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Q3994098 Português
UMA NOVA FORMA DE EMPOBRECIMENTO


Um fantasma ronda o ser humano: a diminuição do vocabulário


Somos atravessados pela linguagem. Ao nascer, o corpo natural chora ao se deparar com o mundo. Desde então, a emissão de sons se transforma em palavras, que são interpretadas – bem ou mal – pelos outros que convivem conosco. Nos comunicamos por essa sonorização que, entendida – ou desentendida –, vai formando um universo no qual nos orientamos em nosso estar-nomundo. Todas as espécies se comunicam, mas nenhuma delas o faz do jeito humano: pela linguagem simbólica.

Conceitos são palavras. Palavras são sons. Sons são impulsos que convencionamos usar para nomear coisas, pessoas e sentimentos. Durante muito tempo, acreditou-se que os nomes eram universais, entidades incorpóreas que descreviam, de forma fiel, a essência das coisas. Por exemplo, a palavra “mesa” definia a essência daquele objeto que utilizamos para apoiar pratos e cadernos. Porém, com a filosofia contemporânea, sabemos que os conceitos são invenções, instrumentos da criação humana, uma convenção social. Poderíamos ter escolhido qualquer outro som para definir quaisquer outros objetos.

Há uma questão filosófica de primeira grandeza por trás dessa reflexão: existem mais coisas ou palavras no mundo? Como toda pergunta, ela luta contra a ansiedade da resposta. Por isso, não tente respondê-la de imediato. As grandes perguntas nascem com o objetivo de fazer pensar e, muitas vezes, respondemos para tentar aliviar a angústia inerente a todo questionamento. É preciso se deliciar com a reflexão, pois, enquanto fazemos isso, pensamos, e realizamos esse ato por meio das palavras. Se a linguagem é responsável por enriquecer nosso universo, nos acomodando e nos incomodando, ela também pode ser uma boa referência para seu oposto: o empobrecimento humano. Não por culpa dela, claro, mas por responsabilidade dos seres falantes, que esquecem seu caráter humanizador.

Estudos recentes indicam que a chamada geração Z vive um colapso de vocabulário. Cerca de 40% dos jovens estão perdendo habilidades fundamentais de fluência comunicativa, como a competência de interpretar textos longos ou sustentar diálogos com sequência lógica, conforme nos aponta o neurocientista Michel Desmurget, autor do livro “A Fábrica de Cretinos Digitais”.

Ao contrário do que muitos pensam, esse dado não aponta apenas para um declínio cognitivo, impactando somente a vida escolar. O abandono das palavras traça um horizonte bem mais perigoso: uma lenta renúncia ao universo humano. Quando desistimos da linguagem, abandonamos nós mesmos em um deserto árido, uma paisagem de escassez distópica, semelhante àquelas dos filmes que retratam o fim do mundo. Vemos coisas, destroços, escombros e não conseguimos nomeá-los, daí o sentimento de que estamos perdidos. E pior, ainda podem surgir alguns zumbis, tentando se alimentar de nosso cérebro.

É por isso que vivemos uma nova forma de empobrecimento: a pobreza linguística. Incentivados por dispositivos e aplicativos de criação de textos e imagens, vamos abdicando lentamente daquilo que nos humanizou e entregando aos algoritmos não apenas a liberdade de escolha, mas a criatividade do falar, a importância do dizer e a beleza de se expressar.

A inteligência artificial ocupa, nesse cenário, um lugar ambíguo. Ela é, ao mesmo tempo, fruto sofisticado da linguagem humana e possível catalisadora de seu empobrecimento. Alimentada por bilhões de palavras, aprende padrões, imita estilos, recompõe sentidos. Contudo, ao oferecer respostas prontas, sínteses automáticas e textos instantâneos, pode induzir à terceirização do esforço expressivo. Se antes a dificuldade de formular uma frase exigia silêncio e reflexão, agora basta um comando. Deslocamos para a máquina um exercício formativo do espírito.

Cada frase construída exige seleção, hierarquização, renúncia e invenção. Ao delegarmos sistematicamente essa tarefa, enfraquecemos a musculatura simbólica que sustenta nossa vida comum. A linguagem deixa de ser morada e fica reduzida a um serviço. O vocabulário se estreita, as imagens se repetem, os argumentos se simplificam. Pouco a pouco, o mundo também se apequena, pois só enxergamos com nitidez aquilo que sabemos nomear.

