou-se o conjunto mais complexo da Antiguidade que se conhece: o Código de Hamurábi. As leis desse código estabeleceram as regras desse império.
( )Povos de origem semita habitaram a região do sul da Mesopotâmia. No século VII a.C., esses povos dominaram toda a Mesopotâmia, fazendo nascer seu grande império. O rei de maior destaque foi Nabucodonosor II. Durante seu reinado, o império atingiu sua máxima extensão e suas cidades tornaram-se importantes centros comerciais.
( )Dominou a região até cerca de 2150 a.C. Aprimoraram os estudos sobre astronomia e desenvolveram um calendário lunar de doze meses. Cada mês era dividido em semanas de sete dias.
( )Foram fundadores das mais antigas cidades mesopotâmicas. As principais eram Kish, Lagash, Uruk e Eridu. Seus registros de escrita mais antigos eram sinais com aspecto de prego de cabeça larga, lembrando uma cunha, gravados na argila. Por isso, sua escrita ficou chamada de cuneiforme.
( )Esses povos viveram na cidade-Estado de Assur e começaram a expandir seus domínios por toda a Mesopotâmia. No século IX a.C., esses domínios se estenderam do Egito ao Golfo Pérsico. Sua expansão, ao longo do tempo, tornou-se um problema para seus governadores, pois não conseguiram controlar todo o território.
Assinale a sequência CORRETA:
Quanto às sociedades da Mesoamérica e dos Andes, é INCORRETO afirmar que:
(Barros José D’Assunção, 2004, p.09) Fonte: BARROS, José D’Assunção. O campo da história: especialidades e abordagens/Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.
Tendo como premissa as múltiplas abordagens historiográficas, suas problematizações e orientações, analise as afirmações a seguir.
I. O historiador de hoje é o historiador da cultura, da economia, das mentalidades, ou um especialista em história das mulheres. Da mesma forma, existem os historiadores marxistas da linha gramsciana, thompsoniana ou de outras vertentes, assim como os historiadores weberianos e os micro-historiadores da escola italiana.
II. A linha de orientação gramsciana, em sua essência, buscou compreender e dialogar com as relações de poder e as transformações sociais por meio da análise da história cultural. Em suas produções, elaborou narrativas que apresentavam leituras e impressões sobre as hegemonias de poder, enfatizando, em suas perspectivas, a ‘filosofia da práxis.”
III. O historiador que debate e mergulha na historiografia moderna pode e deve, quando necessário, utilizar o ‘corpo’ como parte de suas produções narrativas. Nesse sentido, as sensibilidades — um dos objetos de interesse do historiador da cultura como forma de debate e de percepção do passado. Partindo da ideia de que o mundo e suas práticas não se compreendem apenas pelo intelecto, mas também pelos sentidos.
IV. Nas elaborações thompsonianas, a história e seus historiadores deveriam enfatizar as práticas racionalistas em suas produções. Diferentemente do marxismo, Thompson buscou se distanciar das narrativas que davam visibilidade às lutas de classes como fez o marxismo, como chave de leitura para compreender as ações humanas, argumentando que a experiência vivida pelos indivíduos problematiza, de forma negativa, a consciência de classe e suas ações coletivas.
V. Nas bases das reflexões propostas pelos foucaultianos e em suas narrativas, é possível compreender que as sínteses discursivas que produzem o passado, e que nos chegam como naturais do mundo social, precisam ser colocadas em suspenso. Não se trata de negá-las ou ignorá-las, mas de trazê-las ao centro das discussões e revelar que são fruto de uma complexa trama que as constitui dessa forma.
Estão CORRETAS:
Sobre os desafios da neurociência aplicada a educação, analise as alternativas a seguir:
I. A Neurociência, quando dialoga com a educação, promove caminhos para o educador tornar-se um mediador do como ensinar com qualidade por meio de recursos pedagógicos que estimulem o estudante a pensar sobre o pensar. E o conhecimento do funcionamento do cérebro tornou-se muito importante para as práticas docentes em geral e hoje em dia.
II. A escola precisa sair das concepções obsoletas e saber como os estudantes aprendem. É a possibilidade da conquista da eficiência pedagógica. Todos precisam aprender a refletir, a raciocinar, a utilizar estratégias de resolução de problemas. Logo, “conhecer e entender o processo de aprendizagem e do comportamento tornou-se um grande desafio para os educadores.
