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Q3406648 Português

Os deuses da cidade

 

    Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vé-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.

 

       A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milénios).

 

       Mais do que com a maquina, e a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual.

 

       Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Uma cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.

 

(Adaptado de Calvino, Ítalo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Barni. São Paulo:

Companhia das Letras, 2006, p. 333-336, passim)

A expressão deuses da cidade, presente no título, deve-se à informação histórica manifesta neste segmento:
Alternativas
Q3406647 Português

Os deuses da cidade

 

    Para ver uma cidade não basta ficar de olhos abertos. É preciso primeiramente descartar tudo aquilo que impede de vé-la, todas as ideias recebidas, as imagens pré-constituídas que continuam a estorvar o campo visual e a capacidade de compreensão. Depois é preciso saber simplificar, reduzir ao essencial o enorme número de elementos que a cada segundo a cidade põe diante dos olhos de quem a observa, e ligar os fragmentos espalhados num desenho analítico e ao mesmo tempo unitário, como o diagrama de uma máquina, com o qual se possa compreender como ela funciona.

 

       A comparação da cidade com uma máquina é, ao mesmo tempo, pertinente e desviante. Pertinente porque uma cidade vive na medida em que funciona, isso é, em que serve para se viver nela e para fazer viver. Desviante porque, diferentemente das máquinas, que são criadas com vistas a uma determinada função, as cidades são todas ou quase todas o resultado de adaptações sucessivas a funções diferentes, não previstas por sua fundação anterior (penso nas cidades italianas com sua história de séculos ou de milénios).

 

       Mais do que com a maquina, e a comparação com o organismo vivo na evolução da espécie que pode nos dizer alguma coisa importante sobre a cidade: como, ao passar de uma era para outra, as espécies vivas adaptam seus órgãos para novas funções ou desaparecem, assim também as cidades. E não podemos esquecer que na história da evolução toda espécie carrega consigo características que parecem de outras eras, na medida em que já não correspondem a necessidades vitais, mas que talvez um dia, em condições ambientais transformadas, serão as que salvarão a espécie da extinção. Assim a força da continuidade de uma cidade pode consistir em características e elementos que hoje parecem prescindíveis, porque esquecidos ou contraditos por seu funcionamento atual.

 

       Os antigos representavam o espírito de uma cidade com aquele tanto de vago e aquele tanto de preciso que essa operação implica, evocando os nomes dos deuses que presidiram sua fundação: nomes que equivalem a personificações de posturas vitais do comportamento humano e que tinham de garantir a vocação profunda da cidade. Uma cidade pode passar por catástrofes e anacronismos, ver estirpes diferentes sucedendo-se em suas casas, ver suas casas mudarem cada pedra, mas deve, no momento certo, sob formas diferentes, reencontrar os próprios deuses.

 

(Adaptado de Calvino, Ítalo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Barni. São Paulo:

Companhia das Letras, 2006, p. 333-336, passim)

Para fundamentar sua comparação da cidade com um organismo vivo, o autor se vale da convicção de que em ambos os casos
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Q3406111 Legislação dos TRFs, STJ, STF e CNJ
O Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão de Documentos e Processos do Poder Judiciário (MoReq-Jus) foi instituído pela Resolução CNJ nº 
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Q3406110 Arquivologia
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Ao receber um pedido de acesso a documentos que possam comprometer a privacidade de indivíduos ainda vivos, o arquivista deve
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O Programa de Avaliação do Grau de Aderência dos Sistemas ao MoReq-Jus e de Atualização Permanente (Programa MoReq- Aval) será executado 
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Para garantir a segurança e a autenticidade das transações eletrônicas no Brasil, por meio da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP/Brasil), é preciso
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Q3406104 Arquivologia
O formato adotado para a produção de documentos arquivísticos digitais, por sua baixa exigência de recursos tecnológicos para sua apresentação e sua perspectiva de perenidade, é o 

Q53.png (273×44)
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Q3406103 Arquivologia
A tecnologia evidenciou um novo paradigma para a preservação e a gestão documental na arquivística. O documento deixou de ser uma unidade indissolúvel entre a informação e seu suporte de registro, surgindo, assim, um novo conceito: o de variabilidade limitada. A definição de tal conceito é 
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Q3406102 Arquivologia
Ao lidar com documentos que contenham informações sensíveis, o arquivista deve
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Q3406101 Arquivologia
Sobre identificação e tratamento de arquivos em diferentes suportes, é correto afirmar que:
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Q3406100 Arquivologia
Por oferecer maior segurança contra a inflamabilidade, a base utilizada em substituição ao nitrato de celulose é o 
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Q3406099 Arquivologia
Areação química do oxigênio do ar em contato com a celulose, causando a decomposição, quebra e escurecimento das fibras do papel, que pode se tomar irreversível ao entrar em contato com a luz, é  
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Q3406098 Arquivologia
O procedimento que compreende a rotina de controle da temperatura, da umidade relativa, da intensidade e do tempo de exposição à radiação luminosa e aos poluentes no ambiente de guarda de acervos é  
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Q3406097 Arquivologia
O procedimento da conservação preventiva que deve ser executado antes de qualquer intervenção, atuando diretamente na redução dos agentes de degradação que afetam os acervos, é
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Q3406096 Arquivologia

Considerando a inexistência de um repositório digital confiável, de acordo com as melhores práticas de gerenciamento eletrônico de documentos arquivísticos, para assegurar a autenticidade e a integridade dos documentos ao longo de seu ciclo de vida, recomenda-se 

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Q3406095 Arquivologia
Os inventários, por se referirem a conjuntos documentais classificados, têm, ao contrário do guia, 
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Q3406094 Arquivologia
Na Norma Internacional de Registro de Autoridade Arquivística para Entidades Coletivas, Pessoas e Famílias (ISAAR-CPF), a identificação das fontes consultadas para a criação do registro de autoridade encontra-se na área de
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Respostas
141: E
142: B
143: A
144: D
145: C
146: E
147: B
148: D
149: E
150: C
151: B
152: A
153: D
154: E
155: C
156: A
157: B
158: C
159: B
160: A