Foram encontradas 566 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Texto para responder a questão.
O embondeiro que sonhava pássaros
Esse homem sempre vai ficar de sombra: nenhuma memória será bastante para lhe salvar do escuro. Em verdade, seu astro não era o Sol. Nem seu país não era a vida. Talvez, por razão disso, ele habitasse com cautela de um estranho. O vendedor de pássaros não tinha sequer o abrigo de um nome. Chamavam-lhe o passarinheiro.
Todas manhãs ele passava nos bairros dos brancos carregando suas enormes gaiolas. Ele mesmo fabricava aquelas jaulas, de tão leve material que nem pareciam servir de prisão. Parecia eram gaiolas aladas, voláteis. Dentro delas, os pássaros esvoavam suas cores repentinas. À volta do vendedeiro, era uma nuvem de pios, tantos que faziam mexer as janelas:
– Mãe, olha o homem dos passarinheiros! E os meninos inundavam as ruas. As alegrias se intercambiavam: a gritaria das aves e o chilreio das crianças. O homem puxava de uma muska e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava.
Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos - aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar. Contudo, os pássaros tão encantantes que são - insistiam os meninos. Os pais se agravavam: estava dito.
Mas aquele ordem pouco seria desempenhada.
[...]
O homem então se decidia a sair, juntar as
suas raivas com os demais colonos. No clube, eles
todos se aclamavam: era preciso acabar com as
visitas do passarinheiro. Que a medida não podia ser
de morte matada, nem coisa que ofendesse a vista
das senhoras e seus filhos. O remédio, enfim, se
haveria de pensar.
No dia seguinte, o vendedor repetiu a sua alegre invasão. Afinal, os colonos ainda que hesitaram: aquele negro trazia aves de belezas jamais vistas. Ninguém podia resistir às suas cores, seus chilreios. Nem aquilo parecia coisa deste verídico mundo. O vendedor se anonimava, em humilde desaparecimento de si:
– Esses são pássaros muito excelentes, desses com as asas todas de fora.
Os portugueses se interrogavam: onde desencantava ele tão maravilhosas criaturas? onde, se eles tinham já desbravado os mais extensos matos?
O vendedor se segredava, respondendo um riso. Os senhores receavam as suas próprias suspeições - teria aquele negro direito a ingressar num mundo onde eles careciam de acesso? Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.
Fosse por desdenho dos grandes ou por glória
dos pequenos, a verdade é que, aos pouco-poucos, o
passarinheiro foi virando assunto no bairro do
cimento. Sua presença foi enchendo durações,
insuspeitos vazios. Conforme dele se comprava, as
casas mais se repletavam de doces cantos. Aquela
música se estranhava nos moradores, mostrando
que aquele bairro não pertencia àquela terra. Afinal,
os pássaros desautenticavam os residentes,
estrangeirando-lhes? [...] O comerciante devia saber
que seus passos descalços não cabiam naquelas
ruas. Os brancos se inquietavam com aquela
desobediência, acusando o tempo. [...]
As crianças emigravam de sua condição, desdobrando-se em outras felizes existências. E todos se familiavam, parentes aparentes. [...]
Os pais lhes queriam fechar o sonho, sua pequena e infinita alma. Surgiu o mando: a rua vos está proibida, vocês não saem mais. Correram-se as cortinas, as casas fecharam suas pálpebras.
COUTO, Mia. / Cada Homem é uma raça:contos/Mia Couto –
1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.63 – 71.
(Fragmento).
Texto para responder a questão.
O embondeiro que sonhava pássaros
Esse homem sempre vai ficar de sombra: nenhuma memória será bastante para lhe salvar do escuro. Em verdade, seu astro não era o Sol. Nem seu país não era a vida. Talvez, por razão disso, ele habitasse com cautela de um estranho. O vendedor de pássaros não tinha sequer o abrigo de um nome. Chamavam-lhe o passarinheiro.
Todas manhãs ele passava nos bairros dos brancos carregando suas enormes gaiolas. Ele mesmo fabricava aquelas jaulas, de tão leve material que nem pareciam servir de prisão. Parecia eram gaiolas aladas, voláteis. Dentro delas, os pássaros esvoavam suas cores repentinas. À volta do vendedeiro, era uma nuvem de pios, tantos que faziam mexer as janelas:
– Mãe, olha o homem dos passarinheiros! E os meninos inundavam as ruas. As alegrias se intercambiavam: a gritaria das aves e o chilreio das crianças. O homem puxava de uma muska e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava.
Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos - aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar. Contudo, os pássaros tão encantantes que são - insistiam os meninos. Os pais se agravavam: estava dito.
Mas aquele ordem pouco seria desempenhada.
[...]