III. As diferentes áreas do saber precisam envolver esses encéfalos com mais especializações e alcançar intensas experiências cognitivas. É fundamental que os educadores conheçam as estruturas cerebrais como interfaces da aprendizagem e do comportamento para a ininterrupção do desenvolvimento e que seja sempre um campo a ser explorado.
IV. Os conhecimentos científicos ajudam a conhecer melhor o funcionamento do cérebro e suas possíveis aplicações, e assim fazer toda a diferença para poder compreender os processos e mecanismos envolvidos na aquisição dos saberes.
V. O que se afirma é de suma importância para todos os educadores. Quando tomam conhecimento do funcionamento neurológico e do desenvolvimento maturacional do cérebro, aí sim podem de fato colaborar com o desenvolvimento do potencial cognitivo de cada aluno, principalmente nos dias atuais, quando é preciso ficar claro que o processo de aprendizagem, seja de leitura, de escrita ou de qualquer outro conhecimento, ocorre no cérebro. Logo, é essencial conhecê-lo, desvendá-lo, investigá-lo.
Estão CORRETOS:
Sobre a aprendizagem baseada em problemas, analise as alternativas e assinale a INCORRETA:
A respeito da Bioética em seus vários contextos, analise os itens a seguir:
I. Os princípios de bioética na educação, baseados nos quatro pilares da bioética, promovem a autonomia, não-maleficência, beneficência e justiça. Esses princípios guiam o desenvolvimento de currículos e metodologias que incentivam a reflexão crítica, o debate interdisciplinar e a formação de indivíduos conscientes e moralmente responsáveis, capacitando-os a atuar em sociedades democráticas e a buscar relações mais justas e humanizadas.
II. A bioética é interdisciplinar, transitando entre a filosofia, o direito e as ciências humanas, ela procura dar respostas sobre a justa manipulação e tratamento da vida de seres que podem sofrer, ou seja, seres vivos do reino Animalia.
III. Em uma sociedade na qual o sofrimento de um doente terminal pode ser encurtado ou o sofrimento de uma gestação indesejada pode ser evitado, a bioética também serve para oferecer o aparato intelectual e fundamental para estabelecer-se uma discussão justa sobre esses assuntos.
IV. A Bioética, como ciência transdisciplinar, baseada na ética e nas ciências da vida, que reflete sobre as questões éticas que emergem das novas tecnologias e da investigação científica, pode ter aqui um papel fundamental, na medida, em que poderá representar uma mais-valia para enriquecer e fundamentar estas discussões sobre temas mais atuais.
Estão CORRETOS:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2024/10/11/nobel-da-paz 2024-vai-para-organizacao-japonesa.ghtml
O vencedor do Prêmio Nobel da Paz, - 2024, foi:
Assinale a alternativa CORRETA:
A respeito da função do Banco Central do Brasil, entre outras, analise as assinale a INCORRETA:
https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/institucional
Segundo o IBGE, em 2024, o Bioma predominante no município de Santa Cecília, era:
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pb/santa-cecilia/panorama
Com base nesses resultados, concluímos que o valor de N é:
Observe a sequência S abaixo:
S = 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19...
O 10º número dessa sequência será:
Nesse contexto, assinale CORRETAMENTE acerca dos componentes ou mecanismos do computador que é fundamental para atender a esses requisitos:
Leia o texto abaixo e responda à questão.
TEXTO III
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Fernando Sabino
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13529/aultima-cronica
Observe o trecho:
“[...] contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente.”
Considerando a perspectiva de Bakhtin (1992) sobre a linguagem literária como interação entre enunciador e receptor, a função comunicativa desse trecho é:
Leia o texto abaixo e responda à questão.
TEXTO III
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Fernando Sabino
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13529/aultima-cronica
Leia o texto abaixo e responda à questão.
TEXTO III
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Fernando Sabino
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13529/aultima-cronica
“Na realidade estou adiando o momento de escrever, porque a perspectiva me assusta.”
Nesse período, a oração destacada exerce a função de:
Leia o texto abaixo e responda à questão.
TEXTO II

Disponível em: https://www.vestibulandoweb.com.br/enem/simulado-enemtirinhas-charges/