A linguagem não é apenas instrumento; ela é a possibilidade do próprio humano. Martin Heidegger a define como “casa do ser”. Se a habitamos de modo apressado, superficial ou delegado, nossa morada se empobrece.
Por isso não podemos esquecer de que o uso das palavras – para o bem ou para o mal, da diplomacia à poesia - sempre decidiu o futuro da humanidade.


(Autor: Renato de Faria. Site “Estado de Minas” – Coluna Filosofia Explicadinha. Publicado em 02/03/2026)
No desenvolvimento argumentativo do texto, ao afirmar que “só enxergamos com nitidez aquilo que sabemos nomear”, o autor:
Alternativas
Q3994097 Português
UMA NOVA FORMA DE EMPOBRECIMENTO


Um fantasma ronda o ser humano: a diminuição do vocabulário


Somos atravessados pela linguagem. Ao nascer, o corpo natural chora ao se deparar com o mundo. Desde então, a emissão de sons se transforma em palavras, que são interpretadas – bem ou mal – pelos outros que convivem conosco. Nos comunicamos por essa sonorização que, entendida – ou desentendida –, vai formando um universo no qual nos orientamos em nosso estar-nomundo. Todas as espécies se comunicam, mas nenhuma delas o faz do jeito humano: pela linguagem simbólica.

Conceitos são palavras. Palavras são sons. Sons são impulsos que convencionamos usar para nomear coisas, pessoas e sentimentos. Durante muito tempo, acreditou-se que os nomes eram universais, entidades incorpóreas que descreviam, de forma fiel, a essência das coisas. Por exemplo, a palavra “mesa” definia a essência daquele objeto que utilizamos para apoiar pratos e cadernos. Porém, com a filosofia contemporânea, sabemos que os conceitos são invenções, instrumentos da criação humana, uma convenção social. Poderíamos ter escolhido qualquer outro som para definir quaisquer outros objetos.

Há uma questão filosófica de primeira grandeza por trás dessa reflexão: existem mais coisas ou palavras no mundo? Como toda pergunta, ela luta contra a ansiedade da resposta. Por isso, não tente respondê-la de imediato. As grandes perguntas nascem com o objetivo de fazer pensar e, muitas vezes, respondemos para tentar aliviar a angústia inerente a todo questionamento. É preciso se deliciar com a reflexão, pois, enquanto fazemos isso, pensamos, e realizamos esse ato por meio das palavras. Se a linguagem é responsável por enriquecer nosso universo, nos acomodando e nos incomodando, ela também pode ser uma boa referência para seu oposto: o empobrecimento humano. Não por culpa dela, claro, mas por responsabilidade dos seres falantes, que esquecem seu caráter humanizador.

Estudos recentes indicam que a chamada geração Z vive um colapso de vocabulário. Cerca de 40% dos jovens estão perdendo habilidades fundamentais de fluência comunicativa, como a competência de interpretar textos longos ou sustentar diálogos com sequência lógica, conforme nos aponta o neurocientista Michel Desmurget, autor do livro “A Fábrica de Cretinos Digitais”.

Ao contrário do que muitos pensam, esse dado não aponta apenas para um declínio cognitivo, impactando somente a vida escolar. O abandono das palavras traça um horizonte bem mais perigoso: uma lenta renúncia ao universo humano. Quando desistimos da linguagem, abandonamos nós mesmos em um deserto árido, uma paisagem de escassez distópica, semelhante àquelas dos filmes que retratam o fim do mundo. Vemos coisas, destroços, escombros e não conseguimos nomeá-los, daí o sentimento de que estamos perdidos. E pior, ainda podem surgir alguns zumbis, tentando se alimentar de nosso cérebro.

É por isso que vivemos uma nova forma de empobrecimento: a pobreza linguística. Incentivados por dispositivos e aplicativos de criação de textos e imagens, vamos abdicando lentamente daquilo que nos humanizou e entregando aos algoritmos não apenas a liberdade de escolha, mas a criatividade do falar, a importância do dizer e a beleza de se expressar.

A inteligência artificial ocupa, nesse cenário, um lugar ambíguo. Ela é, ao mesmo tempo, fruto sofisticado da linguagem humana e possível catalisadora de seu empobrecimento. Alimentada por bilhões de palavras, aprende padrões, imita estilos, recompõe sentidos. Contudo, ao oferecer respostas prontas, sínteses automáticas e textos instantâneos, pode induzir à terceirização do esforço expressivo. Se antes a dificuldade de formular uma frase exigia silêncio e reflexão, agora basta um comando. Deslocamos para a máquina um exercício formativo do espírito.

Cada frase construída exige seleção, hierarquização, renúncia e invenção. Ao delegarmos sistematicamente essa tarefa, enfraquecemos a musculatura simbólica que sustenta nossa vida comum. A linguagem deixa de ser morada e fica reduzida a um serviço. O vocabulário se estreita, as imagens se repetem, os argumentos se simplificam. Pouco a pouco, o mundo também se apequena, pois só enxergamos com nitidez aquilo que sabemos nomear.

A linguagem não é apenas instrumento; ela é a possibilidade do próprio humano. Martin Heidegger a define como “casa do ser”. Se a habitamos de modo apressado, superficial ou delegado, nossa morada se empobrece.
Por isso não podemos esquecer de que o uso das palavras – para o bem ou para o mal, da diplomacia à poesia - sempre decidiu o futuro da humanidade.


(Autor: Renato de Faria. Site “Estado de Minas” – Coluna Filosofia Explicadinha. Publicado em 02/03/2026)
Considerando as ideias desenvolvidas no texto, analise os itens a seguir:

I. O texto sustenta que a linguagem é um elemento constitutivo da experiência humana, e não apenas um instrumento de comunicação.
II. A referência ao “deserto árido” e aos “zumbis” possui função meramente ornamental, sem relação efetiva com a argumentação central do autor. 
III. A diminuição do vocabulário é apresentada como um fenômeno que ultrapassa o campo educacional, afetando dimensões existenciais do ser humano.
IV. A filosofia contemporânea, segundo o texto, reforça a ideia de que as palavras possuem essência fixa e universal, independente da convenção social. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q3994096 Português
UMA NOVA FORMA DE EMPOBRECIMENTO


Um fantasma ronda o ser humano: a diminuição do vocabulário


Somos atravessados pela linguagem. Ao nascer, o corpo natural chora ao se deparar com o mundo. Desde então, a emissão de sons se transforma em palavras, que são interpretadas – bem ou mal – pelos outros que convivem conosco. Nos comunicamos por essa sonorização que, entendida – ou desentendida –, vai formando um universo no qual nos orientamos em nosso estar-nomundo. Todas as espécies se comunicam, mas nenhuma delas o faz do jeito humano: pela linguagem simbólica.

Conceitos são palavras. Palavras são sons. Sons são impulsos que convencionamos usar para nomear coisas, pessoas e sentimentos. Durante muito tempo, acreditou-se que os nomes eram universais, entidades incorpóreas que descreviam, de forma fiel, a essência das coisas. Por exemplo, a palavra “mesa” definia a essência daquele objeto que utilizamos para apoiar pratos e cadernos. Porém, com a filosofia contemporânea, sabemos que os conceitos são invenções, instrumentos da criação humana, uma convenção social. Poderíamos ter escolhido qualquer outro som para definir quaisquer outros objetos.

Há uma questão filosófica de primeira grandeza por trás dessa reflexão: existem mais coisas ou palavras no mundo? Como toda pergunta, ela luta contra a ansiedade da resposta. Por isso, não tente respondê-la de imediato. As grandes perguntas nascem com o objetivo de fazer pensar e, muitas vezes, respondemos para tentar aliviar a angústia inerente a todo questionamento. É preciso se deliciar com a reflexão, pois, enquanto fazemos isso, pensamos, e realizamos esse ato por meio das palavras. Se a linguagem é responsável por enriquecer nosso universo, nos acomodando e nos incomodando, ela também pode ser uma boa referência para seu oposto: o empobrecimento humano. Não por culpa dela, claro, mas por responsabilidade dos seres falantes, que esquecem seu caráter humanizador.

Estudos recentes indicam que a chamada geração Z vive um colapso de vocabulário. Cerca de 40% dos jovens estão perdendo habilidades fundamentais de fluência comunicativa, como a competência de interpretar textos longos ou sustentar diálogos com sequência lógica, conforme nos aponta o neurocientista Michel Desmurget, autor do livro “A Fábrica de Cretinos Digitais”.