O homem então se decidia a sair, juntar as
suas raivas com os demais colonos. No clube, eles
todos se aclamavam: era preciso acabar com as
visitas do passarinheiro. Que a medida não podia ser
de morte matada, nem coisa que ofendesse a vista
das senhoras e seus filhos. O remédio, enfim, se
haveria de pensar.
No dia seguinte, o vendedor repetiu a sua alegre invasão. Afinal, os colonos ainda que hesitaram: aquele negro trazia aves de belezas jamais vistas. Ninguém podia resistir às suas cores, seus chilreios. Nem aquilo parecia coisa deste verídico mundo. O vendedor se anonimava, em humilde desaparecimento de si:
– Esses são pássaros muito excelentes, desses com as asas todas de fora.
Os portugueses se interrogavam: onde desencantava ele tão maravilhosas criaturas? onde, se eles tinham já desbravado os mais extensos matos?
O vendedor se segredava, respondendo um riso. Os senhores receavam as suas próprias suspeições - teria aquele negro direito a ingressar num mundo onde eles careciam de acesso? Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.
Fosse por desdenho dos grandes ou por glória
dos pequenos, a verdade é que, aos pouco-poucos, o
passarinheiro foi virando assunto no bairro do
cimento. Sua presença foi enchendo durações,
insuspeitos vazios. Conforme dele se comprava, as
casas mais se repletavam de doces cantos. Aquela
música se estranhava nos moradores, mostrando
que aquele bairro não pertencia àquela terra. Afinal,
os pássaros desautenticavam os residentes,
estrangeirando-lhes? [...] O comerciante devia saber
que seus passos descalços não cabiam naquelas
ruas. Os brancos se inquietavam com aquela
desobediência, acusando o tempo. [...]
As crianças emigravam de sua condição, desdobrando-se em outras felizes existências. E todos se familiavam, parentes aparentes. [...]
Os pais lhes queriam fechar o sonho, sua pequena e infinita alma. Surgiu o mando: a rua vos está proibida, vocês não saem mais. Correram-se as cortinas, as casas fecharam suas pálpebras.
COUTO, Mia. / Cada Homem é uma raça:contos/Mia Couto –
1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.63 – 71.
(Fragmento).
Sobre o texto leia as afirmativas a seguir.
I. Mia Couto apresenta uma crítica ao estereótipo do negro, segregado pelos valores culturais que valorizam a cultura do colonizador.
II. O passarinheiro não é bem-vindo no espaço porque explora os pássaros, vendendo-os às crianças que se enganam com sua bondade.
III. A primeira vista, tem-se um passarinheiro, um homem que vende pássaros, um exilado no próprio território.
IV. O primeiro drama exposto no conto é o paradoxo da falta de identidade do vendedor de pássaros.
Está correto apenas o que se afirma em:
A teoria administrativa das Relações Humanas enfatiza as pessoas, os grupos e a organização informal, destacando a importância da interação pessoal, das ações e das atitudes. Com relação à essa teoria das Relações Humanas, analise as seguintes afirmativas.
I. Os elementos emocionais não planejados e irracionais do comportamento humano não merecem atenção.
II. A especialização não é a maneira mais eficiente de divisão do trabalho, pois os empregados gostam de trocar de posição para variar e evitar a monotonia, mesmo que contrariando a política da empresa.
III. No local de trabalho as pessoas participam de grupos sociais dentro da organização e mantêm-se em constante interação social.
Está correto o que se afirma em:
Três primos: Amanda, Gabriela e Luiz viajaram para o Maranhão, cada qual, em um único meio de transporte. Considerem-se as informações a seguir:
- as hospedagens dos três serão: hotel, pousada e casa de amigos. - os transportes utilizados por eles na viagem serão: avião, automóvel e ônibus.
- Luiz se hospedará na casa de amigos
- Amanda viajará de ônibus, para o Maranhão.
- o primo que se hospedará no hotel viajará de avião para o Maranhão.
De acordo com as informações, pode-se concluir que:
Isabela, Flávia e Leonardo combinaram de se inscrever em um concurso. Depois do período de inscrições, os três fizeram as seguintes afirmações:
- Isabela: Não é verdade que Flávia e Leonardo se inscreveram no concurso.
- Flávia: Se Isabela não se inscreveu no concurso, então Leonardo se inscreveu no concurso.
- Leonardo: Eu não me inscrevi no concurso, mas Isabela ou Flávia se inscreveram no concurso.
Se somente a afirmação de Flávia é falsa, então é
correto afirmar que:
No carnaval 2016, no Maranhão, os foliões foram entrevistados sobre dois tipos de danças e o resultado foi registrado na tabela a seguir:

De acordo com a tabela, o percentual de foliões que
optaram pelos dois tipos de dança foi:
Considere que as seguintes afirmações são verdadeiras:
“Algum maranhense é pescador.”
“Todo maranhense é trabalhador.”
Assim pode-se afirmar, do ponto de vista lógico, que: