Questões de Concurso Para isgh

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Q4116597 Farmácia
Em relação às embalagens que deverão ser utilizadas pelas farmácias para a dispensação de medicamentos na forma fracionada, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. 

(_) A embalagem secundária não precisa conter bula do medicamento correspondente.


(_) A embalagem primária para fracionados deve conter somente a posologia do medicamento e dados do farmacêutico responsável. 

(_) Medicamentos genéricos e fitoterápicos não podem ser fracionados.

(_) Uma embalagem secundária para fracionados poderá acondicionar todos os medicamentos contidos na prescrição, mesmo que sejam diferentes.

A sequência está correta em 
Alternativas
Q4116596 Farmácia
Forma Farmacêutica (FM) pode ser entendida como o estado final de apresentação dos princípios ativos após etapas de manipulações farmacêuticas. As FM visam, além de facilitar o uso do medicamento, assegurar a eficácia terapêutica esperada. Em relação ao tema, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4116595 Farmácia
A pesagem de princípios ativos e/ou excipientes deve ser cercada de procedimentos que garantam a concentração correta do fármaco no medicamento. Considerando a etapa de pesagem dos componentes durante o preparo de um medicamento, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4116594 Farmácia
Para o cálculo da duração de um frasco de medicamento em gotas, devem ser consideradas a dose e a posologia que constam na receita e a concentração e o volume da apresentação farmacêutica. Considere que determinado paciente recebeu uma prescrição médica de Fluoxetina em gotas 40 mg por dia durante 30 dias. Sabe-se que o frasco do medicamento disponibiliza um volume total de 20 mL na concentração de 20 mg/mL; e, que 20 gotas corres pondem a 1 mL. Considerando a prescrição e os dados fornecidos, assinale a quantidade de frasco(s) que será(ão) disponibilizado(s) ao paciente: 
Alternativas
Q4116593 Farmácia
Em relação aos Medicamentos Potencialmente Perigosos (MPP), assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4116592 Farmácia
Uma das formas de minimizar o contágio da Covid-19 (vírus SARS-COV-2), recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é o uso do álcool em forma de gel para assepsia das mãos e higienização de superfícies e objetos. Segundo o Formulário Nacional da Farmacopeia, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a forma farmacêutica álcool em gel pode ser preparada pela mistura dos componentes expressos a seguir. 
Imagem associada para resolução da questão

Considerando as quantidades propostas anteriormente, assinale a porcentagem correta massa/massa (%, m/m) do Carbomer 980 na mistura álcool em gel:

(Considere as regras de arredondamento, se necessário.) 
Alternativas
Q4116591 Farmácia
Sobre a classificação dos medicamentos segundo sua classe  terapêutica, analise as afirmativas a seguir.

I. Ácido ascórbico: é uma vitamina.

II. Ácido fólico: é um hematopoiético e antiviral.

III. Albendazol: é um anti-helmíntico.

IV. Captopril: é um anti-hipertensivo, antiagregante plaquetário e ceratolítico.

V. Carbonato de cálcio: é um antiácido, suplemento nutricional e quelante de fósforo.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4116590 Farmácia
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o fracionamento de medicamentos consiste na individualização da embalagem com o intuito de viabilizar a oferta ao usuário na quantidade estabelecida pela prescrição médica. Diante do exposto, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4116589 Farmácia
A Notificação de Receita é o documento padronizado que, acompanhado de receita, autoriza a dispensação de medica mentos sujeitos a controle especial.  
Imagem associada para resolução da questão
A imagem mostra a notificação de receita A (na cor amarela) que atuará na dispensação de substâncias: 
Alternativas
Q4116588 Farmácia
Em relação à estocagem de medicamentos, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4116587 Segurança e Saúde no Trabalho
Dentro da política de segurança em laboratórios, a sinalização dos ambientes aumenta o nível de percepção do risco a que os profissionais da saúde estão expostos, agindo como medida profilática contra acidentes.
Imagem associada para resolução da questão
Podemos afirmar que o risco representado pelo símbolo é:


Alternativas
Q4116586 Técnicas em Laboratório
Um dos aspectos contemplados pela biossegurança são as recomendações sobre os equipamentos de proteção individual e coletiva, que visam minimizar a exposição aos riscos ocupacionais, bem como evitar possíveis acidentes no laboratório. Considerando o uso de luvas no ambiente de trabalho, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4116585 Farmácia
O copolímero Pluronic® F127 pode ser usado para a obtenção de bases farmacêuticas termorresponsivas para tratamento de pele e mucosa. Sua constituição é descrita pela formação de micelas, as quais podem incorporar fármacos hidrofóbicos ou hidrofílicos. Para o preparo de um formulado de F127 pode ser utilizada uma concentração de 15 % (m/m) deste polímero. Assim, considerando a necessidade de preparo de 30 g da base farmacêutica de F127 15% (m/m), a quantidade do polímero (em gramas) que deverá ser dispersada em água será de: 
Alternativas
Q4116584 Direito Sanitário
De acordo com a Constituição Brasileira, no que tange ao financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) proveniente dos recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dentre outras fontes, no âmbito da União, em relação à receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, o percentual designado ao financiamento do SUS não poderá ser inferior a: 
Alternativas
Q4116583 Saúde Pública
O Brasil tem a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo, sendo referência internacional por utilizar estratégias que aliam baixo custo e alta qualidade e tecnologia. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) é uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), e, atualmente, integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança e Aleitamento Materno (PNAISC).