Ao contrário do que muitos pensam, esse dado não aponta apenas para um declínio cognitivo, impactando somente a vida escolar. O abandono das palavras traça um horizonte bem mais perigoso: uma lenta renúncia ao universo humano. Quando desistimos da linguagem, abandonamos nós mesmos em um deserto árido, uma paisagem de escassez distópica, semelhante àquelas dos filmes que retratam o fim do mundo. Vemos coisas, destroços, escombros e não conseguimos nomeá-los, daí o sentimento de que estamos perdidos. E pior, ainda podem surgir alguns zumbis, tentando se alimentar de nosso cérebro.

É por isso que vivemos uma nova forma de empobrecimento: a pobreza linguística. Incentivados por dispositivos e aplicativos de criação de textos e imagens, vamos abdicando lentamente daquilo que nos humanizou e entregando aos algoritmos não apenas a liberdade de escolha, mas a criatividade do falar, a importância do dizer e a beleza de se expressar.

A inteligência artificial ocupa, nesse cenário, um lugar ambíguo. Ela é, ao mesmo tempo, fruto sofisticado da linguagem humana e possível catalisadora de seu empobrecimento. Alimentada por bilhões de palavras, aprende padrões, imita estilos, recompõe sentidos. Contudo, ao oferecer respostas prontas, sínteses automáticas e textos instantâneos, pode induzir à terceirização do esforço expressivo. Se antes a dificuldade de formular uma frase exigia silêncio e reflexão, agora basta um comando. Deslocamos para a máquina um exercício formativo do espírito.

Cada frase construída exige seleção, hierarquização, renúncia e invenção. Ao delegarmos sistematicamente essa tarefa, enfraquecemos a musculatura simbólica que sustenta nossa vida comum. A linguagem deixa de ser morada e fica reduzida a um serviço. O vocabulário se estreita, as imagens se repetem, os argumentos se simplificam. Pouco a pouco, o mundo também se apequena, pois só enxergamos com nitidez aquilo que sabemos nomear.

A linguagem não é apenas instrumento; ela é a possibilidade do próprio humano. Martin Heidegger a define como “casa do ser”. Se a habitamos de modo apressado, superficial ou delegado, nossa morada se empobrece.
Por isso não podemos esquecer de que o uso das palavras – para o bem ou para o mal, da diplomacia à poesia - sempre decidiu o futuro da humanidade.


(Autor: Renato de Faria. Site “Estado de Minas” – Coluna Filosofia Explicadinha. Publicado em 02/03/2026)
No trecho “A inteligência artificial ocupa, nesse cenário, um lugar ambíguo”, o autor atribui à tecnologia um papel simultaneamente positivo e negativo. A ambiguidade mencionada decorre, fundamentalmente: 
Alternativas
Q3994095 Português
UMA NOVA FORMA DE EMPOBRECIMENTO


Um fantasma ronda o ser humano: a diminuição do vocabulário


Somos atravessados pela linguagem. Ao nascer, o corpo natural chora ao se deparar com o mundo. Desde então, a emissão de sons se transforma em palavras, que são interpretadas – bem ou mal – pelos outros que convivem conosco. Nos comunicamos por essa sonorização que, entendida – ou desentendida –, vai formando um universo no qual nos orientamos em nosso estar-nomundo. Todas as espécies se comunicam, mas nenhuma delas o faz do jeito humano: pela linguagem simbólica.

Conceitos são palavras. Palavras são sons. Sons são impulsos que convencionamos usar para nomear coisas, pessoas e sentimentos. Durante muito tempo, acreditou-se que os nomes eram universais, entidades incorpóreas que descreviam, de forma fiel, a essência das coisas. Por exemplo, a palavra “mesa” definia a essência daquele objeto que utilizamos para apoiar pratos e cadernos. Porém, com a filosofia contemporânea, sabemos que os conceitos são invenções, instrumentos da criação humana, uma convenção social. Poderíamos ter escolhido qualquer outro som para definir quaisquer outros objetos.

Há uma questão filosófica de primeira grandeza por trás dessa reflexão: existem mais coisas ou palavras no mundo? Como toda pergunta, ela luta contra a ansiedade da resposta. Por isso, não tente respondê-la de imediato. As grandes perguntas nascem com o objetivo de fazer pensar e, muitas vezes, respondemos para tentar aliviar a angústia inerente a todo questionamento. É preciso se deliciar com a reflexão, pois, enquanto fazemos isso, pensamos, e realizamos esse ato por meio das palavras. Se a linguagem é responsável por enriquecer nosso universo, nos acomodando e nos incomodando, ela também pode ser uma boa referência para seu oposto: o empobrecimento humano. Não por culpa dela, claro, mas por responsabilidade dos seres falantes, que esquecem seu caráter humanizador.

Estudos recentes indicam que a chamada geração Z vive um colapso de vocabulário. Cerca de 40% dos jovens estão perdendo habilidades fundamentais de fluência comunicativa, como a competência de interpretar textos longos ou sustentar diálogos com sequência lógica, conforme nos aponta o neurocientista Michel Desmurget, autor do livro “A Fábrica de Cretinos Digitais”.

Ao contrário do que muitos pensam, esse dado não aponta apenas para um declínio cognitivo, impactando somente a vida escolar. O abandono das palavras traça um horizonte bem mais perigoso: uma lenta renúncia ao universo humano. Quando desistimos da linguagem, abandonamos nós mesmos em um deserto árido, uma paisagem de escassez distópica, semelhante àquelas dos filmes que retratam o fim do mundo. Vemos coisas, destroços, escombros e não conseguimos nomeá-los, daí o sentimento de que estamos perdidos. E pior, ainda podem surgir alguns zumbis, tentando se alimentar de nosso cérebro.

É por isso que vivemos uma nova forma de empobrecimento: a pobreza linguística. Incentivados por dispositivos e aplicativos de criação de textos e imagens, vamos abdicando lentamente daquilo que nos humanizou e entregando aos algoritmos não apenas a liberdade de escolha, mas a criatividade do falar, a importância do dizer e a beleza de se expressar.

A inteligência artificial ocupa, nesse cenário, um lugar ambíguo. Ela é, ao mesmo tempo, fruto sofisticado da linguagem humana e possível catalisadora de seu empobrecimento. Alimentada por bilhões de palavras, aprende padrões, imita estilos, recompõe sentidos. Contudo, ao oferecer respostas prontas, sínteses automáticas e textos instantâneos, pode induzir à terceirização do esforço expressivo. Se antes a dificuldade de formular uma frase exigia silêncio e reflexão, agora basta um comando. Deslocamos para a máquina um exercício formativo do espírito.

Cada frase construída exige seleção, hierarquização, renúncia e invenção. Ao delegarmos sistematicamente essa tarefa, enfraquecemos a musculatura simbólica que sustenta nossa vida comum. A linguagem deixa de ser morada e fica reduzida a um serviço. O vocabulário se estreita, as imagens se repetem, os argumentos se simplificam. Pouco a pouco, o mundo também se apequena, pois só enxergamos com nitidez aquilo que sabemos nomear.

A linguagem não é apenas instrumento; ela é a possibilidade do próprio humano. Martin Heidegger a define como “casa do ser”. Se a habitamos de modo apressado, superficial ou delegado, nossa morada se empobrece.
Por isso não podemos esquecer de que o uso das palavras – para o bem ou para o mal, da diplomacia à poesia - sempre decidiu o futuro da humanidade.


(Autor: Renato de Faria. Site “Estado de Minas” – Coluna Filosofia Explicadinha. Publicado em 02/03/2026)
Ao longo do texto, o autor desenvolve uma reflexão que ultrapassa a mera constatação de uma suposta redução vocabular entre os jovens. Nesse sentido, é correto afirmar que a tese central do texto consiste em: 
Alternativas
Q3990781 Geografia
O conceito de Hierarquia Urbana refere-se à rede de relações de subordinação e influência que se estabelece entre as cidades, definindo o papel de cada núcleo urbano no sistema regional e nacional. No Brasil, essa estrutura foi tradicionalmente organizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na centralidade das cidades e na abrangência de seus bens e serviços. 
Com base na teoria da Hierarquia Urbana e na classificação utilizada pelo IBGE, assinale a alternativa CORRETA sobre a estruturação dessa rede no contexto brasileiro.
Alternativas
Q3990780 Geografia
Com base nos conceitos fundamentais da ciência da informação geográfica e da definição do conjunto abrangente de Geotecnologias, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3990779 Geografia
Um mapa topográfico possui a escala numérica de 1:50.000. Em uma análise desse mapa, um geógrafo identifica que a distância linear, em linha reta, entre o ponto A (uma nascente) e o ponto B (uma igreja) é de 15 centímetros (cm). Em uma reforma da Base Cartográfica, o mapa foi ampliado, de modo que a nova distância entre o ponto A e o ponto B passou a ser de 30 centímetros (cm), mantendo a distância real inalterada. Marque a assertiva que indica qual é a nova escala numérica do mapa ampliado.
Alternativas
Q3990778 Geografia
Qual o principal mecanismo ou processo que explica a persistência e até o aumento das relações camponesas no Brasil?
Alternativas
Q3990777 Geografia
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE) anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 5,8% no 2º trimestre de 2025, ( menor nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em 2012.
Analise as seguintes afirmações relativas à mensuração e aos indicadores do mercado de trabalho brasileiro, assinalando a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3990776 Geografia
Entre as décadas de 1960 e 1980, um fenômeno é apontado como uma das principais causas do crescimento desordenado das cidades brasileiras, da macrocefalia urbana e do processo de favelização.
Aponte a assertiva que corresponde CORRETAMENTE a esse fenômeno.  
Alternativas
Q3990775 Geografia
A transição do modelo de acumulação fordista para o de acumulação flexível, a partir das últimas décadas do século XX, promoveu uma profunda reestruturação produtiva em escala global. Essa transformação reconfigurou a Divisão Internacional do Trabalho (DIT), alterando o papel dos diferentes espaços geográficos no sistema-mundo.
Sobre a nova DIT e a reestruturação produtiva, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3990774 Geografia
A superfície da Terra caracteriza-se por elevações e depressões que constituem o relevo terrestre, cujas macroformas são descritas por denominações convencionais. Com base nessa caracterização, assinale a assertiva que defina as macroformas do relevo CORRETAMENTE.
Alternativas
Q3990773 Pedagogia
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta que o ensino de Geografia deve desenvolver competências que permitam ao estudante compreender as dinâmicas espaciais e atuar de forma crítica no mundo. Nesse sentido, assinale a assertiva CORRETA em que a prática didática está mais alinhada às metodologias ativas.
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Q3990772 Atualidades
No dia 24/11/25, a grande mídia divulgou a notícia de que o Governo Trump incluiu o governo de Nicolás Maduro na lista de grupos terroristas. Com base nos recentes desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Venezuela, em que o governo norte americano classifica o suposto "Cartel de los Soles" como organização terrorista e vincula o presidente Nicolás Maduro a ele, e a Venezuela acusa Washington de buscar uma mudança de regime e uma escalada militar no Caribe, analise as afirmações a seguir e assinale a opção CORRETA.
Fonte:  <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/11/24/eua-cartel-de-los-soles-grupo-terrorista.ghtml>
Alternativas
Q3990771 Atualidades
Os portais de notícias como G1 e BBC Brasil apresentaram a gravidade do tornado que ocorreu em novembro de 2025 em Rio Bonito do Iguaçu – Paraná. O tornado foi considerado excepcional pela velocidade dos ventos, estimados entre 300 km/h e 330 km/h pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A Região Sul do Brasil é reconhecida como a área de maior propensão à ocorrência de tornados no país, sendo parte do que se denomina Corredor de Tempestades da América do Sul . A formação desses fenômenos climáticos extremos, na Região Sul, está intrinsecamente ligada à dinâmica atmosférica de grande escala e ao choque de massas de ar com características distintas.