(Ministério da Saúde.)

São competências do posto de coleta de leite humano as seguintes atividades, EXCETO: 
Alternativas
Q4116582 Saúde Pública

Os hospitais são instituição complexas, com densidade tecno lógica específica, de caráter multiprofissional e interdisciplinar, responsável pela assistência aos usuários com condições agudas ou crônicas, que apresentem potencial de instabilização e de complicações de seu estado de saúde, exigindo-se assistência contínua em regime de internação e ações que abrangem a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação.


  (Ministério da Saúde, Portaria nº 3.390, de 30 de dezembro de 2013.)


De acordo com a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), os hospitais, além de prestar assistência, constituem-se, ainda, em espaços de educação, formação de recursos humanos, pesquisa e avaliação de tecnologias em saúde para a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Considera-se apoio matricial na Política Nacional de Atenção Hospitalar: 

Alternativas
Q4116581 Saúde Pública
O Programa Saúde na Hora foi lançado pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (Saps/MS) em maio de 2019 e passou por atualizações com a publicação da Portaria nº 397/GM/MS, de 16 de março de 2020. O Programa viabiliza o custeio aos municípios para implantação do horário estendido de funcionamento das Unidades de Saúde da Família (USF) e Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o território brasileiro.
(Disponível: www.gove.digital/saude/programa-saude-na-hora.) 
O Programa Saúde na Hora prevê:

I. Ampliação ao acesso às ações e serviços considerados essenciais na Atenção Primária à Saúde (APS).

II. Redução do volume dos atendimentos dos usuários com condições de saúde de baixo risco em unidades de pronto atendimento e emergências hospitalares.

III. As Unidades de Saúde da Família (USFs) deverão ter como um dos horários de funcionamento doze horas diárias inin terruptas, de segunda-feira a sexta-feira, durante os cinco dias úteis na semana.

IV. Delimitação do acesso às ações e serviços considerados essenciais na Atenção Primária à Saúde, visando à excelência no atendimento aos usuários.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q4116580 Saúde Pública
O Sistema Único de Saúde (SUS) é organizado de forma regionalizada e hierarquizada, desenvolvido pela conjunção das ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde efetivados pelos entes federativos. São instituídas pelo Estado as Regiões de Saúde em consonância com os municípios de acordo com as diretrizes gerais pactuadas na Comissão de Intergestores Tripartite (CIT). Sobre as ações e os serviços exigidos minimamente nas instituições das Região de Saúde, marque V para as afirmativas verdadeiros e F para as falsas. 

(_) Urgência e emergência.

(_) Atenção psicossocial.

(_)  Vigilância em saúde.

(_) Atenção ambulatorial especializada e hospitalar.

A sequência está correta em
Alternativas
Q4116579 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


        Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

        Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

        – Você vai criar um cajueiro aí?

        Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena. – Mas é melhor arrancar logo, não é?

        Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

        Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha.

        Veio me mostrar:

        – Eu comprei um vaso...

        – Ahn...

        Depois de um silêncio, eu disse:

        – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...

        Ela olhou a plantinha e disse com convicção:

        – Esse aqui não vai morrer, não senhor.

      Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá--lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

        – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.

        Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade:

        – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...  

       Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.


(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)

Quem sabe Deus está ouvindo



    Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.



    Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela: – Você vai criar um cajueiro aí?



    Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.



    – Mas é melhor arrancar logo, não é?



    Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.



    Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha.  



    Veio me mostrar:



    – Eu comprei um vaso...



    – Ahn...



    Depois de um silêncio, eu disse:



    – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...



    Ela olhou a plantinha e disse com convicção:



    – Esse aqui não vai morrer, não senhor



    Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer: 



    – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.



    Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade:



    – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo... 



    Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)


No trecho “Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa.” (6º§), as expressões destacadas expressam, respectivamente, ideia de: 
Alternativas
Q4116578 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


        Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

        Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

        – Você vai criar um cajueiro aí?

        Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena. – Mas é melhor arrancar logo, não é?

        Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

        Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha.

        Veio me mostrar:

        – Eu comprei um vaso...

        – Ahn...

        Depois de um silêncio, eu disse:

        – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...

        Ela olhou a plantinha e disse com convicção:

        – Esse aqui não vai morrer, não senhor.

      Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá--lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

        – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.

        Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade:

        – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...  

       Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.


(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)

Quem sabe Deus está ouvindo



    Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.



    Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela: – Você vai criar um cajueiro aí?



    Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.



    – Mas é melhor arrancar logo, não é?



    Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.



    Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha.  



    Veio me mostrar:



    – Eu comprei um vaso...



    – Ahn...



    Depois de um silêncio, eu disse:



    – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...



    Ela olhou a plantinha e disse com convicção:



    – Esse aqui não vai morrer, não senhor



    Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer: 



    – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.



    Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade:



    – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo... 



    Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)


Em “– Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...” (12º§), o sinal indicativo de crase foi aplicado adequadamente. Tal fato NÃO ocorre em: 
Alternativas
Respostas
241: A
242: B
243: A
244: B
245: B
246: C
247: D
248: A
249: C
250: C
251: C
252: A
253: B
254: C
255: D
256: C
257: C
258: D
259: D
260: D