Com base nos conhecimentos de Climatologia sobre a gênese de tornados e nas reportagens que abordam o tema, analise as afirmações a seguir.
I- A principal condição para a formação de supercélulas e, consequentemente, tornados, é o intenso cisalhamento vertical do vento, provocado pelo encontro da Massa de ar quente e úmida (Tropical/Amazônica), que atua em baixos níveis, com o ar frio e seco (Polar/Frentes Frias), que avança em altitude.
II. A topografia da Região Sul, predominantemente marcada por planaltos e com grandes extensões de planície em seu oeste, favorece a formação e a manutenção da rotação horizontal inicial das tempestades (mesociclones), contribuindo para que o funil atinja o solo. “ ”
III. O "Rio Atmosférico" (transporte de umidade da Amazônia), que ocorre na baixa troposfera, fornece a instabilidade térmica e o combustível necessário (calor e umidade) para o desenvolvimento de grandes nuvens de tempestade (Cumulonimbus)
IV- A ocorrência de tornados no Sul do Brasil está majoritariamente associada à atuação de Sistemas Frontais e Ciclones Extratropicais que, ao se deslocarem, intensificam o contraste térmico e a instabilidade atmosférica na região, sobretudo nas estações de transição (primavera e outono).
V- Diferentemente do "Tornado Alley", dos Estados Unidos, o relevo montanhoso da Serra Geral e do Planalto Meridional atua como uma barreira natural, diminuindo a velocidade dos ventos e dificultando a intensificação do cisalhamento do vento na maioria do território sulista.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3990770 Geografia
O geógrafo Carlos Walter Porto Gonçalves, em sua obra A globalização da natureza e a natureza globalizada (2017), critica a perspectiva moderna-cartesiana que concebe a Natureza como um mero recurso a ser dominado, e o desenvolvimento como um afastamento benéfico dela. O autor argumenta que a globalização impõe uma lógica mercantil hegemônica, gerando a globalização da “ exploração da natureza . ”
Fonte: Gonçalves-Porto, Carlos.(2017) A globalização da Natureza e a natureza Globalizada. Editora Civilização Brasileira. A Evolução Jurídica Do Crédito De Carbono: Perspectivas E Reflexões No Brasil - https://www.grupounibra.com/repositorio/DIREIT/2023/a-evolucao-juridica-do-credito-de-carbono-perspectivas.pdf
Considerando a base conceitual descrita e a realização da COP30 em Belém-PA (Amazônia), marque a alternativa que representa uma crítica coerente do autor à centralidade de mecanismos como o mercado de carbono (REDD+) e o financiamento para Soluções ” Baseadas na Natureza no contexto das Conferências do Clima.
Alternativas
Q3990769 Geografia
Milton Santos (2008), na obra A Natureza do Espaço, escreveu: “Os espaços assim requalificados atendem, sobretudo, aos interesses dos atores hegemônicos da economia, da cultura e da política e são incorporados plenamente às novas correntes mundiais”. Essa configuração é a cara geográfica da globalização.
Fonte: Santos, Milton (2008) A Natureza do Espaço. Editora: Edusp. p. 239.
Na perspectiva teórico-geográfica de Milton Santos, assinale a assertiva CORRETA.
Alternativas
Q3990768 Geografia
A biogeografia da América do Sul é marcada por contrastes climáticos e ecológicos que moldaram, ao longo do tempo, a distribuição das espécies e a configuração dos grandes biomas do continente. Entre extensas áreas de florestas úmidas, como a Amazônia e a Mata Atlântica, existe um amplo corredor de formações abertas e sazonalmente secas que desempenha papel fundamental na dinâmica ecológica, nos padrões de dispersão de espécies e na compreensão da história ambiental sul-americana.
Nesse contexto, surge um conceito-chave para entender esses processos e as interações entre ambientes úmidos e secos. O que é a "Diagonal Seca" e qual a sua importância biogeográfica na América do Sul?
I- É um corredor de formações abertas (Cerrado, Caatinga, Chaco) que separa a Floresta Amazônica da Mata Atlântica.
II- É a ecorregião mais árida do Neotrópico, composta apenas por desertos.
III- Representa uma barreira à dispersão de espécies de ambientes úmidos, mas funciona como um importante corredor para a dispersão de táxons adaptados à seca entre o Nordeste brasileiro e o Cone Sul.
IV- Refere-se a uma antiga conexão florestal que existiu durante o Pleistoceno, unindo a Amazônia e a Mata Atlântica. V- É uma cadeia de montanhas que impede a passagem de umidade do Atlântico para o interior do continente.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3990767 Geografia
As bacias hidrográficas são unidades de análise fundamentais no estudo da Geografia, e a compreensão dos regimes fluviais é crucial para a gestão dos recursos hídricos. O regime fluvial de um rio refere-se à variação sazonal da sua vazão, determinada principalmente por sua principal fonte de alimentação.
Considerando os diferentes tipos de regimes fluviais, sua distribuição e características no território brasileiro, assinale a assertiva CORRETA.
Alternativas
Q3989293 Português
TEXTO: BEBÊS EXPOSTOS À POBREZA APRESENTAM ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO MOTOR JÁ AOS SEIS MESES

Maria Fernanda Ziegler

        A pobreza pode afetar o desenvolvimento motor dos bebês já aos seis meses de idade. Essa é a conclusão do primeiro estudo brasileiro que investigou mês a mês a quantidade e a qualidade do desenvolvimento motor e sua relação com a vulnerabilidade socioeconômica nos primeiros meses de vida.

        Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o trabalho acompanhou 88 bebês dos 3 aos 8 meses, sendo 50 deles em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Os resultados foram publicados na revista Acta Psychologica.

        “Além desses bebês alcançarem marcos motores [como agarrar objetos, virar e sentar] mais tarde que os não expostos à pobreza, eles apresentavam menor diversidade de movimentos, repetindo sempre a mesma estratégia para pegar um brinquedo, por exemplo”, explica Carolina Fioroni Ribeiro da Silva, bolsista da Fapesp cujo estudo foi objeto de seu doutorado.

      Para Eloisa Tudella, professora da UFSCar e orientadora da pesquisa, esses atrasos sutis em lactentes expostos à pobreza podem ter impactos importantes mais adiante, nos períodos pré-escolar e escolar. 

        “Embora não tenha sido o foco direto da pesquisa, evidências indicam que atrasos motores leves no primeiro ano de vida podem influenciar o desenvolvimento global e se associar a problemas comportamentais na idade escolar, incluindo transtorno do déficit de atenção com hiperatividade [TDAH] e transtornos da coordenação”, afirma.

        O estudo mostrou ainda que há espaço para reversão já que, aos oito meses, os atrasos já não eram mais significativos. Essa possibilidade de melhora é atribuída ao engajamento das mães, que passaram a reproduzir em casa as orientações dadas durante as visitas (nenhum pai se apresentou como responsável para receber as pesquisadoras).

        “A maioria das mães expostas à pobreza era adolescente e não sabia como estimular os bebês após o nascimento. Durante as visitas, nós ensinávamos práticas simples, como colocar a criança de barriga para baixo, usar papel amassado como brinquedo ou conversar e cantar para o bebê. Todas as mães se mostraram muito receptivas, copiavam as ações durante as avaliações e passaram a interagir mais com os filhos, favorecendo seu desenvolvimento motor”, conta Silva, atualmente em pós-doutorado na Heinrich Heine University, na Alemanha.

        Conhecidos como “tummy time”, os períodos curtos em que o bebê fica de bruços sobre um tapete, acordado e supervisionado, são indicados para fortalecer cabeça, pescoço, ombros, costas e braços, contribuindo para a preparação da musculatura e a coordenação necessárias para que o bebê seja capaz de rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé.

        “Em muitos lares, os bebês passavam mais tempo confinados em carrinhos, com poucas oportunidades para explorar o ambiente, fortalecer os músculos e experimentar diferentes formas de se mover, pois não havia espaço para isso”, afirma Silva.  

        O trabalho utilizou pela primeira vez no Brasil o Infant Motor Profile (IMP), instrumento desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda. Diferente de escalas que avaliam apenas se o bebê atingiu determinado marco motor, o IMP analisa também a qualidade dos movimentos – variação, fluidez, simetria e desempenho. Isso permite identificar precocemente riscos neuromotores, planejar intervenções mais precisas e acompanhar a evolução das crianças ao longo do tempo.

        Segundo Tudella, outra vantagem do instrumento é reduzir a necessidade de avaliações mais caras e complexas, como ressonância magnética em bebês, que em geral exige sedação.

Fonte:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/02 /bebes-expostos-a-pobreza-apresentam-atrasos-nodesenvolvimento-motor-ja-aos-seis-meses.shtml. Acesso em 12/02/2026. 
“Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o trabalho acompanhou 88 bebês dos 3 aos 8 meses” (2º parágrafo). A palavra destacada está no: 
Alternativas
Respostas
1641: D
1642: A
1643: B
1644: C
1645: E
1646: B
1647: D
1648: B
1649: D
1650: A
1651: E
1652: D
1653: B
1654: A
1655: C
1656: C
1657: E
1658: C
1659: A
1660: A